O discípulo Tiago é o irmão menor de Jesus Cristo, mencionado no Evangelho de Mateus: « Onde este homem obteve essa sabedoria e essa habilidade de realizar obras poderosas? 55Não é este o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? » (Mateus 13:54,55). Consequentemente, não deve ser confundido com o apóstolo Tiago, sendo o irmão do apóstolo João (Mateus 10:2,3 (Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão). Em 1 Coríntios 15:7, está escrito que Jesus Cristo ressuscitado apareceu ao seu irmão mais novo Tiago. Provavelmente foi com essa aparência que ele começou a exercer fé nele, porque está escrito no evangelho de João, que durante o ministério de Jesus Cristo, seus irmãos não exerciam fé nele (João 7:5). Alguns anos depois, foi o discípulo Tiago quem presidiu o Concílio de Jerusalém que devia decidir acerca da circuncisão (Atos 15:12, não poderia ser o apóstolo Tiago, porque o rei Herodes o havia matado antes deste Concílio (Atos 12:2)).
Quando lemos a carta de Tiago, ficamos surpresos com a semelhança do seu modo de ensinar, com o do seu irmão maior, Jesus. Ele usa muitas ilustrações como Jesus. Para indicar, ao ler a meditação sobre a carta de Tiago, pode comparar com o Sermão do Monte pronunciado por seu irmão Jesus nos capítulos 5 a 7 de Mateus. A carta de Tiago é muito fácil de entender, é por isso que antes de cada passagem, haverá uma introdução simples, indicando o tema da sua exortação. Quando necessário, haverá um comentário para especificar o significado de certas expressões ou comparações.
Capítulo 1:
« Tiago, escravo de Deus e doSenhor Jesus Cristo, às 12 tribos que estão espalhadas: Saudações! » (versículo 1). As doze tribos parecem aludir ao Israel de Deus, o Israel espiritual que representa toda a congregação cristã (Gálatas 6:16).
Devemos considerar as provações que Deus permite, como um meio de melhorar a nossa capacidade de perseverar: « Meus irmãos, considerem como motivo de verdadeira alegria o fato de enfrentarem diversas provações, 3visto que vocês sabem que a qualidade provada da sua fé produz perseverança. 4Mas deixem que a perseverança complete a sua obra, para que vocês sejam completos e sãos em todos os sentidos, sem lhes faltar nada. (…) Feliz aquele que continua a perseverar em provação, porque ao ser aprovado receberá a coroa da vida, que Jeová prometeu aos que continuam a amá-lo. 13Quando estiver sob provação, que ninguém diga: “Estou sendo provado por Deus.” Pois, com coisas más, Deus não pode ser provado, nem prova a ninguém. 14Mas cada um é provado ao ser atraído e seduzido pelo seu próprio desejo. 15Então o desejo, quando se torna fértil, dá à luz o pecado; e o pecado, quando consumado, produz a morte » (versículos 2-4,12-15).
Tiago explica que Deus não é o iniciador das provações porque não é ele quem cria os problemas nos quais seus servos estão. Deus só permite a provação de que seu servo às vezes é responsável. Ele dá o exemplo das tentações que não são enviadas por Deus, mas que podem ser despertadas por maus pensamentos. Ele explica o simples processo que pode levar ao pecado. Jesus Cristo, no Sermão do Monte, mostra como um simples desejo no coração dá à luz ao pecado de adultério: « Mas eu lhes digo que todo aquele que persiste em olhar para uma mulher, a ponto de sentir paixão por ela, já cometeu no coração adultério com ela » (Mateus 5:28). Jesus Cristo dá um exemplo de desejo fertilizado no coração, que dá à luz o pecado sem necessariamente ser uma ação. Os dois ensinos são complementares porque Tiago escreve que é o ato cumprido dum pecado que leva à morte, enquanto Jesus Cristo diz que a má intenção no coração é um pecado em si. O apóstolo João também mostra que as más intenções nutridas no coração constituem um pecado sério, a respeito do ódio que poderia levar ao assassinato: « Todo aquele que odeia o seu irmão é assassino, e vocês sabem que a vida eterna não permanece em nenhum assassino » (1 João 3:15).
Devemos pedir, com perseverança e fé, a sabedoria de Deus: « Portanto, se falta sabedoria a algum de vocês, que ele persista em pedi-la a Deus —pois ele dá a todos generosamente, sem censurar—, e ela lhe será dada. 6Mas que ele persista em pedir com fé, sem duvidar de nada, pois quem duvida é semelhante a uma onda do mar, que o vento leva de um lado para o outro. 7De fato, essa pessoa não deve esperar receber algo de Jeová; 8ela é indecisa, instável em todos os seus caminhos. (…) Não se enganem, meus amados irmãos. 17Toda boa dádiva e todo presente perfeito vem de cima, desce do Pai das luzes celestes, o qual não muda como sombras inconstantes. 18Foi da sua vontade nos produzir por meio da palavra da verdade, para que fôssemos, de certa forma, primícias das suas criaturas » (versículos 5-8,16-18).
A dúvida é uma falta de fé, que é considerada, do ponto de vista de Deus, como um pecado: « Além disso, sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem se aproxima de Deus tem de crer que ele existe e que se torna o recompensador dos que o buscam seriamente » (Hebreus 11:6).
Jesus ilustra à insistência nos pedidos feitos a Deus, no Sermão do Monte: « Persistam em pedir, e lhes será dado; persistam em buscar, e acharão; persistam em bater, e lhes será aberto; pois todo aquele que pede, recebe; e todo aquele que busca, acha; e a todo aquele que bate, se abrirá. Realmente, quem de vocês, se o seu filho lhe pedir pão, lhe entregará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe entregará uma serpente? Portanto, se vocês, embora maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o seu Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem! » (Mateus 7:7-11).
Quando Tiago escreve que não muda como sombras inconstantes, significa que quando Deus dá aos seus servos, está constantemente no zênite, quer dizer que sempre dá o melhor.
As primícias das suas criaturas poderiam se referir aos cristãos que seriam co-herdeiros com Cristo nos céus, segundo oapóstolo Paulo. Em 1 Coríntios 15:20-23, ele aplica exclusivamente a expressão « as primícias » a Jesus Cristo ressuscitado e em Romanos 8:23, ele aplica aos co-herdeiros cristãos com Cristo.
Os pobres serão enaltecidos, enquanto aos ricos serão humilhados: « Que o irmão humilde, porém, se alegre por causa do seu enaltecimento, 10e o rico por causa da sua humilhação; porque o rico passará como a flor do campo. 11Pois o sol se levanta com o seu calor abrasador e faz a planta secar, então sua flor cai e sua beleza desaparece. Assim também o rico desaparecerá em meio aos seus empreendimentos » (versículos 9-11).
Devemos ter cuidado com o uso da língua: « Tenham isto em mente, meus amados irmãos: todos devem ser prontos para ouvir, mas devem demorar para falar e demorar para ficar irados; 20pois a ira do homem não produz a justiça de Deus. 21Portanto, abandonem toda imundície e todo vestígio de maldade, e aceitem com brandura a implantação da palavra que é capaz de salvar vocês. (…) Se alguém acha que adora a Deus, mas não domina a língua, ele está enganando seu próprio coração, e a sua adoração é fútil. 27A forma de adoração que é pura e imaculada do ponto de vista de nosso Deus e Pai é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas nas suas dificuldades, e manter-se sem mancha do mundo » (versículos 19-21,26,27, ver também capítulo 3).
Temos de cumprir o ensino bíblico em nossa vida: « Contudo, tornem-se cumpridores da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se com raciocínios falsos. 23Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante a um homem que olha seu próprio rosto num espelho. 24Pois ele olha para si mesmo, vai embora e logo esquece como ele é. 25Mas aquele que examinacom cuidado a lei perfeitaque pertence à liberdade, e continua nela, tornou-se não um ouvinteque facilmente se esquece,mas umcumpridorda obra; e ele será feliz no que faz » (versículos 22-25).
Capítulo 2:
Não devemos ser parciais em nossas relações com os outros, sejam com os ricos como com os pobres: « Meus irmãos, será que vocês estão se apegando à fé no nosso glorioso Senhor Jesus Cristo e ao mesmo tempo usando de favoritismo? 2Pois, se um homem com anéis de ouro nos dedos e com roupa magnífica entra na sua reunião, mas entra também um pobre, com roupa imunda, 3será que vocês olham com favor para aquele que usa roupa magnífica e dizem: “Sente-se aqui, num lugar de honra”, mas dizem ao pobre: “Fique de pé”, ou: “Sente-se ali no chão, ao lado do apoio para os meus pés”? 4Se isso acontece, não é verdade que vocês fazem distinções de classe entre si e se tornaram juízes que tomam decisões perversas?5Escutem, meus amados irmãos. Não é verdade que Deus escolheu os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que ele prometeu aos que o amam? 6Mas vocês desonram o pobre. Não são os ricos que oprimem vocês e os arrastam perante os tribunais? 7Não são eles que blasfemam o nome honroso que vocês levam? 8Se vocês cumprem a lei régia, segundo a passagem das Escrituras: “Ame o seu próximo como a si mesmo”, fazem muito bem. 9Mas, se vocês continuam mostrando favoritismo, estão cometendo um pecado e são condenados pela lei como transgressores » (versículos 1-9).
Devemos cumprir todos os aspectos da lei cristã, e não esquecer de praticar a misericórdia: « Pois se alguém obedece a toda a Lei, mas dá um passo em falso num só ponto, torna-se infrator da Lei inteira. 11Pois aquele que disse: “Não cometa adultério” disse também: “Não assassine.” Portanto, se você não comete adultério, mas assassina, torna-se transgressor da Lei. 12Falem e comportem-se como pessoas que serão julgadas pela lei de um povo livre. 13Pois quem não pratica a misericórdia será julgadosem misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento » (versículos 10-13).
Em relação à misericórdia, Jesus Cristo mostra que será feito à misericórdia aos misericordiosos e que Deus perdoará aqueles que perdoarão as falhas do seu próximo (Mateus 5:7 e 6:14,15).
A fé viva está autenticada por obras cristãs, mas uma fé sem obras está morta: « De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Será que essa fé pode salvá-lo? 15Se um irmão ou uma irmã não tem o que vestir nem alimento suficiente para o dia, 16e um de vocês lhe diz: “Vá em paz; mantenha-se aquecido e bem alimentado”, mas não lhe dá o que ele necessita para o corpo, de que adianta isso? 17Assim também a fé por si só, sem obras, está morta. 18Contudo, alguém dirá: “Você tem fé e eu tenho obras. Mostre-me a sua fé sem as obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas minhas obras.” 19Você crê que há um só Deus? Faz muito bem. Contudo, os demônios creem e estremecem. 20Mas quer ver, ó homem vão, como a fé sem obras é inútil? 21Não foi Abraão, nosso pai, declarado justo por obras depois de ter oferecido Isaque, seu filho, no altar? 22Veja que a sua fé agiu junto com as suas obras e que a sua fé se tornou perfeita pelas suas obras, 23e cumpriu-se a passagem das Escrituras que diz: “Abraão depositou fé em Jeová, e isso lhe foi creditado como justiça”, e ele veio a ser chamado amigo de Jeová. 24Vejam que o homem será declarado justo por obras, e não apenas pela fé. 25Da mesma maneira, não foi também Raabe, a prostituta, declarada justa por obras, depois de receber os mensageiros hospitaleiramente e de mandá-los embora por outro caminho? 26Realmente, assim como o corpo sem espírito está morto, assim também a fé sem obras está morta » (versículos 14-26).
As obras mencionadas por Tiago, de acordo com o contexto, são as obras de misericórdia e não as obras da Lei Mosaica (ver versículos 15,16,25).
Capítulo 3:
Os conselhos do discípulo Tiago sobre o uso da língua: « Não muitos de vocês deviam se tornar instrutores, meus irmãos, pois vocês sabem que nós receberemos um julgamento mais pesado. 2Pois todos nós tropeçamos muitas vezes. Se alguém não tropeça em palavra, é homem perfeito, capaz de refrear também todo o seu corpo. 3Se colocamos freios na boca dos cavalos para que nos obedeçam, guiamos também todo o seu corpo. 4Vejam também os navios: embora sejam grandes e impelidos por ventos fortes, são dirigidos por um leme muito pequeno, para onde o timoneiro deseja ir. 5Do mesmo modo, a língua é uma parte pequena do corpo, mas se gaba de grandes coisas. Vejam como basta uma chama muito pequena para incendiar uma grande floresta! 6A língua também é um fogo. A língua representa um mundo de injustiça entre os membros do nosso corpo, pois contamina todo o corpo e incendeia por inteiro o curso da vida; suas chamas vêm da Geena. 7Pois toda espécie de animais selvagens, de aves, de répteis e de animais marinhos pode ser domada e tem sido domada pelos humanos. 8Mas nenhum humano pode domar a língua. Ela é indisciplinada e prejudicial, cheia de veneno mortífero. 9Com ela louvamos a Jeová, o Pai, e com ela amaldiçoamos homens que vieram a existir “à semelhança de Deus”. 10Da mesma boca saem bênçãos e maldições. Meus irmãos, não é correto que as coisas sejam assim. 11Será que uma fonte faz brotar pela mesma abertura água doce e água amarga? 12Meus irmãos, será que a figueira pode produzir azeitonas, ou a videira figos? Assim também a fonte de água salgada não pode produzir água doce » (versículos 1-12).
A geena mencionada por Tiago é o símbolo da morte sem ressurreição, a morte eterna. No versículo 6, mostra que é com a língua que se pode cometer pecados que podem levar à sentença divina da Geena. No Sermão do Monte, Jesus diz o mesmo: « No entanto, eu lhes digo que todo aquele que continuar irado com seu irmão terá de prestar contas ao tribunal de justiça; e quem sedirigir a seu irmão com uma palavra imprópria de desprezo terá de prestar contas ao Supremo Tribunal; ao passo que quem disser: ‘Tolo imprestável!’ estará sujeito à Geena ardente » (Mateus 5:22). Mais tarde, Jesus Cristo diz que um homem pode pecar contra o Espírito Santo com a sua boca. O pecado contra o Espírito Santo é imperdoável, é um pecado eterno: « Por essa razão, eu lhes digo: Todo tipo de pecados e blasfêmias será perdoado aos homens, mas a blasfêmia contra o espírito não será perdoada. Por exemplo, quem falar uma palavra contra o Filho do Homem será perdoado; mas quem falar contra o espírito santo não será perdoado, não, nem neste sistema de coisas, nem no que virá. (…) Eu lhes digo que os homens prestarão contas no Dia do Julgamento por toda declaração sem valor que fizerem; pois pelas suas palavras você será declarado justo e pelas suas palavras será condenado » (Mateus 12:31,32,36,37).
Temos de rejeitar a sabedoria terrena e animal, mas temos de praticar a sabedoria de cima: « Quem é sábio e entendido entre vocês? Que ele mostre, pela sua boa conduta, obras realizadas com a brandura que vem da sabedoria. 14Mas, se vocês têm no coração ciúme amargo erivalidade, não se gabem, não mintam contra a verdade. 15Essa não é a sabedoria que desce de cima; é terrena, animal, demoníaca. 16Porque onde houver ciúme e rivalidade, ali haverá também desordem e todo tipo de coisa ruim. Mas a sabedoria de cima é primeiramente pura, depois pacífica, razoável, pronta para obedecer, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia. 18Além disso, o fruto da justiça é semeado em condições pacíficas para os pacificadores » (versículos 13-18).
Encontramos o mesmo tipo de descrição contrastante entre, desta vez, as obras da carne e o fruto do espírito, escritos pelo apóstolo Paulo: « As obras da carne são claramente vistas. Elas são: imoralidade sexual, impureza, conduta insolente, idolatria, ocultismo, inimizades, brigas, ciúme, acessos de ira, discórdias, divisões, formação de seitas, inveja, embriaguez, festas descontroladas e coisas como essas. Eu estou advertindo vocês a respeito dessas coisas, do mesmo modo como já os adverti: os que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus. Por outro lado, o fruto do espírito é: amor, alegria, paz, paciência, bondade, benignidade, fé, brandura, autodomínio. Contra tais coisas não há lei » (Gálatas 5:19-23).
Capítulo 4:
Devemos evitar ter más intenções: « De onde vêm as guerras e as lutas entre vocês? Não vêm dos seus desejos carnais, que travam um combate dentro devocês? 2Vocês desejam,mas não têm. Continuam a assassinar e a cobiçar, mas não conseguem obter o que querem. Continuam a lutar e a guerrear. Vocês não têm porque não pedem. 3Quando pedem, não recebem, porque estão pedindo com o objetivo errado, paragastar nos seus desejos carnais » (versículos 1-3).
Devemos evitar o adultério espiritual, ou seja, a amizade com o mundo: « Adúlteras, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Portanto, quem quer ser amigo do mundo faz de si mesmo um inimigo de Deus. 5Ou vocês acham que é sem motivo que as Escrituras dizem: “O espírito que passou a morar em nós continua cheio de desejos invejosos”? 6No entanto, a bondade imerecida que Ele concede é maior. Por isso, as Escrituras dizem: “Deus se opõe aos arrogantes, mas concede bondade imerecida aos humildes » (versículos 4-6).
O adultério representa não respeitar a promessa de lealdade permanente entre um homem e uma mulher, sendo os dois casados. O adultério espiritual é não respeitar a promessa de lealdade permanente feita a Deus e a Cristo, durante o batismo cristão (Mateus 28:19). A amizade com o mundo é definida com mais precisão pelo apóstolo João: « Não amem nem o mundo, nem as coisas no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo o que há no mundo —o desejo da carne, o desejo dos olhos e a ostentação de posses— não se origina do Pai, mas se origina do mundo. Além disso, o mundo está passando, e também o seu desejo, mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre » (1 João 2:15-17).
Temos de nos sujeitar a Deus e se opor ao diabo: « Portanto, sujeitem-se a Deus; mas oponham-se ao Diabo, e ele fugirá de vocês. 8Acheguem-se a Deus, e ele se achegará a vocês. Limpem as mãos, ó pecadores, e purifiquem o coração, ó indecisos. 9Fiquem tristes, lamentem e chorem. Que o seu riso se transforme em choro, e a sua alegria em tristeza. 10Humilhem-se aos olhos de Jeová, e ele os enaltecerá » (versículos 7-10).
Quem é Satanás, o diabo?
Jesus Cristo descreveu o diabo de forma muito concisa: “Ele foi um assassino quando começou, e não permaneceu na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele fala a mentira, está fazendo o que lhe é próprio, porque é um mentiroso e o pai da mentira” (João 8:44). Satanás, o diabo, não é a abstração do mal, mas uma pessoa espiritual real (Mateus 4:1-11). Da mesma forma, os demônios são também anjos que se tornaram rebeldes que seguiram o exemplo do diabo (Gênesis 6:1-3; Judas versículo 6: “E os anjos que não mantiveram sua posição original, mas abandonaram sua própria morada correta, ele reservou, em correntes eternas e em densa escuridão, para o julgamento do grande dia »).
Quando está escrito ele « não permaneceu na verdade », isso mostra que Deus criou aquele anjo sem pecado e sem qualquer traço de maldade em seu coração e no início de sua vida, tinha um “bom nome” (Eclesiastes 7:1a). Porém, ele não perseverou em sua integridade, ele cultivou o orgulho em seu coração, e com o tempo ele se tornou “diabo”, que significa caluniador, e Satanás, oponente. Seu antigo e « bom nome » e sua antiga boa reputação, foram substituídos por um nome vergonhoso: Satanás o diabo. Na profecia de Ezequiel (capítulo 28), contra o orgulhoso rei de Tiro, é claramente aludido ao orgulho do anjo que se tornou « diabo » e « Satanás »: »Você era o modelo da perfeição, Cheio de sabedoria e perfeito em beleza. Você estava no Éden, jardim de Deus. Estava adornado com todo tipo de pedras preciosas: Rubi, topázio, jaspe, crisólito, ônix, jade, safira, turquesa e esmeralda; E os engastes e suportes delas eram feitos de ouro. Tudo isso foi preparado no dia em que você foi criado. Eu o designei como o querubim protetor, o ungido. Você estava no monte santo de Deus e andava por entre pedras de fogo. Você era íntegro nos seus caminhos desde o dia em que foi criado Até que se achou injustiça em você » (Ezequiel 28:12-15). Por seu ato de injustiça no Éden, ele se tornou um « mentiroso » que causou a morte de todos os descendentes de Adão (Gênesis 3; Romanos 5:12). Atualmente, é Satanás, o diabo, que governa o mundo: “Agora este mundo está sendo julgado; agora será expulso o governante deste mundo” (João 12:31; Efésios 2:2; 1 João 5:19).
Satanás, o diabo, será destruído para sempre: « O Deus que dá paz esmagará em breve a Satanás debaixo dos pés de vocês » (Gênesis 3:15; Romanos 16:20).
Não temos de julgar o próximo: « Parem de falar uns contra os outros, irmãos. Quem fala contra um irmão ou julga seu irmão fala contra a lei e julga a lei. Ora, se você julga a lei, não é cumpridor da lei, mas juiz. 12Há somente um que é Legislador e Juiz, aquele que é capaz de salvar e de destruir. Mas você, quem é você para julgar o seu próximo? » (Versículos 11,12).
Encontramos a mesma exortação no Sermão do Monte: « Parem de julgar, para que não sejam julgados; pois, com o julgamento com que julgam, vocês serão julgados, e com a medida com que medem, medirão a vocês. Então, por que você olha para o cisco no olho do seu irmão, mas não percebe que há uma trave no seu próprio olho? Ou, como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave do seu próprio olho e depois verá claramente como tirar o cisco do olho do seu irmão » (Mateus 7:1-5).
Esta exortação a não julgar deve ser colocada no contexto da relação humana em geral e não no quadro normal de um tribunal que requer a intervenção de um juiz para decidir sobre a culpa ou não de uma pessoa.
Jesus Cristo diz que o homem que tende a julgar sistematicamente o próximo, muitas vezes esquece que está exatamente na mesma situação que a pessoa que está julgando: ele é um pecador como todos os outros descendentes de Adão: « Pois todos pecaram e não atingem a glória de Deus” (Romanos 3:23). Jesus Cristo acrescenta um segundo ponto mostrando que aquele que julga se coloca numa situação muito delicada do ponto de vista daquele que exercerá o julgamento, o Rei Jesus Cristo, especialmente pouco antes da grande tribulação: ele será julgado da mesma maneira como ele julga os outros. Portanto, o não julgamento, visto dessa perspectiva, é uma forma de ser prudente. No entanto, Jesus Cristo disse antes, em seu sermão, que devemos ser misericordiosos e assim seremos tratados com misericórdia. Devemos perdoar, para que Deus nos perdoe nossas faltas (Mateus 5:7; 6:14,15).
No entanto, Jesus Cristo vai muito mais longe em relação à pessoa que tende a julgar o próximo, diz sem hesitar, que é um hipócrita. De fato, ela julga seu próximo ignorando que ela tem faltas, ainda mais graves; Jesus Cristo diz que a pessoa julgada tem um argueiro no olho enquanto, por efeito ótico, tem uma trave no olho. A expressão usada por Cristo está totalmente de acordo com a pessoa que julga regularmente o seu próximo: « Médico, cura-te a ti mesmo » (Lucas 4:23).
Devemos evitar a presunção e a arrogância: « Agora escutem, vocês que dizem: “Hoje ou amanhã viajaremos para aquela cidade, ali passaremos um ano, negociaremos e ganharemos dinheiro”, 14embora nem saibam como será a sua vida amanhã. Porque vocês são uma neblina que aparece por um instante e depois desaparece. 15Em vez disso, vocês deviam dizer: “Se Jeová quiser, viveremos e faremos isso ou aquilo.” 16Mas o que acontece é que vocês se orgulham das suas arrogantes pretensões. Todo esse orgulho é mau. 17Portanto, se alguém sabe fazer o que é certo e ainda assim não o faz, está pecando » (versículos 13-17).
O comentário do discípulo Tiago sobre a fragilidade da vida humana nos leva a fazer perguntas existenciais sobre seu significado. O livro bíblico de Eclesiastes está exatamente no tema da reflexão existencial, do senso da vida e as perguntas, ligadas à morte e à esperança. A sua meditação se coloca em duas perspectivas importantes: a descrição da vida que estaria numa perspectiva completamente despojada de toda espiritualidade e a outra que consistiria em considerar sua dimensão espiritual e divina.
Começa com o que constitui seu tema central: « A maior das vaidades”, disse o congregante, “a maior das vaidades! Tudo é vaidade! » (Eclesiastes 1:2). O tema do absurdo da condição humana atual é ilustrado por muitos exemplos ; uma condição humana que o leva inexoravelmente à morte, seja o que vai fazer, no final, isso será inútil.
Obviamente, este livro bíblico não se contenta em tornar essa observação realista e sombria, apresenta a solução, em todo o livro de Eclesiastes e nas últimas palavras do capítulo 12: « A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem. 14Pois o próprio verdadeiro Deus levará toda sorte de trabalho a julgamento com relação a toda coisa oculta, quanto a se é bom ou mau » (Eclesiastes 12:13,14 ). Se este livro começa com um aspecto muito sombrio da existência, o contraponto é a solução a ser ligado a Deus, com o divino, porque Ele pode nos tirar desse ciclo absurdo, dessa existência, concedendo-nos a vida eterna (João 3:16,36; 17:3). Ao longo desta observação do absurdo da vida, há uma alternância entre as trevas, nossa condição humana atual e a luz, que Deus pode nos libertar deste beco sem saída.
Capítulo 5:
Haverá um julgamento contra os ricos que oprimem os pobres e que extorquiram os obreiros: « Agora, ricos, escutem! Chorem e lamentem por causa das desgraças que virão sobre vocês. 2Suas riquezas apodreceram e suas roupas foram roídas pelas traças. 3Seu ouro e sua prata foram consumidos pela ferrugem, e a ferrugem deles servirá de testemunho contra vocês e consumirá a sua carne. O que vocês acumularam será como um fogo nos últimos dias. 4Vejam! O salário que vocês deixaram de pagar aos trabalhadores que colheram os seus campos está clamando, e os clamores por ajuda da parte dos ceifeiros chegaram aos ouvidos de Jeová dos exércitos. 5Vocês tiveram na terra uma vida de luxo, entregue aos prazeres. Engordaram o coração no dia da matança. 6Vocês condenaram, assassinaram o justo. Será que ele não se opõe a vocês? » (Versículos 1-6).
Jesus Cristo fala da riqueza que tem um valor temporário: « Parem de acumular para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde ladrões arrombam e furtam. Em vez disso, acumulem para vocês tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, ali estará também o seu coração » (Mateus 6:19-21).
O apóstolo Paulo mostra que não é o dinheiro, o problema, mas o amor ao dinheiro: « Mas os que estão decididos a ficar ricos caem em tentação, em laço e em muitos desejos insensatos e prejudiciais, que afundam os homens na destruição e na ruína. Porque o amor ao dinheiro é raiz de todo tipo de coisas prejudiciais, e alguns, empenhando-se por esse amor, foram desviados da fé e causaram a si mesmos muitos sofrimentos » (1 Timóteo 6:9,10).
Temos de ser pacientes na esperança: « Portanto, sejam pacientes, irmãos, até a presença do Senhor. Vejam como o lavrador fica esperando o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência até chegarem as primeiras e as últimas chuvas. 8Vocês também, exerçam paciência; fortaleçam o coração, porque a presença do Senhor se aproxima » (versículos 7,8).
Este texto mostra que a presença de Jesus Cristo glorificado está ligada ao cumprimento da esperança cristã. Nesse caso, exatamente quando Jesus Cristo vier para julgar a humanidade, pouco antes da grande tribulação: « Quando o Filho do Homem vier na sua glória, e com ele todos os anjos, então se sentará no seu trono glorioso. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará as pessoas umas das outras, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à sua esquerda » (Mateus 25:31-33).
Após descrever acontecimentos dramáticos antes do fim deste sistema de coisas, num momento que deveria ser muito angustioso e estamos vivendo agora, Jesus Cristo disse a seus discípulos para « levantarem a cabeça » porque o cumprimento da sua esperança « está-se aproximando »: « Mas, quando estas coisas principiarem a ocorrer, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque o vosso livramento está-se aproximando » (Lucas 21:28).
Como encontrar alegria, estando nas provações pessoais? O apóstolo Paulo escreveu que devemos seguir o padrão de Jesus Cristo: « Portanto, visto que estamos rodeados de uma nuvem tão grande de testemunhas, livremo-nos também de todo peso e do pecado que facilmente nos envolve, e corramos com perseverança a corrida apresentada a nós, olhando atentamente para o Agente Principal e Aperfeiçoador da nossa fé, Jesus. Pela alegria que lhe foi apresentada, ele suportou a morte numa estaca de tortura, desprezando a vergonha, e se sentou à direita do trono de Deus. De fato, considerem atentamente aquele que suportou tantas palavras hostis da parte de pecadores, que agiam contra os seus próprios interesses, para que vocês não se cansem nem desistam » (Hebreus 12:1-3).
Jesus Cristo tinha a energia de sua perseverança frente as suas provações pela alegria da esperança apresentada diante dele. É importante ter energia para alimentar nossa perseverança, por meio da « alegria » de nossa esperança de vida eterna colocada diante de nós. Quanto às nossas provações, Jesus Cristo disse que temos de as resolver no dia a dia: « Por essa razão, eu lhes digo: Parem de se preocupar tanto com a sua vida, quanto ao que comer ou quanto ao que beber, e com o seu corpo, quanto ao que vestir. Não significa a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que a roupa? Observem atentamente as aves do céu; elas não semeiam nem colhem, nem ajuntam em celeiros, contudo o Pai de vocês, que está nos céus, as alimenta. Será que vocês não valem mais do que elas? Quem de vocês, por estar ansioso, pode acrescentar um só côvado à duração da sua vida? Também, com respeito à roupa, por que estão ansiosos? Aprendam uma lição dos lírios do campo, de como eles crescem; não trabalham nem fiam. Mas eu lhes digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestia como um deles. Então, se Deus veste assim a vegetação do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vestirá ele ainda mais a vocês, homens de pouca fé? Portanto, nunca fiquem ansiosos, dizendo: ‘O que vamos comer?’ ou: ‘O que vamos beber?’ ou: ‘O que vamos vestir?’ Pois todas essas são as coisas pelas quais as nações se empenham ansiosamente. O seu Pai celestial sabe que vocês necessitam de todas essas coisas » (Mateus 6:25-32). O princípio é simples, devemos usar o presente para resolver nossos problemas que à medida vão surgindo, confiando em Deus, para nos ajudar a encontrar uma solução: “Persistam, então, em buscar primeiro o Reino e a justiça de Deus, e todas essas outras coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, nunca fiquem ansiosos por causa do amanhã, pois o amanhã terá suas próprias ansiedades. Bastam a cada dia suas próprias dificuldades” (Mateus 6:33,34). A aplicação desse princípio nos ajudará a administrar melhor a energia mental ou emocional, para lidar com nossos problemas diários. Jesus Cristo aconselha contra a antecipação excessiva, até mesmo mórbida, dos problemas ou provações que podem confundir nossas mentes e tirar de nós toda a energia espiritual (compare com Marcos 4:18,19).
Voltando ao encorajamento escrito em Hebreus 12:1-3, precisamos usar nossa capacidade mental para nos projetar no futuro por meio da alegria na esperança, parte do fruto do espírito santo: « Por outro lado, o fruto do espírito é: amor, alegria, paz, paciência, bondade, benignidade, fé, brandura, autodomínio. Contra tais coisas não há lei » (Gálatas 5:22,23). Está escrito na Bíblia que Jeová é um Deus feliz e que o cristão prega as « boas novas do Deus feliz » (1 Timóteo 1:11). Embora este sistema de coisas nunca tenha estado tanto em trevas espirituais, devemos ser focos de luz pelas boas novas que compartilhamos, mas também pela alegria de nossa esperança que queremos irradiar para os outros: « Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. As pessoas acendem uma lâmpada e a colocam, não debaixo de um cesto, mas em cima de um suporte, e ela brilha sobre todos na casa. Do mesmo modo, deixem brilhar sua luz perante os homens, para que vejam suas boas obras+ e deem glória ao seu Pai, que está nos céus » (Mateus 5:14-16). Façamos da alegria de Jeová o nosso baluarte: “Não fiquem tristes, pois a alegria que vem de Jeová é a fortaleza de vocês” (Neemias 8:10).
Temos de suportar os sofrimentos e exercer paciência, como Jó: « Não resmunguem uns contra os outros, irmãos, para que não sejam julgados. Vejam! OJuiz está às portas. 10Irmãos, no que se refere a suportar sofrimentos e a exercer paciência, tomem como modelo os profetas, que falaram em nome de Jeová. 11Vejam, consideramos felizes os que perseveraram. Vocês ouviram falar da perseverança de Jó e viram o resultado que Jeová proporcionou; viram que Jeová tem grande compaixão e é misericordioso » (versículos 9-11).
Depois de repreender muito severamente os três acusadores de Jó, Jeová Deus libertou Jó da sua condição cativa, criada por Satanás, o diabo:
“Depois de Jeová ter falado essas palavras a Jó, Jeová disse a Elifaz, o temanita:
“Minha ira está acesa contra você e contra seus dois amigos, pois vocês não falaram a verdade a meu respeito, assim como fez o meu servo Jó. 8Agora peguem sete novilhos e sete carneiros, vão ao meu servo Jó e ofereçam um sacrifício queimado a favor de si mesmos. E o meu servo Jó orará por vocês. Eu certamente atenderei ao pedido dele, de não lidar com vocês de acordo com a sua tolice, pois não falaram a verdade a meu respeito, assim como fez o meu servo Jó.”
9Então Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita, foram e fizeram o que Jeová lhes tinha ordenado. E Jeová ouviu a oração de Jó.
10Depois de Jó ter orado pelos seus amigos, Jeová acabou com a tribulação de Jó e restaurou a sua prosperidade. Jeová lhe deu o dobro de tudo o que ele tinha antes. 11Todos os seus irmãos e suas irmãs, e todos os seus antigos amigos foram visitá-lo e tomaram uma refeição com ele na sua casa. Eles se compadeceram dele e o consolaram por causa de toda a calamidade que Jeová tinha deixado vir sobre ele. Cada um lhe deu uma peça de dinheiro e uma argola de ouro.
12Assim, Jeová abençoou a última parte da vida de Jó mais do que a primeira, e Jó veio a ter 14.000 ovelhas, 6.000 camelos, 1.000 juntas de bois e 1.000 jumentas. 13Ele também teve mais sete filhos e mais três filhas. 14Ele chamou a primeira filha de Jemima, a segunda de Quezia, e a terceira de Querém-Hapuque. 15Em todo o país não havia mulheres tão lindas como as filhas de Jó; e o pai delas lhes deu uma herança junto com os seus irmãos.
16Depois disso, Jó viveu 140 anos, e viu seus filhos e seus netos, até a quarta geração. 17Por fim, Jó morreu, depois de uma vida longa e satisfatória” (Jó 42:7-17).
Devemos respeitar a nossa palavra: « Acima de tudo, meus irmãos, parem de jurar, quer pelo céu, quer pela terra, e parem de fazer qualquer outro juramento. Mas que o seu “sim” signifique sim, e o seu “não”, não, para que vocês não fiquem sujeitos a julgamento » (versículo 12).
Jesus Cristo diz o mesmo no Sermão do Monte: « Também, vocês ouviram que se disse aos dos tempos antigos: ‘Não jure sem cumprir, mas cumpra seus votos feitos a Jeová.’ No entanto, eu lhes digo: Não jurem de modo algum, nem pelo céu, pois é o trono de Deus; nem pela terra, pois é o apoio para os pés dele; nem por Jerusalém, pois é a cidade do grande Rei. Não jure pela sua própria cabeça, porque você não pode tornar branco ou preto um só fio de cabelo. Deixem simplesmente que a sua palavra “sim” signifique sim, e o seu “não”, não; pois tudo o que for além disso é do Maligno » (Mateus 5:33-37).
Os benefícios da oração dos justos e de seus ensinamentos para trazer o pecador de volta do seu caminho mau: « Há alguém sofrendo entre vocês? Que ele persista em orar. Há alguém animado? Que ele cante salmos. 14Há alguém doente entre vocês? Que ele chame os anciãos da congregação, e que eles orem por ele, colocando óleo nele em nome de Jeová. 15E a oração de fé fará que o doente fique bom, e Jeová o levantará. Também, se ele tiver cometido pecados, será perdoado. 16Portanto, confessem abertamente os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros, para que sejam curados. Asúplica do justo tem um efeito poderoso. 17Elias era um homem com sentimentos iguais aos nossos; contudo, quando ele orou com fervor para que não chovesse, não choveu naquela terra por três anos e seis meses. 18Então ele orou novamente, e o céu deu chuva, e a terra produziu frutos. 19Meus irmãos, se alguém entre vocês for desencaminhado da verdade e outro o fizer voltar, 20saibam que quem faz um pecador voltar do seu caminho errado o salvará da morte e cobrirá uma multidão de pecados » (versos 13-20).
Capítulo 5 (os números dos versículos são mantidos)
Ter paz interior na calamidade por meio da esperança cristã
“Quando viu as multidões, subiu ao monte; e, depois de se assentar, vieram a ele os seus discípulos; 2 e ele abriu a boca e começou a ensiná-los, dizendo:
3 “Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual, porque a eles pertence o reino dos céus.
4 “Felizes os que pranteiam, porque serão consolados.
5 “Felizes os de temperamento brando, porque herdarão a terra.
6 “Felizes os famintos e sedentos da justiça, porque serão saciados.
7 “Felizes os misericordiosos, porque serão tratados com misericórdia.
8 “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.
9 “Felizes os pacíficos, porque serão chamados ‘filhos de Deus’” (Mateus 5:1-9).
Precisamos usar nossa capacidade mental para nos projetar no futuro por meio da alegria na esperança, parte do fruto do espírito santo: « Por outro lado, o fruto do espírito é: amor, alegria, paz, paciência, bondade, benignidade, fé, brandura, autodomínio. Contra tais coisas não há lei » (Gálatas 5:22,23). Está escrito na Bíblia que o Pai Celestial é um Deus feliz e que o cristão prega as « boas novas do Deus feliz » (1 Timóteo 1:11). Embora este sistema de coisas nunca tenha estado tanto em trevas espirituais, devemos ser focos de luz pelas boas novas que compartilhamos, mas também pela alegria de nossa esperança que queremos irradiar para os outros: « Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. As pessoas acendem uma lâmpada e a colocam, não debaixo de um cesto, mas em cima de um suporte, e ela brilha sobre todos na casa. Do mesmo modo, deixem brilhar sua luz perante os homens, para que vejam suas boas obras e deem glória ao seu Pai, que está nos céus » (Mateus 5:14-16). O artigo, baseados na esperança de vida eterna, é desenvolvido com este objetivo de alegria na esperança: “Alegrem-se e fiquem cheios de alegria, porque a sua recompensa é grande nos céus” (Mateus 5:12)… Façamos da alegria de Deus o nosso baluarte: “Não fiquem tristes, pois a alegria que vem de *Jeová (YHWH) é a fortaleza de vocês” (Neemias 8:10).
* YHWH é o tetragrama, de quatro letras para o Nome Divino. Na Tradução do Novo Mundo da Bíblia, aparece com a vocalização comumente usada por séculos como « Jeová ». Essa vocalização é duplamente imprecisa porque insere a pronúncia J em vez de I (i) ou Y, e o V correspondente a W, que deve ser pronunciado « U » (não V). A vocalização correta do Tetragrama é YeHu(W)aH, Yehuah. A vocalização imprecisa « Jeová » é mantida na tradução bíblica utilizada, assim como a vocalização imprecisa de « Jesus », pronunciada Yeshua ou Yeshua, é mantida por ser a mais conhecida aos leitores (clique no link para examinar o estudo sobre o Nome Divino com mais detalhes: O Nome Divino, YHWH, é pronunciado como está escrito).
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Felizes os que têm sido perseguidos
“10 “Felizes os que têm sido perseguidos por causa da justiça, porque a eles pertence o reino dos céus.
11 “Felizes sois quando vos vituperarem e perseguirem, e, mentindo, disserem toda sorte de coisas iníquas contra vós, por minha causa. 12 Alegrai-vos e pulai de alegria, porque a vossa recompensa é grande nos céus; pois assim perseguiram os profetas antes de vós” (Mateus 5:10-12).
Jesus Cristo tinha a energia de sua perseverança frente as suas provações pela alegria da esperança apresentada diante dele. É importante ter energia para alimentar nossa perseverança, por meio da « alegria » de nossa esperança de vida eterna colocada diante de nós. Quanto às nossas provações, Jesus Cristo disse que temos de as resolver no dia a dia (Mateus 6:25-32). O princípio é simples, devemos usar o presente para resolver nossos problemas que à medida vão surgindo, confiando em Deus, para nos ajudar a encontrar uma solução: “Persistam, então, em buscar primeiro o Reino e a justiça de Deus, e todas essas outras coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, nunca fiquem ansiosos por causa do amanhã, pois o amanhã terá suas próprias ansiedades. Bastam a cada dia suas próprias dificuldades” (Mateus 6:33,34). A aplicação desse princípio nos ajudará a administrar melhor a energia mental ou emocional, para lidar com nossos problemas diários. Jesus Cristo aconselha contra a antecipação excessiva, até mesmo mórbida, dos problemas ou provações que podem confundir nossas mentes e tirar de nós toda a energia espiritual (compare com Marcos 4:18,19). É importante ter energia para alimentar nossa perseverança, por meio da « alegria » de nossa esperança de vida eterna colocada diante de nós.
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Um discípulo pode salvar muitas vidas humanas
através do ministério da Palavra
“13 “Vós sois o sal da terra; mas, se o sal perder a sua força, como se lhe restabelecerá a sua salinidade? Não presta mais para nada, senão para ser lançado fora, a fim de ser pisado pelos homens.
14 “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. 15 As pessoas acendem uma lâmpada e a colocam, não debaixo do cesto de medida, mas no velador, e ela brilha sobre todos na casa. 16 Do mesmo modo, deixai brilhar a vossa luz perante os homens, para que vejam as vossas obras excelentes e dêem glória ao vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:13-16).
A palavra grega que se traduz como « pregação » é « κηρύσσω » (kēryssō) (Concordância de Strong « literalmente: anunciar como grito público » (G2784)): « Anuncie como proclamação ». Embora a pregação seja um ensinamento simples público, não deve ser confundido com o ensino pedagógico dos ensinamentos básicos da Bíblia, mencionados em Mateus 28:20. Neste texto, Jesus Cristo pede a seus discípulos que ensinem os recém-batizados a dando-lhes um bom treinamento bíblico: « ensinando-as a obedecer a todas as coisas que lhes ordenei » (Mateus 28:20) (ensinando-as: (διδάσκω (disdasko) « ensinar » (Concordância de Strong « Ensinar » (G1321)). Podemos usar dois exemplos simples da Bíblia que mostram a simplicidade de uma mensagem pregada, geralmente com uma frase simples, e um ensino na forma de um discurso:
– Pregação: « Daquele tempo em diante, Jesus começou a pregar (kēryssō) e a dizer: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo » » (Mateus 4:17). Em Lucas 10: 9, quando Jesus Cristo envia 70 de seus discípulos para pregar à frente dele, ele lhes dá o mesmo tema simples da proclamação: « Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo ».
– O ensino na forma de um discurso: « Quando ele viu as multidões, subiu ao monte e, depois de se sentar, chegaram-se a ele os seus discípulos. 2 Então ele abriu a boca e começou a ensiná-los (disdasko), dizendo » (Mateus 5:1,2). Assim, o Sermão do Monte não é uma mera proclamação pública, mas um ensino pedagógico bíblico na forma de um discurso público de cerca de meia hora (neste caso).
No entanto, Jesus Cristo usou a expressão “obras excelentes”, esta luz espiritual, deve brilhar pelo nosso comportamento cristão exemplar.
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Imitemos Jesus Cristo na fidelidade em tudo
“17 “Não penseis que vim destruir a Lei ou os Profetas. Não vim destruir, mas cumprir; 18 pois, deveras, eu vos digo que antes passariam o céu e a terra, do que passaria uma só letra menor ou uma só partícula duma letra da Lei sem que tudo se cumprisse. 19 Quem, portanto, violar um destes mínimos mandamentos e ensinar a humanidade neste sentido, será chamado ‘mínimo’ com relação ao reino dos céus. Quanto àquele que os cumprir e ensinar, esse será chamado ‘grande’ com relação ao reino dos céus. 20 Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não abundar mais do que a dos escribas e fariseus, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mateus 5:17-20).
Jesus Cristo cumpriu a Lei dada a Moisés. Os cristãos não estão sob a lei dada a Moisés. Jesus Cristo é o fim da lei dada a Moisés: « Porque Cristo é o fim da Lei, para que todo aquele que exercer fé possa ter justiça » (Romanos 10:4). No entanto, Jesus Cristo nos exorta a sermos fiéis nas pequenas coisas. “Quem é fiel no mínimo, é também fiel no muito, e quem é injusto no mínimo, é também injusto no muito” (Lucas 16:10).
É importante entender o ponto de vista de Deus sobre o roubo e a mentira.Quando Adão e Eva pecaram por impulso da tentação do diabo, houve a mentira do diabo e o roubo do fruto que pertencia a Deus, por Adão e Eva (Gênesis capítulo 3). Em relação a este relato bíblico, Jesus Cristo associou a mentira do diabo com o homicídio: “Vós sois de vosso pai, o Diabo, e quereis fazer os desejos de vosso pai. Esse foi um homicida quando começou, e não permaneceu firme na verdade, porque não há nele verdade. Quando fala a mentira, fala segundo a sua própria disposição, porque é um mentiroso e o pai da mentira” (João 8:44). Por meio dessa mentira do diabo, o pecado entrou no mundo por meio da desobediência do primeiro homem, Adão. O resultado foi que a morte se estendeu espiritual e geneticamente a todos os seus descendentes (Romanos 5:12; 6:23). Para esta situação que parecia sem nenhuma esperança para toda a humanidade,era necessário que Jeová Deus, o Pai, consentisse na morte em sacrifício de seu amado Filho, Jesus Cristo (Yehoshuah Mashiah), para salvar a humanidade(João 3:16,36).
Com aquela perspectiva, entendemos melhor, as palavras de Jesus Cristo, quando liga a mentira ao homicídio, no caso do diabo, mas também para os seus filhos terrestres, que procuravam constantemente matá-lo (João 5:18; 7:1). Às vezes, alguns dizem que existem « pequenas » e « grandes » mentiras. O problema é que a « necessidade » e a escala da seriedade das mentiras costumam ser definidas pelos próprios mentirosos. Porém, para voltar à ideia importante, é necessário conhecer o ponto de vista de Deus sobre o assunto por meio dos relatos bíblicos. Uma simples afirmação de Cristo mostra que é um erro estabelecer tal escala de gravidade: “Quem é fiel no mínimo, é também fiel no muito, e quem é injusto no mínimo, é também injusto no muito » (Lucas 16:10). Isso pode ser ilustrado pelo exemplo de Ananias e Safira, sua esposa, que venderam sua propriedade para dar o dinheiro à congregação cristã nos dias dos apóstolos. No entanto, o registro nos informa que eles retiveram parte do dinheiro da venda para si mesmos, enquanto levavam os apóstolos a acreditar que eles haviam dado tudo. O resultado é que Deus os condenou à morte por dizerem tal mentira (Atos 5:1-11). A observação bíblica é simples: mentir pode ter consequências desastrosas não só para as vítimas, mas também para os próprios mentirosos.
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Jesus Cristo proibiu assassinato, ódio e insultos
“21 “Ouvistes que se disse aos dos tempos antigos: ‘Não deves assassinar; mas quem cometer um assassínio terá de prestar contas ao tribunal de justiça.’ 22 No entanto, digo-vos que todo aquele que continuar furioso com seu irmão terá de prestar contas ao tribunal de justiça; mas, quem se dirigir a seu irmão com uma palavra imprópria de desprezo terá de prestar contas ao Supremo Tribunal; ao passo que quem disser: ‘Tolo desprezível!’, estará sujeito à Geena ardente” (Mateus 5:21,22).
Durante sua prisão, que o levaria à morte, Jesus Cristo proibiu o uso de armas, nem mesmo para defendê-lo ou defender sua causa: “Jesus disse-lhe então: “Devolve a espada ao seu lugar, pois todos os que tomarem a espada perecerão pela espada » » (Mateus 26:52). O assassinato e o homicídio são proibidos, tanto por motivos pessoais, quanto por patriotismo religioso ou estatal. Esta declaração de Cristo é um lembrete do que está escrito na profecia de Isaías: « E ele certamente fará julgamento entre as nações e resolverá as questões com respeito a muitos povos. E terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e das suas lanças, podadeiras. Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra” (Isaías 2:4).
Deixar de aprender a guerra pressupõe obviamente não praticar esportes de combate nem as artes marciais, mesmo aquelas marcadas pela propaganda religiosa, que consistiria em dizer ser para fins « defensivos ». Transformar um corpo humano numa « arma defensiva » pode rapidamente se tornar « numa arma ofensiva » que pode ferir e até matar… Os cristãos não devem se divertir assistindo ou olhando esportes violentos e filmes que exaltam a violência gratuita. Isso é completamente detestável aos olhos de Jeová Deus: « O próprio Jeová examina tanto o justo como o iníquo, E Sua alma certamente odeia a quem ama a violência » (Salmos 11:5).
A expressão Geena de fogo, usada por Jesus Cristo, tem o mesmo significado de destruição ou morte sem a possibilidade de ressurreição. Onde estava a Geena? Estava localizado ao sul de Jerusalém, fora das muralhas da cidade. Era simplesmente a lixeira da cidade de Jerusalém, que existia na época de Jesus Cristo e era chamada de Vale de Hinom (Geh Hin·nóm) ou Geena. O lixo da cidade era jogado e queimado ali, assim como os cadáveres de animais e criminosos após sua execução, indignos de um sepultamento (até mesmo, no imaginário coletivo bíblico, indigno de uma ressurreição (« Seu enterro será como o enterro de um jumento: Ele será arrastado e lançado para longe, Fora dos portões de Jerusalém » (Jeremias 22:19)).
É importante diferenciar entre a palavra hebraica Seol e a grega Hades, de um lado, e Geena, do outro. Em algumas traduções da Bíblia, essas três palavras foram traduzidas como a palavra latina original inferno (infernus). Ao fazer isso, criou confusão na compreensão da palavra geena, tornando-se um ensino antibíblico da existência de um inferno de fogo.
Jesus Cristo usou a palavra « Geena » ou « Geena de fogo », como um lugar real conhecido por todos os seus contemporâneos, para ilustrar o julgamento eterno e a ideia de destruição sem a possibilidade de ressurreição, a famosa segunda morte. Em seu Sermão do Monte, Jesus Cristo mencionou este lugar três vezes, sem necessariamente especificar o seu significado. Por quê? Muito simplesmente, até mesmo na Galiléia, a 100 km ao norte de Jerusalém, esse lugar de destruição era muito conhecido e não exigia nenhuma descrição ou explicação (Mateus 5:22,29,30). A Geena estava associada a um lugar de fogo que não se apagava, por quê? Pela óbvia razão de que tal lugarl, próximo duma cidade, teria representado um perigo para a saúde da maioria dos habitantes, se não tivesse sido alimentado por um fogo permanente ou constante, à base de enxofre, para decompor todos os resíduos da cidade, mais rapidamente (Marcos 9:47,48).
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Um bom relacionamento com Deus
passa por um bom relacionamento com o próximo,
resolvendo bem os conflitos de personalidade
“23 “Se tu, pois, trouxeres a tua dádiva ao altar e ali te lembrares de que o teu irmão tem algo contra ti, 24 deixa a tua dádiva ali na frente do altar e vai; faze primeiro as pazes com o teu irmão, e então, tendo voltado, oferece a tua dádiva.
25 “Resolve prontamente os assuntos com aquele que se queixa de ti em juízo, enquanto ainda estás com ele em caminho para lá, para que, de algum modo, o queixoso não te entregue ao juiz, e o juiz, ao oficial de justiça, e sejas lançado na prisão. 26 Eu te digo categoricamente: Certamente não sairás dali até pagares a última moeda de pouco valor” (Mateus 5:23-26).
Jesus Cristo disse que é melhor resolver um problema com o próximo antes de orar a Deus. Jesus Cristo explicou que para ter um bom relacionamento com Deus, devemos ter um bom relacionamento com nosso próximo. Devemos resolver nossos problemas com nosso próximo o mais rápido possível. Especialmente se pecamos contra ele.
Também neste mesmo capítulo, Jesus Cristo disse de amar nossos inimigos (Mateus 5:38-48). O verbo « amar », neste contexto, deve ser entendido no sentido de amor atencioso, sem necessariamente ser marcado pelo afeto para com o nosso inimigo. Por exemplo, quando alguém nos insulta ou se comporta mal conosco, o amor baseado nos princípios bíblicos nos impedirá de responder ao insulto com insulto ou ódio com ódio. Desse modo, o círculo vicioso do ódio pelo ódio será quebrado, pelo círculo virtuoso solicitado por Jesus Cristo: quer dizer responder ao ódio do nosso inimigo, pelo autocontrole, pelo amor baseado no decoro, nos bons modos, na boa educação e bom senso (Gálatas 5:22,23 « o fruto do espírito santo »). Talvez essa forma de agir o incentive a mudar de atitude conosco.
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Os motivos das ações (boas ou más) importam
tanto quanto as ações (boas ou más)
“27 “Ouvistes que se disse: ‘Não deves cometer adultério.’ 28 Mas eu vos digo que todo aquele que persiste em olhar para uma mulher, a ponto de ter paixão por ela, já cometeu no coração adultério com ela. 29 Se, pois, aquele olho direito teu te faz tropeçar, arranca-o e lança-o para longe de ti. Porque é mais proveitoso para ti que percas um dos teus membros, do que ser todo o teu corpo lançado na Geena. 30 Também, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a para longe de ti. Porque te é mais proveitoso perder um dos teus membros, do que todo o teu corpo acabar na Geena” (Mateus 5:27-30).
O coração simbólico constitui o interior espiritual de uma pessoa, feito de raciocínios acompanhados de palavras e ações (boas ou más). Sem usar a expressão « circuncisão espiritual (ou incircuncisão) do coração », Jesus Cristo explicou bem o que faz uma pessoa pura ou impura perante Deus, por causa do estado de seu coração simbólico: « No entanto, tudo o que sai da boca vem do coração, e essas coisas tornam o homem impuro. Por exemplo, do coração vêm raciocínios maus, assassinatos, adultérios, imoralidade sexual, roubos, falsos testemunhos, blasfêmias. Essas são as coisas que tornam o homem impuro » (Mateus 15: 18-20). Neste caso, Jesus Cristo descreve um ser humano numa condição de incircunciso espiritual, com o seu « prepúcio do coração » com o seu raciocínio ruim que o torna impuro diante de Deus e não apto para a vida (ver Provérbios 4: 23) . « O homem bom, do seu bom tesouro, faz sair coisas boas, ao passo que o homem mau, do seu mau tesouro, faz sair coisas más » (Mateus 12:35). Na primeira parte da declaração de Jesus Cristo, ele descreve um ser humano que tem um coração espiritualmente circuncidado.
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O punto de vista de Jesus Cristo
sobre o divórcio e novo casamento
“31 “Outrossim, foi dito: ‘Quem se divorciar de sua esposa, dê-lhe certificado de divórcio.’ 32 No entanto, eu vos digo que todo aquele que se divorciar de sua esposa, a não ser por causa de fornicação, expõe-na ao adultério, e quem se casar com uma mulher divorciada comete adultério” (Mateus 5:31,32).
« E vieram ter com ele fariseus, decididos a tentá-lo, e disseram: “É lícito que um homem se divorcie de sua esposa por qualquer motivo?” Em resposta, ele disse: “Não lestes que aquele que os criou desde [o] princípio os fez macho e fêmea, e disse: ‘Por esta razão deixará o homem seu pai e sua mãe, e se apegará à sua esposa, e os dois serão uma só carne’? De modo que não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus pôs sob o mesmo jugo, não o separe o homem.” Disseram-lhe: “Então, por que prescreveu Moisés que se desse um certificado de repúdio e que ela fosse divorciada?” Ele lhes disse: “Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos fez a concessão de vos divorciardes de vossas esposas, mas este não foi o caso desde o princípio. Eu vos digo que todo aquele que se divorciar de sua esposa, exceto em razão de fornicação, e se casar com outra, comete adultério” » (Mateus 19:3-9).
Assim, o divórcio e o novo casamento, só são permitidos com base de fornicação, ou seja, práticas sexuais que a Bíblia condena, como o adultério, a homossexualidade e outras práticas sexuais perversas. O que rompe os laços do casamento são a morte do cônjuge e a fornicação, geralmente o adultério. É claro que, em casos de adultério, o divórcio não é automático. O cônjuge ofendido pode perdoar. Neste caso, com mútuo acordo, a vida conjugal pode continuar. Nessa situação, o cônjuge anteriormente ofendido não poderá reconsiderar biblicamente sua decisão (se assim for (quando não houver outra constatação de adultério), não poderia se casar novamente). No caso duma reincidência com a constatação de adultério, e desta vez o cônjuge ofendido não perdoara, ele pode se divorciar e se casar novamente. Para aqueles que fariam o cálculo perverso de recorrer ao adultério, ou a manipulação para expor seu cônjuge ao adultério, usando a expressão de Cristo (pela greve sexual sem qualquer motivo, a fim de expor ao adultério, o cônjuge em necessidade), a fim de romper os vínculos sagrados do matrimônio, contando então com a misericórdia de Deus para ser perdoado, errariam: « O matrimônio seja honroso entre todos e o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros » (Hebreus 13:4).
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Respeito pela palavra dada dizendo a verdade
“33 “Novamente, ouvistes que se disse aos dos tempos antigos: ‘Não deves jurar sem cumprir, mas tens de pagar os teus votos a Jeová.’ 34 No entanto, eu vos digo: Não jureis absolutamente, nem pelo céu, porque é o trono de Deus; 35 nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. 36 Tampouco deves jurar pela tua cabeça, porque não podes tornar nem um só cabelo branco ou preto. 37 Deixai simplesmente que a vossa palavra Sim signifique Sim, e o vosso Não, Não; pois tudo o que for além disso é do iníquo” (Mateus 5:33-37).
E quanto à mentira, está escrito: « Não estejais mentindo uns aos outros. Desnudai-vos da velha personalidade com as suas práticas » (Colossenses 3:9). É importante entender o ponto de vista de Deus sobre o roubo e a mentira. Quando Adão e Eva pecaram por impulso da tentação do diabo, houve a mentira do diabo e o roubo do fruto que pertencia a Deus, por Adão e Eva (Gênesis capítulo 3). Em relação a este relato bíblico, Jesus Cristo associou a mentira do diabo com o homicídio: “Vós sois de vosso pai, o Diabo, e quereis fazer os desejos de vosso pai. Esse foi um homicida quando começou, e não permaneceu firme na verdade, porque não há nele verdade. Quando fala a mentira, fala segundo a sua própria disposição, porque é um mentiroso e o pai da mentira” (João 8:44). Por meio dessa mentira do diabo, o pecado entrou no mundo por meio da desobediência do primeiro homem, Adão. O resultado foi que a morte se estendeu espiritual e geneticamente a todos os seus descendentes (Romanos 5:12; 6:23). Para esta situação que parecia sem nenhuma esperança para toda a humanidade, era necessário que Jeová Deus, o Pai, consentisse na morte em sacrifício de seu amado Filho, Jesus Cristo (Yehoshuah Mashiah), para salvar a humanidade (João 3:16,36).
Com aquela perspectiva, entendemos melhor, as palavras de Jesus Cristo, quando liga a mentira ao homicídio, no caso do diabo, mas também para os seus filhos terrestres, que procuravam constantemente matá-lo (João 5:18; 7:1). Às vezes, alguns dizem que existem « pequenas » e « grandes » mentiras. O problema é que a « necessidade » e a escala da seriedade das mentiras costumam ser definidas pelos próprios mentirosos. Porém, para voltar à ideia importante, é necessário conhecer o ponto de vista de Deus sobre o assunto por meio dos relatos bíblicos. Uma simples afirmação de Cristo mostra que é um erro estabelecer tal escala de gravidade: “Quem é fiel no mínimo, é também fiel no muito, e quem é injusto no mínimo, é também injusto no muito » (Lucas 16:10). Isso pode ser ilustrado pelo exemplo de Ananias e Safira, sua esposa, que venderam sua propriedade para dar o dinheiro à congregação cristã nos dias dos apóstolos. No entanto, o registro nos informa que eles retiveram parte do dinheiro da venda para si mesmos, enquanto levavam os apóstolos a acreditar que eles haviam dado tudo. O resultado é que Deus os condenou à morte por dizerem tal mentira (Atos 5:1-11). A observação bíblica é simples: mentir pode ter consequências desastrosas não só para as vítimas, mas também para os próprios mentirosos.
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Devemos ser pacificadores amantes da paz e
pacificadores fazendo a paz
“38 “Ouvistes que se disse: ‘Olho por olho e dente por dente.’ 39 No entanto, eu vos digo: Não resistais àquele que é iníquo; mas, a quem te esbofetear a face direita, oferece-lhe também a outra. 40 E, se alguém quiser levar-te perante o tribunal para obter posse de tua roupa interior, deixa-o ter também a tua roupa exterior; 41 e, se alguém sob autoridade te obrigar a prestar serviço por mil passos, vai com ele dois mil. 42 Dá ao que te pede e não te desvies daquele que deseja tomar emprestado de ti sem juros” (Mateus 5:38-42).
Durante sua prisão, que o levaria à morte, Jesus Cristo proibiu o uso de armas, nem mesmo para defendê-lo ou defender sua causa: “Jesus disse-lhe então: “Devolve a espada ao seu lugar, pois todos os que tomarem a espada perecerão pela espada » » (Mateus 26:52). O assassinato e o homicídio são proibidos, tanto por motivos pessoais, quanto por patriotismo religioso ou estatal. Esta declaração de Cristo é um lembrete do que está escrito na profecia de Isaías: « E ele certamente fará julgamento entre as nações e resolverá as questões com respeito a muitos povos. E terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e das suas lanças, podadeiras. Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra” (Isaías 2:4).
Deixar de aprender a guerra pressupõe obviamente não praticar esportes de combate nem as artes marciais, mesmo aquelas marcadas pela propaganda religiosa, que consistiria em dizer ser para fins « defensivos ». Transformar um corpo humano numa « arma defensiva » pode rapidamente se tornar « numa arma ofensiva » que pode ferir e até matar… Os cristãos não devem se divertir assistindo ou olhando esportes violentos e filmes que exaltam a violência gratuita. Isso é completamente detestável aos olhos de Jeová Deus: « O próprio Jeová examina tanto o justo como o iníquo, E Sua alma certamente odeia a quem ama a violência » (Salmos 11:5).
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Ser perfeito como o Pai Celestial é perfeito
na manifestação do amor ao próximo
“43 “Ouvistes que se disse: ‘Tens de amar o teu próximo e odiar o teu inimigo.’ 44 No entanto, eu vos digo: Continuai a amar os vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem; 45 para que mostreis ser filhos de vosso Pai, que está nos céus, visto que ele faz o seu sol levantar-se sobre iníquos e sobre bons, e faz chover sobre justos e sobre injustos. 46 Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem também a mesma coisa os cobradores de impostos? 47 E, se cumprimentardes somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem também a mesma coisa as pessoas das nações? 48 Concordemente, tendes de ser perfeitos, assim como o vosso Pai celestial é perfeito” (Mateus 5:43-48).
O verbo « amar », neste contexto, deve ser entendido no sentido de amor atencioso, sem necessariamente ser marcado pelo afeto para com o nosso inimigo. Por exemplo, quando alguém nos insulta ou se comporta mal conosco, o amor baseado nos princípios bíblicos nos impedirá de responder ao insulto com insulto ou ódio com ódio. Desse modo, o círculo vicioso do ódio pelo ódio será quebrado, pelo círculo virtuoso solicitado por Jesus Cristo: quer dizer responder ao ódio do nosso inimigo, pelo autocontrole, pelo amor baseado no decoro, nos bons modos, na boa educação e bom senso (Gálatas 5:22,23 « o fruto do espírito santo »). Talvez essa forma de agir o incentive a mudar de atitude conosco.
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O Sermão do Monte
(Mateus capítulo 6)
Sirvamos a Deus com humildade,
modéstia e discrição,para a glória de Deus
“Tomai muito cuidado em não praticardes a vossa justiça diante dos homens, a fim de serdes observados por eles; do contrário não tereis recompensa junto de vosso Pai que está nos céus. 2 Portanto, quando fizeres dádivas de misericórdia, não toques a trombeta diante de ti, assim como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Deveras, eu vos digo: Eles já têm plenamente a sua recompensa. 3 Mas tu, quando fizeres dádivas de misericórdia, não deixes a tua esquerda saber o que a tua direita está fazendo, 4 para que as tuas dádivas de misericórdia fiquem em secreto; então o teu Pai, que está olhando em secreto, te pagará de volta. 16 Quando jejuardes, parai de ficar com o rosto triste, como os hipócritas, pois desfiguram os seus rostos para que pareça aos homens que estão jejuando. Deveras, eu vos digo: Eles já têm plenamente a sua recompensa. 17 Mas tu, quando jejuares, unta a tua cabeça e lava o rosto, 18 para que não pareça aos homens que estás jejuando, mas ao teu Pai, que está em secreto; então o teu Pai, que olha em secreto, te recompensará” (Mateus 6:1-6,16-18).
Jesus Cristo disse que o humano que trabalha para sua própria glória para colher uma forma de reconhecimento dos homens pelas obras que realiza, só será recompensado com a vaidade da glória dos homens, muito curta, e sem recompensa de Deus. O Pai Celestial só recompensa os humanos que andam modestamente com Ele: « Ele te informou, ó homem terreno, sobre o que é bom. E o que é que Jeová pede de volta de ti senão que exerças a justiça, e ames a benignidade, e andes modestamente com o teu Deus? » (Miquéias 6:8). A recompensa de Deus, por nossas boas obras, feitas na ignorância geral dos humanos, é eterna.
Lembremos o que Jesus Cristo disse no início do Sermão do Monte: seus discípulos são as luzes do mundo, e as boas obras que eles fazem, devem dar glória ao seu Pai (Mateus 5:14-16). Portanto, tenhamos o cuidado de fazer com que o mérito de nossas boas obras, recaia sempre sobre Deus: « Portanto, quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei todas as coisas para a glória de Deus » (1 Coríntios 10:31).
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Jesus Cristo nos diz como orar ao Pai Celestial
“5 Também, quando orardes, não deveis ser como os hipócritas; porque eles gostam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas largas, para serem vistos pelos homens. Deveras, eu vos digo: Eles já têm plenamente a sua recompensa. 6 Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto particular, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; então o teu Pai, que olha em secreto, te pagará de volta. 7 Mas, ao orares, não digas as mesmas coisas vez após vez, assim como fazem os das nações, pois imaginam que serão ouvidos por usarem de muitas palavras. 8 Portanto, não vos façais semelhantes a eles, porque Deus, vosso Pai, sabe de que coisas necessitais antes de lhe pedirdes” (Mateus 6:5-8).
É simplesmente um lembrete do primeiro dos dez mandamentos: devemos adorar apenas a Jeová. Não devemos dirigir nossas orações a Jesus Cristo porque ele é o Filho de Deus e não o Deus Todo-Poderoso. O próprio apóstolo Pedro disse que Jesus Cristo como o Filho de Deus. Após sua resposta correta, Jesus Cristo parabenizou o apóstolo Pedro: « Simão Pedro respondeu: “O senhor é o Cristo, o Filho do Deus vivente.” Jesus lhe disse então: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas, porque isso não lhe foi revelado por homens, mas pelo meu Pai, que está nos céus » (Mateus 16:16,17). Jeová Deus não faz parte de uma trindade O ensino da Trindade não é bíblico.
Os « verdadeiros adoradores » devem adorar a Deus com « espírito » ou espiritualmente, sem objetos religiosos idólatras, como cruzes, estátuas, imagens ou medalhas relacionadas ao culto mariano, ou dos « santos ». Se um cristão tem tais objetos, ele deve se livrar deles ou destruí-los (Atos 19:19,20). O cristão deve adorar a Deus com a « verdade » estabelecida na Bíblia (João 17:17; 2 Timóteo 3: 16,17; 2 Pedro 1: 20,21)). O cristão não deve fazer gestos que não sejam adequados, biblicamente, antes e depois da oração, como fazer o sinal da cruz. É uma prática não bíblica que não existia no tempo dos apóstolos. Como o apóstolo Paulo disse com inspiração de Deus: « Portanto, meus amados, fujam da idolatria » (1 Coríntios 10:14).
É apropriado repetir essa oração de maneira mecânica, sem pensar nisso? Com base nas declarações de Jesus Cristo, é óbvio que não. Podemos reler o que ele disse sobre não repetir mecanicamente, sem pensar, sempre as mesmas palavras em nossas orações: « Quando orar, não diga as mesmas coisas vez após vez, como fazem as pessoas das nações, pois imaginam que serão ouvidas por usarem muitas palavras » (Mateus 6:7).
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O que lembrar da oração-modelo
“9 Portanto, tendes de orar do seguinte modo:
“‘Nosso Pai nos céus, santificado seja o teu nome. 10 Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra. 11 Dá-nos hoje o nosso pão para este dia; 12 e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores. 13 E não nos leves à tentação, mas livra-nos do iníquo.’
14 “Pois, se perdoardes aos homens as suas falhas, também o vosso Pai celestial vos perdoará; 15 ao passo que, se não perdoardes aos homens as suas falhas, tampouco o vosso Pai vos perdoará as vossas falhas” (Mateus 6:9-15).
Devemos orar a Deus com amor e carinho, como quando um filho e uma filha se dirigem ao pai a quem amam profunda e sinceramente. Devemos nos preocupar com o Seu nome, seja Ele santificado, que inclui o desejo de defender a fama do Nome. Devemos expressar a ele nosso sincero desejo de que Seu justo propósito seja realizado na terra (Mateus 6:9,10). Entendemos que Jesus Cristo deixa claro que nossas orações, em geral, devem ser um ato de adoração dirigido a Deus, expressando a Ele louvores e profunda gratidão pelas muitas expressões de amor que Ele manifesta para nós. O livro dos Salmos dá muitos exemplos de louvores que podemos dar a Jeová Deus, como um agradável incenso espiritual para Ele: « Que a minha oração seja como o incenso preparado diante de ti, Que as minhas mãos erguidas sejam como a oferta de cereais do anoitecer » (Salmo 141:2). Jeová Deus é muito sensível ao fato de que o amamos e o fazemos conhecer por nossas palavras e nossa conduta: « (Deus) que me amam e guardam os meus mandamentos » (Êxodo 20:6). Através de nossas orações e comportamento, vamos responder ao amor de Deus para nós, amando Deus em troca. O Salmo 145 é muito rico em louvores dirigidos a Deus: « Vou exaltar-te, ó meu Deus e Rei, Vou louvar o teu nome para todo o sempre » (Salmos 145:1).
Então podemos orar a Deus, referindo mais especificamente às nossas necessidades pessoais, como que Ele nos ajude espiritual e materialmente. Podemos compartilhar com Deus nossos sentimentos mais íntimos que nos preocupam, ou expressar a Ele nossa alegria em agradecimento (O livro bíblico dos Salmos é uma coleção poética preciosa de sentimentos expressos a Deus). Jesus Cristo, na última parte da oração, nos encoraja a pedir a Deus que nos ajude a lutar contra nossas fraquezas, que o diabo está explorando para nos tentar e, assim, minar nossa integridade (Mateus 6:11-13). Romanos 7:21-25).
Em Mateus 6: 14,15, Jesus Cristo mostra que a qualidade do nosso relacionamento com Deus depende do relacionamento que temos com o próximo: « Pois, se vocês perdoarem aos homens as falhas deles, o seu Pai celestial também perdoará vocês; ao passo que, se não perdoarem aos homens as falhas deles, o seu Pai também não perdoará as falhas de vocês » (Mateus 5:23,24; 1 João 3:15,4:8).
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Devemos rejeitar o amor ao dinheiro e a busca da riqueza
Devemos fazer uma escolha, entre servir a Deus ou as Riquezas
“19 Parai de armazenar para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde ladrões arrombam e furtam. 20 Antes, armazenai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. 21 Pois, onde estiver o teu tesouro, ali estará também o teu coração.
22 “A lâmpada do corpo é o olho. Se, pois, o teu olho for singelo, todo o teu corpo será luminoso; 23 mas, se o teu olho for iníquo, todo o teu corpo será escuro. Se, na realidade, a luz que está em ti é escuridão, quão grande é essa escuridão!
24 “Ninguém pode trabalhar como escravo para dois amos; pois, ou há de odiar um e amar o outro, ou há de apegar-se a um e desprezar o outro. Não podeis trabalhar como escravos para Deus e para as Riquezas”(Mateus 6:19-24).
É claro que a Bíblia não condena a riqueza, assim como não encoraja a pobreza. Jesus Cristo adverte contra nossa relação com as riquezas, posta em perspectiva com nosso objetivo principal de servir a Deus. Jesus Cristo, como a Bíblia como um todo, condena o amor ao dinheiro: “No entanto, os que estão resolvidos a ficar ricos caem em tentação e em laço, e em muitos desejos insensatos e nocivos, que lançam os homens na destruição e na ruína. Porque o amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais, e alguns, por procurarem alcançar este amor, foram desviados da fé e se traspassaram todo com muitas dores” (1 Timóteo 6:9,10). Pela expressão « olho singelo », quer dizer sincero, unidirecional, em foco, generoso, que está em conformidade com o serviço a Deus. Um « olho iníquo », é mau e invejoso, representa objetivos baseados em luxúria, ganância, o que é consistente com o serviço ao deus Riqueza.
Jesus Cristo encoraja a ser rico para com Deus: “Com isso contou-lhes uma ilustração, dizendo: “A terra de certo homem rico produziu bem. Conseqüentemente, ele começou a raciocinar no seu íntimo, dizendo: ‘Que farei, agora que não tenho onde ajuntar as minhas safras?’ De modo que ele disse: ‘Farei o seguinte: Derrubarei os meus celeiros e construirei maiores, e ali ajuntarei todos os meus cereais e todas as minhas coisas boas; e direi à minha alma: “Alma, tens muitas coisas boas acumuladas para muitos anos; folga, come, bebe, regala-te.”’ Mas Deus disse-lhe: ‘Desarrazoado, esta noite te reclamarão a tua alma. Quem terá então as coisas que armazenaste?’ Assim é com o homem que acumula para si tesouro, mas não é rico para com Deus” (Lucas 12:16-21).
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Jesus Cristo nos encoraja
a resolver nossos problemasdia a dia
“25 Por esta razão eu vos digo: Parai de estar ansiosos pelas vossas almas, quanto a que haveis de comer ou quanto a que haveis de beber, ou pelos vossos corpos, quanto a que haveis de vestir. Não significa a alma mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário? 26 Observai atentamente as aves do céu, porque elas não semeiam nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós mais do que elas? 27 Quem de vós, por estar ansioso, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? 28 Também no assunto do vestuário, por que estais ansiosos? Aprendei uma lição dos lírios do campo, como eles crescem; não labutam nem fiam; 29 mas eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestia como um destes. 30 Se Deus, pois, veste assim a vegetação do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vestirá ele tanto mais a vós, ó vós os de pouca fé? 31 Portanto, nunca estejais ansiosos, dizendo: ‘Que havemos de comer?’ ou: ‘Que havemos de beber?’ ou: ‘Que havemos de vestir?’ 32 Porque todas estas são as coisas pelas quais se empenham avidamente as nações. Pois o vosso Pai celestial sabe que necessitais de todas essas coisas.
33 “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça, e todas estas outras coisas vos serão acrescentadas. 34 Portanto, nunca estejais ansiosos quanto ao dia seguinte, pois o dia seguinte terá as suas próprias ansiedades. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mateus 6:25-32).
É completamente normal sentir-se preocupado com os problemas, especialmente se forem graves. No entanto, Jesus Cristo diz que a preocupação excessiva não resolverá o problema. Além disso, ele faz esta pergunta, para mostrar que a preocupação excessiva é infrutífera: « Quem de vós, por estar ansioso, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? » (versículo 27). A melhor maneira de lidar com a preocupação é confiar que Deus ajudará os humanos cuidadosos a fazer Sua vontade, assim como Ele cuida de toda a Sua criação: « Eu era moço, também fiquei velho, E, no entanto, não vi nenhum justo completamente abandonado, Nem a sua descendência procurando pão » (Salmos 37:25). Jesus Cristo encoraja os humanos a viver no presente (limitado neste caso, pelo dia), para resolver problemas porque o passado não existe mais e o futuro não existe. Essa ideia simples ajuda a não alimentar a preocupação excessiva porque « basta a cada dia o seu próprio mal ». Em conselho sobre a oração, Jesus Cristo disse: « Deus, vosso Pai, sabe de que coisas necessitais antes de lhe pedirdes » (Mateus 6:8). Quanto à necessidade de alimento, está escrito na oração modelo: « Dá-nos hoje o nosso pão para este dia » (Mateus 6:11).
Portanto, é melhor evitar a antecipação excessiva que pode levar à ansiedade mórbida. Vamos resolver nossos problemas à medida que eles surgem, confiando em Deus: « Confia em Jeová de todo o teu coração e não te estribes na tua própria compreensão. Nota-o em todos os teus caminhos, e ele mesmo endireitará as tuas veredas » (Provérbios 3:5.6).
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O Sermão do Monte
(Mateus capítulo 7)
Parai de julgar, para que não sejais julgados
“Parai de julgar, para que não sejais julgados; 2 pois, com o julgamento com que julgais, vós sereis julgados; e com a medida com que medis, medirão a vós. 3 Então, por que olhas para o argueiro no olho do teu irmão, mas não tomas em consideração a trave no teu próprio olho? 4 Ou, como podes dizer a teu irmão: ‘Permite-me tirar o argueiro do teu olho’, quando, eis que há uma trave no teu próprio olho? 5 Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu próprio olho, e depois verás claramente como tirar o argueiro do olho do teu irmão” (Mateus 7:1-5).
Esta exortação a não julgar deve ser colocada no contexto da relação humana em geral e não no quadro normal de um tribunal que requer a intervenção de um juiz para decidir sobre a culpa ou não de uma pessoa.
Jesus Cristo diz que o homem que tende a julgar sistematicamente o próximo, muitas vezes esquece que está exatamente na mesma situação que a pessoa que está julgando: ele é um pecador como todos os outros descendentes de Adão: « Pois todos pecaram e não atingem a glória de Deus” (Romanos 3:23). Jesus Cristo acrescenta um segundo ponto mostrando que aquele que julga se coloca numa situação muito delicada do ponto de vista daquele que exercerá o julgamento, o Rei Jesus Cristo, especialmente pouco antes da grande tribulação: ele será julgado da mesma maneira como ele julga os outros. Portanto, o não julgamento, visto dessa perspectiva, é uma forma de ser prudente. No entanto, Jesus Cristo disse antes, em seu sermão, que devemos ser misericordiosos e assim seremos tratados com misericórdia. Devemos perdoar, para que Deus nos perdoe nossas faltas (Mateus 5:7; 6:14,15).
No entanto, Jesus Cristo vai muito mais longe em relação à pessoa que tende a julgar o próximo, diz sem hesitar, que é um hipócrita. De fato, ela julga seu próximo ignorando que ela tem faltas, ainda mais graves; Jesus Cristo diz que a pessoa julgada tem um argueiro no olho enquanto, por efeito ótico, tem uma trave no olho. A expressão usada por Cristo está totalmente de acordo com a pessoa que julga regularmente o seu próximo: « Médico, cura-te a ti mesmo » (Lucas 4:23).
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Não deis aos cães o que é santo
“Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis as vossas pérolas diante dos porcos, para que nunca as pisem debaixo dos seus pés, e, voltando-se, vos dilacerem” (Mateus 7:6).
Obviamente, os cães e os porcos simbolizam humanos carnais cujo comportamento não é nada espiritual (1 Coríntios 2:16). No entanto, neste caso específico, Jesus Cristo explica que esses humanos podem causar ferimentos ou até mesmo a morte. O que é « santo » ou as « pérolas » são dons espirituais relacionados ao serviço sagrado que prestamos a Deus, entre outras coisas, a proclamação das boas novas e o ensino bíblico. No âmbito do ministério cristão da Palavra, o cristão deve ter prudência, discernimento e compreensão quando não é prudente insistir: « Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos; portanto, mostrai-vos cautelosos como as serpentes, contudo, inocentes como as pombas” (Mateus 10:16).
Todas as pessoas que se recusam a ouvir por um tempo as boas novas, ou que têm um ponto de vista fundamentalmente divergente da Palavra de Deus, não devem ser colocadas na categoria mencionada por Jesus Cristo. Ele estava com os pecadores para trazê-los de volta ao caminho certo: « Eu não vim chamar os que são justos, mas sim pecadores ao arrependimento » (Lucas 5:27-32). Em algumas religiões ou congregações, os cristãos são excomungados por terem um ponto de vista diferente sobre a interpretação da Bíblia. Enquanto esses cristãos são colocados na categoria de apóstatas, alguns chegam a chamá-los de “cães” e “porcos”, enquanto seu comportamento não tem nada a ver com a periculosidade mencionada por Jesus Cristo, ou seja, prejudicá-los ou pôr em risco suas vidas.
Em relação a essa situação dolorosa, especialmente para as pessoas marginalizadas por todo um conjunto de congregações, as coisas estão nas mãos do Rei Jesus Cristo, no momento do julgamento das congregações cristãs, pouco antes da grande tribulação (Mateus 25). Para as pessoas que não hesitam em insultá-los, de acordo com Mateus 7:1-4, mas também de acordo com Mateus 5:22, eles se colocam numa situação extremamente perigosa, porque se a pessoa ou as pessoas marginalizadas fossem encontradas inocentes, sua boa reputação restaurada, no dia do julgamento, o que acontecerá com as pessoas que os insultaram gravemente?
Aqui está um texto da profecia de Isaías, que será um encorajamento para as pessoas honestas diante de Deus, que vivem esta situação muito dolorosa: « Ouvi a palavra de Jeová, vós os que tremeis da sua palavra: “Vossos irmãos que vos odeiam, que vos excluem por causa do meu nome, disseram: ‘Glorificado seja Jeová!’ Ele terá de aparecer também com alegria da vossa parte, e eles serão os envergonhados” » (Isaías 66:5). Se você é fiel a Deus e a Jesus Cristo e você permanecer, Deus garantirá a reabilitação de sua boa reputação que você já tem diante dele, desta vez em particular na frente daqueles que infringem a dignidade de sua pessoa:
« No entanto, digo-vos que todo aquele que continuar furioso com seu irmão terá de prestar contas ao tribunal de justiça; mas, quem se dirigir a seu irmão com uma palavra imprópria de desprezo terá de prestar contas ao Supremo Tribunal; ao passo que quem disser: ‘Tolo desprezível!’, estará sujeito à Geena ardente » (Mateus 5:22).
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Persisti em pedir, e dar-se-vos-á
“7 Persisti em pedir, e dar-se-vos-á; persisti em buscar, e achareis; persisti em bater, e abrir-se-vos-á. 8 Pois, todo o que [persistir em] pedir, receberá, e todo o que [persistir em] buscar, achará, e a todo o que [persistir em] bater, abrir-se-á. 9 Deveras, qual é o homem entre vós, cujo filho lhe peça pão — será que lhe entregará uma pedra? 10 Ou talvez lhe peça um peixe — será que lhe entregará uma serpente? 11 Portanto, se vós, embora iníquos, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais o vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem!” (Mateus 7:7-11).
Jesus Cristo diz que se queremos a bênção de Deus, devemos insistir e perseverar na oração. Em outra ilustração, ele mostrou como uma viúva, à força de insistir diante de um juiz injusto, conseguiu obter justiça: « Depois prosseguiu a contar-lhes uma ilustração a respeito da necessidade de sempre orarem e de nunca desistirem, dizendo: “Em certa cidade havia certo juiz que não temia a Deus e não respeitava homem. Mas, havia naquela cidade uma viúva, e ela persistia em ir ter com ele, dizendo: ‘Cuida de que eu obtenha justiça do meu adversário em juízo.’ Pois bem, por um tempo ele não estava disposto, mas depois disse para si mesmo: ‘Embora eu não tema a Deus nem respeite o homem, de qualquer modo, visto que esta viúva me causa continuamente contrariedade, cuidarei de que ela obtenha justiça, para que não persista em vir e em amofinar-me até o fim.’” O Senhor disse então: “Ouvi o que disse o juiz, embora injusto! Certamente, então, não causará Deus que se faça justiça aos seus escolhidos que clamam a ele dia e noite, embora seja longânime para com eles? Eu vos digo: Ele causará que se lhes faça velozmente justiça. Não obstante, quando chegar o Filho do homem, achará realmente fé na terra?” » (Lucas 18:1-8).
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A regra de ouro
“Todas as coisas, portanto, que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles; isto, de fato, é o que a Lei e os Profetas querem dizer” (Mateus 7:12).
Jesus Cristo declara o mandamento que sustenta toda a Lei e os Profetas, ou seja, a lei real do amor porque ele repete exatamente a mesma frase na conclusão: « Instrutor, qual é o maior mandamento na Lei?” Disse-lhe: “‘Tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua mente.’ Este é o maior e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: ‘Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.’ Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” » (Mateus 22: 36-40; Tiago 2:8).
Ainda sobre o mesmo tema do amor ao próximo, foi questionado sobre o que realmente significa a palavra “próximo”. Jesus Cristo deu uma ilustração para dar a definição: « Mas, querendo mostrar-se justo, o homem disse a Jesus: “Quem é realmente o meu próximo?” Em resposta, Jesus disse: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu entre salteadores, que tanto o despojaram como lhe infligiram golpes, e foram embora, deixando-o semimorto. Ora, por coincidência, certo sacerdote descia por aquela estrada, mas, quando o viu, passou pelo lado oposto. Do mesmo modo também um levita, quando, descendo, chegou ao lugar e o viu, passou pelo lado oposto. Mas, certo samaritano, viajando pela estrada, veio encontrá-lo, e, vendo-o, teve pena. De modo que se aproximou dele e lhe atou as feridas, derramando nelas azeite e vinho. Depois o pôs no seu próprio animal e o trouxe a uma hospedaria, e tomou conta dele. E no dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse: ‘Toma conta dele, e tudo o que gastares além disso, eu te pagarei de volta ao retornar para cá.’ Qual destes três te parece ter-se feito próximo do homem que caiu entre os salteadores?” Ele disse: “Aquele que agiu misericordiosamente para com ele.” Jesus disse-lhe então: “Vai e faze tu o mesmo.” » (Lucas 10:29-37).
Assim, como Jesus Cristo apontou, a regra de ouro deve se aplicar indiscriminadamente a todos os humanos que encontrarmos, incluindo também nossos inimigos, de acordo com o que está escrito em Mateus 5:43-48.
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Entrai pelo portão estreito
“13 Entrai pelo portão estreito; porque larga e espaçosa é a estrada que conduz à destruição, e muitos são os que entram por ela; 14 ao passo que estreito é o portão e apertada a estrada que conduz à vida, e poucos são os que o acham” (Mateus 7:13,14).
Jesus Cristo mostrou repetidamente que o caminho para a vida eterna, não seria fácil de entrar e seguir porque se trata de uma porta que dá acesso a um caminho estreito para a vida eterna. O caminho que leva à destruição não tem essas duas dificuldades mencionadas, a porta e a estreiteza do caminho, é simplesmente largo e fácil de seguir, não requer nenhum esforço.
Jesus Cristo insistiu na dificuldade do ministério cristão de várias maneiras, o que corresponde a este caminho não fácil de encontrar e seguir: « Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos; portanto, mostrai-vos cautelosos como as serpentes, contudo, inocentes como as pombas. Guardai-vos dos homens; pois eles vos entregarão aos tribunais locais e vos açoitarão nas suas sinagogas. Ora, sereis arrastados perante governadores e reis, por minha causa, em testemunho para eles e para as nações » ( Mateus 10:16-18).
Jesus Cristo mostrou que ser cristão neste sistema de coisas não seria fácil e exigiria um espírito abnegado: « E aquele que não aceita a sua estaca de tortura e não me segue não é digno de mim » (Mateus 10:38). Ele mostrou a necessidade de perseverar até o fim para ganhar a vida eterna: « Mas, quem tiver perseverado até o fim é o que será salvo » (Mateus 24:13).
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Vigiai-vos dos falsos profetas
“15 Vigiai-vos dos falsos profetas que se chegam a vós em pele de ovelha, mas que por dentro são lobos vorazes. 16 Pelos seus frutos os reconhecereis. Será que se colhem uvas dos espinhos ou figos dos abrolhos? 17 Do mesmo modo, toda árvore boa produz fruto excelente, mas toda árvore podre produz fruto imprestável; 18 a árvore boa não pode dar fruto imprestável, nem pode a árvore podre produzir fruto excelente. 19 Toda árvore que não produz fruto excelente é cortada e lançada no fogo. 20 Realmente, pois, pelos seus frutos reconhecereis estes homens.
21 “Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, senão aquele que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22 Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome e não expulsamos demônios em teu nome, e não fizemos muitas obras poderosas em teu nome?’ 23 Contudo, eu lhes confessarei então: Nunca vos conheci! Afastai-vos de mim, vós obreiros do que é contra a lei” (Mateus 7:15-23).
Jesus Cristo diz que o perigo dos falsos profetas estaria em sua capacidade de enganar, de se parecer como ovelhas. Eles, portanto, não seriam facilmente identificáveis com sua atitude baseada na manipulação mental para seduzir, mas com o resultado final de suas más ações, o que demonstraria de fato que são lobos rapaces e implacáveis que abusam da congregação cristã. Jesus Cristo insiste no espírito de observação ou discernimento que permite entender claramente que algo anormal está acontecendo, na presença desses falsos profetas, como se estivéssemos vendo uvas sobre espinheiros ou figos sobre cardos.
O apóstolo Paulo foi confrontado com esses falsos profetas sedutores, que posaram como superapóstolos: « Porque tais homens são falsos apóstolos, trabalhadores fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, pois o próprio Satanás persiste em transformar-se em anjo de luz. Portanto, não é grande coisa se os ministros dele também persistem em transformar-se em ministros da justiça. Mas o fim deles será segundo as suas obras » (2 Coríntios 11:13-15).
Jesus Cristo simplesmente mostra que o critério da salvação eterna é fazer a vontade de Deus: « Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, senão aquele que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus » (Mateus 7:21).
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A conclusão do Sermão do Monte
« 24 Portanto, todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem discreto, que construiu a sua casa sobre a rocha. 25 E caiu a chuva, e vieram as inundações, e sopraram os ventos e açoitaram a casa, mas ela não se desmoronou, pois tinha sido fundada na rocha. 26 Além disso, todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem tolo, que construiu a sua casa sobre a areia. 27 E caiu a chuva, e vieram as inundações, e sopraram os ventos e bateram contra aquela casa, e ela se desmoronou, e foi grande a sua queda » (Mateus 7:24-27).
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Jesus Cristo ensinava como quem tinha autoridade
“Quando Jesus terminou de falar essas palavras, o efeito foi que as multidões ficaram maravilhadas com seu modo de ensinar, pois ele as ensinava como quem tinha autoridade, e não como seus escribas” (Mateus 7:28,29).
Jesus Cristo deu seu Sermão do Monte na Galiléia, uma região que é tanto agrícola quanto de atividade de pesca. Assim, deu ilustrações relacionadas ao seu cotidiano, com muitas referências à natureza. Jesus Cristo havia crescido na Galiléia, provavelmente seus ouvintes sentiram isso, perceberam que ele era um homem, embora dotado de extraordinária sabedoria divina, muito próximo do povo e que o amava (Mateus 9:36). No entanto, o que mais cativava seus ouvintes era sua franqueza, sua autoridade benevolente para com o povo.
No Sermão do Monte, notamos que Jesus Cristo ilustrava todas as suas ideias importantes. Isso permitia que seus ouvintes memorizassem melhor as ideias-chave de seu discurso. Por exemplo, lembrando a palavra « feliz » no início de seu sermão, o ouvinte pensava na esperança apesar de suas sérias dificuldades. A ilustração do cisco e da trave no olho: não julgue. A porta e o caminho estreito, ilustrando a necessidade de perseverança até o cumprimento da esperança cristã.
No Sermão do Monte não há ideias difíceis de entender, o que não diminui a profundidade dos ensinamentos. Por exemplo, nas leis que proíbem o assassinato e o adultério, Jesus Cristo enfatizou as intenções ou motivos que podem preceder esses pecados graves. Assim, ele mostrou que para evitar chegar a tais extremos, é preciso agir a montante. Por exemplo, para evitar raiva, ódio e ressentimento e, mais tarde, possivelmente homicídio, Jesus Cristo mostrou que os conflitos de personalidade devem ser resolvidos o mais rápido possível para evitar uma degradação mortal do relacionamento humano. No que diz respeito ao desfecho ou resultado final de uma situação, Jesus Cristo mostrou que não é só o pecado cometido que é grave, mas a intenção, mesmo que não tenha acontecido, materializada, como no caso do adultério. Quanto à regra áurea, pela expressão que mostra que toda a lei e os profetas dependem dela, ele mostrou o que estava na base das leis, princípios atemporais como o amor a Deus e ao próximo. A lei tem um valor circunstancial (pode ser revogada como por exemplo a Lei mosaica e ser substituída por outra (Romanos 10:4)), enquanto o princípio ou o mandamento e atemporal ou eterno, é o que mostra a regra de ouro (Mateus 22:36-40).
Portanto, qualquer que fosse seu público, a qualidade de seu ensino era a mesma, porém, ao lidar com um grupo de pessoas que não estavam muito acostumadas a lidar com ideias abstratas, ele usava ilustrações para esclarecer o significado. O poder de sua forma de ensinar estava na capacidade de explicar ideias profundas e nem sempre fáceis de entender, de forma simples, com palavras simples e ilustrações claras.
Por outro lado, quando estava na presença de mestres, podia surpreendê-los com a profundidade de seu conhecimento das Escrituras. Por exemplo, em sua conversa com Gamaliel, ele falou do novo nascimento. Gamaliel ficou completamente desestabilizado por esta expressão em estreita ligação com o batismo, mas também com a ressurreição dos mortos. Perante este espanto, Jesus Cristo fez-lhe esta pergunta retórica: « O senhor é instrutor de Israel e ainda assim não sabe essas coisas? ». E para acrescentar: « Se eu lhes falei de coisas terrenas e mesmo assim vocês não acreditam, como acreditarão se eu lhes falar de coisas celestiais? ». Dito de outra forma, Jesus Cristo mostrou que não precisava forçar muito a dificuldade do ensino, apegando-se ao único aspecto terrestre, evocando que também havia um aspecto celestial (João capítulo 3).
Às vezes, ele fazia uma pergunta que sugeria que o ensino tinha outros ângulos de compreensão. Por exemplo, os contemporâneos de Cristo o chamavam de filho de Davi, o que era verdade, mas em outro contexto não era: « Então, enquanto os fariseus estavam reunidos, Jesus lhes perguntou: “O que vocês pensam do Cristo? De quem ele é filho?” Disseram-lhe: “De Davi.” Ele lhes perguntou: “Como é, então, que Davi, sob inspiração, o chama de Senhor, dizendo: ‘Jeová disse ao meu Senhor: “Sente-se à minha direita, até que eu ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés”’? Então, se Davi o chama de Senhor, como é que ele é seu filho?” E ninguém foi capaz de lhe dizer uma só palavra em resposta e, daquele dia em diante, ninguém se atreveu a lhe fazer mais perguntas » (Mateus 22:41-46).
Às vezes, seu ensino pode ser muito complexo e difícil de entender, como a profecia sobre os últimos dias em Mateus 24, 25, Marcos 13 e Lucas 21. Neste caso específico, para entender certas expressões bíblicas, é preciso ter um bom conhecimento da profecia de Daniel porque ele se referiu principalmente a ela.
Às vezes Jesus Cristo criava uma seleção em sua audiência, entre aqueles que o ouviam superficialmente, sem buscar saber mais, e outros bem menos numerosos, como os apóstolos que o questionavam para explicar o simbolismo de suas ilustrações (Mateus 13:10-15 ).
Haveria muitas outras coisas a dizer sobre o modo de ensinar de Jesus Cristo, é aconselhável inspirar-se nele, especialmente para os mestres da Palavra de Deus, a fim de tornar o ensino profundo e simples de entender, a fim de para torná-lo acessível ao maior número possível de pessoas: « De fato, para isso vocês foram chamados, porque o próprio Cristo sofreu por vocês, deixando um modelo para seguirem fielmente os seus passos » (1 Pedro 2:21).
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Imite Jesus Cristo na Pregação das Boas Novas do Reino
Seu testemunho a uma mulher samaritana
« 7 Uma mulher de Samaria chegou para tirar água. Jesus lhe disse: “Dê-me um pouco de água.” 8 (Os seus discípulos tinham ido à cidade para comprar alimento.) 9 Portanto, a samaritana lhe disse: “Como é que o senhor, sendo judeu, pede água a mim, apesar de eu ser samaritana?” (Porque os judeus não têm tratos com os samaritanos.) 10 Jesus lhe respondeu: “Se você soubesse da dádiva de Deus e soubesse quem é que lhe diz: ‘Dê-me um pouco de água’, você lhe teria pedido, e ele lhe teria dado água viva.” 11 Ela lhe disse: “O senhor não tem nem mesmo um balde para tirar água, e o poço é fundo. De onde tira então essa água viva? 12 Será que o senhor é maior do que o nosso antepassado Jacó, que nos deu o poço e bebeu dele junto com seus filhos e seus rebanhos?” 13 Em resposta, Jesus lhe disse: “Todo aquele que beber desta água ficará novamente com sede. 14 Quem beber da água que eu lhe der nunca mais ficará com sede, mas a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para dar vida eterna.” 15 A mulher lhe disse: “Senhor, dê-me dessa água, para que eu não tenha sede nem venha mais aqui para tirar água.” 16 Ele lhe disse: “Vá, chame seu marido e volte para cá.” 17 A mulher respondeu: “Não tenho marido.” Jesus lhe disse: “Você está certa em dizer: ‘Não tenho marido.’ 18 Pois você teve cinco maridos, e o homem que você tem agora não é seu marido. Você disse a verdade.” 19 A mulher lhe disse: “Vejo que o senhor é um profeta. 20 Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês dizem que o lugar onde as pessoas devem adorar é em Jerusalém.” 21 Jesus lhe disse: “Acredite em mim, mulher: vem a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém, vocês adorarão o Pai. 22 Vocês adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação se origina dos judeus. 23 Contudo, vem a hora, e agora é, quando os verdadeiros adoradores adorarão o Pai com espírito e verdade. Pois, realmente, o Pai está procurando a esses para o adorarem. 24 Deus é espírito, e os que o adoram têm de adorá-lo com espírito e verdade.” 25 A mulher lhe disse: “Eu sei que vem o Messias, que é chamado Cristo. Quando ele vier, dirá abertamente todas as coisas a nós.” 26 Jesus lhe disse: “Eu, que estou falando com você, sou ele » (Jean 4:7-26. Para o estudo deste texto, os números que marcam os versículos foram deixados voluntariamente).
Para ter uma idéia mais precisa do que pode ser dito no contexto da pregação, vejamos como Jesus Cristo pregou a uma mulher samaritana, de maneira informal:
– Jesus Cristo provocou uma situação dupla incomum (versículos 7-9): ele era judeu e falou em público a uma mulher samaritana. Os Judeus e os samaritanos se odiavam tanto que, na época, para insultar um de seus compatriotas, às vezes o chamavam de « samaritano » (ver João 8:48). A ilustração de « O Bom Samaritano », se encaixa no propósito de Cristo, para denunciar sutilmente esse racismo religioso judeu anti-samaritano (Lucas 10:25-37)). Além disso, Jesus Cristo falou em público a uma mulher, o que não era usual. Em João 4:27, está escrito que até seus discípulos ficaram surpresos com essa situação. Seja como for, no versículo 16, Jesus Cristo pediu à mulher que trouxesse o marido para continuar a conversa. Enquanto Jesus Cristo sempre teve uma atitude casta com às mulheres, ele respeitava os costumes relacionados às relações entre homens e mulheres e, é claro, à moral bíblica.
Portanto, é importante não ter preconceitos com as pessoas. Jeová Deus e Jesus Cristo amam todos os povos e os humanos de todas as raças, homens e mulheres (Atos 10:34 « Deus não é parcial »).
– Jesus Cristo continuou após o primeiro efeito de surpresa, acrescentando algo estranho (versículos 10-15): Ele pode dar água, embora não tiver balde (versículo 10). Claro, era uma água simbólica e espiritual. Sem necessariamente pensar que a mulher samaritana não tinha discernimento, porque ela não sabia com quem falava, ela apontou que ele não tinha balde. No entanto, sem chamar a atenção sobre a falta de discernimento da mulher samaritana, Jesus Cristo acrescentou outra coisa estranha do ponto de vista humano: ele pode lhe dar água que ela nunca mais terá sede. Pode-se facilmente imaginar o espanto da mulher samaritana olhando para Jesus Cristo, de olhos arregalados respondendo: « Senhor, dê-me dessa água, para que eu não tenha sede nem venha mais aqui para tirar água ». A mulher ainda não havia entendido que Jesus Cristo estava falando simbolicamente. Ele não lhe mostrou sua falta de discernimento, porque o objetivo que Jesus havia estabelecido para si mesmo foi atingido: captar sua atenção.
Primeiro, para captar a atenção, use frases simples e contundentes que talvez sejam incomuns. É necessário despertar essa curiosidade inata aos seres humanos, para que eles possam reagir e, assim, provocar conversas espiritualmente interessantes. O segundo ponto é que Jesus Cristo não disse nada a mulher samaritana quando ela não entendeu nada, ele perseguiu seu objetivo, despertar sua atenção criando um terreno comum entre ele e ela.
– Jesus Cristo felicitou a mulher samaritana por seu discernimento e ela percebeu que Jesus era um profeta (Versículos 16-19): quando ele pediu que a samaritana fosse buscar o marido para continuar a conversa, ela respondeu que não era casada (ela morava com um homem sem ser casada). Ainda se pode imaginar facilmente o espanto da mulher samaritana quando Jesus Cristo, depois de felicitá-la por sua boa resposta, deu-lhe detalhes de suas situações familiares passadas e de sua situação atual. Ela respondeu: « Vejo que o senhor é um profeta ».
Anteriormente, descobrimos que Jesus Cristo não disse nada a samaritana por sua falta de discernimento. No entanto, neste caso, Jesus Cristo a felicitou por sua boa resposta. No contexto de uma conversa, enquanto privilegia pontos de acordo, é bom descartar temporariamente as divergências para criar uma atmosfera de confiança. Devemos nos comunicar em igualdade de condições com o nosso próximo. Em João 4:6, está escrito que Jesus Cristo estava muito cansado e sentou-se perto dum poço. Não está escrito que Jesus Cristo ficou de pé para falar com a mulher samaritana. Imaginamos a cena, Jesus Cristo sentado, cansado, e a mulher samaritana, de pé, olhando para o homem mais importante da terra. Portanto, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, quando pregamos ao próximo, devemos evitar qualquer atitude condescendente, mas temos de tratar o próximo como igual, para promover um ambiente cordial, talvez amigável.
– Jesus Cristo se recusou a debater (versículo 20-22): a mulher samaritana abre uma controvérsia sobre os diferentes lugares de culto dos Judeus e dos Samaritanos (versículo 20). Jesus Cristo não entrou em polêmica ao dizer-lhe que, a partir de então, a verdadeira adoração não dependeria mais de um lugar santo em particular (versículo 21). Tendo descartado essa controvérsia, Jesus Cristo, no entanto, expôs a verdade (versículo 22): « Vocês adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação se origina dos judeus ». A salvação vem dos judeus porque desse povo (não do samaritano), veio o principal meio de salvação eterna: Jesus Cristo (João 14:6).
É importante equilibrar, o fato de evitar desnecessariamente entrar em controvérsia, por outro lado, a absoluta necessidade de expor a verdade bíblica, como fez Jesus Cristo neste caso.
– Jesus Cristo falou de « verdadeiros adoradores » (versículos 23 e 24): A expressão « verdadeiros adoradores » tem a vantagem de sua grande simplicidade: ou somos, ou não somos. Assim como Jesus Cristo disse, existem apenas duas alternativas, uma que leva à vida e a outra à destruição (Mateus 7:13,14,21-23). Da mesma forma, existem apenas duas categorias de adoradores: o verdadeiro e o falso. Os verdadeiros adoradores foram designados pela providência divina: Cristãos: « Depois de achá-lo, levou-o a Antioquia. Assim, por um ano inteiro, reuniram-se com a congregação e ensinaram uma numerosa multidão. E foi primeiro em Antioquia que os discípulos, por direção divina, foram chamados de cristãos » (Atos 11:26). Pouco antes da Grande Tribulação, é Jesus Cristo quem fará a diferença entre os « verdadeiros cristãos » e os « falsos cristãos » (Mateus 7:21-23). O que significa que se alguém substituísse a palavra adoração pelas palavras não-bíblicas de « religião », a situação se tornaria muito mais complexa (o que é): De fato, como reconhecer a « religião verdadeira » « entre os milhões de outras religiões que se autodenominam » verdadeiras? É melhor permanecer na simplicidade do termo « verdadeiros adoradores », usado por Jesus Cristo, ou « cristão » escrito no livro de Atos (pela providência divina). Jesus Cristo pregou uma mensagem, as boas novas, em vez de uma « religião » (palavra genérica não-bíblica).
Por outro lado, Jesus Cristo mostrou que é Deus quem « busca os verdadeiros adoradores », por meio da pregação humana. Ele é quem está edificando Seu povo: « Então os que temiam a Jeová falavam uns com os outros, cada um com o seu próximo, e Jeová prestava atenção e escutava. E diante dele foi escrito um livro de recordação para os que temiam a Jeová e para os que meditavam no seu nome » (Mateus 24:14, Malaquias 3:16). Vamos pregar para a grande multidão que sobreviverá à grande tribulação no dia de Jeová (Joel 2:1,2).
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O Ensino de Jesus Cristo Através de Ilustrações
Quem é meu Próximo? O Bom Samaritano
“25 Então, eis que se levantou certo homem versado na Lei, para prová-lo, e disse: “Instrutor, por fazer o que hei de herdar a vida eterna?” 26 Ele lhe disse: “O que está escrito na Lei? Como é que lês?” 27 Em resposta, disse: “‘Tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua força, e de toda a tua mente’, e, ‘o teu próximo como a ti mesmo’.” 28 Ele lhe disse: “Respondeste corretamente; ‘persiste em fazer isso e obterás a vida’.” 29 Mas, querendo mostrar-se justo, o homem disse a Jesus: “Quem é realmente o meu próximo?” 30 Em resposta, Jesus disse: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu entre salteadores, que tanto o despojaram como lhe infligiram golpes, e foram embora, deixando-o semimorto. 31 Ora, por coincidência, certo sacerdote descia por aquela estrada, mas, quando o viu, passou pelo lado oposto. 32 Do mesmo modo também um levita, quando, descendo, chegou ao lugar e o viu, passou pelo lado oposto. 33 Mas, certo samaritano, viajando pela estrada, veio encontrá-lo, e, vendo-o, teve pena. 34 De modo que se aproximou dele e lhe atou as feridas, derramando nelas azeite e vinho. Depois o pôs no seu próprio animal e o trouxe a uma hospedaria, e tomou conta dele. 35 E no dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse: ‘Toma conta dele, e tudo o que gastares além disso, eu te pagarei de volta ao retornar para cá.’ 36 Qual destes três te parece ter-se feito próximo do homem que caiu entre os salteadores?” 37 Ele disse: “Aquele que agiu misericordiosamente para com ele.” Jesus disse-lhe então: “Vai e faze tu o mesmo.”” (Lucas 10:25-37).
Esta ilustração é completamente surpreendente. É provável que essa resposta tenha surpreendido o público judeu da época. Os judeus e os samaritanos se odiavam tanto que na época, para insultar um de seus compatriotas, às vezes o chamavam de « samaritano »: « Em resposta, os judeus lhe disseram: “Não dizemos corretamente: Tu és samaritano e tens demônio?”” (João 8:48). Por meio desse insulto, os judeus associavam os samaritanos a humanos sob a influência de demônios. Jesus Cristo não desconhecia esta situação. A ilustração do « Bom Samaritano » obviamente faz parte do objetivo de Cristo, denunciar sutilmente esse racismo religioso judaico, anti-samaritano. Em João 4:7-26 podemos ler que Jesus Cristo deu testemunho a uma mulher samaritana, o que demonstrava que ele não tinha preconceito racial.
Jesus Cristo foi ainda mais longe contrastando a não assistência a quem está em perigo, de um judeu gravemente ferido, por parte de um sacerdote e de um levita, pessoas supostamente exemplares na aplicação da Lei de Deus, baseada na justiça e na misericórdia (Mateus 23:23). Enquanto o samaritano, socorreu o homem em apuros. O contraste é tão surpreendente, entre essas duas atitudes, que nos perguntamos se, em última análise, Jesus Cristo não se baseou em uma notícia que teria acontecido nos arredores de Jericó. O próprio fato de Jesus Cristo colocar o drama com muita precisão na estrada entre Jerusalém e Jericó, parece indicar que às vezes os viajantes podiam ser vítimas de ladrões (Lucas 13:1-5, às vezes Jesus Cristo ilustrava seu ensino com fatos reais). O relato mostra que o interlocutor fez essa pergunta, não para se informar com sinceridade, mas “querendo mostrar-se justo”. Jesus Cristo percebendo isso, mostrou-lhe que não era necessariamente assim, pois, em conclusão, disse-lhe: « Vai e faze tu o mesmo » (implicando que ele tinha que trabalhar neste ponto, do preconceito racial entre os judeus e os samaritanos).
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A ovelha e a moeda de dracma perdidas e achadas
« Todos os cobradores de impostos e pecadores chegavam-se então perto dele para o ouvirem. 2 Conseqüentemente, tanto os fariseus como os escribas murmuravam, dizendo: “Este homem acolhe pecadores e come com eles.” 3 Então lhes contou a seguinte ilustração, dizendo: 4 “Que homem dentre vós, com cem ovelhas, perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove atrás no ermo e vai em busca da perdida, até a achar? 5 E quando a tiver achado, ele a põe sobre os seus ombros e se alegra. 6 E, ao chegar à casa, convoca seus amigos e seus vizinhos, dizendo-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que estava perdida.’ 7 Eu vos digo que assim haverá mais alegria no céu por causa de um pecador que se arrepende, do que por causa de noventa e nove justos que não precisam de arrependimento.
8 “Ou que mulher, com dez moedas de dracma, se perder uma moeda de dracma, não acende uma lâmpada e varre a sua casa, e procura cuidadosamente até achá-la? 9 E quando a tiver achado, convoca as mulheres que são suas amigas e vizinhas, dizendo: ‘Alegrai-vos comigo, porque achei a moeda de dracma que perdi.’ 10 Assim, eu vos digo, surge alegria entre os anjos de Deus por causa de um pecador que se arrepende” » (Lucas 15:1-10).
Enquanto Jesus Cristo está na companhia de pecadores, os fariseus o repreendem por ter más associações. Jesus Cristo lhes responderá com três ilustrações. As duas ilustrações da ovelha e da moeda perdidas e achadas (acima) e do filho pródigo (abaixo). Jesus Cristo explica aos fariseus implacáveis que, para Deus, a vida dum único ser humano em perigo é tão valiosa quanto a dos outros humanos que estão seguros. Na ilustração da ovelha perdida, o pastor deixa as 99 ovelhas em segurança, para colocar toda a sua energia para encontrar e salvar a ovelha perdida. Jesus Cristo mostra que, assim como um pastor ou uma mulher colocariam toda a sua energia para recuperar o que perderam, Deus quer que os pastores espirituais coloquem a mesma energia em salvar espiritualmente os humanos sob seus cuidados.
Existem comportamentos que Jeová Deus e seu Filho Jesus Cristo condenam. É importante conhecê-los e fazer gradualmente as mudanças necessárias para agradar a Deus e a seu Filho. A atitude de Jesus Cristo para com os pecadores que viveram nos dias dele, nos ajuda a entender melhor como Jeová Deus, seu Pai, é misericordioso e paciente. Jesus Cristo se esforçou com compaixão para ajudar os pecadores a voltar ao caminho justo de Deus. Tomemos vários exemplos que mostram sua compaixão, sua paciência e sua firmeza.
No Evangelho de Lucas (19:1-10), Jesus Cristo chega a Jericó e há uma grande multidão para recebê-lo. E naquela multidão está um homem de pequeno tamanho, tentando ver aquele famoso Jesus. Então ele sobe numa árvore que está no caminho. Zaqueu é um cobrador de impostos conhecido pela sua desonestidade. Quando Jesus chega à sua altura, levanta a cabeça e diz a Zaqueu, para surpresa de todos, que vem comer em sua casa. O relato acrescenta que as pessoas são chocadas com o fato de Jesus ter ido comer em casa dum homem tão pecador. No final do relato está escrito por que Jesus fez isso. Depois de Zaqueu ter anunciado que se arrependia dos seus pecados e iria reparar concretamente os resultados deles, Jesus diz: « Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido » (Lucas 19:10).
O evangelho de Mateus (9:9-13), nos informa que Jesus escolheu Mateus, um cobrador de impostos, como apóstolo para segui-lo. Para sua despedida, é provável que tenha organizado uma refeição com seus agora colegas de trabalho, segundo o que está escrito: “Então, passando mais adiante, Jesus viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “A seguir, passando dali para diante, Jesus avistou um homem chamado Mateus, sentado na coletoria, e disse-lhe: “Sê meu seguidor.” Em conseqüência disso, este se levantou e o seguiu. Mais tarde, enquanto estava recostado à mesa, na casa, eis que vieram muitos cobradores de impostos e pecadores, e começaram a recostar-se com Jesus e seus discípulos. Vendo isso, porém, os fariseus começaram a dizer aos discípulos dele: “Por que é que o vosso instrutor come com os cobradores de impostos e os pecadores?” Ouvindo-os, ele disse: “As pessoas com saúde não precisam de médico, mas sim os enfermos. Ide, pois, e aprendei o que significa: ‘Misericórdia quero, e não sacrifício.’ Pois eu não vim chamar os que são justos, mas pecadores.””.
Um último exemplo: O Evangelho de João capítulo 4 nos informa que Jesus estava muito cansado e se sentou perto de um poço para descansar. Uma mulher samaritana se aproximou do poço para tirar água. Jesus iniciou a conversa com ela. Durante aquela conversa espiritual, Jesus disse á mulher que ele era o Cristo, algo que raramente fazia (João 4:26). Então Jesus deu-lhe uma grande honra ao lhe dizer isso. Porém, no versículo 18 desse mesmo capítulo, podemos ler que aquela mulher vivia no pecado, pois estava com um homem sem ser casada (João 4:18). Destes três exemplos, entre outros, vemos que Jesus Cristo não hesitava em estar com pecadores para encorajá-los a seguir o caminho reto de Deus.
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A Misericórdia do Pai Celestial Ilustrada pelo Filho Pródigo
« 11 Ele disse então: “Certo homem tinha dois filhos. 12 E o mais jovem deles disse a seu pai: ‘Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe.’ Dividiu então os seus meios de vida entre eles. 13 Mais tarde, não muitos dias depois, o filho mais jovem ajuntou todas as coisas e viajou para fora, a um país distante, e ali esbanjou os seus bens por levar uma vida devassa. 14 Quando já tinha gasto tudo, ocorreu uma fome severa em todo aquele país, e ele principiou a passar necessidade. 15 Ele até mesmo foi e se agregou a um dos cidadãos daquele país, e este o enviou aos seus campos para pastar porcos. 16 E costumava desejar saciar-se das alfarrobas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada.
17 “Quando caiu em si, disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, enquanto eu pereço aqui de fome! 18 Levantar-me-ei e viajarei para meu pai e lhe direi: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti. 19 Não sou mais digno de ser chamado teu filho. Faze de mim um dos teus empregados.”’ 20 Levantou-se assim e foi ter com seu pai. Enquanto ainda estava longe, seu pai o avistou e teve pena, e correu e lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou ternamente. 21 O filho disse-lhe então: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho. Faze de mim um dos teus empregados.’ 22 Mas o pai disse aos seus escravos: ‘Ligeiro! Trazei uma veste comprida, a melhor, vesti-o com ela, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés. 23 E trazei o novilho cevado e abatei-o, e comamos e alegremo-nos, 24 porque este meu filho estava morto, e voltou a viver; estava perdido, mas foi achado.’ E principiaram a regalar-se.
25 “Ora, o filho mais velho dele estava no campo; e quando chegou e se aproximou da casa, ouviu um concerto de música e dança. 26 De modo que chamou a si um dos servos e indagou o significado destas coisas. 27 Este lhe disse: ‘Chegou teu irmão, e teu pai abateu o novilho cevado, porque o recebeu de volta em boa saúde.’ 28 Mas ele ficou furioso e não quis entrar. Saiu então seu pai e começou a suplicar-lhe. 29 Em resposta, ele disse ao seu pai: ‘Eis que trabalhei tantos anos como escravo para ti, e nunca, nem uma única vez, transgredi o teu mandamento, contudo, nunca, nem uma única vez, me deste um cabritinho para alegrar-me com os meus amigos. 30 Mas, assim que chegou este teu filho, que consumiu com as meretrizes o teu meio de vida, abates para ele o novilho cevado.’ 31 Disse-lhe então: ‘Filho, tu sempre estiveste comigo e todas as minhas coisas são tuas; 32 mas nós simplesmente tivemos de nos regalar e alegrar, porque este teu irmão estava morto, e voltou a viver, e estava perdido, mas foi achado.’” » (Lucas 15:11-32).
Por meio da ilustração do filho pródigo, Jesus Cristo nos permite compreender melhor o modo de agir de seu Pai em situações em que suas criaturas contestam, por algum tempo, sua autoridade. O filho pródigo pediu ao pai sua herança e deixou a casa. O pai permitiu que seu filho já crescido tomasse essa decisão, trilhasse seu próprio caminho na vida, mas também assumisse as consequências. Na ilustração, depois de algum tempo de vida dissoluta, o filho decide voltar para a casa do Pai. Se arrepende, o pai o perdoa e se alegra da sua volta com uma grande festa. O pai não julga os motivos que levam o filho a voltar. Na ilustração o filho volta para o pai por força das circunstâncias, e mantém um raciocínio baseado na sabedoria prática. A mensagem de Cristo é fazer entender que a misericórdia de seu Pai chegará ao ponto de aceitar essa sabedoria prática impelida pela força das circunstâncias que podem levar os humanos ao arrependimento.
A ilustração tem uma segunda parte que descreve a reação indignada e ciumenta do irmão do filho pródigo. Ele critica o pai por ter organizado uma festa para se alegrar do retorno do irmão, enquanto ele mesmo nunca foi objeto de tanta atenção. Vemos outra ilustração da misericórdia e paciência de Deus com humanos de coração duro. Enquanto o filho fica ofendido, o pai vai vê-lo para resolver essa situação. O que o filho diz ao pai revela suas motivações: « Eis que trabalhei tantos anos como escravo para ti, e nunca, nem uma única vez, transgredi o teu mandamento, contudo, nunca, nem uma única vez, me deste um cabritinho para alegrar-me com os meus amigos ». Em vez de se concentrar na salvação de seu irmão, ele faz disso um assunto pessoal, baseado num raciocínio completamente egoísta, baseado apenas em si mesmo. Ele diz que trabalhou “como um escravo” sem transgredir seu mandamento, demonstrando que a lealdade ao pai era puramente formalista e desprovida de qualquer sentimento de amor por ele. Soma-se a isso um desprezo absoluto pelo irmão, quando diz ao pai: “assim que chegou este teu filho, que consumiu com as meretrizes”. Ele lembra duramente a conduta passada de seu irmão. Ele nem diz « meu irmão », mas « teu filho ». Na resposta paciente do pai ao filho indignado, ele o lembra que ele é de fato seu filho, mas também ele é também seu irmão.
Não há dúvida de que este filho formalista e implacável é um reflexo do comportamento duro e impiedoso dos escribas e fariseus do tempo de Cristo: « Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o décimo da hortelã, e do endro, e do cominho, mas desconsiderastes os assuntos mais importantes da Lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Estas eram as coisas obrigatórias a fazer, sem, contudo, desconsiderar as outras” (Mateus 23:23).
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Uma lição de misericórdia
« 36 E um dos fariseus lhe pedia com insistência que comesse com ele. Então ele entrou na casa do fariseu e se recostou à mesa. 37 Uma mulher, conhecida na cidade como pecadora, soube que ele estava comendo na casa do fariseu e levou um frasco de alabastro com óleo perfumado. 38 Colocando-se atrás dele, aos seus pés, ela chorou e começou a molhar os pés dele com as suas lágrimas, e os enxugou com os seus cabelos. Ela também beijava ternamente os pés dele e derramava neles o óleo perfumado. 39 Ao ver isso, o fariseu que o tinha convidado disse a si mesmo: “Se este homem realmente fosse um profeta, saberia quem o está tocando e que tipo de mulher ela é, que ela é pecadora.” 40 Em vista disso, porém, Jesus lhe disse: “Simão, tenho algo para lhe dizer.” Ele disse: “Diga, Instrutor!”
41 “Dois homens eram devedores de certo credor: um devia 500 denários, mas o outro 50. 42 Como não tinham nada com que lhe pagar, ele perdoou liberalmente a ambos. Portanto, qual deles o amará mais?” 43 Em resposta, Simão disse: “Suponho que seja aquele a quem ele perdoou mais.” Ele lhe disse: “Você julgou corretamente.” 44 Então, ele se virou para a mulher e disse a Simão: “Está vendo esta mulher? Entrei na sua casa e você não me deu água para os pés. Mas esta mulher molhou os meus pés com as suas lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. 45 Você não me deu nenhum beijo, mas esta mulher, desde a hora em que entrei, não parou de beijar ternamente os meus pés. 46 Você não derramou óleo na minha cabeça, mas esta mulher derramou óleo perfumado nos meus pés. 47 Por isso, eu lhe digo: os pecados dela, embora sejam muitos, estão perdoados, porque ela amou muito. Mas aquele a quem se perdoa pouco, ama pouco.” 48 Então ele disse a ela: “Seus pecados estão perdoados.” 49 Os que se recostavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: “Quem é este homem que até mesmo perdoa pecados?” 50 Mas ele disse à mulher: “Sua fé salvou você. Vá em paz” » (Lucas 7:36-50).
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Perdoe até 77 vezes
« 21 Pedro aproximou-se então e disse-lhe: “Senhor, quantas vezes há de pecar contra mim o meu irmão e eu lhe hei de perdoar? Até sete vezes?” 22 Jesus disse-lhe: “Eu não te digo: Até sete vezes, mas: Até setenta e sete vezes.
23 “É por isso que o reino dos céus se tem tornado semelhante a um homem, um rei, que queria ajustar contas com os seus escravos. 24 Quando começou a ajustá-las, trouxeram-lhe um homem que lhe devia dez mil talentos [= 60.000.000 de denários]. 25 Mas, porque não tinha os meios de pagar isso de volta, seu amo mandou que ele, e a esposa dele, e os filhos dele, e todas as coisas que tivesse, fossem vendidos e fosse feito o pagamento. 26 Por isso, o escravo prostrou-se e começou a prestar-lhe homenagem, dizendo: ‘Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo de volta.’ 27 Penalizado, por causa disso, o amo daquele escravo deixou-o ir e cancelou a sua dívida. 28 Mas aquele escravo saiu e achou um dos seus co-escravos, que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, começou a estrangulá-lo, dizendo: ‘Paga de volta o que deves.’ 29 Por isso, seu co-escravo prostrou-se e começou a suplicar-lhe, dizendo: ‘Tem paciência comigo, e eu te pagarei de volta.’ 30 No entanto, ele não estava disposto, mas foi e mandou lançá-lo na prisão, até que pagasse de volta o que devia. 31 Portanto, quando seus co-escravos viram o que tinha acontecido, ficaram muito contristados, e foram e esclareceram ao seu amo tudo o que tinha acontecido. 32 O amo dele convocou-o então e disse-lhe: ‘Escravo iníquo, eu te cancelei toda aquela dívida, quando me suplicaste. 33 Não devias tu, por tua vez, ter tido misericórdia do teu co-escravo, assim como eu também tive misericórdia de ti?’ 34 Com isso, seu amo, furioso, entregou-o aos carcereiros, até que pagasse de volta tudo o que devia. 35 Do mesmo modo lidará também convosco o meu Pai celestial, se não perdoardes de coração cada um ao seu irmão” » (Mateus 18:21-35).
Jesus Cristo repete um ensinamento muito importante, para obter a misericórdia de Deus, escrito em Mateus 6:14,15. Mostra que a qualidade do nosso relacionamento com Deus depende do relacionamento que temos com o próximo: « Pois, se vocês perdoarem aos homens as falhas deles, o seu Pai celestial também perdoará vocês; ao passo que, se não perdoarem aos homens as falhas deles, o seu Pai também não perdoará as falhas de vocês » (Mateus 5:23,24; 1 João 3:15,4:8).
Tem o cristão a obrigação de perdoar tudo? Como todo ensino bíblico, deve ser baseado no contexto das declarações de Cristo. Em Mateus 6:14,15, Jesus Cristo mostra que os humanos devem perdoar absolutamente os pecados do próximo. No entanto, esta injunção ao perdão faz parte duma relação humana normal, cheia de tensões, muitas vezes, de ofensas mais ou menos graves. Voltando ao contexto desse mandamento do perdão ao próximo, em Mateus 5:23,24, temos a confirmação de que esse perdão exigido está num quadro cotidiano do relacionamento humano, que muitas vezes exige ajustes para alcançar relacionamentos serenos, cada dia. E o perdão ajuda a aliviar as tensões e a aprender a suportar uns aos outros (Romanos 15:1,2).
Voltando à pergunta do perdão 7 vezes, mencionado pelo apóstolo Pedro, e a resposta de Cristo de 77 vezes o perdão, Jesus Cristo enfatiza mais na qualidade do perdão. De fato, se uma pessoa diz a si mesma, vou perdoá-la 7 vezes, ela realmente perdoa seu próximo, mantendo uma conta dos pecados de seu próximo? A resposta de Cristo torna essa contagem mais difícil. O que significa que a pessoa que perdoa o próximo o fará de todo o coração, sem ressentimentos residuais que a levariam a fazer contas. Se entendemos que Jesus Cristo, em Mateus 18, insiste na boa qualidade do perdão de todo o coração, então também entenderemos, segundo o contexto desse mesmo capítulo, que não é um convite para perdoar tudo.
A pergunta do apóstolo Pedro sobre perdoar sete vezes, vem precisamente duma declaração de Cristo que descreve uma situação que poderia levar a não perdoar: « Além disso, se o seu irmão cometer um pecado, vá mostrar-lhe o seu erro, somente você e ele. Se ele o escutar, você ganhou o seu irmão. Mas, se não o escutar, leve com você mais um ou dois, para que, com base no depoimento de duas ou três testemunhas, toda questão seja estabelecida. Se ele não os escutar, fale à congregação. Se não escutar nem mesmo a congregação, seja ele para você apenas como homem das nações e como cobrador de impostos » (Mateus 18:15-17). Este texto não deve ser confundido com Mateus 5:23,24, porque Jesus Cristo, em Mateus 18, menciona que os pecados exigiriam, em caso de negação do culpado, a intervenção de duas ou três testemunhas e até as autoridades da congregação cristã. São pecados graves relacionados a calúnias que prejudicam a boa reputação duma pessoa, ou mesmo problemas de reconhecimento de dívidas, ou ainda mais graves, fraudes.
Há outros pecados gravíssimos que não se enquadram no contexto de Mateus 18:15-17, mas que são de responsabilidade da justiça policial e dos tribunais, como crimes de sangue e crimes sexuais, como estupro e pedofilia. Obviamente, as vítimas de tais atos desprezíveis não têm obrigação do perdão mencionado em Mateus 18:21-35. Nestas situações extremamente dolorosas, são as vítimas ou as famílias das vítimas que decidem em consciência se perdoam ou não. Em todo caso, é Deus, por meio de Cristo Rei, que julgará a obra de cada um: « Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus » (Romanos 14:12).
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Os trabalhadores da décima primeira hora
Os últimos serão os primeiros e os primeiros os últimos
« Pois o Reino dos céus é semelhante a um proprietário, que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para o seu vinhedo. 2 Depois de combinar com os trabalhadores um denário por dia, mandou-os ao seu vinhedo. 3 Por volta da terceira hora, ao sair novamente, viu outros que estavam na praça principal sem trabalhar, 4 e disse a eles: ‘Vão vocês também ao vinhedo, e eu lhes darei o que for justo.’ 5 De modo que eles foram. Ele saiu novamente por volta da sexta hora e da nona hora, e fez o mesmo. 6 Finalmente, por volta da décima primeira hora, ele saiu e encontrou outros parados ali, e lhes perguntou: ‘Por que ficaram aqui o dia todo sem trabalhar?’ 7 Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou.’ Disse-lhes: ‘Vão também ao vinhedo.’
8 “Quando anoiteceu, o dono do vinhedo disse ao seu administrador: ‘Chame os trabalhadores e pague-lhes seu salário, começando com os últimos e terminando com os primeiros.’ 9 Quando os homens da décima primeira hora chegaram, cada um deles recebeu um denário. 10 Então, quando os primeiros chegaram, concluíram que receberiam mais, mas eles também receberam o pagamento de um denário cada um. 11 Após recebê-lo, começaram a reclamar contra o proprietário 12 e disseram: ‘Esses últimos homens trabalharam só uma hora; ainda assim o senhor os igualou a nós, que suportamos o fardo do dia e o calor intenso!’ 13 Mas ele disse, em resposta, a um deles: ‘Amigo, não lhe faço nenhuma injustiça. Você não concordou comigo em um denário? 14 Pegue o que é seu e vá. Eu quero dar a esse último o mesmo que a você. 15 Não tenho o direito de fazer o que quero com as minhas próprias coisas? Ou você ficou com inveja porque eu fui bom com eles?’ 16 Desse modo, os últimos serão primeiros; e os primeiros, últimos » (Mateus 20:1-16).
Parece que Jesus Cristo usa esta ilustração para esclarecer o significado desta frase enigmática que repetiu várias vezes: « Os últimos serão primeiros; e os primeiros, últimos ». No capítulo anterior, em Mateus 19:30, ele pronuncia esta frase, e no versículo acima, ele diz que seus discípulos passariam por provações, mas então receberiam o cumprimento de sua esperança, a vida eterna. Encontramos este mesmo ensino em Marcos 10:23-31 e Lucas 13:22-30, concluindo-o com esta mesma frase. Fazendo a ligação das observações anteriores a esta expressão, com a ilustração dos trabalhadores da décima primeira hora, conseguimos entender melhor.
O proprietário que contrata os trabalhadores é Jesus Cristo. Os obreiros são os discípulos de Cristo. A obra na vinha é o ministério cristão como um todo. O pagamento do « denário » é o cumprimento da esperança da vida eterna. A particularidade deste salário é que é fixo, um denário para a jornada de trabalho, independentemente do número de horas. Claro que, nesta situação, são os últimos recrutados os mais favorecidos por este salário, enquanto os primeiros recrutados são os menos favorecidos.
Na ilustração, Jesus Cristo faz reagir os trabalhadores da primeira hora, que murmuram contra esse arranjo, visto que depois de terem trabalhado doze horas, encontram-se com seu denário previsto no contrato. Os trabalhadores da décima primeira hora recebem exatamente o mesmo salário: um denário por um dia de trabalho de uma hora. O proprietário, porém, responde-lhes com uma lógica implacável: primeiro, estavam de acordo com o preço de um denário, o dia de trabalho, independentemente do número de horas trabalhadas. Os murmúrios dos primeiros trabalhadores sugerem que o proprietário não foi justo com eles. Em segundo lugar, o proprietário responde-lhes com uma lógica igualmente implacável: « Não tenho o direito de fazer o que quero com as minhas próprias coisas? Ou você ficou com inveja porque eu fui bom com eles? ».
Quanto à misericórdia de Deus, para com os últimos e os primeiros a chegar, a ilustração de Cristo ecoa a proclamação feita diante de Moisés, no momento da manifestação da glória de Jeová Deus, o Pai Celestial: « Mostrarei favor a quem eu mostrar favor, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia » (Êxodo 33:19). Jeová Deus, o Pai, e Jesus Cristo, o Filho, mostram misericórdia como bem entendem, com os humanos de sua escolha, não importa quantos anos tenham servido a Deus, o Pai, e a Jesus Cristo, o filho. O preço será exatamente o mesmo: a vida eterna para os primeiros e os últimos.
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Todo aquele que se enaltecer será humilhado,
e aquele que se humilhar será enaltecido
“7 Prosseguiu então a contar aos convidados uma ilustração, ao notar como eles escolhiam os lugares mais destacados para si mesmos, dizendo-lhes: 8 “Quando fores convidado por alguém para uma festa de casamento, não te deites no lugar mais destacado. Talvez ele tenha convidado ao mesmo tempo alguém mais distinto do que tu, 9 e aquele que te convidou venha com ele e te diga: ‘Deixa este homem ter o lugar.’ Então principiarás com vergonha a ocupar o lugar mais baixo. 10 Mas, quando fores convidado, vai e recosta-te no lugar mais baixo, para que, quando vier o homem que te convidou, te diga: ‘Amigo, vai mais para cima.’ Então terás honra na frente de todos os que contigo foram convidados. 11 Porque todo aquele que se enaltecer será humilhado, e aquele que se humilhar será enaltecido” (Lucas 14:7-11).
Em outra ilustração, Jesus Cristo mostra como uma pessoa pode ser humilde ou orgulhosa, com base no conceito que tem de si mesma. Esta segunda ilustração servirá de comentário sobre a primeira, especialmente porque Jesus Cristo a concluiu da mesma forma: « Mas, ele contou a seguinte ilustração também a alguns que confiavam em si mesmos como sendo justos e que consideravam os demais como nada: “Dois homens subiram ao templo para orar, um sendo fariseu e o outro cobrador de impostos. O fariseu estava em pé e começou a orar as seguintes coisas no seu íntimo: ‘Ó Deus, agradeço-te que não sou como o resto dos homens, extorsores, injustos, adúlteros, ou mesmo como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana, dou o décimo de todas as coisas que adquiro.’ O cobrador de impostos, porém, estando em pé à distância, não estava nem disposto a levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo: ‘Ó Deus, sê clemente para comigo pecador.’ Digo-vos: Este homem desceu para sua casa provado mais justo do que aquele homem; porque todo o que se enaltecer será humilhado, mas quem se humilhar será enaltecido” » (Lucas 18:9-14).
O que é verdade em nível individual é verdade em nível congregacional. Assim como uma pessoa pode ser humilde e modesta ou orgulhosa e presunçosa, uma congregação como um todo pode ter fama de humildade ou, inversamente, de arrogância. Tomemos o exemplo de duas congregações entre as sete que Jesus Cristo glorificado, disciplinou: a congregação de Sardes e a congregação de Esmirna.
A congregação de Sardes teve uma atitude arrogante, e em sua mensagem Jesus Cristo a repreendeu muito duramente: « E ao anjo da congregação em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas: ‘Conheço as tuas ações, de que tens a fama de estar vivo, mas estás morto. Fica vigilante e fortalece as coisas remanescentes que estavam prestes a morrer, porque não achei as tuas ações plenamente realizadas diante do meu Deus. Portanto, continua a lembrar-te de como recebeste e como ouviste, e prossegue guardando isso, e arrepende-te. Certamente, a menos que despertes, virei como ladrão, e não saberás absolutamente a que hora virei sobre ti » (Apocalipse 3:1-3). Obviamente, esta congregação tinha a mesma mentalidade que este fariseu muito satisfeito consigo mesmo, que menosprezava aqueles que não eram como ele.
A congregação de Esmirna tinha um espírito completamente diferente: « ‘E ao anjo da congregação em Esmirna escreve: Estas coisas diz aquele, ‘o Primeiro e o Último’, que ficou morto e passou a viver [novamente]: ‘Conheço a tua tribulação e pobreza — mas tu és rico — e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e que não são, mas que são sinagoga de Satanás. Não tenhas medo das coisas que estás para sofrer. Eis que o Diabo estará lançando alguns de vós na prisão, para que sejais plenamente provados, e para que tenhais tribulação por dez dias. Mostra-te fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida. Quem tem ouvido ouça o que o espírito diz às congregações: Àquele que vencer, a segunda morte de modo algum fará dano » (Apocalipse 2:8-11).
Assim como a nível individual temos de permanecer vigilantes quanto ao nosso estado de espírito, na valorização que temos de nós mesmos, os mesmos pastores das diferentes congregações, devem cuidar para manter um bom estado de espírito de amor. , humildade e modéstia, uns para com os outros: « Pois, por intermédio da benignidade imerecida que me foi dada, digo a cada um aí entre vós que não pense mais de si mesmo do que é necessário pensar; mas, que pense de modo a ter bom juízo, cada um conforme Deus lhe distribuiu uma medida de fé. (…) Tende a mesma mentalidade para com os outros como para com vós mesmos; não atenteis para as coisas altivas, mas deixai-vos conduzir pelas coisas humildes. Não vos torneis discretos aos vossos próprios olhos” (João 13:34,35; Romanos 12:3,16).
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Uma lição de humildade
« Ora, visto que ele sabia antes da festividade da páscoa que havia chegado a sua hora para se transferir deste mundo para o Pai, Jesus, tendo amado os seus próprios que estavam no mundo, amou-os até o fim. 2 Assim, enquanto prosseguia a refeição noturna, tendo o Diabo já posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse, 3 ele, sabendo que o Pai dera todas as coisas nas suas mãos, e que procedera de Deus e ia para Deus, 4 levantou-se da refeição noturna e pôs de lado a sua roupagem exterior. E, tomando uma toalha, cingiu-se. 5 Depois pôs água numa bacia e principiou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha de que estava cingido. 6 E, assim chegou a Simão Pedro. Este lhe disse: “Senhor, estás lavando os meus pés?” 7 Em resposta, Jesus disse-lhe: “O que estou fazendo, tu não entendes atualmente, mas entenderás depois destas coisas.” 8 Pedro disse-lhe: “Certamente nunca lavarás os meus pés.” Jesus respondeu-lhe: “A menos que eu te lave, não tens parte comigo.” 9 Simão Pedro disse-lhe: “Senhor, não só os meus pés, mas também as minhas mãos e a minha cabeça.” 10 Jesus disse-lhe: “Quem se banhou, não precisa lavar senão os seus pés, mas está inteiramente limpo. E vós estais limpos, mas não todos.” 11 Ele sabia, deveras, quem o traía. É por isso que disse: “Nem todos vós estais limpos.”
12 Tendo então lavado os pés deles e vestido a sua roupagem exterior, e tendo-se deitado novamente à mesa, disse-lhes: “Sabeis o que vos tenho feito? 13 Vós me chamais de ‘Instrutor’ e ‘Senhor’, e falais corretamente, pois eu o sou. 14 Portanto, se eu, embora Senhor e Instrutor, lavei os vossos pés, vós também deveis lavar os pés uns dos outros. 15 Pois estabeleci o modelo para vós, a fim de que, assim como eu vos fiz, vós também façais. 16 Digo-vos em toda a verdade: O escravo não é maior do que o seu amo, nem é o enviado maior do que aquele que o enviou. 17 Se sabeis estas coisas, felizes sois se as fizerdes. 18 Não estou falando a respeito de todos vós; conheço os que tenho escolhido. Mas, é para que se cumpra a escritura: ‘Aquele que costumava alimentar-se do meu pão ergueu o seu calcanhar contra mim.’ 19 Deste momento em diante, digo-vos antes que ocorra, para que, quando ocorrer, acrediteis que sou eu. 20 Digo-vos em toda a verdade: Quem receber a qualquer que eu enviar, recebe [também] a mim. Por sua vez, quem me receber, recebe também aquele que me enviou” » (João 13:1-20).
Em Israel, na época de Jesus Cristo, o anfitrião providenciava para que os pés do convidado fossem lavados (Lucas 7:44). Durante a última Páscoa de Cristo, o dono do lugar não estava. Portanto, para um evento tão importante como aquela celebração, era necessário respeitar a tradição de hospitalidade. Nesse caso, um dos doze tinha que tomar a iniciativa, não necessariamente de lavar os pés de todos, mas ao menos tomar as disposições nesse sentido, para que os demais se lavassem os pés. Nenhum fez o esforço de se colocar a serviço dos outros. O fato de Jesus Cristo ter feito isso, surpreendeu tanto os doze apóstolos, que Pedro se sentiu muito envergonhado (João 13:8).
Por esta ação surpreendente por parte de Cristo de lavar os pés de seus discípulos (incluindo os do traidor Judas Iscariotes), ele mostrou que a necessidade de ser humilde não deve ser apenas uma visão da mente, mas deve ser em ações. Na explicação do significado do que fez, Jesus Cristo mostrou que o discípulo deve estar disposto a servir seus irmãos e irmãs espirituais, mesmo no trabalho mais difícil, visto tão desvalorizado quanto o de lavar os pés do próximo.
Para dar apenas um exemplo que ilustra os valores da soberania humana e da soberania de Deus, detenhamo-nos na função de ministro ou ministério. As palavras hebraicas e gregas têm o significado de servo, veja escravo no sentido amplo (alguém a serviço dum proprietário). Assim, em muitos países, quando alguém ocupa o cargo de ministro, num governo, pensa-se num cargo de prestígio, com tudo o que o acompanha. No entanto, um ministro e um ministério cristão, ainda que seja um serviço muito honroso do ponto de vista de Deus e daquele que o exerce, oferece pouquíssimas vantagens materiais, pouco prestígio, até nenhum, no plano social. O ministro paga os custos financeiros e materiais de seu ministério, o que o leva a ter uma vida simples ao serviço do próximo.
Simplificando, na soberania humana, seja governamental, econômica ou financeira, muitas vezes são os « ministros », os presidentes que têm os pés lavados simbolicamente (ou os sapatos engraxados). O ministério cristão é exatamente o oposto, simbolicamente lava os pés dos outros. Jesus Cristo mostrou que ser humilde é ter esse estado de espírito de servir aos outros.
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O rico e Lázaro o mendigo
« 19 “Mas, certo homem era rico e costumava cobrir-se de púrpura e de linho, regalando-se de dia a dia com magnificência. 20 Mas, certo mendigo, de nome Lázaro, costumava ser colocado junto ao seu portão, [estando] cheio de úlceras 21 e desejoso de saciar-se com as coisas que caíam da mesa do rico. Sim, também os cães vinham e lambiam as suas úlceras. 22 Ora, no decorrer do tempo, morreu o mendigo e foi carregado pelos anjos para [a posição junto ao] seio de Abraão. Também o rico morreu e foi enterrado. 23 E no Hades, ele ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu Abraão de longe, e Lázaro com ele [na posição junto] ao seio. 24 Por isso chamou e disse: ‘Pai Abraão, tem misericórdia de mim e manda que Lázaro mergulhe a ponta do seu dedo em água e refresque a minha língua, porque eu estou em angústia neste fogo intenso.’ 25 Mas Abraão disse: ‘Filho, lembra-te de que recebeste plenamente as tuas boas coisas no curso da tua vida, mas Lázaro, correspondentemente, as coisas prejudiciais. Agora, porém, ele está tendo consolo aqui, mas tu estás em angústia. 26 E, além de todas essas coisas, estabeleceu-se um grande precipício entre nós e vós, de modo que os que querem passar daqui para vós não o podem, nem podem pessoas passar de lá para nós.’ 27 Ele disse então: ‘Neste caso, peço-te, pai, que o envies à casa de meu pai, 28 pois eu tenho cinco irmãos, a fim de que lhes dê um testemunho cabal, para que não cheguem a entrar neste lugar de tormento.’ 29 Mas Abraão disse: ‘Eles têm Moisés e os Profetas; que escutem a estes.’ 30 Ele disse então: ‘Não assim, pai Abraão, mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.’ 31 Mas ele lhe disse: ‘Se não escutam Moisés e os Profetas, tampouco serão persuadidos se alguém se levantar dentre os mortos.’ » (Lucas 16:19-31).
Na ilustração, Lázaro, o mendigo, representa o povo espiritualmente faminto, sem nenhuma orientação concreta: « Ora, ao desembarcar, ele viu uma grande multidão, mas teve pena deles, porque eram como ovelhas sem pastor. E principiou a ensinar-lhes muitas coisas » (Marcos 6:34). No Sermão do Monte, Jesus Cristo fez esta declaração: « Felizes os mendigos do espírito, porque a eles pertence o reino dos céus » (Mateus 5:3).
O rico, representam os homens que deveriam cuidar de ensinar o povo e dar-lhe uma orientação espiritual precisa na vida por meio do ensino da Bíblia. A morte do mendigo e do rico, representa uma mudança de condição, provocada pelo ministério da Palavra de Cristo. Essa morte, ou mudança na condição espiritual, levou o mendigo Lázaro, o povo ansioso por agradar a Deus, a obter a aprovação de Deus (Atos capítulos 1-3). Por outro lado, a morte do rico, a classe de homens que deviam ensinar o povo, encontrava-se numa condição atormentada de desaprovação divina, que engendrou neles uma fúria assassina (Atos 4).
A proclamação das boas novas é uma bênção, para aqueles que representam « Lázaro, o mendigo », para aqueles que sofrem com a soberania do homem na terra e que gozarão eternamente das bênçãos de Deus: « O espírito de Jeová está sobre mim, porque me ungiu para declarar boas novas aos pobres, enviou-me para pregar livramento aos cativos e recuperação da vista aos cegos, para mandar embora os esmagados, com livramento, para pregar o ano aceitável de Jeová » (Lucas 4:18,19; Isaías 61:1-4).
A proclamação das boas novas é uma maldição, para « o rico », para aqueles que não querem obedecer a Deus. Lendo Mateus capítulo 23, Jesus Cristo fez uma proclamação de julgamento contra a classe dominante espiritual, os escribas e os fariseus, por não ter alimentado espiritualmente o povo.
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O Semeador da Palavra do Reino e os Três Solos
« 3 Disse-lhes então muitas coisas por meio de ilustrações, dizendo: “Eis que um semeador saiu a semear; 4 e, ao passo que semeava, algumas sementes caíram à beira da estrada, e vieram as aves e as comeram. 5 Outras caíram em lugares pedregosos, onde não tinham muito solo, e brotaram imediatamente, por não terem profundidade de solo. 6 Mas, ao se levantar o sol, ficaram queimadas, e, por não terem raiz, murcharam. 7 Outras, também, caíram entre os espinhos, e os espinhos cresceram e as sufocaram. 8 Ainda outras caíram em solo excelente e começaram a dar fruto, esta cem vezes mais, aquela sessenta vezes mais, outra trinta vezes mais. 9 Escute aquele que tem ouvidos.” (…) 18 Escutai, então, a ilustração do homem que semeou. 19 Quando alguém ouve a palavra do reino, mas não a entende, vem o iníquo e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o semeado à beira da estrada. 20 Quanto ao semeado nos lugares pedregosos, este é o que ouve a palavra e a aceita imediatamente com alegria. 21 Contudo, ele não tem raiz em si mesmo, mas continua por algum tempo, e depois de ter surgido tribulação ou perseguição, por causa da palavra, logo tropeça. 22 Quanto ao semeado entre os espinhos, este é o que ouve a palavra, mas as ansiedades deste sistema de coisas e o poder enganoso das riquezas sufocam a palavra, e ele se torna infrutífero. 23 Quanto ao semeado em solo excelente, este é o que ouve a palavra e a entende, que realmente dá fruto e produz, este cem vezes mais, aquele sessenta vezes mais, outro trinta vezes mais » (Mateus 13:3-9,18-23).
Ao evitar repetir as explicações precisas de Jesus Cristo, esclareceremos algumas expressões. A semeadura, assim como o trigo ou outros cereais, representa a atividade de pregação pública da Palavra de Deus, a Bíblia, como Jesus Cristo a expressou em Mateus 24:14. Jesus Cristo disse que a palavra é semeada no coração da pessoa. O coração simbólico é o que constitui o interior espiritual e mental duma pessoa, sejam de bons ou maus pensamentos ou raciocínios.
Em Mateus capítulo 15, Jesus Cristo simplesmente explicou a atividade mental e espiritual do coração humano simbólico: « No entanto, tudo o que sai da boca vem do coração, e essas coisas tornam o homem impuro. Por exemplo, do coração vêm raciocínios maus, assassinatos, adultérios, imoralidade sexual, roubos, falsos testemunhos, blasfêmias. Essas são as coisas que tornam o homem impuro; mas tomar uma refeição sem lavar as mãos não torna o homem impuro” (Mateus 15:18-20). Neste caso, Jesus Cristo estava descrevendo uma atividade espiritual prejudicial do coração humano. Na ilustração do semeador, ele descrevia três tipos de corações ou qualidades do solo, um coração insensível, a estrada, um coração superficial, os lugares pedregosos cobertos de espinhos, e um coração receptivo, a terra rica onde cai a semente e brota.
Vamos examinar brevemente a semente e solo de qualidade. Quem garante que o encontro dos dois elementos permita que a semente germine de tal forma que dê frutos? É Deus, como o apóstolo Paulo apontou: « Eu plantei, Apolo regou, mas Deus fazia crescer, de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas sim Deus, que faz crescer » (1 Coríntios 3:6,7). ). Isso significa que é Deus quem escolhe o coração humano onde a semente do reino brotará? Sim. O livro de Atos explica como Deus faz germinar a semente no coração humano, que Ele considera como bom solo: « No dia de sábado, saímos pelo portão da cidade e fomos para junto de um rio, pois pensávamos que ali havia um lugar de oração. Então nos sentamos e começamos a falar com as mulheres que haviam se reunido ali. Uma mulher estava escutando: ela se chamava Lídia, era vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e adoradora de Deus. E Jeová lhe abriu amplamente o coração para prestar atenção ao que Paulo estava falando” (Atos 16:13,14). Deus tem a capacidade de avaliar a qualidade de um coração espiritual humano como o apóstolo Pedro disse brevemente numa oração: « Ó Jeová, tu que conheces o coração de todos » (Atos 1:24).
O que representam os frutos do reino produzidos pela pessoa cuja semente do reino germinou em seu coração? É simplesmente um comportamento cristão que representa uma luz espiritual que traz glória a Deus entre os humanos que a observam: « Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. As pessoas acendem uma lâmpada e a colocam, não debaixo de um cesto, mas em cima de um suporte, e ela brilha sobre todos na casa. Do mesmo modo, deixem brilhar sua luz perante os homens, para que vejam suas boas obras e deem glória ao seu Pai, que está nos céus » (Mateus 5:14-16).
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A excelente semente e o joio
« 24 Apresentou-lhes outra ilustração, dizendo: “O reino dos céus tem-se tornado semelhante a um homem que semeou excelente semente no seu campo. 25 Enquanto os homens dormiam, veio seu inimigo e semeou por cima joio entre o trigo, e foi embora. 26 Quando a lâmina cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio. 27 Vieram assim os escravos do dono de casa e disseram-lhe: ‘Amo, não semeaste excelente semente no teu campo? Donde lhe veio então o joio?’ 28 Disse-lhes ele: ‘Um inimigo, um homem, fez isso.’ Disseram-lhe: ‘Queres, pois, que vamos e o reunamos?’ 29 Ele disse: ‘Não; para que não aconteça que, ao reunirdes o joio, desarraigueis também com ele o trigo. 30 Deixai ambos crescer juntos até a colheita; e na época da colheita direi aos ceifeiros: Reuni primeiro o joio e o amarrai em feixes para ser queimado, depois ide ajuntar o trigo ao meu celeiro.’” (…) 36 Despedindo então as multidões, entrou na casa. E vieram a ele os seus discípulos e disseram: “Explica-nos a ilustração do joio no campo.” 37 Em resposta, ele disse: “O semeador da semente excelente é o Filho do homem; 38 o campo é o mundo; quanto à semente excelente, estes são os filhos do reino; mas o joio são os filhos do iníquo, 39 e o inimigo que o semeou é o Diabo. A colheita é a terminação dum sistema de coisas e os ceifeiros são os anjos. 40 Portanto, assim como o joio é reunido e queimado no fogo, assim será na terminação do sistema de coisas. 41 O Filho do homem enviará os seus anjos, e estes reunirão dentre o seu reino todas as coisas que causam tropeço e os que fazem o que é contra a lei, 42 e lançá-los-ão na fornalha ardente. Ali é que haverá o seu choro e o ranger de [seus] dentes. 43 Naquele tempo, os justos brilharão tão claramente como o sol, no reino de seu Pai. Escute aquele que tem ouvidos » (Mateus 13:24-30,36-43).
Esta ilustração descreve como Jesus Cristo, como semeador, lançou os alicerces para a nova congregação cristã, com a semente excelente, isto é, os seguidores de Cristo que se esforçavam ao máximo para fazer a vontade de Deus. Ele primeiro nomeou doze apóstolos e no Pentecostes do ano 33 de nossa era, milhares de seguidores de Cristo constituíram a excelente semente ou congregação cristã (No livro dos Atos dos Apóstolos, há a história do nascimento da congregação cristã).
A expressão referente ao fato que os homens dormirem, poderia aludir a duas coisas. Os homens que dormem, mencionariam a morte de todos os apóstolos, mas também dos discípulos que conheceram a Cristo e que faziam parte dessa base saudável do fundamento da congregação cristã. Enquanto esses homens estavam vivos, eles eram um verdadeiro baluarte contra a infiltração diabólica de indivíduos perniciosos dentro da congregação cristã. Esta expressão que menciona o sono dos homens, também poderia aludir à longa noite de obscurantismo espiritual que escureceu toda a congregação cristã. Esta noite espiritual durou muitos séculos, e durante esse tempo, Satanás, o diabo, podia facilmente semear muitos indivíduos maus que corromperam seriamente o ensino dentro da congregação cristã.
A corrupção de toda a congregação cristã por indivíduos maliciosos ocorreu ao longo de muitos séculos de duas maneiras diferentes. Uma corrupção do ensino cristão através da infiltração importante de ensinamentos e filosofias greco-romanas pagãs, como a trindade, o culto da cruz, o culto mariano, o culto dos santos, os dogmas da imortalidade da alma, o fogo do inferno, purgatório e muitos outros ensinamentos não bíblicos. A segunda maior forma de corrupção na congregação cristã tem sido comportamental. Houve a infiltração importante de práticas e ritos idólatras, imoralidade sexual e violência bélica, cruzadas organizadas por congregações ditas “cristãs” e campanhas militares colonialistas, que massacraram muitas pessoas, em muitos países e continentes. Durante este período de densa escuridão espiritual, era muito difícil distinguir a excelente semente do joio.
A Reforma Protestante, entre os séculos XVI e XVII, permitiu aos poucos recolocar a leitura e a aplicação da Bíblia no centro das preocupações. Homens corajosos empreenderam a tradução da Bíblia nas línguas faladas pelo povo. A invenção da imprensa acelerou essa ampla instrução bíblica. Durante o final do século 19 e início do século 20, houve outros cristãos corajosos que desta vez começaram a eliminar certos ensinamentos pagãos da instrução dentro de certas congregações cristãs. Além disso, algumas congregações têm empreendido a pregação das boas novas mencionadas em Mateus 24:14 até os dias atuais. Nestes últimos dias que vivemos, podemos ver a distinção entre a boa semente (cristãos que sinceramente se esforçam para fazer a vontade de Deus escrita na Bíblia) e o joio (cristãos que obviamente não querem fazer a vontade de Deus escrita na Bíblia).
É o rei e juiz Jesus Cristo, que fará o julgamento entre essas duas categorias de cristãos, pouco antes da grande tribulação: « Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, senão aquele que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome e não expulsamos demônios em teu nome, e não fizemos muitas obras poderosas em teu nome?’ Contudo, eu lhes confessarei então: Nunca vos conheci! Afastai-vos de mim, vós obreiros do que é contra a lei » (Mateus 7:21-23).
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O grão de mostarda e o fermento escondido na farinha
“31 Apresentou-lhes outra ilustração, dizendo: “O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo; 32 o qual, de fato, é a menor de todas as sementes, mas, quando desenvolvida, é a maior das hortaliças e se torna uma árvore, de modo que as aves do céu vêm e acham pousada entre os seus ramos.”
33 Disse-lhes ainda outra ilustração: “O reino dos céus é semelhante ao fermento que certa mulher tomou e escondeu em três grandes medidas de farinha, até que a massa inteira ficou levedada.” » (Mateus 13:31-33).
Antes de prosseguir com a explicação dessas duas ilustrações, é necessário esclarecer o significado da expressão bíblica “congregação cristã”. Baseia-se no que está escrito em Atos 11:26: « Foi primeiro em Antioquia que os discípulos, por providência divina, foram chamados cristãos ». Segundo este texto, foi Deus quem escolheu o nome de “cristão”, designando os discípulos de Cristo. Não há absolutamente nenhum texto bíblico que autorize a mudança de tal título dado por Deus, no tempo dos apóstolos. Portanto, as demais denominações humanas que substituem este título bíblico de cristão, dado por Deus, não são e não serão utilizadas nas explicações.
A palavra « congregação » pode significar « igreja » ou « assembléia » de cristãos. A palavra “igreja”, que é correto em si mesmo, é muitas vezes associado a uma construção religiosa, razão pela qual não é utilizado. A palavra « assembléia » é frequentemente associada a um grande número de discípulos, o que nem sempre é o caso. A palavra congregação não cria essas confusões de entendimento, entre os cristãos. Assim, a expressão “congregação cristã” abrange todas as congregações cristãs que reivindicam essa adesão, independentemente de suas respectivas denominações religiosas. Caberá ao Rei e Juiz Jesus Cristo dizer a diferença entre aqueles que fazem ou não a vontade de Deus (Mateus 7:1-5,21-23).
As duas ilustrações do grão de mostarda e do fermento escondido, explicam as duas ilustrações anteriores, do semeador lançando a semente em solos diferentes e a excelente semente e o joio. Quando Jesus Cristo diz, « o reino dos céus é semelhante a », parece descrever situações relacionadas ao « reino dos céus ».
Nessas duas ilustrações, Jesus Cristo anuncia o crescimento exponencial da congregação cristã, em todo o mundo. De fato, de acordo com a profecia de Cristo, a congregação cristã passaria do estágio de um pequeno grão de mostarda a uma grande árvore ou a uma grande massa fermentada de farinha. E, de fato, ao longo de muitos séculos, a congregação cristã cresceu para abranger, globalmente, cerca de 2,6 bilhões de pessoas, ou cerca de um terço da atual população mundial. Isso a torna a primeira congregação mundial, em número de pessoas que reivindicam o nome de cristão.
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O tesouro escondido e as belas pérolas
« 44 “O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, que certo homem achou e escondeu; e, na sua alegria, vai e vende todas as coisas que tem e compra aquele campo.
45 “Novamente, o reino dos céus é semelhante a um comerciante viajante que buscava pérolas excelentes. 46 Ao achar uma pérola de grande valor, foi e vendeu prontamente todas as coisas que tinha e a comprou” (Mateus 13:44-46).
As duas ilustrações parecem esclarecer o que Jesus Cristo disse sobre os justos. Na ilustração da bela semente, ele concluiu dizendo: « Naquele tempo, os justos brilharão tão claramente como o sol, no reino de seu Pai » (Mateus 13:43). A glória dos justos residirá no fato de terem sabido colocar as prioridades espirituais, aquelas relacionadas aos interesses do reino, no primeiro lugar: « Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça, e todas estas outras coisas vos serão acrescentadas » (Mateus 6:33). O homem que sabe que num campo há um tesouro e o compra ou o homem que para comprar as belas pérolas faz grandes sacrifícios para tê-las, são a ilustração dos cristãos, a semente excelente, que estabelecem as prioridades do reino para o cumprimento da esperança da vida eterna.
Para isso, os discípulos de Cristo estão dispostos a fazer grandes sacrifícios para o cumprimento de sua esperança, conforme ilustrado, desta vez, pelo apóstolo Paulo, na sua vida. Na carta aos Filipenses capítulo 3, ele escreveu que veio de uma origem social muito privilegiada e prestigiosa. Ele poderia ter riqueza e uma posição social de prestígio. No entanto, ele abriu mão dessas riquezas e prestígio temporários por motivos espirituais mais elevados: « Se qualquer outro homem acha que tem base para ter confiança na carne, eu ainda mais; circuncidado no oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu nascido de hebreus; com respeito à lei, fariseu; com respeito ao zelo, perseguindo a congregação; com respeito à justiça que é por meio de lei, um que se mostrou inculpe. Contudo, as coisas que para mim eram ganhos, estas eu considerei perda por causa do Cristo. Ora, neste respeito, considero também, deveras, todas as coisas como perda, por causa do valor superior do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele tenho aceito a perda de todas as coisas e as considero como uma porção de refugo, para que eu possa ganhar a Cristo e ser achado em união com ele, não tendo a minha própria justiça, que resulta da lei, mas aquela que vem por intermédio da fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, à base da fé, a fim de conhecer a ele e o poder de sua ressurreição, e a participação nos seus sofrimentos, submetendo-me a uma morte semelhante à dele, para ver se de algum modo consigo alcançar a ressurreição a ocorrer mais cedo dentre os mortos » (Filipenses 3:4-11).
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Pesca com rede de arrasto e os peixes selecionados na praia
« 47 “Novamente, o reino dos céus é semelhante a uma rede de arrasto lançada ao mar e que apanhou peixes de toda espécie. 48 Quando ela ficou cheia, arrastaram-na para a praia, e, assentando-se, reuniram os excelentes em vasos, mas os imprestáveis lançaram fora. 49 Assim será na terminação do sistema de coisas: os anjos sairão e separarão os iníquos dos justos, 50 e lançá-los-ão na fornalha ardente. Ali é que haverá o seu choro e o ranger de seus dentes. » (Mateus 13:47-50).
A ilustração descreve uma ação semelhante de colher e separar pouco antes da grande tribulação em Mateus 13:40-43. Encontramos exatamente as mesmas frases, em Mateus 13:42 e 50: « Lançá-los-ão na fornalha ardente. Ali é que haverá o seu choro e o ranger de seus dentes ». Portanto, a pesca mundial com rede de arrasto, é obviamente a pregação das boas novas, pois Jesus Cristo comparou essa atividade cristã à pesca de humanos. Jesus Cristo disse aos seus apóstolos que eles seriam pescadores de homens: « De modo que Jesus lhes disse: “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens” » (Marcos 1:17). Jesus Cristo disse que essa pesca mundial ocorreria pouco antes da grande tribulação: « E estas boas novas do Reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim » (Mateus 24 :14).
A seleção mundial de humanos em dois grupos ocorrerá durante o julgamento, muito pouco antes da grande tribulação. É assim que Jesus Cristo descreve essa seleção em Mateus 24, em termos muito semelhantes à seleção de peixes na praia: « Pois, assim como eram os dias de Noé, assim será a presença do Filho do Homem. Porque naqueles dias antes do dilúvio as pessoas comiam e bebiam, os homens se casavam e as mulheres eram dadas em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não fizeram caso, até que veio o dilúvio e varreu a todos eles; assim será na presença do Filho do Homem. Dois homens estarão então no campo; um será levado e o outro será abandonado. Duas mulheres estarão moendo no moinho manual; uma será levada e a outra será abandonada. Portanto, mantenham-se vigilantes, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor » (Mateus 24:37-42).
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A sabedoria se prova justa pelas suas obras
« 16 Com quem compararei esta geração? Ela é semelhante a crianças sentadas nas praças, que gritam para seus colegas: 17 ‘Nós tocamos flauta para vocês, mas vocês não dançaram; nós lamentamos, mas vocês não bateram no peito de pesar.’ 18 Da mesma maneira, João veio sem comer e sem beber, mas as pessoas dizem: ‘Ele tem demônio.’ 19 O Filho do Homem veio comendo e bebendo, mas elas dizem: ‘Vejam! Um homem glutão e dado a beber vinho, amigo de cobradores de impostos e de pecadores.’ No entanto, a sabedoria se prova justa pelas suas obras »(Mateus 11:16-19).
Jesus Cristo mostra que, faça o que fizer, aqueles que se opõem às boas novas do reino, sempre encontrarão uma razão para criticar. No entanto, além desta situação dolorosa, são as obras e o tempo que permitem ver onde está a sabedoria. No Sermão do Monte, Jesus Cristo disse que os discípulos seriam insultados. Ele disse que esta situação foi vivida por muitos profetas e servos de Deus no passado (Mateus 5:11,12). É importante notar que tanto João Batista quanto Jesus Cristo, não buscaram confrontar os caluniadores para denunciar suas mentiras, pois confiavam que em mais ou menos tempo, sempre é a verdade e a sabedoria que triunfam sobre a mentira e a calúnia.
Para os seguidores de Cristo que estão passando por essa situação emocionalmente difícil, há dois textos, entre outros, que convidam a ter paciência e estar na espera de Jeová:
« Jeová é bom para aquele que espera nele, para a pessoa que continua a buscá-lo. É bom que se espere em silêncio a salvação da parte de Jeová. É bom que o homem carregue o jugo durante a juventude. Quando Deus coloca um jugo sobre ele, que ele fique sentado sozinho em silêncio. Que ponha a boca no pó; talvez ainda haja esperança. Que ofereça o rosto àquele que o golpeia; que sofra muitos insultos » (Lamentações 3:25-30).
« Mas, quanto a mim, ficarei vigilante esperando por Jeová. Esperarei pacientemente pelo Deus da minha salvação. Meu Deus me ouvirá » (Miquéias 7:7).
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Pois é pelas tuas palavras que serás declarado justo
e é pelas tuas palavras que serás condenado
“35 O homem bom, do seu bom tesouro, envia coisas boas, ao passo que o homem iníquo, do seu tesouro iníquo, envia coisas iníquas. 36 Eu vos digo que de toda declaração sem proveito que os homens fizerem prestarão contas no Dia do Juízo; 37 pois é pelas tuas palavras que serás declarado justo e é pelas tuas palavras que serás condenado” (Mateus 12:35-37).
Jesus Cristo mostrou que as palavras revelam o estado do coração simbólico do homem: « O homem bom, do bom tesouro do seu coração, traz para fora o bom, mas o homem iníquo, do seu tesouro iníquo, traz para fora o que é iníquo; pois é da abundância do coração que a sua boca fala » (Lucas 6:45).
Falando dos onze apóstolos fiéis, Jesus Cristo tinha dito que eles eram interiormente limpos: “E vós estais limpos, mas não todos.” Ele sabia, deveras, quem o traía. É por isso que disse: “Nem todos vós estais limpos” » (João 13:10,11). Por que os onze apóstolos eram limpos? Muito simplesmente, as intenções de seus corações eram puras. Por que Judas Iscariotes não era interiormente limpo? Devido as más intenções de trair seu mestre, Jesus Cristo. Um pouco mais adiante no relato de João 13, está escrito que Satanás « entrou » em Judas (João 13:27). Isso não significa necessariamente que Satanás tinha dominado o livre arbítrio de Judas Iscariotes, mas sim que ele se deixou levar por os raciocínios diabólicos para trair seu mestre. Assim, como Jesus Cristo novamente ensinou, são os maus raciocínios do coração que tornam espiritualmente impuros as pessoas (Mateus 15:17-19).
Quando os discípulos de Cristo, seguindo o exemplo dos onze apóstolos fiéis, têm um coração limpo, com boas intenções então, desta vez, para usar uma imagem do apóstolo Paulo, eles trazem Cristo em seus corações e morando neles: « Por causa disso dobro os joelhos diante do Pai, a quem toda família no céu e na terra deve o seu nome, com o fim de que ele vos conceda, segundo as riquezas de sua glória, que sejais feitos poderosos no homem que sois no íntimo, com poder por intermédio de seu espírito, para que o Cristo more em vossos corações, com amor, por intermédio da vossa fé; para que fiqueis arraigados e estabelecidos sobre o alicerce, a fim de que sejais cabalmente capazes de compreender, junto com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e para que conheçais o amor do Cristo, que ultrapassa o conhecimento, a fim de que estejais cheios de toda a plenitude dada por Deus » (Efésios 3:14-19).
No ensino sobre o bom e o mau uso da língua, o discípulo e irmão de Jesus Cristo, Tiago, no capítulo 3, escreveu o seguinte: « Assim também a língua é um membro pequeno, contudo, faz grandes fanfarrices. Vede quão pouco fogo é preciso para incendiar um bosque tão grande! Ora, a língua é um fogo. A língua constitui um mundo de injustiça entre os nossos membros, pois mancha todo o corpo e incendeia a roda da vida natural, e é incendiada pela Geena » (Tiago 3:5,6). Segundo este texto, o mau uso da língua tem o poder aterrador de condenar ao fogo da Geena, ou seja, a uma morte sem possibilidade de ressurreição, pois, escreveu, « mancha todo o corpo e incendeia a roda da vida natural, e é incendiada pela Geena ». Então, para evitar um final tão dramático, devemos cultivar a sabedoria de cima: « Mas a sabedoria de cima é primeiramente casta, depois pacífica, razoável, pronta para obedecer, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, sem hipocrisia. Além disso, o fruto da justiça tem a sua semente semeada sob condições pacíficas para os que fazem paz » (Tiago 3:17,18).
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Se alguém quiser vir atrás de mim, negue-se a si mesmo
“24 Jesus disse então aos seus discípulos: “Se alguém quer ser meu seguidor, negue a si mesmo, apanhe sua estaca de tortura e siga-me sempre. 25 Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa a achará. 26 Realmente, de que adianta o homem ganhar o mundo inteiro, se ele perder a sua vida? Ou o que o homem dará em troca da sua vida? 27 Porque o Filho do Homem há de vir na glória do seu Pai, com seus anjos, e então retribuirá a cada um segundo o seu comportamento » » (Mateus 16:24-27).
Este é um ponto de ensino menos conhecido, a negação de si mesmo ou nosso ego, para o benefício de Cristo. Com esta declaração, ele faz seus discípulos entenderem que inevitavelmente, em algum momento de seu ministério, eles terão que fazer uma escolha, entre seus interesses pessoais e os interesses de Cristo. O discípulo de Cristo deve estar disposto a negar-se a si mesmo, a ponto de concordar em dar sua vida por Cristo (quem perder a sua vida por minha causa), para depois ser restituído a ele na ressurreição dos justos (a achará) (João 5:28,29). No entanto, o discípulo de Cristo, que temeria a morte, a ponto de procurar permanecer vivo à custa de um sério compromisso, perderia definitivamente toda a esperança de vida eterna (Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá).
Repete-se o mesmo ensinamento, desta vez sob o ângulo do amor a Cristo e do amor natural aos próprios familiares: “Não pensem que vim trazer paz à terra; vim trazer não a paz, mas a espada. Pois vim causar divisão: o homem contra o pai, a filha contra a mãe, e a nora contra a sogra. Realmente, os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não aceita a sua estaca de tortura e não me segue não é digno de mim. Quem achar a sua vida a perderá, e quem perder a sua vida por minha causa a achará” (Mateus 10:34-39).
Neste texto, Jesus Cristo explica que seu ensino inevitavelmente causaria em muitas famílias, divisões que poriam à prova a fé dos discípulos de Cristo. Jesus Cristo deixa claro que seus seguidores não devem ceder à chantagem emocional de outros membros da família incrédulos. Deve colocar o seu amor por Cristo antes do amor pelos membros da sua própria família, não fazendo concessões como renunciar a seguir os passos de Cristo, com todas as provações que isso implica: « De fato, para isso vocês foram chamados, porque o próprio Cristo sofreu por vocês, deixando um modelo para seguirem fielmente os seus passos » (1 Pedro 2:21). Jesus Cristo também repete o ensinamento reconfortante de que a coragem dos seguidores de Cristo será recompensada com a vida eterna (João 17:3).
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Pagai de volta a César as coisas de César,
mas a Deus as coisas de Deus
“20 E, depois de o observarem de perto, enviaram homens secretamente contratados para pretenderem ser justos, a fim de que o pudessem apanhar na palavra, para o entregarem ao governo e à autoridade do governador. 21 E interrogaram-no, dizendo: “Instrutor, sabemos que falas e ensinas corretamente e não mostras parcialidade, mas que ensinas o caminho de Deus em harmonia com a verdade: 22 É lícito ou não que paguemos imposto a César?” 23 Mas ele percebia a sua astúcia, e disse-lhes: 24 “Mostrai-me um denário. A imagem e inscrição de quem está nele?” Disseram: “De César.” 25 Disse-lhes ele: “De todos os modos, pois, pagai de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus.” 26 Bem, não foram capazes de apanhá-lo nesta declaração perante o povo, mas, pasmados com a resposta dele, não disseram nada” (Lucas 20:20-26).
Jesus Cristo disse de pagar de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus (Lucas 20:25). O cristão que paga a César o que é de César, tem uma atitude respeitosa para com as autoridades estabelecidas de seu país. Em 1 Pedro 2:17, está escrito de temer a Deus e honrar o rei. Dependendo do contexto, o rei é o repositório da autoridade do país sobre o qual reina. O apóstolo Paulo, na carta aos Romanos (13:1-7), encoraja todos os cristãos a respeitarem os governos e seus representantes, sejam reis, príncipes, presidentes, ministros, deputados… Esta passagem mostra que devemos respeitar aqueles que são com poderes para fazer cumprir a lei, sejam a polícia, os militares em alguns países, juízes, procuradores e vários representantes das administrações, como, por exemplo, professores, catedráticos, diretores, inspetores fiscais… Dito isto, Jesus Cristo acrescentou que devemos devolver o que é de Deus para Deus. O que pertence a Deus é a vida que Ele nos deu. Portanto, se um governo ou um estado, se apropriar perversamente do nosso corpo e o corpo de nossos filhos, como disse o apóstolo Pedro no tribunal: “Temos de obedecer a Deus como governante em vez de a homens” (Atos 5:29).
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Deixem as criancinhas de vir a mim
“13 Então alguns trouxeram a ele criancinhas, para que pusesse as mãos sobre elas e proferisse uma oração, mas os discípulos os repreenderam. 14 Jesus, porém, disse: “Deixem as criancinhas e não tentem impedi-las de vir a mim, pois o Reino dos céus pertence aos que são como elas.” 15 Ele pôs as mãos sobre elas e partiu dali” (Mateus 19:13-15).
Por que os discípulos impediram que os pais com seus filhos se aproximassem de Jesus Cristo, para que os abençoassem? Provavelmente pensaram que Jesus Cristo, poucos dias antes de sua morte em Jerusalém, estava muito preocupado para provavelmente ter que « suportar » (segundo os apóstolos), a presença de crianças entusiasmadas, cheias de alegria e talvez barulhentas. Dois relatos paralelos indicam que Jesus Cristo ficou indignado da severidade dos apóstolos em impedir que as crianças se aproximassem dele (Marcos 10:13-15; Lucas 18:15-17). Como entender que o Reino dos céus pertence aos que são como elas? Deve-se esclarecer que Jesus Cristo não encorajava a infantilidade ou infantilização das congregações cristãs ou dos povos em geral. O apóstolo Paulo escreveu que os discípulos devem atingir a madureza espiritual (Hebreus 6:1).
Foi a uma pergunta que Jesus Cristo esclareceu o significado de seu ensino sobre as crianças e o Reino dos céus: « Naquela hora, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: “Quem é realmente o maior no Reino dos céus?” Então, ele chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse: “Digo-lhes a verdade: A menos que vocês deem meia-volta e se tornem como criancinhas, de modo algum entrarão no Reino dos céus. Por isso, quem se humilha, como esta criancinha, é aquele que é o maior no Reino dos céus; e quem recebe em meu nome uma criancinha como esta, recebe também a mim. Mas quem fizer tropeçar um destes pequenos que têm fé em mim, seria melhor para ele que pendurassem no seu pescoço uma pedra de moinho daquelas que o jumento faz girar, e que fosse afundado no alto-mar » (Mateus 18:1-6).
Jesus Cristo muitas vezes associava a « criança » ao que é humilde, modesto e despreocupado em chamar a atenção dos outros para si. Jesus Cristo disse que seu Pai Celestial, Jeová Deus, revela o sentido de seu pensamento aos « pequeninos », isto é, aos humildes: « Eu te louvo publicamente, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas dos sábios e dos intelectuais, e as revelaste aos pequeninos” (Mateus 11:25). Jesus Cristo indica que para nos tornarmos como eles, devemos « dar meia-volta », ou seja, mudar gradualmente e completamente nossos padrões mentais que consistem em colocar nosso ego no primeiro lugar. Depois de perceber essa necessidade, Jesus Cristo indica que temos de nos tornar humildes como crianças, de maneira autêntica.
O relato indica que Jesus Cristo ficou profundamente indignado com o modo como seus apóstolos trataram com severidade, as crianças entusiasmadas que se aproximavam dele para serem abençoadas. Esta informação é uma mensagem simples para aqueles que atualmente estão prejudicando às crianças ao redor do mundo: « Mas quem fizer tropeçar um destes pequenos que têm fé em mim, seria melhor para ele que pendurassem no seu pescoço uma pedra de moinho daquelas que o jumento faz girar, e que fosse afundado no alto-mar » (Mateus 18:6). Como isso seria mais vantajoso para alguém que ser afogado no fundo do mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço, do que para alguém que perjudicar à criança ou às crianças? A resposta mais lógica parece ser esta: o primeiro seria ressuscitado na ressurreição geral dos justos e dos injustos (Atos 24:15). Enquanto o homicídio infantil, o pedófilo, o traficante de órgãos humanos, o comerciante assassino de produtos químicos*, que os experimenta, em orfanatos em países com pouca consideração pela proteção infantil, todos esses humanos animais que perjudicam às crianças, não serão ressuscitados quando eles sejam destruídos na grande tribulação (1 Coríntios 2:14 « homem físico (animalis) »; (Mateus 24:21 « grande tribulação »).
* No texto de Isaías 5:20 está escrito: « Ai dos que dizem que o bom é mau e que o mau é bom, Os que põem a escuridão no lugar da luz e a luz no lugar da escuridão, Os que trocam o amargo pelo doce e o doce pelo amargo! ». Este texto descreve com muita precisão as inversões de valores perversas e demoníacas desses engenheiros da mentira e da manipulação assassina (João 8:44). Esses pastores que que só cuidam de si mesmos, proibiram os médicos de tratar os idosos com moléculas baratas. Então esses mesmos pastores que só cuidam de si mesmos, depois disso, pedem aos filhos que arrisquem a própria saúde, até a vida deles, por esses mesmos idosos que eles colocaram em perigo de morte proibindo os médicos de tratá-los. Esses mesmos pastores que só cuidam de si mesmos, pedem às crianças que arrisquem sua própria saúde, até mesmo suas vidas, pelos adultos quando deveria ser o contrário, ou seja, que são os adultos que deveriam estar dispostos a arriscar suas vidas pelas crianças, representando o futuro da humanidade…
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Pois o meu jugo é benévolo e minha carga é leve
« 25Naquela ocasião, Jesus disse, em resposta: “Eu te louvo publicamente, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e dos intelectuais, e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, ó Pai, porque fazer assim veio a ser o modo aprovado por ti. 27Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece plenamente o Filho, exceto o Pai, tampouco há quem conheça plenamente o Pai, exceto o Filho e todo aquele a quem o Filho estiver disposto a revelá-lo. 28Vinde a mim, todos os que estais labutando e que estais sobrecarregados, e eu vos reanimarei. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, pois sou de temperamento brando e humilde de coração, e achareis revigoramento para as vossas almas. 30Pois o meu jugo é benévolo e minha carga é leve” » (Mateus 11:25-30).
Jesus Cristo ama profundamente os humanos, a humanidade, ele provou isso dando sua vida para poder redimi-la (João 3:16). Na terra, ele era o reflexo completo do amor de Deus (1 João 4:8). Ele amava as pessoas, era amado pelas pessoas e se misturava com elas. Pouco antes da cura duma mulher, é o que podemos ler: « Enquanto Jesus ia, as multidões se apertavam em volta dele. (…) Pedro disse: “Instrutor, as multidões rodeiam e apertam o senhor” » (Lucas 8:42,45). Ele lamentou o estado de abandono espiritual do povo por parte da classe dominante que deveria tê-lo dado orientação espiritual: « Vendo as multidões, sentia pena delas, porque eram esfoladas e jogadas de um lado para outro como ovelhas sem pastor » (Mateus 9:36). Ele não hesitou em se associar com pessoas consideradas párias, com o objetivo de trazê-las de volta ao caminho certo de Deus (Lucas 7:36-50; 15:1-10). Ao defender o povo, não hesitou em denunciar o comportamento hipócrita e impiedoso da classe dos escribas e fariseus (Mateus 23).
Jesus Cristo havia dito que segui-lo como discípulo causaria provações e uma necessidade de abnegação: « E quem não aceita a sua estaca de tortura e não me segue não é digno de mim » (Mateus 10:38). Então, quando ele disse que seu jugo é benévolo e sua carga é leve, é em relação a como Jesus Cristo exerce sua autoridade. Primeiro, Jesus Cristo ensina a verdade que liberta das mentiras humanas: « Vocês conhecerão a verdade, e a verdade os libertará » (João 8:32). Essa liberdade está na capacidade de apreender ou perceber essa verdade bíblica, por si mesmo, meditando no que é aprendido. Jesus Cristo ensinou seus discípulos a ter essa capacidade de refletir, no espaço muito vasto do conhecimento de Deus, com base na verdade. A pergunta « O que acha? », é um convite para se fazer-se a própria opinião ou revisá-la com base na profundidade da sabedoria do pensamento de Deus (Mateus 16:13; 17:25; Romanos 11:33,34; 1 Coríntios 2 :16).
Jesus Cristo levou em conta os sentimentos de seus apóstolos e discípulos. Foi apenas pouco antes que ele teve que revelar a eles que ele deveria morrer em Jerusalém (Mateus 16:21). Ele suportou as falhas repetitivas de seus apóstolos que regularmente discutiam sobre quem era o maior entre eles (Marcos 9:33-37; Lucas 9:46-48; 22:24-27; João 13:14). Há um texto profético a respeito de Cristo que resume muito bem e vividamente a misericórdia e a compaixão que ele demonstrou durante seu ministério terrestre para com as pessoas de condição humilde: « Vejam o meu servo, aquem apoio! Meu escolhido, a quem aprovo! Pus nele o meu espírito; Ele trará justiça às nações. Não gritará nem levantará a voz, Não fará que a sua voz seja ouvida na rua. Não quebrará nenhuma cana esmagada, Nem apagará um pavio que ainda estiver fumegando. Com fidelidade ele trará a justiça. Sua luz não enfraquecerá e ele não será esmagado até estabelecer a justiça na terra; As ilhas esperam por sua lei » (Isaías 42:1-4). Assim, podemos entender melhor por que o jugo de Cristo é suave, leve e agradável de suportar.
Os escritores das cartas cristãs contidas na Bíblia tiveram Cristo como mentor. O apóstolo Pedro escreveu que Cristo é um modelo cujos passos temos que seguir (1 Pedro 2:21). Mas teve Cristo um mentor? Sim, foi o que declarou: “Em vista disso, Jesus lhes disse: “Digo-lhes com toda a certeza: O Filho não pode fazer nem uma única coisa de sua própria iniciativa, mas somente o que ele vê o Pai fazer. Pois as coisas que Ele faz, o Filho também faz da mesma maneira. (…) Não posso fazer nem uma única coisa de minha própria iniciativa. Assim como ouço, eu julgo, e o meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (João 5:19,30). Jesus Cristo reconhecia que seu Instrutor era seu Pai Celestial, Jeová Deus, o Grande Instrutor. Como escreveu o apóstolo Paulo, Deus usou seu Filho, Jesus Cristo, para explicar seus pensamentos (1 Coríntios 2:16). Tomemos dois exemplos simples para mostrar como Jesus Cristo explicava um ensinamento do seu Pai Celestial, já contido no Antigo Testamento.
Ao ler o Sermão do Monte, Jesus Cristo explicava certos aspectos dos mandamentos da Lei Mosaica dados por Deus a Moisés para o povo de Israel. Contudo, ele ampliou a compreensão de certos mandamentos. Por exemplo, após lembrar um mandamento, ele acrescentava: “Mas eu lhes digo que” (Mateus 5:18,20,28,32,34,39…). Significa isso que Jesus Cristo acrescentava novos pensamentos à Lei de seu Pai Celestial? Embora permanecendo no âmbito da mente de Deus, escritos no Antigo Testamento, ele ampliava sua compreensão.
Por exemplo, sobre os dois mandamentos que condenam o homicídio e o adultério, Jesus Cristo deixou entender que a simples obediência formalista a estas leis não era suficiente. Acrescentou as noções de motivos e intenções que nem sempre podem estar em consonância com esta aparente obediência à lei. Por exemplo, a respeito da lei que proíbe o adultério, eis o que Jesus Cristo disse àqueles que aparentemente respeitariam este mandamento: « Mas eu lhes digo que todo aquele que persiste em olhar para uma mulher, a ponto de sentir paixão por ela, já cometeu no coração adultério com ela” (Mateus 5:28). Cometer o adultério no coração não é visível, é domínio dos motivos e intenções do coração. A respeito da lei que proíbe o assassinato, Jesus Cristo acrescentou este ponto de entendimento: “No entanto, eu lhes digo que todo aquele que continuar irado com seu irmão terá de prestar contas ao tribunal de justiça; e quem se dirigir a seu irmão com uma palavra imprópria de desprezo terá de prestar contas ao Supremo Tribunal; ao passo que quem disser: ‘Tolo imprestável!’ estará sujeito à Geena ardente » (Mateus 5:22). Alguém que está com raiva ou insulta outras pessoas, não cometeu assassinato em si. No entanto, Jesus Cristo vai a montante daquilo que poderia levar ao homicídio doloso, ou seja, o ódio e a raiva prolongada. Por meio destes dois exemplos, vemos claramente que Jesus Cristo não acrescentava nada aos pensamentos de Jeová Deus, mas mostrava como entender melhor os seus pensamentos.
Vejamos outro exemplo de como Jesus Cristo nos ajudou a entender melhor o pensamento de seu Pai a respeito das profecias do Antigo Testamento. Baseado no livro de Daniel (no Antigo Testamento), Jesus Cristo explicou alguns aspectos da profecia sobre os últimos dias que pode ser lida em Mateus 24 e 25, Marcos 13 e Lucas 21. Aqui está o que Jesus Cristo declarou a respeito a destruição da cidade de Jerusalém: « Portanto, quando vocês virem a coisa repugnante que causa desolação, da qual falou Daniel, o profeta, estar num lugar santo (que o leitor use de discernimento), então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes. O homem que estiver no terraço não desça para tirar da sua casa os bens, e o homem que estiver no campo não volte para apanhar sua capa. Ai das mulheres grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Persistam em orar para que a sua fuga não ocorra no inverno nem no sábado; pois então haverá grande tribulação, como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem ocorrerá de novo » (Mateus 24:15-21).
« Portanto, quando vocês virem a coisa repugnante que causa desolação, da qual falou Daniel, o profeta, estar num lugar santo (que o leitor use de discernimento) »: Esta profecia mencionada por Cristo é baseada na passagem de Daniel 9:27b: « E sobre a asa de coisas repugnantes haverá um causando desolação; e até a exterminação derramar-se-á a coisa determinada também sobre aquele que jaz desolado ». Teve seu primeiro cumprimento (não mencionado na Bíblia), no ano 66 da nossa era. O general romano Céstio Galo, durante o primeiro sítio contra Jerusalém, entrou parcialmente em Jerusalém, destruindo parte da parede externa do grande templo. No entanto, por razões inexplicáveis, Céstio Galo saiu sem completar o sítio contra Jerusalém. Essa situação inédita permitiu que os cristãos de Jerusalém (os santos), fugissem dela antes de sua destruição no ano 70, pelo general romano Tito. Estes são dois exemplos de como Jesus Cristo baseava-se inteiramente nos ensinamentos de seu Pai Celestial, Jeová Deus, escritos na Bíblia.
Em que sentido Jeová Deus é o Grande Instrutor? É muito difícil responder a esta pergunta de forma sucinta. Podemos simplesmente dizer que a Bíblia é um excelente exemplo do modo de ensino de Jeová Deus. Em primeiro lugar, ele estava preocupado em tornar seus pensamentos acessíveis aos humanos para compreensão, garantindo que os homens os escrevessem. Além disso, os quarenta escritores eram de diferentes estratos sociais. A Bíblia contém ensinamentos históricos, geográficos, demográficos, econômicos, poéticos, comportamentais e proféticos…
Nos capítulos 38 a 41 de Jó, Jeová Deus usa a descrição de certos aspectos de sua criação para instruir e disciplinar Jó. Por meio de alguns exemplos selecionados, Deus convidará Jó a ser um pouco mais modesto, consciente de sua pequenez e de sua grande vulnerabilidade, diante da imensidão e poder da criação de Deus. Vejamos algumas passagens bíblicas, principalmente com referências de versículos: Primeiro, Jeová começa seu ensino pedindo firmemente a Jó que o ouça: “Quem é este que está obscurecendo o conselho Por meio de palavras sem conhecimento? Por favor, cinge os teus lombos como um varão vigoroso E deixa-me perguntar-te, e faze-me saber. Onde vieste a estar quando fundei a terra? Informa-me, se deveras conheces a compreensão » (Jó 38:2-4). De fato, basta olhar para cima para ver milhares de estrelas e galáxias criadas há milhões e bilhões de anos (Salmos 8:3,4). Em Jó 38:31-37, Jeová mostra a Jó que ele não tem poder sobre as estrelas, sobre a atmosfera composta de nuvens de diferentes tipos, que ele não é capaz de dirigi-los, nem mesmo a energia do relâmpago. No capítulo 39, Jeová chama a atenção de Jó para o mundo animal, especialmente o selvagem que não precisa de humanos para viver. Jeová diz a Jó que os humanos não podem domar zebras, muito menos touros selvagens (5-12).
Podemos continuar essa leitura até o capítulo 41, onde Jeová deixa claro, por muitos exemplos da criação, a pequenez do humano, e que, como tal, ele deve permanecer humilde e modesto. O que podemos aprender deste diálogo é que a extensão da mente de Jeová é comparável à imensidão do oceano, tanto na sua horizontalidade como na sua profundidade. O que significa que independentemente do nível de conhecimento que um ser humano tenha sobre o pensamento de Deus, ele permanece na ordem do infinitesimal. Isto é o que está poeticamente escrito no livro de Jó: “E essas são apenas as beiradas dos seus caminhos; O que ouvimos sobre ele é somente um leve sussurro! Então quem pode entender seu poderoso trovão? » (Jó 26:14).
À maneira de Jesus Cristo, se um instrutor cristão quiser se renovar no seu modo de ensinar, tanto fora como dentro da congregação, ele deve ser inspirado pela sabedoria de Jeová Deus, lendo regularmente a Bíblia e meditando nela diariamente, orando para que com essa sabedoria adquira a arte de ensinar (Salmos 1:2,3). Ele também deve estar ciente de que a fonte da sabedoria de Jesus Cristo vem de seu Pai Celestial. Assim, imitar a Cristo é imitar a Jeová Deus, o Pai Celestial.
É importante ter sempre em mente que, seja o que for que ensinemos, devemos fazê-lo por amor fraternal, por aqueles que recebem esse ensinamento e para dar glória ao nosso Pai Celestial, o Grande Instrutor: « Como são profundas as riquezas, a sabedoria e o conhecimento de Deus! Como são insondáveis os seus julgamentos, e impenetráveis os seus caminhos! Pois “quem chegou a conhecer a mente de Jeová, ou quem se tornou seu conselheiro”? Ou “quem primeiro deu algo a ele, de modo que ele lhe deva retribuir”? Porque todas as coisas são dele, e por ele, e para ele. Glória a ele para sempre. Amém » (Romanos 11:33-36).
“Mas haverá notícias procedentes do leste e do norte que o perturbarão, e ele sairá com grande furor para aniquilar e entregar muitos à destruição”
(Daniel 11:44,45a)
Parece que estamos atualmente na fase final do cumprimento da profecia de Daniel sobre os dois reis (A Profecia do Livro de Daniel e a o conflito entre os Dois Reis (Daniel 11)). O rei do sul, sendo a atual potência mundial americana, representada no Oriente Médio pela nação de Israel, atacou sucessivamente o norte (Síria) no 8 de dezembro de 2024 e o leste em 13 de junho de 2025, bombardeando diretamente o Irã. Dado o cumprimento simultâneo (no norte e no leste) dessas duas profecias, haverá atualizações regulares para melhor entender como estão se cumprindo.
Esta atualização leva em conta os últimos eventos no Oriente Médio, particularmente a declaração de guerra aberta entre Irã e Israel no 13 de junho de 2025. Além dessa situação extremamente grave, há outras tragédias globais que continuam a se desenrolar, como o conflito entre a Rússia e a Ucrânia (este conflito teve repercussões indiretas no Oriente Médio), mas também, mais recentemente, o genocídio que está ocorrendo na Faixa de Gaza contra a população civil árabe, em resposta ao ataque do Hamas palestino, ao norte da fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, em 7 de outubro de 2023. Essas represálias contra a população são perpetradas pelo exército israelense. Além disso, as Forças de Defesa e Segurança de Israel, com a ajuda de colonos na Cisjordânia, estão atacando a população civil árabe neste território.
Somam-se a isso os ataques com biper (pager) no Líbano, ocorridos nos dias do 17 e 18 de setembro de 2024, perpetrados por Israel, que causaram a morte de 37 pessoas e feriram 2.931 pessoas nos dois dias (segundo dados da Anistia Internacional). Esses ataques com biper (pager), realizados por Israel, faziam parte do conflito com o Hezbollah no sul do Líbano. No 23 de setembro de 2024, um ataque israelense contra o Hezbollah no Líbano resultou na morte de 558 pessoas e 1.800 feridos (de acordo com dados da Anistia Internacional).
A guerra aberta entre Israel e Irã (13 de junho de 2025) é o resultado do evento histórico do 8 de dezembro de 2024, data da queda do regime de Bashar al-Assad. Desde então, as forças presentes no Oriente Médio foram completamente perturbadas.
O ataque contra o regime de Bashar al-Assad ocorreu com os exércitos turcos apoiando as milícias islâmicas de o HTC (Hayat Tahrir Al-Cham). Eles entraram por Aleppo e depois tomaram a cidade de Damasco. Bashar al-Assad foi evacuado pelo exército russo para a Rússia. Ele foi substituído por um islâmico chamado Abu Mohammed al-Joulani. Ele é o antigo número 2 do Daesh (um antigo jihadista da Frente Al-Nosra, Al-Qaeda e do Estado Islâmico (no Iraque)) cuja cabeça foi colocada a um preço de 10 milhões de dólares pelos Estados Unidos, como terrorista . Enquanto Abu Mohammed al-Joulani tomava o poder em Damasco, os israelenses bombardeavam as bases militares sírias, a força aérea e a marinha, a fim de impedir que os islâmicos tomassem esses arsenais militares. Israel aproveitou isso para anexar completamente as Colinas de Golã e todo e o Monte Hermon. Toda a operação militar foi realizada sob a supervisão do Departamento de Estado americano (a « coincidência » do calendário fez com que o general americano Jasper Jeffers estivesse no Líbano cerca duma semana antes do ataque do exército turco (parte da OTAN), apoiando as milícias islâmicas de Abu Mohammed al-Joulani).
O evento do 8 de dezembro de 2024 é o resultado dum longo processo de desestabilização do regime sírio, orquestrado pelo Ocidente, pelos americanos, pelos britânicos e pelos franceses, em nome da « democracia ». Desde a revolução árabe (Primavera Árabe) de 2011, os Estados Unidos, apoiados por nações ocidentais, particularmente a França, não cessaram de tentar desestabilizar o regime do governo sírio de Bashar al-Assad. Não há dúvida de que os franceses (com a DGSE) e os Estados Unidos (com a CIA) apoiaram a criação de milícias jihadistas como a Al-Qaeda, a Al-Nosra e o Estado Islâmico (Daesh) (na Síria e no Iraque) para desestabilizar o regime sírio. No entanto, o regime de Bashar al-Assad, apesar dos ataques do Ocidente, permaneceu no poder graças ao apoio dos russos, mas também do Irã. Entretanto, em 8 de dezembro de 2024, os Estados Unidos (desta vez com a Grã-Bretanha (MI6)), auxiliados pelo exército turco, derrubaram o regime sírio de Bashar al-Assad, sem a intervenção dos russos e dos iranianos. Esta situação é claramente uma consequência indireta do conflito entre a Rússia e a Ucrânia. De fato, os russos, estando envolvidos no conflito ucraniano apoiado pela OTAN, foram incapazes de manter o regime do governo sírio (como anteriormente).
Este evento muda completamente a influência das forças presentes, políticas e militares, nesta parte do Oriente Médio. O Hezbollah, como milícia, não tem mais apoio militar direto do Irã. O Hamas está de fato cada vez mais isolado. O Irã (que apoiou o Hezbollah) e a Rússia não apoiaram o regime de Bashar al-Assad contra o ataque dos exércitos turco-jihadistas, por isso entendemos que a partir de agora, sua presença militar cessará nesta área do Oriente Médio (o que tem consequências para a guerra no Iêmen). Espera-se que o futuro se torne cada vez mais sombrio para as populações palestinas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Os impulsos místicos do chefe de Estado israelense podem levá-lo a anexar completamente a Faixa de Gaza e a Cisjordânia (de acordo com a ideologia sionista do Grande Israel).
o regime de Bashar al-Assad (na Síria) e as milícias do Hezbollah (no sul do Líbano) tinham um efeito mais ou menos estabilizador nesta região. Agora, o fato dos americanos terem instalado jihadistas em Damasco tornará a situação muito mais instável, até mesmo caótica, em nível político e militar. A guerra entre Israel e o Irã agrava ainda mais essa instabilidade. Os americanos participam das hostilidades ao lado de seu aliado de longa data, Israel.
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As milícias jihadistas de Abu Mohammed al-Joulani massacraram milhares de civis cristãos, alauítas e alguns sunitas.
A instalação dum regime jihadista « democrático » na Síria por americanos, israelenses, britânicos, franceses e turcos resultou no massacre de milhares de civis, alauítas, sunitas e cristãos naquele país (uma simples busca na internet revela informações convergentes que mostram que milhares de civis (homens, mulheres e crianças), cristãos, alauítas e alguns sunitas, foram massacrados pelas milícias jihadistas de Abu Mohammed al-Joulani por terem « apoiado » o antigo regime de Bashar al-Assad, enquanto este último apenas protegia essas minorias religiosas).
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« Armará suas tendas reais entre o grande mar e o monte santo da Terra Gloriosa; e chegará ao seu fim, e não haverá quem o ajude«
(Daniel 11:45b)
Parece que esse aspecto da profecia se cumpriu em 2018, durante o primeiro mandato do último rei. « O grande mar » é o Mar Mediterrâneo. « O monte santo da Terra Gloriosa » é onde Jerusalém está localizada ((cidade velha), especialmente na parte oriental, onde fica o Monte Sião). A Terra Gloriosa é Israel, a atual Palestina. O cumprimento desta profecia bíblica teria ocorrido em 14 de maio de 2018, durante a inauguração das “tendas reais” do Rei do Sul, a embaixada americana em Israel, localizada exatamente aos pés do “monte santo”, e entre o « grande mar » (o Mar Mediterrâneo) (sul/sudoeste do Monte Sião (cidade velha (Jerusalém Oriental)), entre o bairro de Karyat Moriah (ver Gênesis 22:2 (Moriah), 14 (Jeová Yireh) ), a leste e o distrito de Arnona a oeste (direção « grande mar »). Ela está localizada em Jerusalém Ocidental (que não existia na época em que a profecia de Daniel foi escrita). Portanto, estando um pouco fora da Cidade Velha, as « tendas reais » estão localizadas entre a « Cidade Velha » de Jerusalém (Jerusalém Oriental) e o « Grande Mar », o Mar Mediterrâneo. O cumprimento desta profecia deve ser colocado em perspectiva com o segundo cumprimento da profecia de Jesus Cristo, referente à proximidade da destruição de Jerusalém, durante a futura grande tribulação: « Portanto, quando vocês virem a coisa repugnante que causa desolação, da qual falou Daniel, o profeta, estar num lugar santo (que o leitor use de discernimento), então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes » (Mateus 24: 15,16). O segundo cumprimento desta profecia mostra a proximidade da grande tribulação. Mas antes, a profecia termina sobre o que acontecerá com esse rei do sul: « chegará ao seu fim, e não haverá quem o ajude » (Daniel 11:45b). Para entender melhor o significado dessa conclusão, podemos nos referir ao que está escrito em outra profecia de Daniel, a respeito do último rei desta atual potência mundial, que representa o rei do sul: « Ele até mesmo se levantará contra o Príncipe dos príncipes, mas será destroçado sem a intervenção de mãos humanas » (Daniel 8:25). Entendemos melhor a frase « não haverá quem o ajude ». No dia da grande tribulação, quem poderá enfrentar o Rei Jesus Cristo e seus anjos (Mateus 25:31) (A NOVA JERUSALÉM).
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O Sionismo Protestante Fundamentalista Americano
O professor Henry Laurens, titular da cátedra de « História Contemporânea do Mundo Árabe » no « Collège de France » (desde 1º de setembro de 2003), ilustrou bem num de seus cursos, o que é o Sionismo Protestante Fundamentalista Americano, da seguinte maneira:
« Quando Netanyahu chegou a Washington no 20 de janeiro de 1998, seus primeiros contatos foram com seus amigos republicanos, o presidente da Câmara dos Representantes (nome) e Jeremy Falwell, um pregador fundamentalista à frente dum verdadeiro império na mídia. O Likud (partido político de direita israelense (sionista e de segurança)), joga a carta do fundamentalismo protestante ao máximo, que vê no apoio ao Estado judeu, uma obrigação cristã em tom milenarista. Lembro a vocês o que é chamado de « sionismo cristão », que é uma longa tradição dentro da história do protestantismo que é chamada de cumprimento das profecias, já que essa tradição milenar surgiu na Inglaterra de Cromwell em meados do século XVII e o grande protestante francês Jurieu escreveu um livro no final do século XVII que trata precisamente do cumprimento das profecias. E neste cumprimento das profecias, os judeus devem ir para a Terra Santa como passo em direção ao advento do milênio, o que é algo desejável. Este pacto político-religioso é determinado na recusa de qualquer abandono da terra de Israel e faz do islamismo um inimigo comum de judeus e cristãos » (A Questão da Palestina – O Fracasso dum Processo de Paz (29 de novembro de 2013)).
O trecho deste curso explica de forma muito concisa e ao mesmo tempo bastante completa esse jogo de engano entre os judeus sionistas do partido Likud (em Israel) e os cristãos protestantes fundamentalistas do partido Republicano (nos Estados Unidos) e a fonte de tensão com os povos árabes de fé muçulmana, sejam eles sunitas (Hamas na Faixa de Gaza), xiitas (Hezbollah no Líbano apoiado pelo Irã) e alauitas (na Síria) (para não mencionar os múltiplos grupos paramilitares (jihadistas sunitas na Síria ou em direção à fronteira sírio-libanesa) (O Likud é uma reminiscência do Irgun, um grupo sionista paramilitar de extrema direita das décadas de 1930 e 1940. O Haganah era um partido sionista paramilitar marxista de extrema esquerda das décadas de 1920 a 1940).
Neste extrato notará datas muito antigas, do 20 de janeiro de 1998, e a data deste curso dado no 29 de novembro de 2013, pelo Historiador e Professor Henry Laurens, no « Collège de France », e apesar de tudo, não tem envelhecido de forma alguma. As ações políticas e militares dos sionistas israelenses e dos americanos não mudaram. Desde o ataque do Hamas no 7 de outubro de 2023, a resposta do senhor Netanyahu, chefe de Estado israelense, à Faixa de Gaza, parece seguir a lógica ideológica do Grande Israel, do antigo partido político fascista do Irgun, ao anexá-la e eventualmente deportando os palestinos para o Sinai. Essa mesma lógica de expropriação do povo árabe, representado pelos palestinos, também está sendo aplicada na Cisjordânia. A queda de Bashar al-Assad em 8 de dezembro de 2024, apoiada pelos Estados Unidos, não augura nada de bom para as populações civis árabes da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, privadas dos seus aliados na Síria, no Irão e no Hezbollah como um todo, milícia organizada no sul do Líbano.
Em 9 de setembro de 2025, Israel bombardeou o bairro de Leqtaifiya, em Doha, capital do Catar, especificamente o prédio onde uma delegação do Hamas estava reunida para negociações de paz sobre a Faixa de Gaza, matando seis deles (incluindo um policial catariano). Este bombardeio é uma clara ilustração de que Netanyahu tem carta branca para aplicar sua ideologia do Grande Israel, sendo o Likud, como nos lembramos, uma reminiscência do Irgun, um grupo sionista paramilitar de extrema direita das décadas de 1930 e 1940. Ao traçar uma linha reta das bases militares israelenses até o Catar, essas aeronaves militares tiveram que sobrevoar o espaço aéreo da Jordânia e da Arábia Saudita sem serem interceptadas. Além disso, o « último rei » da potência mundial disse que não sabia: esta é a resposta de uma raposa astuta (para usar uma expressão de Cristo a respeito do rei Herodes na época (Lucas 13:32)).
Em 10 de setembro de 2025, Charlie Kirk, um ativista político americano e apoiador do presidente Trump, foi assassinado publicamente enquanto proferia uma palestra em Utah, EUA. Ele era um conservador com valores cristãos tradicionais (um sionista cristão) e um forte defensor da política de Israel para o Oriente Médio. Com base nessas informações, a mídia ocidental apresenta seu assassinato como resultado do conflito entre ideologias conservadoras e o « wokeismo ». No entanto, isso é apenas uma cortina de fumaça, a árvore escondendo a floresta. De fato, alguns meses antes de sua morte, Charlie Kirk questionou seriamente a política genocida de Netanyahu na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, lançando dúvidas sobre o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Ele também se interessou pelo caso Jeffrey Epstein, relativo a uma rede internacional de pedofilia, envolvendo, entre outros, políticos poderosos nos Estados Unidos (incluindo o próprio presidente dos Estados Unidos) e o Mossad (o serviço secreto israelense). Daí a pergunta: quem se beneficia do crime? Isto é, obviamente, um aviso a todos aqueles que fazem muitas perguntas sobre estes assuntos…
Voltemos por um momento a um trecho da profecia de Daniel para entender em detalhes o que está acontecendo no Oriente Médio: “Também entrará na Terra Gloriosa, e muitas terras serão levadas a tropeçar. Mas estes são os que escaparão da sua mão: Edom, Moabe e a parte principal dos amonitas. Ele continuará a estender a mão contra as terras; quanto à terra do Egito, ela não escapará. E ele reinará sobre os tesouros ocultos de ouro e de prata e sobre todas as coisas preciosas do Egito. E os líbios e os etíopes acompanharão os seus passos » (Daniel 11:41-43).
– O primeiro ponto de entendimento é que temos a confirmação de que esta é de fato a descrição das ações do rei do Sul (e não do rei do Norte). Os eventos do 8 de dezembro de 2024 demonstraram que os Estados Unidos (e não a Rússia) são atualmente os mestres do jogo (com Israel) no Oriente Médio: « No tempo do fim, o rei do sul se envolverá com ele em uma troca de empurrões, e o rei do norte virá sobre ele como uma tempestade, com carros de guerra, cavaleiros e muitos navios; ele entrará nas terras e arrasará tudo como uma inundação » (Daniel 11:40).
– O segundo ponto de entendimento é que a ideologia da conquista do país da « Terra Gloriosa » por Israel, nação representante do imperialismo dos Estados Unidos (o rei do Sul), no Oriente Médio, é confirmada na pessoa do senhor Netanyahu, que aparentemente continua sua política de conquista do Grande Israel (versículo 41).
– O terceiro ponto de entendimento é a ideologia da pilhagem americana no Oriente Médio (não da nação de Israel): tomar o controle dos poços de petróleo e gás para que suas multinacionais possam explorá-los. A queda de Bashar al-Assad no 8 de dezembro de 2024, está inteiramente alinhada com essa lógica de pilhagem dos recursos de petróleo e gás da Síria (versículo 43).
Vale a pena repetir o seguinte ponto em conexão com os eventos de 8 de dezembro de 2024: o governo de Bashar al-Assad (na Síria) e as milícias do Hezbollah (no sul do Líbano) tiveram um efeito mais ou menos estabilizador nesta região. Agora, o fato dos americanos terem instalado jihadistas em Damasco tornará a situação muito mais instável, até mesmo caótica, em nível político e militar, de acordo com o que está escrito na profecia de Daniel capítulo 11:44,45.
Jesus Cristo, quando pronunciou sua profecia sobre os últimos dias (Mateus capítulos 24 e 25, Marcos 13 e Lucas 21), usou uma expressão para designar os exércitos romanos da sua época: « Portanto, quando vocês virem a coisa repugnante que causa desolação, da qual falou Daniel, o profeta, estar num lugar santo » (Mateus 24:15). As nações ocidentais que deram origem aos Estados Unidos são uma reminiscência do mundo romano da época de Jesus Cristo. Então a atual « coisa repugnante que causa desolação » e caos não é outra senão o exército dos Estados Unidos. As ações desastrosas do rei do Sul levarão diretamente aos eventos proféticos descritos em Daniel 12:1: “Naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe que está de pé a favor do povo a que você pertence. E haverá um tempo de aflição como nunca houve, desde que começou a existir nação até aquele tempo ».
Na Bíblia, há relatos históricos de mais de duas mulheres corajosas. No entanto, a história dessas duas mulheres é particularmente incomum, pois não eram israelitas, mas uma era cananeia e a outra, moabita. O mais surpreendente é que essas duas mulheres faziam parte da árvore genealógica que levou ao Rei Davi e, mais tarde, ao homem Jesus Cristo. Esses dois relatos históricos ilustram perfeitamente o que o apóstolo Pedro disse pouco antes do batismo de Cornélio, um centurião romano, um não judeu: « Em vista disso, Pedro começou a falar; ele disse: “Agora eu entendo claramente que Deus não é parcial, mas, em toda nação, ele aceita aquele que o teme e faz o que é direito’ » (Atos 10:34).
Meditação no livro de Rute
O período histórico deste livro está no início da governança dos juízes em Israel, ou seja, no final do século X AEC (Antes Era Comum) (ver o livro bíblico dos Juízes). Este livro bíblico contém um relato histórico muito emocionante baseado numa parte dramática da vida de Rute, viúva dum dos dois filhos de Noemi que morreram prematuramente (Orpa era sua segunda nora, viúva do segundo filho falecido). Naomi também era viúva de Elimeleque. O capítulo 1 resume bem a estrutura histórica desta relato, que terá uma conclusão feliz. Esta meditação revisitará as qualidades de Naomi, Rute e Boaz. Em relação à Rute, sua qualidade importante era sua lealdade a Noemi quando a situação parecia particularmente sombria para aquelas duas mulheres. Obviamente, podemos mencionar o apego de Rute ao Pai Celestial Jeová Deus. Essa reflexão também mostrará que este livro tem não apenas um valor anedótico, mas também com a futura vinda do Messias (na época da história), em seu aspecto cronológico. De fato, Elimeque e Naomi eram de Belém Efrata de Judá, mencionado na profecia relacionada ao lugar de nascimento da criança Jesus, em Miquéias 5:2.
Capítulo 1
“Nos dias em que os juízes administravam a justiça, houve uma fome no país. E um homem partiu de Belém, em Judá, para ir morar como estrangeiro nos campos de Moabe, ele com a esposa e os dois filhos. 2 O nome do homem era Elimeleque, o nome da sua esposa era Noemi, e os nomes dos seus dois filhos eram Malom e Quiliom. Eles eram efratitas de Belém de Judá. Chegaram aos campos de Moabe e ficaram morando lá.
3 Algum tempo depois morreu Elimeleque, marido de Noemi, e ficaram ela e os dois filhos. 4 Mais tarde, os homens se casaram com mulheres moabitas: uma se chamava Orpa e a outra se chamava Rute. Eles ficaram morando lá por cerca de dez anos. 5 Depois morreram também os dois filhos, Malom e Quiliom, e Noemi ficou sem os dois filhos e sem o marido. 6 Então ela e as suas noras partiram dos campos de Moabe, pois ela tinha ouvido falar em Moabe que Jeová havia voltado a atenção para seu povo, dando-lhes pão.
7 Ela deixou o lugar onde morava com as suas duas noras. Enquanto caminhavam pela estrada para voltar à terra de Judá, 8 Noemi disse às suas noras: “Voltem, cada uma à casa da sua mãe. Que Jeová lhes demonstre amor leal, assim como vocês fizeram aos seus maridos que morreram e a mim. 9 Que Jeová permita que cada uma de vocês encontre segurança no lar de um marido.” Então as beijou, e elas começaram a chorar alto. 10 E elas lhe diziam: “Não! Nós iremos com a senhora para o seu povo.” 11 Mas Noemi disse: “Voltem, minhas filhas. Por que vocês deveriam ir comigo? Será que ainda posso dar à luz filhos que se tornariam seus maridos? 12 Voltem, minhas filhas. Voltem, pois estou velha demais para me casar. Mesmo que eu tivesse esperança de encontrar um marido hoje à noite e pudesse ter filhos, 13 vocês ficariam esperando por eles até que crescessem? Ficariam sem se casar à espera deles? Não, minhas filhas. Estou muito amargurada de ver vocês nesta situação, pois a mão de Jeová se voltou contra mim.”
14 Elas choraram alto de novo, e depois Orpa beijou sua sogra e partiu. Mas Rute insistiu em ficar com ela. 15 Assim, Noemi disse: “Veja, a sua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses. Volte com a sua cunhada.”
16 Mas Rute disse: “Não insista comigo para abandoná-la, para deixar de acompanhá-la; pois, aonde a senhora for, eu irei, e onde a senhora passar a noite, eu passarei a noite. Seu povo será o meu povo, e seu Deus será o meu Deus. 17 Onde a senhora morrer, eu morrerei e lá serei enterrada. Que Jeová me castigue, e que o faça severamente, se outra coisa senão a morte me separar da senhora.”
18 Quando Noemi viu que Rute insistia em acompanhá-la, desistiu de tentar convencê-la. 19 E as duas seguiram viagem até que chegaram a Belém. Assim que chegaram a Belém, toda a cidade ficou agitada por causa delas, e as mulheres perguntavam: “Esta é Noemi?” 20 E ela dizia às mulheres: “Não me chamem de Noemi. Chamem-me de Mara, pois o Todo-Poderoso tornou minha vida muito amarga. 21 Eu tinha tudo quando fui, mas Jeová me fez voltar de mãos vazias. Por que me chamam de Noemi, se Jeová se opôs a mim e o Todo-Poderoso me causou calamidade?”
22 Foi assim que Noemi voltou dos campos de Moabe junto com Rute, sua nora moabita. Elas chegaram a Belém no início da colheita da cevada”.
Não há necessidade de voltar à estrutura histórica do livro bem descrito na introdução. A situação foi particularmente dramática para essas três mulheres, Noemi, Rute et Orpa. Enquanto Naomi tomou a decisão de retornar ao país, ou seja, a Belém de Judá, Rute e Orpa decidiram acompanhá-la. Não há dúvida de que tanto Rute, como Orpa, foram apegadas a Naomi. Enquanto Naomi decidiu sair, aquelas duas jovens poderiam, desde o início, permanecer em seu país de origem para poder se casar novamente.
Durante o retorno ao país, provavelmente no início da viagem, Naomi teve que ficar embaraçada com a situação. De fato, ela pensava no futuro dessas duas jovens e no fato de que elas a acompanharam em sua dramática situação. Aqui está o que ela disse: « Noemi disse às suas noras: “Voltem, cada uma à casa da sua mãe. Que Jeová lhes demonstre amor leal, assim como vocês fizeram aos seus maridos que morreram e a mim. Que Jeová permita que cada uma de vocês encontre segurança no lar de um marido.” Então as beijou, e elas começaram a chorar alto. E elas lhe diziam: “Não! Nós iremos com a senhora para o seu povo”” (versículos 8 e 9). Naomi pedia a Rute e Orpa de não seguir de acompanhá-la, acrescentando uma bênção para suas duas noras. No começo, eles recusaram categoricamente: « Então as beijou, e elas começaram a chorar alto. E elas lhe diziam: “Não! Nós iremos com a senhora para o seu povo” » (versículo 10). Noemi não queria infligir um futuro triste ao seu lado, como viúva sem filhos e sem a possibilidade de ter descendentes.
É por isso que, com toda a sinceridade, e talvez com maior insistência, até firmeza, com argumentos mostrando que sua situação era desesperada, ela os repetiu para deixá-la voltar sozinha ao país: « Mas Noemi disse: “Voltem, minhas filhas. Por que vocês deveriam ir comigo? Será que ainda posso dar à luz filhos que se tornariam seus maridos? Voltem, minhas filhas. Voltem, pois estou velha demais para me casar. Mesmo que eu tivesse esperança de encontrar um marido hoje à noite e pudesse ter filhos, vocês ficariam esperando por eles até que crescessem? Ficariam sem se casar à espera deles? Não, minhas filhas. Estou muito amargurada de ver vocês nesta situação, pois a mão de Jeová se voltou contra mim”” (versículos 11-13).
Naomi pensava sinceramente no futuro dessas duas jovens que ainda tinham uma vida inteira na frente. Ela absolutamente não queria estragar o futuro delas com uma vida triste ao seu lado. Finalmente, Orpa levou em consideração os argumentos de Noemi, ela voltou para Moabe (versículo 14). Mas Rute insistiu teimosamente para ficar com Noemi, concordando em assumir todas as circunstâncias desfavoráveis de sua decisão de acompanhá-la: « Assim, Noemi disse: “Veja, a sua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses. Volte com a sua cunhada”” (versículo 15). Noemi insistiu uma terceira vez, talvez sugerindo a ela que fosse « razoável » e fazer como sua cunhada, retornando a um país de sua mesma cultura e com um deus conforme sua tradição. No entanto, Rute persistiu em sua decisão de viajar com sua sogra: « Mas Rute disse: “Não insista comigo para abandoná-la, para deixar de acompanhá-la; pois, aonde a senhora for, eu irei, e onde a senhora passar a noite, eu passarei a noite. Seu povo será o meu povo, e seu Deus será o meu Deus. Onde a senhora morrer, eu morrerei e lá serei enterrada. Que Jeová me castigue, e que o faça severamente, se outra coisa senão a morte me separar da senhora” » (versículos 16,17). Noemi não respondeu, enquanto Rute a seguia dum passo determinado (versículo 18)…
É um exemplo ótimo de lealdade nas tribulações da vida… Rute ilustrou duma maneira bonita de que a lealdade é sublimada não quando as coisas estão bem, mas quando há problemas sérios… Rute permaneceu fielmente ao lado de sua sogra que não parecia ter um futuro feliz pela frente… Jesus Cristo dirá mais tarde que o amor verdadeiro, se ve nas circunstâncias desfavoráveis da vida (Mateus 5:43-48). A continuação do relato parece indicar que Elimeleque, o marido falecido de Noemi, era um homem bem conhecido em Belém de Judá, porque quando chegaram, está escrito « Assim que chegaram a Belém, toda a cidade ficou agitada por causa delas » (Versículo 19).
***
No capítulo 2, lemos que Boaz era um homem eminente e muito rico, da família Elimeleque. Ele se tornará a chave duma reversão feliz para Noemi e Rute:
Capítulo 2
“Noemi tinha um parente muito rico por parte do seu marido. O nome dele era Boaz, e ele era da família de Elimeleque.
2 Rute, a moabita, disse a Noemi: “Por favor, deixe que eu vá ao campo e respigue cereal atrás de alguém que me mostre favor.” Portanto, Noemi lhe disse: “Vá, minha filha.” 3 Então ela foi e começou a respigar no campo, atrás dos ceifeiros. Por acaso ela foi parar num campo que pertencia a Boaz, que era da família de Elimeleque. 4 Naquele momento, Boaz chegou de Belém e disse aos ceifeiros: “Jeová esteja com vocês.” E eles responderam: “Jeová o abençoe.”
5 Boaz perguntou então ao servo encarregado dos ceifeiros: “A que família essa moça pertence?” 6 O servo encarregado dos ceifeiros respondeu: “A moça é uma moabita que voltou com Noemi dos campos de Moabe. 7 Ela disse: ‘Por favor, posso respigar e recolher as espigas cortadas que forem deixadas para trás pelos ceifeiros?’ E ela ficou de pé desde que chegou esta manhã; só se sentou agora no abrigo, para descansar um pouco.”
8 Então Boaz disse a Rute: “Escute, minha filha. Não vá respigar em outro campo, nem vá para nenhum outro lugar. Fique perto das minhas servas. 9 Fique atenta ao campo que ceifarem e vá com elas. Dei ordem aos servos para que não toquem em você. Quando estiver com sede, vá até os jarros e beba a água que os servos tirarem.”
10 Em vista disso, ela se prostrou com o rosto por terra e lhe perguntou: “Como é que eu achei favor aos seus olhos, e por que o senhor reparou em mim, se eu sou uma estrangeira?” 11 Boaz lhe respondeu: “Contaram-me tudo o que você fez por sua sogra depois da morte do seu marido, e que você deixou seu pai, sua mãe e a terra dos seus parentes, e veio morar com um povo que não conhecia. 12 Que Jeová a recompense pelo que você tem feito e que haja para você um salário perfeito da parte de Jeová, o Deus de Israel, debaixo das asas de quem você veio buscar refúgio.” 13 Então ela disse: “Que eu ache favor aos seus olhos, meu senhor, visto que me consolou e falou de um modo que tranquilizou esta sua serva, embora eu nem seja uma das suas servas.”
14 Na hora da refeição, Boaz lhe disse: “Venha comer pão e mergulhe seu pedaço no vinagre.” Então ela se sentou junto aos ceifeiros, e ele lhe ofereceu cereal torrado. Ela comeu e ficou satisfeita, e ainda sobrou. 15 Quando ela se levantou para respigar, Boaz ordenou aos seus servos: “Deixem que ela respigue entre as espigas cortadas, e não a incomodem. 16 Além disso, tirem algumas espigas dos feixes e deixem-nas para trás, para que ela as respigue, e não digam nada para impedi-la.”
17 Assim, ela continuou a respigar no campo até anoitecer. Depois bateu o que tinha respigado, e deu cerca de uma efa de cevada. 18 Então apanhou a cevada e entrou na cidade, e sua sogra viu o que ela tinha respigado. Rute também pegou o alimento que havia sobrado depois da refeição, quando comeu e ficou satisfeita, e o deu a ela.
19 Sua sogra disse-lhe então: “Onde você respigou hoje? Onde você trabalhou? Abençoado seja aquele que reparou em você.” Assim, ela falou à sua sogra sobre a pessoa com quem tinha trabalhado: “O nome do homem com quem trabalhei hoje é Boaz.” 20 Noemi disse então à sua nora: “Seja ele abençoado por Jeová, que não falhou em demonstrar amor leal para com os vivos e os mortos.” E Noemi acrescentou: “O homem é nosso parente. Ele é um dos nossos resgatadores.” 21 Então Rute, a moabita, disse: “Ele me disse também: ‘Fique perto dos meus servos até que tenham terminado toda a minha colheita.’” 22 Assim, Noemi disse a Rute, sua nora: “Minha filha, é melhor você acompanhar as servas dele do que ser incomodada em outro campo.”
23 Assim, ela ficou perto das servas de Boaz e respigou até o fim da colheita da cevada e da colheita do trigo. E ela continuou morando com a sua sogra”.
Existem várias informações que serão examinadas na ordem do relato do capítulo 2. A prática de respigar ou rebuscar era uma provisão misericordiosa da Lei Mosaica para os pobres: « Quando for feita a colheita da sua terra, não colha completamente a extremidade do seu campo nem apanhe as sobras da sua colheita. Além disso, não recolha as sobras do seu vinhedo nem apanhe as uvas espalhadas do seu vinhedo. Você deve deixá-las para o pobre e para o residente estrangeiro. Eu sou Jeová, seu Deus » (Levítico 19:9,10). « Quando você fizer a colheita do seu campo e tiver esquecido um feixe no campo, não volte para apanhá-lo. Deixe-o para o residente estrangeiro, o órfão e a viúva, para que Jeová, seu Deus, abençoe você em tudo que você fizer. Quando você bater os galhos da sua oliveira, não repita o processo. O que restar deve ficar para o residente estrangeiro, o órfão e a viúva. Quando você colher as uvas do seu vinhedo, não deve voltar para colher as sobras. Elas devem ser deixadas para o residente estrangeiro, o órfão e a viúva. Lembre-se de que você se tornou escravo na terra do Egito. É por isso que lhe dou essa ordem » (Deuteronômio 24:19-22).
No versículo 3, está escrito que Rute foi a respigar no campo de Boaz « por acaso ». É muito possível que esse simples « acaso » era de fato uma providência divina, ou a mão de Jeová Deus que a guiava nesse campo a rebuscar, segundo Noemi (versículo 20). O versículo 4 mostra que Boaz era um homem piedoso, apegado a Deus: « Naquele momento, Boaz chegou de Belém e disse aos ceifeiros: “Jeová esteja com vocês.” E eles responderam: “Jeová o abençoe” ». Boaz chegou a ver a jovem Rute. Talvez a presença dessa jovem com aparência delicada, entre os ceifeiros, parecia incomum, porque a colheita da cevada e do trigo é uma tarefa que requer muita resistência, sob o sol (versículo 5).
O relato revela outra qualidade de Boaz, a bondade e a benevolência (versículos 8 e 9). No versículo 8, Boaz se dirigiu a Rute chamando-a de « minha filha », o que mostra que não apenas Rute era uma jovem, mas também que Boaz era um homem maduro (compare com o versículo 2). Podemos observar a humildade e o agradecimento de Rute em relação a Boaz (versículo 10). Boaz explicou a Rute que sua boa reputação havia alcançado seus ouvidos, porque cuidava de sua sogra Noemi (versículos 11,12). A bênção de Boaz escrita no versículo 12 é muito bonita: « Que Jeová a recompense pelo que você tem feito e que haja para você um salário perfeito da parte de Jeová, o Deus de Israel, debaixo das asas de quem você veio buscar refúgio ». Rute era realmente uma mulher corajosa e perseverante. Não apenas, após ceifar a cevada no final do dia, ela a batia e colocava o que tinha respigado num saco de cerca de vinte quilos e retornava na casa de Noemi (versículo 17). Esse trabalho durou várias semanas, até vários meses (versículo 23).
No versículo 20, está escrito que Noemi informou Rute que Boaz era um de seus « resgatadores ». Era outra provisão misericordiosa da Lei Mosaica em relação a um falecido que morria sem ter deixado descendentes, o que de fato interrompia sua linhagem familiar. Era a lei do casamento levirato ou casamento de cunhado: « Se irmãos morarem juntos e um deles morrer sem deixar filho, a esposa do que morreu não deve se casar com alguém de fora da família. Seu cunhado deve ir a ela, tomá-la como esposa e realizar com ela o casamento de cunhado. O primogênito que ela der à luz perpetuará o nome do irmão falecido, para que o nome dele não seja apagado de Israel » (Deuteronômio 25:5,6). Elimeleque e seus dois filhos morreram sem deixar descendentes, de modo que sua descendência era condenada a desaparecer definitivamente. A disposição misericordiosa nessa situação era o casamento levirato que permitia, com o primeiro filho nascido desse casamento, que pudesse continuar a linhagem do falecido que não tinha descendentes. Assim, por meio desse « resgate », a linhagem e o nome de Elimeleque podia continuar como um descendente. Boaz, por providência divina, era um desses resgatadores.
***
É óbvio que a luz duma esperança brilhava no coração de Noemi. Ela não demorou muito, sendo uma mulher sábia, para tomar providências para se beneficiar dessa lei divina misericordiosa:
Capítulo 3
“Noemi, sua sogra, disse-lhe então: “Minha filha, preciso procurar um lar para você, para que você fique bem. 2 Boaz é nosso parente. Foi com as servas dele que você esteve. Hoje à noite ele vai limpar cevada na eira. 3 Portanto lave-se, passe óleo perfumado, vista a sua melhor roupa e desça à eira. Não deixe que ele note a sua presença até que ele tenha terminado de comer e beber. 4 Quando ele for dormir, preste atenção ao lugar onde ele se deita. Então vá, descubra os pés dele e deite-se. E ele lhe dirá o que fazer.”
5 Ela respondeu então: “Farei tudo o que a senhora me disse.” 6 Então ela desceu à eira e fez tudo o que a sua sogra lhe tinha dito. 7 Enquanto isso, Boaz comia e bebia, e seu coração estava feliz. Então ele foi se deitar na beirada do monte de cereais. Depois ela se aproximou com cuidado, descobriu os pés dele e se deitou. 8 À meia-noite, o homem começou a tremer e, quando se inclinou para frente, viu uma mulher deitada aos seus pés. 9 Ele perguntou: “Quem é você?” Ela respondeu: “Sou Rute, sua serva. Estenda o seu manto sobre a sua serva, pois o senhor é resgatador.” 10 Então ele disse: “Que Jeová a abençoe, minha filha. Você demonstrou mais amor leal desta vez do que da primeira vez, pois você não foi atrás de jovens, quer pobres quer ricos. 11 E agora, minha filha, não tenha medo. Farei para você tudo o que me diz, pois todos na cidade sabem que você é uma excelente mulher. 12 Mas, embora eu realmente seja resgatador, há um resgatador de parentesco mais próximo do que eu. 13 Fique aqui esta noite. Se de manhã ele a resgatar, muito bem! Que ele a resgate. Mas, tão certo como Jeová vive, eu mesmo a resgatarei se ele não quiser resgatá-la. Fique deitada aqui até amanhecer.”
14 Assim, ela ficou deitada aos pés dele até de manhã e se levantou antes que estivesse claro o suficiente para ser reconhecida. Então ele disse: “Ninguém deve saber que uma mulher veio à eira.” 15 E também disse: “Traga o manto que você está usando e segure-o aberto.” Assim, ela o segurou, e ele colocou nele seis medidas de cevada e o pôs sobre ela; depois ele entrou na cidade.
16 Ela voltou à sua sogra, que lhe perguntou: “Como foi, minha filha?” Rute lhe contou tudo o que o homem tinha feito por ela. 17 Ela acrescentou: “Ele me deu estas seis medidas de cevada e disse: ‘Não vá de mãos vazias à sua sogra.’” 18 Então ela disse: “Agora espere, minha filha, até saber como ficará o assunto, pois o homem não descansará até resolver o assunto hoje””.
Depois que Rute disse a Boaz que ele era um resgatador potencial, ficou muito emocionado porque ela tinha um bom coração, particularmente em relação a Noemi e seu falecido marido Elimeleque, a fim de permitir que ele tivesse um descendente por meio dum casamento levirato. Boaz sabia que ele era muito mais velho do que Rute, por isso apontou para ela que sua gentileza de coração se manifestava também em aceitar esse casamento, e não com um marido mais jovem (versículo 10). No entanto, podemos ver também que Boaz era um homem com o coração direito. Ele informou a Rute que não era um resgatador de parentesco mais próximo, e que, portanto, era seu dever de notificar a pessoa em questão, a fim de usar primeiro seu direito como resgatador. É apenas no caso duma recusa desse resgatador, que ele poderia se casar com Rute com um casamento levirato.
***
De manhã cedo, Boaz se apressou em apresentar o caso a esse parente próximo, chamado no texto « Fulano »:
Capítulo 4
“Boaz subiu até o portão da cidade e se sentou ali. Quando o resgatador que Boaz havia mencionado ia passando, Boaz disse: “Fulano, venha e sente-se aqui.” Ele foi e se sentou. 2 Então Boaz chamou dez anciãos da cidade e disse: “Sentem-se aqui.” E eles se sentaram.
3 Boaz disse então ao resgatador: “Noemi, que voltou dos campos de Moabe, tem de vender o campo que pertencia ao nosso irmão Elimeleque. 4 Então achei que devia informá-lo do assunto e lhe dizer: ‘Compre-o diante dos que moram aqui e dos anciãos do meu povo. Se você for resgatá-lo, resgate-o. Mas, se não for resgatá-lo, diga-me para que eu saiba, pois você tem o direito de resgate, e eu venho depois de você.’” Ele respondeu: “Estou disposto a resgatá-lo.” 5 Então Boaz disse: “No dia em que você comprar o campo de Noemi, tem de comprá-lo também de Rute, a moabita, esposa do falecido, para restaurar o nome dele sobre a sua herança.” 6 Diante disso, o resgatador disse: “Não posso resgatá-lo, para que eu não arruíne a minha própria herança. Resgate-o para você com o meu direito de resgate, porque eu não posso resgatá-lo.”
7 Nos tempos antigos, o costume em Israel relacionado com o direito de resgate e com a transferência, para validar todo tipo de transação, era o seguinte: o homem tinha de tirar a sandália e dá-la ao outro, e assim se confirmava um acordo em Israel. 8 Portanto, ao dizer a Boaz: “Compre-o para você”, o resgatador tirou a sandália. 9 Boaz disse então aos anciãos e a todo o povo: “Vocês são hoje testemunhas de que estou comprando de Noemi tudo o que pertencia a Elimeleque, e tudo o que pertencia a Quiliom e a Malom. 10 E assim adquiro como esposa Rute, a moabita, que era esposa de Malom, a fim de restaurar o nome do falecido sobre a sua herança e para que o nome dele não seja eliminado dentre os seus irmãos e do portão da sua cidade. Vocês são hoje testemunhas.”
11 Em vista disso, todo o povo que estava no portão da cidade e os anciãos disseram: “Somos testemunhas! Que Jeová conceda à esposa que entra na sua casa ser igual a Raquel e a Leia, que edificaram a casa de Israel. Que você prospere em Efrata e faça um bom nome em Belém. 12 E que, por meio da descendência que Jeová lhe dará dessa moça, a sua casa se torne igual à casa de Peres, que Tamar deu à luz a Judá.”
13 Assim, Boaz tomou Rute e ela se tornou sua esposa. Ele teve relações com ela, e Jeová permitiu que ela engravidasse e desse à luz um filho. 14 Então as mulheres disseram a Noemi: “Louvado seja Jeová, que hoje não a deixou sem um resgatador. Que o nome dele seja proclamado em Israel! 15 Ele revigorou a sua vida e vai ampará-la na sua velhice, pois é filho da sua nora, que a ama e é para você melhor do que sete filhos.” 16 Noemi pegou o menino e o segurou no colo, e passou a cuidar dele. 17 Então as vizinhas lhe deram um nome. Elas disseram: “Nasceu um filho para Noemi”, e o chamaram de Obede. Ele é o pai de Jessé, pai de Davi.
18 Esta é a linhagem de Peres: Peres tornou-se pai de Esrom, 19 Esrom tornou-se pai de Rão, Rão tornou-se pai de Aminadabe, 20 Aminadabe tornou-se pai de Nasom, Nasom tornou-se pai de Salmom, 21 Salmom tornou-se pai de Boaz, Boaz tornou-se pai de Obede, 22 Obede tornou-se pai de Jessé, e Jessé tornou-se pai de Davi”.
Ao ler o relato, entendemos melhor porque o indivíduo que se recusou a se casar com Rute para não « arruinara sua própria herança », fosse chamado de « Fulano ». A desculpa deste homem era péssima. Além disso, para Jeová Deus, essa atitude vergonhosa era o suficiente para permitir que a viúva não resgatada, de tirar uma sandália dele e lhe cuspir no rosto: « Se o homem não quiser se casar com a viúva do seu irmão, então a viúva deve ir até os anciãos no portão da cidade e dizer: ‘O irmão do meu marido se negou a preservar o nome do seu irmão em Israel. Não quis realizar comigo o casamento de cunhado.’ Os anciãos da cidade dele devem chamá-lo e falar com ele. Se ele insistir e disser: ‘Não quero me casar com ela’, então a viúva deve se aproximar dele diante dos anciãos, tirar a sandália do pé dele, lhe cuspir no rosto e dizer: ‘Isso é o que se deve fazer ao homem que não edificar a família do seu irmão.’ Depois disso, o nome da família dele será conhecido em Israel como ‘A casa daquele de quem se tirou a sandália’ » (Deuteronômio 25:7-10). No entanto, não foi isso que Rute fez, porque felizmente ela tinha um segundo resgatador, o homem Boaz.
É no final deste livro bíblico que percebemos que esse relato histórico tem não apenas um valor anedótico. Assim, o livro de Rute explica o importante papel do casamento levirato em relação à linhagem que levava ao rei Davi e mais tarde, ao homem Jesus Cristo (Mateus 1:1-16; Lucas 3:23-38). Em Mateus 1:5, está escrito que a mãe de Boaz era Raabe, a mulher corajosa que salvou a vida dos dois espiões em Jericó (Josué Capítulo 2). Logicamente, a história do livro de Rute ocorreu após a morte de Josué, e deve ser sob a governança do juiz Otniel, sobrinho de Caleb (juízes 1:13). É certo que aquelas mulheres corajosas e fiéis do passado, Raabe e Rute, não sabiam que Jeová Deus permitiria que seus nomes cruzassem os séculos em memória de sua fidelidade, aparecendo na linhagem que leva ao Cristo. Além disso, o nome dum livro bíblico de Rute aparece no cânone das Escrituras. É durante a ressurreição delas que saberão como Jeová foi bom para a memória de seu nome, em virtude de sua coragem e seu amor fiel (Atos 24:15).
O final feliz da história do livro da Rute é um incentivo para aqueles que se enfretam a diversas provações, como foi o caso de Naomi e Rute. Como o escreveu o discípulo Tiago, sobre o resultado feliz para o fiel Jó, que pode se aplicar a Noemi e Rute: « Não resmunguem uns contra os outros, irmãos, para que não sejam julgados. Vejam! O Juiz está às portas. Irmãos, no que se refere a suportar sofrimentos e a exercer paciência, tomem como modelo os profetas, que falaram em nome de Jeová. Vejam, consideramos felizes os que perseveraram. Vocês ouviram falar da perseverança de Jó e viram o resultado que Jeová proporcionou; viram que Jeová tem grande compaixão e é misericordioso » (Tiago 5:9-11).
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Raabe, uma mulher corajosa
Entrando na terra prometida, Josué, o sucessor de Moisés, enviou dois espiões para a cidade de Jericó. Enquanto foram vistos por soldados da cidade, eles foram se esconder na casa de Raabe. Aqui está o relato no livro bíblico de Josué, capítulo 2:
“Então Josué, filho de Num, enviou secretamente de Sitim dois homens como espiões. Ele lhes disse: “Vão e inspecionem a terra, especialmente Jericó.” Assim eles foram e chegaram à casa de uma prostituta chamada Raabe, e ficaram ali. 2 O rei de Jericó foi informado: “Homens israelitas vieram aqui esta noite para espionar a terra.” 3 Em vista disso, o rei de Jericó mandou dizer a Raabe: “Traga para fora os homens que vieram e que estão na sua casa, pois eles vieram para espionar toda a terra.”
4 Mas a mulher pegou os dois homens e os escondeu. Então ela disse: “É verdade, os homens vieram a mim, mas eu não sabia de onde eram. 5 Ao escurecer, quando o portão da cidade estava para ser fechado, os homens foram embora. Eu não sei para onde foram, mas, se vocês forem depressa atrás deles, os alcançarão.” 6 (Mas ela os tinha levado para o terraço e os tinha escondido entre as fileiras de hastes de linho que havia no terraço.) 7 Assim, os homens foram atrás deles em direção aos pontos de travessia do Jordão, e o portão da cidade foi fechado assim que os perseguidores saíram.
8 Antes de os espiões se deitarem para dormir, ela foi até eles no terraço. 9 Ela lhes disse: “Sei que Jeová lhes dará esta terra e que estamos com medo de vocês. Todos os habitantes desta terra estão desanimados por sua causa. 10 Pois soubemos como Jeová secou as águas do mar Vermelho diante de vocês quando saíram do Egito, e o que fizeram aos dois reis dos amorreus, Siom e Ogue, que vocês entregaram à destruição do outro lado do Jordão. 11 Quando soubemos disso, ficamos desanimados; perdemos a coragem por causa de vocês, pois Jeová, seu Deus, é Deus nos céus, em cima, e na terra, embaixo. 12 Agora, por favor, jurem-me por Jeová que, por eu ter demonstrado bondade para com vocês, vocês também demonstrarão bondade para com os da casa do meu pai. Deem-me um sinal de que agirão com boa-fé. 13 Poupem a vida do meu pai, da minha mãe, dos meus irmãos, das minhas irmãs e de todos os que lhes pertencem; e livrem-nos da morte.”
14 Diante disso os homens lhe disseram: “Daremos nossa vida pela vida de vocês! Se você não disser nada sobre a nossa missão, nós demonstraremos bondade e fidelidade para com você quando Jeová nos der a terra.” 15 A seguir, ela os fez descer por uma corda pela janela, pois a sua casa ficava num dos lados da muralha da cidade. Na verdade, ela morava no alto da muralha. 16 Então ela lhes disse: “Vão à região montanhosa e escondam-se lá por três dias, para que seus perseguidores não os encontrem. Depois que os perseguidores tiverem voltado, vocês podem seguir caminho.”
17 Os homens lhe disseram: “Estaremos livres de culpa por esse juramento que você nos impôs 18 se, quando entrarmos nesta terra, você não tiver amarrado esta corda de fio escarlate na janela pela qual nos fez descer. Você deve reunir na sua casa seu pai, sua mãe, seus irmãos e todos os da casa do seu pai. 19 Então, se alguém sair da sua casa para fora, o sangue dele recairá sobre a cabeça dele, e nós estaremos livres de culpa. Mas, se algo ruim acontecer a alguém que estiver na casa com você, o sangue dele recairá sobre a nossa cabeça. 20 Mas, se você denunciar a nossa missão, estaremos livres de culpa por esse juramento que nos impôs.” 21 Ela disse: “Seja segundo as suas palavras.”
Com isso ela os deixou ir embora, e eles seguiram caminho. Mais tarde ela amarrou a corda escarlate na janela. 22 Eles partiram para a região montanhosa e ficaram lá por três dias, até que os perseguidores voltassem. Os perseguidores os procuraram em todas as estradas, mas não os encontraram. 23 Os dois homens desceram então da região montanhosa, atravessaram o rio e foram até Josué, filho de Num. Eles lhe relataram todas as coisas que lhes havia acontecido. 24 Então disseram a Josué: “Jeová nos entregou toda esta terra. De fato, todos os habitantes desta terra estão desanimados por nossa causa””.
Em Josué capítulo 6:22-25, está escrito que Raabe e sua família foram salvos por ter sido corajosa escondendo os dois espiões: “Josué disse aos dois homens que tinham espionado a terra: “Entrem na casa da prostituta e tragam para fora tanto a ela como a todos os que lhe pertencem, assim como vocês lhe juraram.” Portanto, os jovens espiões entraram e trouxeram para fora Raabe junto com seu pai, sua mãe, seus irmãos e todos os que lhe pertenciam, sim, trouxeram para fora toda a sua família, e os levaram em segurança a um local fora do acampamento de Israel. Então queimaram com fogo a cidade e tudo o que havia nela. Mas a prata, o ouro, e os objetos de cobre e de ferro, entregaram ao tesouro da casa de Jeová. Apenas Raabe, a prostituta, os da casa do seu pai e todos os que lhe pertenciam foram poupados por Josué; e ela mora em Israel até hoje, porque escondeu os mensageiros que Josué tinha enviado para espionar Jericó”.
O apóstolo Paulo citou o exemplo de fé de Raabe, na carta aos Hebreus capítulo 11: « Pela fé caíram os muros de Jericó, depois que o povo marchou em volta deles por sete dias. Pela fé Raabe, a prostituta, não morreu com os que foram desobedientes, porque ela recebeu os espiões de modo pacífico » (Hebreus 11:30,31). Mais tarde, Raabe, será a mãe de Boaz, que se casará com Rute (um livro bíblico leva seu nome, o livro de Rute; Mateus 1:5).
O discípulo Tiago citou o exemplo de Raabe para ilustrar a ideia de que a fé deve ter obras para poder ser declarados justos por Deus: « Vejam que o homem será declarado justo por obras, e não apenas pela fé. Da mesma maneira, não foi também Raabe, a prostituta, declarada justa por obras, depois de receber os mensageiros hospitaleiramente e de mandá-los embora por outro caminho? Realmente, assim como o corpo sem espírito está morto, assim também a fé sem obras está morta » (Tiago 2:24-26).
O livro bíblico de Eclesiastes está exatamente no tema da reflexão existencial, do senso de vida e as perguntas, ligadas à morte e à esperança. A meditação se coloca em duas perspectivas importantes: a descrição da vida que estaria numa perspectiva completamente despojada de toda espiritualidade e a outra que consistiria em considerar sua dimensão espiritual e divina. O livro de Eclesiastes será analisado capítulo por capítulo, com primeiro, antes de ler, um breve resumo de seu conteúdo; e depois será apresentado um exame de alguns pontos salientes.
Começa com o que constitui seu tema central: « A maior das vaidades”, disse o congregante, “a maior das vaidades! Tudo é vaidade! » (Eclesiastes 1:2). O tema do absurdo da condição humana atual é ilustrado por muitos exemplos ; uma condição humana que o leva inexoravelmente à morte, seja o que vai fazer, no final, isso será inútil.
Obviamente, este livro bíblico não se contenta em tornar essa observação realista e sombria, apresenta a solução, em todo o livro de Eclesiastes e nas últimas palavras do capítulo 12: « A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem. 14Pois o próprio verdadeiro Deus levará toda sorte de trabalho a julgamento com relação a toda coisa oculta, quanto a se é bom ou mau » (Eclesiastes 12:13,14 ). Se este livro começa com um aspecto muito sombrio da existência, o contraponto é a solução a ser ligado a Deus, com o divino, porque Ele pode nos tirar desse ciclo absurdo, dessa existência, concedendo-nos a vida eterna (João 3:16,36; 17:3). Ao longo desta observação do absurdo da vida, há uma alternância entre as trevas, nossa condição humana atual e a luz, que Deus pode nos libertar deste beco sem saída.
Eclesiastes capítulo 1: Após esta famosa frase da dimensão vã e absurda da existência humana em relação à morte, sendo a conclusão, este capítulo o compara aos ciclos da naturaleza que não se podem impedir: o ciclo de substituição duma geração por outro, o nascer do sol até o pôr do sol, o movimento do vento, a circulação da água… A vida humana é semelhante a esses ciclos que absolutamente não podemos quebrar ou sair dela, o nascimento, a vida, a doença, a velhice e a morte, uma geração substituindo outra… O rei Salomão (apresentando-se como o « congregante » (Ecclesia) dessas reflexões), mostra que ele mesmo, através de sua experiência de vida, ele fez essa observação da vaidade e do absurdo da existência humana. Esta observação é ainda mais impactante, já que a vida deste rei é o arquétipo duma vida humana de sucesso em todos os níveis:
As palavras do congregante, filho de Davi, rei em Jerusalém. 2“A maior das vaidades”, disse o congregante, “a maior das vaidades! Tudo é vaidade!” 3Que proveito tem o homem de toda a sua labuta em que trabalha arduamente debaixo do sol? 4Uma geração vai e outra geração vem; mas a terra permanece por tempo indefinido. 5E também o sol raiou e o sol se pôs, e vem ofegante ao seu lugar onde vai raiar. 6O vento vai para o sul e faz o giro para o norte. Gira e gira continuamente em volta, e o vento retorna logo aos seus giros. 7Todas as torrentes hibernais correm para o mar, contudo, o próprio mar não está cheio. Ao lugar de onde correm as torrentes hibernais, para lá elas voltam a fim de sair correndo. 8Todas as coisas são fatigantes; ninguém pode falar disso. O olho não se farta de ver, nem o ouvido se enche de ouvir. 9Aquilo que veio a ser é o que virá a ser; e o que se tem feito é o que se fará; de modo que não há nada de novo debaixo do sol. 10Existe algo de que se possa dizer: “Vê isto; isto é novo”? Já tem existido por tempo indefinido; o que veio à existência é de tempo anterior a nós. 11Não há recordação de gente de outrora, nem haverá dos que virão a ser mais tarde. Não se mostrará haver recordação nem mesmo daqueles entre os que virão a ser ainda mais tarde. 12Eu, o congregante, vim a ser rei sobre Israel em Jerusalém. 13E pus meu coração a buscar e a perscrutar a sabedoria em relação a tudo o que se tem feito debaixo dos céus — a ocupação calamitosa que Deus tem dado aos filhos da humanidade para se ocuparem nela. 14Vi todos os trabalhos que se faziam debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e um esforço para alcançar o vento. 15Aquilo que foi feito torto não pode ser endireitado, e aquilo que é carente é que não se pode contar. 16Eu é que falei com o meu coração, dizendo: “Eis que eu mesmo aumentei grandemente em sabedoria, mais do que qualquer outro que veio a estar antes de mim em Jerusalém, e meu próprio coração tem visto muita sabedoria e conhecimento.” 17E passei a empenhar meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer a doidice, e vim a conhecer a estultícia, que isto também é um esforço para alcançar o vento. 18Porque na abundância de sabedoria há abundância de vexame, de modo que aquele que incrementa o conhecimento incrementa a dor.
« Aquilo que foi feito torto não pode ser endireitado, e aquilo que é carente é que não se pode contar » (Eclesiastes 1:15). As soluções profundas para mudar a condição humana escura não estão ao alcance, por exemplo, não é capaz de resolver o problema simples e trágico do envelhecimento, a erradicação completa das doenças e a morte (Romanos 5:12; 6:23).
« Porque na abundância de sabedoria há abundância de vexame, de modo que aquele que incrementa o conhecimento incrementa a dor » (Eclesiastes 1:18). O grande conhecimento leva a um grande entendimento, que, por sua vez, faz muito sofrer… se um grande conhecimento é obviamente útil, no entanto, muitas vezes, leva à consciência duma vida que leva a um beco sem saída da própria condição humana, que, no final, faz emocionalmente sofrer…
Eclesiastes capítulo 2: é um resumo de todos os sucessos da vida do rei Salomão e, finalmente, alcançar a mesma conclusão do início do livro de Eclesiastes: « Também isto é vaidade e um esforço para alcançar o vento » (Eclesiastes 2:26):
Eu é que disse no meu coração: “Ora, vem deveras, deixa-me experimentar-te com alegria. Também, vê o que é bom.” E eis que isso também era vaidade. 2Eu disse ao riso: “Insânia!” e à alegria: “Que está fazendo esta?” 3Perscrutei com o meu coração, animando minha carne até mesmo com vinho, ao passo que eu conduzia meu coração com sabedoria, sim, para apoderar-me da estultícia, até que eu pudesse ver o que havia de bom para os filhos da humanidade naquilo que faziam debaixo dos céus, pelo número dos dias da sua vida. 4Empenhei-me em trabalhos maiores. Construí para mim casas; plantei para mim vinhedos. 5Fiz para mim jardins e parques, e plantei neles toda sorte de árvores frutíferas. 6Fiz para mim reservatórios de água para irrigar com eles a floresta em que crescem árvores. 7Adquiri servos e servas, e vim a ter filhos dos da casa. Vim a ter também gado, gado vacum e rebanhos em grande quantidade, mais do que todos os que vieram a estar antes de mim em Jerusalém. 8Acumulei também para mim prata e ouro, bem como propriedade peculiar de reis e de distritos jurisdicionais. Constituí para mim cantores e cantoras, bem como as delícias dos filhos da humanidade, uma dama, sim, damas. 9E tornei-me maior e aumentei mais do que qualquer outro que veio a estar antes de mim em Jerusalém. Além disso, minha própria sabedoria permaneceu minha. 10E tudo o que os meus olhos pediram, eu não retive deles. Não neguei ao meu coração nenhuma espécie de alegria, pois meu coração se alegrava por causa de todo o meu trabalho árduo, e isto veio a ser meu quinhão de todo o meu trabalho árduo. 11E eu, sim, eu me virei para todos os meus trabalhos que minhas mãos tinham feito e para a labuta em que eu tinha trabalhado arduamente para a realizar, e eis que tudo era vaidade e um esforço para alcançar o vento, e não havia nada de vantagem debaixo do sol. 12E eu é que me virei para ver sabedoria, e doidice, e estultícia; pois o que pode fazer o homem terreno que entra depois do rei? A coisa que já se fez. 13E eu é que vi que há mais vantagem na sabedoria do que na estultícia, do mesmo modo como há mais vantagem na luz do que na escuridão. 14Quanto àquele que é sábio, tem os olhos na cabeça; mas o estúpido está andando em profunda escuridão. E também eu é que vim a saber que há um só evento conseqüente que sucede eventualmente a todos eles. 15E eu mesmo disse no meu coração: “Um evento conseqüente igual a este para o estúpido sucederá eventualmente a mim, sim, a mim.” Então, por que é que me tornei sábio, extremamente assim naquele tempo? E falei no meu coração: “Também isto é vaidade.” 16Porque não há mais recordação do sábio do que do estúpido, por tempo indefinido. Nos dias que já estão entrando, todos já estão esquecidos; e como morrerá o sábio? Junto com o estúpido. 17E odiei a vida, porque o trabalho que se tem feito debaixo do sol tem sido calamitoso do meu ponto de vista, pois tudo era vaidade e um esforço para alcançar o vento. 18E eu é que odiei toda a minha labuta em que trabalhava arduamente debaixo do sol, que eu deixaria atrás para o homem que viria a suceder-me. 19E quem sabe se ele se mostrará sábio ou estulto? No entanto, assumirá o controle sobre toda a minha labuta em que trabalhei arduamente e em que mostrei sabedoria debaixo do sol. Também isto é vaidade. 20E eu mesmo me voltei para fazer meu coração desesperar de toda a labuta em que tinha trabalhado arduamente debaixo do sol. 21Pois há um homem cujo trabalho árduo foi com sabedoria, e com conhecimento, e com proficiência, mas ao homem que não trabalhou arduamente em tal coisa se dará o quinhão daquele. Também isto é vaidade e uma grande calamidade. 22Pois, o que é que o homem vem a ter de todo o seu trabalho árduo e do esforço de seu coração com que trabalha arduamente debaixo do sol? 23Porque todos os seus dias sua ocupação significa dores e vexame, também durante a noite seu coração simplesmente não se deita. Também isto é mera vaidade. 24Para o homem não há nada melhor [do] que comer, e deveras beber, e fazer sua alma ver o que é bom por causa do seu trabalho árduo. Isto também tenho visto, sim eu, que isto procede da mão do [verdadeiro] Deus. 25Pois, quem come e quem bebe melhor do que eu? 26Pois, ao homem que é bom diante dele, ele tem dado sabedoria, e conhecimento, e alegria, mas ao pecador tem dado a ocupação de ajuntar e de recolher, apenas para dar àquele que é bom diante do [verdadeiro] Deus. Também isto é vaidade e um esforço para alcançar o vento.
« Porque não há mais recordação do sábio do que do estúpido, por tempo indefinido. Nos dias que já estão entrando, todos já estão esquecidos; e como morrerá o sábio? Junto com o estúpido » (Eclesiastes 2:16). Muitas vezes, estamos falando da sabedoria de Salomão, que se pode ler nos livros bíblicos de Provérbios e Eclesiastes. No entanto, no estado atual das coisas, sua condição de homem sábio o beneficiou? Não, porque sua reputação não o isentou de morrer, como o estúpido com sua tolice… de modo que neste aspecto, não há superioridade do sábio sobre o estúpido…
« Para o homem não há nada melhor do que comer, e deveras beber, e fazer sua alma ver o que é bom por causa do seu trabalho árduo. Isto também tenho visto, sim eu, que isto procede da mão do verdadeiro Deus. 25Pois, quem come e quem bebe melhor do que eu? » (Eclesiastes 2:24,25). Parece ser um encorajamento para uma vida baseada simplesmente em prazeres, um incentivo ao hedonismo. Devemos considerar o contexto para entender que esse não é o caso. Os versículos anteriores mostram que existem humanos que trabalham duro e que vivem com uma preocupação constante por seu trabalho, sem a possibilidade de aproveitar dos seus frutos. Assim, no caso desses dois extremos, uma vida de trabalho inquieto e uma vida em que se aproveita do fruto do seu trabalho, regozijando-se, essa última alternativa é preferível.
Eclesiastes Capítulo 3: É uma reflexão sobre o tempo e as ocupações humanas que o dividem. Os versículos 1 a 9, mostram que o tempo existe pelas ações que o delimitam. O versículo 11 mostra que Deus deu ao homem essa capacidade espiritual de entender o que é o tempo e a eternidade. Esse conhecimento aumenta ainda mais o sentimento da brevidade da vida. Os versículos 18 a 21, mostram que a morte é o oposto da vida, de modo que, se não há superioridade dos sábios sobre os estúpidos (ver capítulo 2), também não há superioridade do homem sobre o animal:
Para tudo há um tempo determinado, sim, há um tempo para todo assunto debaixo dos céus: 2tempo para nascer e tempo para morrer; tempo para plantar e tempo para desarraigar o que se plantou; 3tempo para matar e tempo para curar; tempo para derrocar e tempo para construir; 4tempo para chorar e tempo para rir; tempo para lamentar e tempo para saltitar; 5tempo para lançar fora pedras e tempo para reunir pedras; tempo para abraçar e tempo para manter-se longe dos abraços; 6tempo para procurar e tempo para dar por perdido; tempo para guardar e tempo para lançar fora; 7tempo para rasgar e tempo para costurar; tempo para ficar quieto e tempo para falar; 8tempo para amar e tempo para odiar; tempo para guerra e tempo para paz. 9Que vantagem tem o realizador naquilo em que trabalha arduamente? 10Vi a ocupação que Deus deu aos filhos da humanidade para se ocuparem nela. 11Tudo ele fez bonito no seu tempo. Pôs até mesmo tempo indefinido no seu coração, para que a humanidade nunca descobrisse o trabalho que o [verdadeiro] Deus tem feito do começo ao fim. 12Vim saber que não há nada melhor para eles do que alegrar-se e fazer o bem durante a sua vida; 13e também que todo homem coma e deveras beba, e veja o que é bom por todo o seu trabalho árduo. É a dádiva de Deus. 14Vim saber que tudo o que o [verdadeiro] Deus faz mostrará ser por tempo indefinido. Não há nada a acrescentar-lhe e não há nada a subtrair-lhe; mas, o próprio [verdadeiro] Deus o fez para que as pessoas tivessem medo por causa dele. 15O que veio a ser, já tem sido, e o que virá a ser, já veio a ser; e o próprio [verdadeiro] Deus continua a procurar aquilo pelo qual há empenho. 16E além disso, vi debaixo do sol o lugar do juízo onde havia iniqüidade e o lugar da justiça onde havia iniqüidade. 17Eu mesmo disse no meu coração: “O [verdadeiro] Deus julgará tanto o justo como o iníquo, pois há um tempo para todo assunto e referente a todo trabalho ali.” 18Eu é que disse no meu coração, com respeito aos filhos da humanidade, que o [verdadeiro] Deus vai selecioná-los, para que vejam que eles mesmos são animais. 19Pois há um evento conseqüente com respeito aos filhos da humanidade e um evento conseqüente com respeito ao animal, e há para eles o mesmo evento conseqüente. Como morre um, assim morre o outro; e todos eles têm apenas um só espírito, de modo que não há nenhuma superioridade do homem sobre o animal, pois tudo é vaidade. 20Todos vão para um só lugar. Todos eles vieram a ser do pó e todos eles retornam ao pó. 21Quem é que conhece o espírito dos filhos da humanidade, se ele vai para cima; e o espírito do animal, se ele vai para baixo, para a terra? 22E eu vi que não há nada melhor do que o homem alegrar-se com o seu trabalho, porque este é seu quinhão; pois, quem o fará entrar para ver o que vai ser após ele?
« Pôs até mesmo tempo indefinido no seu coração » (Eclesiastes 3:11): Deus deu ao homem para entender a noção abstrata do tempo e da eternidade. Esta observação é um ponto importante que mostra que, originalmente, o homem foi criado para viver para « tempo indefinido » ou eternamente (Gênesis 2:7). Como um Deus de amor, poderia ter criado humanos capazes de entender o que é a eternidade, sem poder tirar proveito disso, tendo uma vida de apenas de 70 a 80 anos ou um pouco mais? (Veja a página Por quê? https://yomelias.com/436040683).
« E além disso, vi debaixo do sol o lugar do juízo onde havia iniqüidade e o lugar da justiça onde havia iniqüidade. 17Eu mesmo disse no meu coração: “O verdadeiro Deus julgará tanto o justo como o iníquo, pois há um tempo para todo assunto e referente a todo trabalho ali » (Eclesiastes 3:16,17). Mesmo que a maldade atualmente predomine, no final, Deus pedirá contas a cada humano (Romanos 14:12).
Eclesiastes capítulo 4: é uma breve descrição da condição desesperada dos humanos oprimidos que sofrem tanto que, às vezes, a condição dos mortos que não sofrem mais, é preferível (leia o versículo 2):
E eu mesmo retornei, a fim de ver todos os atos de opressão que se praticam debaixo do sol, e eis as lágrimas dos oprimidos, mas eles não tinham consolador; e do lado dos seus opressores havia poder, de modo que não tinham consolador. 2E congratulei os mortos que já tinham morrido, em vez de os vivos que ainda viviam. 3Portanto, melhor do que ambos [é] aquele que ainda não veio a existir, que não viu o trabalho calamitoso que se faz debaixo do sol. 4E eu mesmo vi todo o trabalho árduo e toda a proficiência no trabalho, que significa rivalidade de um para com o outro; também isto é vaidade e um esforço para alcançar o vento. 5O estúpido cruza as mãos e come a sua própria carne. 6Melhor é um punhado de descanso do que um punhado duplo de trabalho árduo e um esforço para alcançar o vento. 7Eu mesmo retornei para ver a vaidade debaixo do sol: 8Existe um, mas não há um segundo; tampouco tem ele filho ou irmão, mas não há fim de seu trabalho árduo. Também, os próprios olhos dele não se fartam de riquezas: “E para quem trabalho arduamente e faço a minha alma carecer de coisas boas?” Também isto é vaidade e é uma ocupação calamitosa. 9Melhor dois do que um, porque eles têm boa recompensa pelo seu trabalho árduo. 10Pois, se um deles cair, o outro pode levantar seu associado. Mas, como será com apenas aquele um que cai, não havendo outro para levantá-lo? 11Ademais, se dois se deitarem juntos, então certamente se aquecerão; mas, como pode apenas um manter-se aquecido? 12E se alguém levar de vencida a um que está só, dois juntos poderiam manter-se de pé contra ele. E um cordão tríplice não pode ser prontamente rompido em dois. 13Melhor é o filho necessitado, mas sábio, do que um rei velho, mas estúpido, que não veio saber o bastante para ser ainda avisado. 14Pois ele saiu da própria casa dos presos para tornar-se rei, embora no reinado deste ele tenha nascido como alguém de poucos meios. 15Vi todos os vivos que estão andando debaixo do sol, [como vai] ao filho que é o segundo, que se põe de pé no lugar do outro. 16Não há fim de todo o povo, de todos os diante dos quais ele vem a estar; nem se alegrarão depois as pessoas com ele, porque também isto é vaidade e um esforço para alcançar o vento.
Os últimos versículos do capítulo 4 (13-16) mostram o que pode ser responsável da condição dos oprimidos… muitas vezes são governados por bandidos que não têm legitimidade para reinar como rei: « Pois ele saiu da própria casa dos presos para tornar-se rei, embora no reinado deste ele tenha nascido como alguém de poucos meios » (Eclesiastes 4:14). Não faltam os exemplos na história do mundo, mostrando que os povos costumam ser governados por verdadeiros bandidos, psicopatas que massacraram centenas, milhares, até milhões de humanos, em campos de trabalho ou campos de concentração. A mediocridade desses indivíduos opressivos é comparável à do humano que é o segundo e que usurpa o lugar do primeiro: « Vi todos os vivos que estão andando debaixo do sol, como vai ao filho que é o segundo, que se põe de pé no lugar do outro » (Eclesiastes 4:15).
Eclesiastes capítulo 5: é uma compilação de sentenças proverbiais muito semelhantes ao livro bíblico de Provérbios. No entanto, o que surge de maneira importante é que, quando oramos a Deus, querendo, por exemplo, fazer um voto, é necessário ter muito cuidado com o que vamos a dizer. Para Deus, cada palavra que sai da nossa boca tem importância. Assim, quem faz um voto diante de Deus, não há nenhuma possibilidade de mudar as palavras:
Guarda os teus pés, sempre que fores à casa do verdadeiro Deus; e haja um achegamento para ouvir, em vez de se dar um sacrifício como fazem os estúpidos, pois não se apercebem de que fazem o que é mau. 2Não te precipites com respeito à tua boca; e quanto ao teu coração, não o deixes apressar-se a produzir uma palavra diante do verdadeiro Deus. Pois o verdadeiro Deus está nos céus, mas tu estás na terra. Por isso é que as tuas palavras devem mostrar ser poucas. 3Pois o sonho certamente chega por causa da abundância de ocupação, e a voz do estúpido, por causa da abundância de palavras. 4Sempre que fizeres um voto a Deus, não hesites em pagá-lo, pois não há agrado nos estúpidos. O que votares, paga. 5Melhor é que não votes, do que votares e não pagares. 6Não permitas que a tua boca faça a tua carne pecar, nem digas diante do anjo que foi um engano. Por que devia o verdadeiro Deus ficar indignado por causa da tua voz e ter de estragar o trabalho das tuas mãos? 7Pois, por causa da abundância [de ocupação] há sonhos, e há vaidades e palavras em abundância. Mas teme o próprio [verdadeiro] Deus. 8Se vires o de poucos meios sofrer opressão, e o arrebatamento violento do juízo e da justiça num distrito jurisdicional, não fiques pasmado com o assunto, pois alguém que é mais alto do que o alto está vigiando, e há os que estão alto por cima deles. 9Também, o proveito da terra está entre eles todos; pois, por um campo, o próprio rei foi servido. 10O mero amante da prata não se fartará de prata, nem o amante da opulência, da renda. Também isto é vaidade. 11Quando as coisas boas se tornam muitas, os que as comem certamente se tornam muitos. E que vantagem há nisso para o grandioso dono delas, exceto olhar [para elas] com os seus olhos? 12Doce é o sono de quem serve, quer seja pouco quer muito o que ele come; mas a fartura do rico não o deixa dormir. 13Há uma grave calamidade que tenho visto debaixo do sol: riquezas guardadas para o seu grandioso dono, para a sua calamidade. 14E estas riquezas pereceram por causa duma ocupação calamitosa, e ele se tornou pai de um filho quando não há absolutamente nada na sua mão. 15Assim como se saiu do ventre da mãe, nu se irá novamente embora, assim como se veio; e não se pode levar absolutamente nada pelo seu trabalho árduo, que se possa levar junto na mão. 16E também isto é uma grave calamidade: exatamente assim como se veio, assim se irá embora; e que proveito há para quem continua a trabalhar arduamente para o vento? 17Também, todos os seus dias ele come na própria escuridão, com muito vexame, com doença da sua parte e com causa para indignação. 18Eis que a melhor coisa que eu mesmo vi, que é bonita, é que a pessoa coma, e beba, e veja o que é bom por toda a sua labuta com que trabalha arduamente debaixo do sol pelo número dos dias da sua vida que o verdadeiro Deus lhe deu, pois este é seu quinhão. 19Também, todo homem a quem o verdadeiro Deus tem dado riquezas e bens materiais, ele até mesmo habilitou a comer disso, e a levar o seu quinhão, e a alegrar-se no seu trabalho árduo. Esta é a dádiva de Deus. 20Pois não é muitas vezes que ele se lembrará dos dias da sua vida, porque o verdadeiro Deus o preocupa com a alegria do seu coração.
Alguns pontos salientes do capítulo, sem comentar sistematicamente todos eles, mas como um tema de meditação:
« Também, o proveito da terra está entre eles todos; pois, por um campo, o próprio rei foi servido » (Eclesiastes 5:9). Qualquer que seja o sistema econômico estabelecido pelos homens, eles sempre dependerão da terra nutritiva, das terras agrícolas, e até os reis não escapam dessa lei…
« Doce é o sono de quem serve, quer seja pouco quer muito o que ele come; mas a fartura do rico não o deixa dormir » (Eclesiastes 5:12)…
« Assim como se saiu do ventre da mãe, nu se irá novamente embora, assim como se veio; e não se pode levar absolutamente nada pelo seu trabalho árduo, que se possa levar junto na mão » (Eclesiastes 5:15)… « E também isto é uma grave calamidade: exatamente assim como se veio, assim se irá embora; e que proveito há para quem continua a trabalhar arduamente para o vento? 17Também, todos os seus dias ele come na própria escuridão, com muito vexame, com doença da sua parte e com causa para indignação » (Eclesiastes 5:16,17)…
« Pois, por causa da abundância de ocupação há sonhos, e há vaidades e palavras em abundância » (Eclesiastes 5:7). Conforme a Bíblia, a maioria dos sonhos, no começo de dormir ou pouco antes de acordar, não são premonitórios. Os sonhos são o resultado da atividade cerebral feita, de armazenamento de acontecimentos acumulados na memória durante o dia da ocupação, geralmente surreal, até artístico…
Eclesiastes capítulo 6: é o tema de aproveitar ou não aproveitar do fruto de seu trabalho. Um homem pode não ver o bom resultado de seu trabalho, pelo fato do que Deus causar essa situação, ou pode ser que o próprio homem se colocou nessa situação. De qualquer forma, em ambos os casos, é uma expressão do que é absurdo:
Há uma calamidade que tenho visto debaixo do sol, e ela é freqüente entre a humanidade: 2um homem a quem o verdadeiro Deus dá riquezas, e bens materiais, e glória, e que, para a sua alma, não carece de nada de que se mostre almejante, contudo, o verdadeiro Deus não o habilita a comê-lo, embora o mero estrangeiro o possa comer. Isto é vaidade e é uma séria doença. 3Se um homem se tornasse pai cem vezes e vivesse muitos anos, ainda que se tornassem numerosos os dias dos seus anos, contudo, a sua própria alma não se fartasse de coisas boas e mesmo o sepulcro não se tornasse seu, tenho de dizer que o nascido prematuramente é melhor do que ele. 4Pois este veio em vão e se vai em escuridão, e seu próprio nome será coberto com escuridão. 5Não viu nem o próprio sol, nem o conheceu. Este é que tem descanso em vez de o outro. 6Mesmo supondo-se que ele vivesse mil anos duas vezes e ainda assim não visse o que é bom, não é apenas para um só lugar que todos vão? 7Todo o trabalho árduo da humanidade é para a sua boca, porém, nem mesmo a sua própria alma se enche. 8Pois, que vantagem tem o sábio sobre o estúpido? Que tem o atribulado por saber como andar diante dos viventes? 9Melhor é a vista dos olhos do que as perambulações da alma. Também isto é vaidade e um esforço para alcançar o vento. 10O que veio a ser, seu nome já foi pronunciado, e tornou-se conhecido o que o homem é; e ele não pode pleitear a sua causa com alguém mais poderoso do que ele. 11Visto que há muitas coisas que causam muita vaidade, que vantagem tem o homem? 12Pois, quem é que conhece o bem que o homem tem na vida durante o número dos dias da sua vida vã, sendo que os gasta como a sombra? Pois, quem pode informar o homem sobre o que acontecerá após ele debaixo do sol?
« Melhor é a vista dos olhos do que as perambulações da alma. Também isto é vaidade e um esforço para alcançar o vento » (Eclesiastes 6:9). Uma vida com um objetivo específico é melhor do que uma vida sem nenhum propósito, vazia…
« Visto que há muitas coisas que causam muita vaidade, que vantagem tem o homem? 12Pois, quem é que conhece o bem que o homem tem na vida durante o número dos dias da sua vida vã, sendo que os gasta como a sombra? Pois, quem pode informar o homem sobre o que acontecerá após ele debaixo do sol? » (Eclesiastes 6:11,12). É uma forma de repetição do tema central do livro Eclesiastes, sobre a vaidade da existência do homem condenado e sujeito, apesar de si, à lei mortal do pecado herdado de Adão (Eclesiastes 1:2; Romanos 5:12).
Eclesiastes capítulo 7: é a mesma estrutura que o Livro de Provérbios, com suas sentenças proverbiais. No entanto, podemos observar um tema proverbial dominante, a saber, o fim dum evento ou duma coisa, é preferível do que, o início:
Um nome é melhor do que bom óleo, e o dia da morte [é melhor] do que o dia em que se nasce. 2Melhor é ir à casa de luto, do que ir à casa de banquete, porque esse é o fim de toda a humanidade; e quem está vivo deve tomar isso ao coração. 3Melhor o vexame do que o riso, pois pelo aborrecimento da face melhora o coração. 4O coração dos sábios está na casa de luto, mas o coração dos estúpidos está na casa de alegria. 5Melhor é ouvir a censura de um sábio, do que ser o homem que ouve o canto dos estúpidos. 6Pois, igual ao ruído de espinhos sob a panela é o riso do estúpido; e também isto é vaidade. 7Pois a mera opressão pode fazer o sábio agir como doido, e uma dádiva pode destruir o coração. 8Melhor é o fim posterior dum assunto do que o seu princípio. Melhor é aquele que é paciente do que o soberbo no espírito. 9Não te precipites no teu espírito em ficar ofendido, pois ficar ofendido é o que descansa no seio dos estúpidos. 10Não digas: “Por que aconteceu que os dias anteriores mostraram ser melhores do que estes?” pois não é por sabedoria que perguntas sobre isso. 11A sabedoria junto com uma herança é boa e vantajosa para os que vêem o sol. 12Pois a sabedoria é para proteção, assim como o dinheiro é para proteção; mas a vantagem do conhecimento é que a própria sabedoria preserva vivos os que a possuem. 13Vê o trabalho do verdadeiro Deus, pois quem pode endireitar o que ele entortou? 14Num dia bom mostra-te em bondade, e num dia calamitoso, vê que o verdadeiro Deus fez até mesmo este exatamente como aquele, com o objetivo de que os da humanidade não descobrissem absolutamente nada depois deles. 15Tenho visto tudo durante os meus dias vãos. Há o justo perecendo na sua justiça e há o iníquo continuando longamente na sua maldade. 16Não fiques justo demais, nem te mostres excessivamente sábio. Por que devias causar a ti mesmo a desolação? 17Não sejas iníquo demais, nem te tornes estulto. Por que devias morrer, sendo que não é o teu tempo? 18Melhor é segurares um, mas tampouco retires a tua mão do outro; pois quem teme a Deus sairá com todos eles. 19A própria sabedoria é mais forte para o sábio do que dez homens em poder, que venham a estar numa cidade. 20Pois não há nenhum homem justo na terra, que continue fazendo o bem e que não peque. 21Também, não entregues teu coração a todas as palavras que se falam, para que não ouças teu servo invocar o mal sobre ti. 22Pois o teu coração bem sabe, até muitas vezes, que tu, sim tu, tens invocado o mal sobre outros. 23Tudo isto eu pus à prova com sabedoria. Eu disse: “Vou tornar-me sábio.” Mas isso estava longe de mim. 24O que veio a ser está longe e extremamente profundo. Quem o pode descobrir? 25Eu mesmo me voltei, sim, meu coração o fez, para saber, e para perscrutar, e para procurar a sabedoria e a razão das coisas, e para conhecer a iniqüidade da estupidez e a estultícia da doidice; 26e eu descobri: Mais amarga do que a morte [achei] a mulher que ela mesma é redes de caça, e cujo coração é redes de arrasto, [e] cujas mãos são grilhões. Bom diante do verdadeiro Deus é quem dela escapa, mas peca aquele que é capturado por ela. 27“Vê! Isto eu achei”, disse o congregante, “uma coisa [tomada] após outra, para achar o resultado, 28que minha alma tem procurado continuamente, mas que não achei. Achei um homem em mil, mas não achei uma mulher entre todas estas. 29Vê! Achei somente o seguinte: que o verdadeiro Deus fez a humanidade reta, mas eles mesmos têm procurado muitos planos”.
« Um nome é melhor do que bom óleo, e o dia da morte [é melhor] do que o dia em que se nasce » (Eclesiastes 7:1-4). É no final da vida que alguém tem um bom nome ou uma boa reputação (ou ruim) diante de Deus e os homens. Dado que a morte faz parte naturalmente da condição humana, é necessário, às vezes, pensar neste tema, especialmente quando se acompanha parentes ou amigos, na expressão de seu luto, devido à perda dum familiar. O fato de querer negar essa realidade, levando uma vida essencialmente orientada em prazeres, sem qualquer reflexão sobre o assunto, é completamente estúpido: « Melhor o vexame do que o riso, pois pelo aborrecimento da face melhora o coração. 4 O coração dos sábios está na casa de luto, mas o coração dos estúpidos está na casa de alegria » (Eclesiastes 7:3,4).
« Pois a mera opressão pode fazer o sábio agir como doido, e uma dádiva pode destruir o coração » (Eclesiastes 7:7). Um sofrimento físico e emocional extremo pode resultar na perda do equilíbrio psicológico e mental, até espiritual duma pessoa com a reputação de ser sábia (veja o exemplo de Asaf nos Salmos 73).
« Tenho visto tudo durante os meus dias vãos. Há o justo perecendo na sua justiça e há o iníquo continuando longamente na sua maldade » (Eclesiastes 7:15). Há uma sentença proverbial semelhante no capítulo 8: « Há uma vaidade que se realiza na terra, que há justos a quem acontece como que pelo trabalho dos iníquos e há iníquos a quem acontece como que pelo trabalho dos justos. Eu disse que também isto é vaidade » (Eclesiastes 8:14). A condição humana absurda na qual o homem vive, criou situações aberrantes, os justos que morrem prematuramente devido a sua justiça e os bandidos que conseguem viver por um longo tempo. Os justos que tiveram uma vida de sofrimentos e uma morte horrível em trabalhos forçados, em campos de concentração para não se comprometer com sua consciência, enquanto os torturadores morreram aconchegantes em sua cama, depois duma boa velhice. Às vezes, a visão das coisas é completamente revertida por inversão acusatória e por inversão de valores (leia Isaías 5:20). Esta é outra expressão revoltante do absurdo da condição humana atual (leia Habacuque 1:2-4).
« Não fiques justo demais, nem te mostres excessivamente sábio. Por que devias causar a ti mesmo a desolação? » (Eclesiastes 7:16). Este texto mostra que uma rigidez mental que até tende ao que é certo pode criar sérios problemas de relacionamento. O melhor exemplo é o dos fariseus da época de Jesus Cristo, que acabavam tendo uma opinião alta de sua pessoa, enquanto desprezavam aqueles que não eram como eles (leia Lucas 18:9-14).
Eclesiastes capítulo 8: « Quem é igual ao sábio? E quem sabe a interpretação duma coisa? A sabedoria do próprio homem lhe faz brilhar a face, e até mesmo a severidade da sua face muda para melhor » (Eclesiastes 8:1). A expressão da superioridade da sabedoria é expressa de várias maneiras no capítulo 8:
Quem é igual ao sábio? E quem sabe a interpretação duma coisa? A sabedoria do próprio homem lhe faz brilhar a face, e até mesmo a severidade da sua face muda para melhor. 2Eu digo: “Guarda a própria ordem do rei, e isso de consideração para com o juramento de Deus. 3Não te precipites, para que não saias de diante dele. Não fiques de pé numa coisa má. Pois fará tudo o que se agradar de fazer, 4porque a palavra do rei é o poder do controle; e quem lhe pode dizer: ‘Que estás fazendo?’” 5Quem guarda o mandamento não ficará conhecendo nenhuma coisa calamitosa, e o coração sábio conhecerá tanto o tempo como o julgamento. 6Pois para todo assunto há um tempo e um julgamento, visto que a calamidade da humanidade é abundante sobre eles. 7Porque ninguém sabe o que virá a ser, pois quem pode informá-lo exatamente sobre como virá a ser? 8Não há homem que tenha poder sobre o espírito para reprimir o espírito; nem há poder de controle no dia da morte; nem há qualquer dispensa na guerra. E a iniqüidade não porá a salvo os que se entregam a ela. 9Tudo isto eu tenho visto, e houve um empenho do meu coração em todo o trabalho que se tem feito debaixo do sol, [durante] o tempo em que homem tem dominado homem para seu prejuízo. 10Mas, embora isto seja assim, tenho visto os iníquos serem enterrados, como entraram e como se foram do próprio lugar santo, e foram esquecidos na cidade em que agiam assim. Também isto é vaidade. 11Por não se ter executado prontamente a sentença contra um trabalho mau é que o coração dos filhos dos homens ficou neles plenamente determinado a fazer o mal. 12Embora o pecador faça o mal cem vezes e continue por longo tempo conforme quiser, contudo, estou também apercebido de que resultará em bem para os que temem o [verdadeiro] Deus, porque têm tido temor dele. 13Mas não resultará em nada de bom para o iníquo, nem prolongará ele os seus dias, que são como uma sombra, porque ele não tem temor de Deus. 14Há uma vaidade que se realiza na terra, que há justos a quem acontece como que pelo trabalho dos iníquos e há iníquos a quem acontece como que pelo trabalho dos justos. Eu disse que também isto é vaidade. 15E eu mesmo gabei a alegria, porque a humanidade não tem nada melhor debaixo do sol do que comer, e beber, e alegrar-se, e que isto os acompanhe no seu trabalho árduo pelos dias da sua vida, que o verdadeiro Deus lhes deu debaixo do sol. 16De acordo com isto, empenhei meu coração em conhecer a sabedoria e em ver a ocupação em que se trabalha na terra, porque há um que não vê sono com os seus olhos, quer de dia quer de noite. 17E eu vi todo o trabalho do verdadeiro Deus, que a humanidade não é capaz de descobrir o trabalho que se fez debaixo do sol; por mais que a humanidade trabalhe arduamente para procurar, ainda assim não o descobre. E mesmo que dissessem que são bastante sábios para saber, não seriam capazes de o descobrir.
« Por não se ter executado prontamente a sentença contra um trabalho mau é que o coração dos filhos dos homens ficou neles plenamente determinado a fazer o mal » (Eclesiastes 8:11). Nos países cuja legislação é frouxa para os infratores geram, de fato, sempre mais delinquência.
« Tudo isto eu tenho visto, e houve um empenho do meu coração em todo o trabalho que se tem feito debaixo do sol, durante o tempo em que homem tem dominado homem para seu prejuízo » (Eclesiastes 8:9). Os milhares de páginas de livros de história, existem para testemunhar que as classes dominantes, muitas vezes fizeram com que os povos sofreram, se aproveitam deles para seu lucro (ver Ezequiel, capítulo 34)…
« E eu vi todo o trabalho do verdadeiro Deus, que a humanidade não é capaz de descobrir o trabalho que se fez debaixo do sol; por mais que a humanidade trabalhe arduamente para procurar, ainda assim não o descobre. E mesmo que dissessem que são bastante sábios para saber, não seriam capazes de o descobrir » (Eclesiastes 8:17). O grande conhecimento, criou uma sensação oposta, de não saber muito. Quanto mais buscamos ou estudamos um assunto, mais há outras portas de pesquisa que se abrem, o que dá ao pesquisador, a sensação de que ele não encontrou muito.
Eclesiastes capítulo 9: é o tema do fim da vida, e também da casualidade dos acontecimentos imprevistos que podem mudar a existência:
Pois, tomei tudo isso ao coração, sim, para esquadrinhar tudo isso, que os justos e os sábios, bem como suas obras, estão na mão do [verdadeiro] Deus. A humanidade não está apercebida nem do amor nem do ódio que todos eram anteriores a eles. 2Todos são iguais naquilo que todos têm. Um só é o evento conseqüente para o justo e para o iníquo, para o bom, e para o puro e para o impuro, e para aquele que oferece sacrifícios e para aquele que não oferece sacrifícios. O bom é igual ao pecador; quem jura é igual ao que tem estado com medo duma declaração juramentada. 3Isto é o que é calamitoso em tudo o que se tem feito debaixo do sol, que, por haver um só evento conseqüente para todos, o coração dos filhos dos homens está também cheio do mal; e há doidice no seu coração durante a sua vida, e depois dela — rumo aos mortos! 4Pois, quanto àquele que está unido a todos os viventes, há confiança, porque melhor está o cão vivo do que o leão morto. 5Pois os viventes estão cônscios de que morrerão; os mortos, porém, não estão cônscios de absolutamente nada, nem têm mais salário, porque a recordação deles foi esquecida. 6Também seu amor, e seu ódio, e seu ciúme já pereceram, e por tempo indefinido eles não têm mais parte em nada do que se tem de fazer debaixo do sol. 7Vai, come o teu alimento com alegria e bebe o teu vinho com um bom coração, porque o [verdadeiro] Deus já achou prazer nos teus trabalhos. 8Em toda ocasião, mostrem ser brancas as tuas vestes e não falte óleo sobre a tua cabeça. 9Vê a vida com a esposa que amas, todos os dias da tua vida vã que Ele te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade, pois este é o teu quinhão na vida e na tua labuta em que trabalhas arduamente debaixo do sol. 10Tudo o que a tua mão achar para fazer, faze-o com o próprio poder que tens, pois não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria no Seol, o lugar para onde vais. 11Retornei para ver debaixo do sol que a corrida não é dos ligeiros, nem a batalha dos poderosos, nem tampouco são os sábios os que têm alimento, nem tampouco são os entendidos os que têm riquezas, nem mesmo os que têm conhecimento têm o favor; porque o tempo e o imprevisto sobrevêm a todos eles. 12Pois o homem tampouco sabe o seu tempo. Iguais aos peixes que estão sendo apanhados numa rede má e como os pássaros que estão sendo apanhados numa armadilha, assim os próprios filhos dos homens estão sendo enlaçados num tempo calamitoso, quando cai sobre eles repentinamente. 13Vi também o seguinte com respeito à sabedoria debaixo do sol — e ela era grande para mim: 14Havia uma pequena cidade e os homens nela eram poucos; e chegou a ela um grande rei, e cercou-a, e construiu contra ela grandes fortalezas. 15E achava-se nela um homem, necessitado, mas sábio, e este pôs a cidade a salvo com a sua sabedoria. Mas homem algum se lembrou daquele homem necessitado. 16E eu mesmo disse: “A sabedoria é melhor do que a potência; no entanto, a sabedoria do necessitado é desprezada e não se escutam as suas palavras.” 17As palavras dos sábios, em tranqüilidade, são ouvidas mais do que o clamor de quem governa entre gente estúpida. 18A sabedoria é melhor do que os apetrechos para a peleja, e um único pecador pode destruir a muito bem.
No exame do capítulo 3:19-21, fica claro que a morte é o oposto da vida: « Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem absolutamente nada, nem têm mais recompensa, porque toda lembrança deles caiu no esquecimento. (…) Tudo o que a sua mão achar para fazer, faça-o com toda a sua força, pois não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria na Sepultura, o lugar para onde você vai » (Eclesiastes 9:5,10). Essa ideia é repetida no capítulo 9. No entanto, há muitos testemunhos que parecem dizer o contrário? De fato, a Bíblia menciona que os humanos poderiam « consultar os mortos » (Deuteronômio 18:9-13). No entanto, essa prática, de consultar os mortos, é, conforme o contexto de Deuteronômio 18, classificada como oculta, ou seja, com o relacionamento direto com os demônios ou os anjos rebeldes. A Bíblia designa claramente os promotores dessa mentira que deixam entender que a morte é um estágio que leva a outra vida, sendo Satanás, o Diabo e os Demônios. Estes são impostores demoníacos que fingem ser os falecidos que falariam ou entrariam em contato com os vivos. O segundo testemunho, dessa prática de consultar os mortos com o ocultismo, é o do rei Saul, que procurou entrar em contato com o morto « Samuel », através duma mulher espiritista (1 Samuel 28:3,11).
“E eu vi mais outra coisa debaixo do sol: os velozes nem sempre vencem a corrida, e nem sempre os fortes vencem a batalha; os sábios nem sempre têm alimento, os inteligentes nem sempre têm riquezas, os que têm conhecimento nem sempre têm sucesso; porque o tempo e o imprevisto sobrevêm a todos eles. Pois o homem não sabe a sua hora. Assim como os peixes são apanhados numa rede cruel e os pássaros são apanhados numa armadilha, assim os filhos dos homens são enlaçados na hora da desgraça, quando ela lhes sobrevém de repente » (Eclesiastes 9:11,12). O sofrimento pode ser o resultado de « tempo e eventos imprevistos » que fazem que a pessoa esteja num lugar errado num momento errado. Em nenhum momento Jesus Cristo sugeriu que as vítimas de acidentes ou desastres naturais pecaram mais do que outras, ou mesmo que Deus fez com que tais eventos punissem os pecadores. Quer sejam doenças, acidentes ou desastres naturais, não é Deus quem os causa e as vítimas não pecaram mais do que os outros.
« A sabedoria é melhor do que a potência; no entanto, a sabedoria do necessitado é desprezada e não se escutam as suas palavras » (Eclesiastes 9:13-16). A observação atual é a seguinte: poucas pessoas perguntam o ponto de vista dum homem necessitado a pesar do que ele seja muito sábio. Por outro lado, vemos pessoas muito ricas, muitas vezes sem instruções, às vezes até estúpidas, que expressam seu ponto de vista, dando conselhos para a população.
Eclesiastes capítulo 10: é uma série de frases proverbiais, e vamos ver alguns pontos interessantes:
Moscas mortas fazem o óleo do fabricante de ungüento cheirar mal, borbulhar. Assim faz um pouco de estultícia àquele que é precioso pela sabedoria e pela glória. 2O coração do sábio está à sua direita, mas o coração do estúpido está à sua esquerda. 3E também, qualquer que seja o caminho em que o estulto andar, seu próprio coração é falto, e ele certamente diz a todos que é estulto. 4Se o espírito de um governante se levantar contra ti, não deixes o teu próprio lugar, pois a própria calma aquieta grandes pecados. 5Existe algo calamitoso que tenho visto debaixo do sol, como quando há um engano que se propaga por causa de quem está em poder: 6A estultícia tem sido posta em muitas posições elevadas, mas os próprios ricos continuam morando apenas numa condição rebaixada. 7Vi servos sobre cavalos, mas príncipes andando na terra como se fossem servos. 8Quem cava um buraco, cairá nele; e quem rompe por um muro de pedras, a este morderá uma serpente. 9Quem extrai pedras, ferir-se-á com elas. Quem racha toras, terá de ter cuidado com elas. 10Se uma ferramenta ficou embotada e alguém não lhe amolou o fio, então terá de usar as suas próprias energias vitais. De modo que usar de sabedoria para bom êxito significa uma vantagem. 11Se a serpente morde quando não se produz encantamento, então não há vantagem para quem se empenha na língua. 12As palavras da boca do sábio significam favor, mas os lábios do estúpido o engolem. 13O início das palavras da sua boca é estultícia, e o fim posterior da sua boca é doidice calamitosa. 14E o estulto fala muitas palavras. O homem não sabe o que virá a ser; e daquilo que virá a ser após ele, quem o pode informar? 15O trabalho árduo dos estúpidos os fatiga, porque ninguém ficou sabendo como ir à cidade. 16O que será de ti, ó terra, quando teu rei é rapaz e os teus próprios príncipes continuam a comer até mesmo de manhã? 17Feliz és, ó terra, quando teu rei é filho de nobres e teus próprios príncipes comem no tempo devido para [ter] potência, não para somente beber. 18Pela grande preguiça arria o vigamento, e pelo abaixamento das mãos a casa tem goteiras. 19O pão é para o riso dos trabalhadores, e o próprio vinho alegra a vida; mas o dinheiro é o que encontra resposta em todas as coisas. 20Não invoques o mal sobre o próprio rei nem mesmo no teu quarto de dormir, e não invoques o mal sobre o rico nos quartos interiores, onde te deitas; pois uma criatura voadora dos céus transmitirá o som e o que tem asas contará o assunto.
« O coração do sábio está à sua direita, mas o coração do estúpido está à sua esquerda. 3 E também, qualquer que seja o caminho em que o estulto andar, seu próprio coração é falto, e ele certamente diz a todos que é estulto » (Eclesiastes 10:2,3). O versículo três parece especificar o significado do versículo 2. O coração, a direita e a esquerda, devem ser tomadas num sentido simbólico. O coração simboliza, nesse contexto, a capacidade de tomar boas ou más decisões. A esquerda parece simbolizar a estupidez ou a falta de jeito. Geralmente, os seres humanos são destros e a direita pode significar o que é realizado com habilidade e sabedoria. Enquanto as coisas feitas com a mão esquerda podem ser feitas desajeitadamente. Em outro contexto bíblico, Jesus Cristo simbolizou a direita sendo a aprovação de Deus e a esquerda, a desaprovação, na ilustração das ovelhas e os cabritos (Mateus 25:31-46).
« Vi servos sobre cavalos, mas príncipes andando na terra como se fossem servos » (Eclesiastes 10:7). Frequentemente, nesse sistema de coisas, há uma inversão de valores (Isaías 5:20). Um humano íntegro, como um príncipe, pode ser tratado como um simples servo e com desprezo, enquanto os seres humano só capazes de serem servos, às vezes podem ser vistos como príncipes. Isso é uma repetição, um pouco diferente, de Eclesiastes 7:15 e 8:14.
« Não invoques o mal sobre o próprio rei nem mesmo no teu quarto de dormir, e não invoques o mal sobre o rico nos quartos interiores, onde te deitas; pois uma criatura voadora dos céus transmitirá o som e o que tem asas contará o assunto » (Eclesiastes 10:20). Geralmente, as coisas confidenciais, com o tempo, acabam sendo conhecidas segundo Jesus Cristo: « Pois, não há nada escondido que não se torne manifesto, tampouco há nada cuidadosamente oculto que nunca se torne conhecido e nunca venha à tona » (Lucas 8:17).
Eclesiastes Capítulo 11: É o tema geral deste capítulo que ilustra que a perseverança é frequentemente recompensada, basta ser paciente:
Envia teu pão sobre a superfície das águas, pois no decorrer de muitos dias o acharás de novo. 2Dá um quinhão a sete ou mesmo a oito, pois não sabes que calamidade ocorrerá na terra. 3Se as nuvens estiverem cheias de água, é um aguaceiro que despejarão sobre a terra; e se a árvore cair para o sul ou se cair para o norte, no lugar onde a árvore cair, ali mostrará estar. 4Quem vigiar o vento, não semeará; e quem olhar para as nuvens, não ceifará. 5Assim como não te apercebes de qual é o caminho do espírito nos ossos, no ventre daquela que está grávida, assim tampouco conheces o trabalho do verdadeiro Deus, que faz todas as coisas. 6Semeia de manhã a tua semente, e não descanse a tua mão até a noitinha; pois não sabes onde esta terá bom êxito, quer aqui quer ali, ou se ambas serão igualmente boas. 7A luz também é doce, e é bom para os olhos verem o sol; 8pois, mesmo que o homem viva muitos anos, alegre-se ele em todos eles. E lembre-se ele dos dias de escuridão, embora possam ser muitos; cada dia que chega é vaidade. 9Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e faça-te bem o teu coração nos dias da tua idade viril, e anda nos caminhos de teu coração e nas coisas vistas pelos teus olhos. Mas sabe que por todos estes o verdadeiro Deus te levará a juízo. 10Portanto, remove de teu coração o vexame e afasta de tua carne a calamidade; pois a juventude e o primor da mocidade são vaidade.
« Quem vigiar o vento, não semeará; e quem olhar para as nuvens, não ceifará » (Eclesiastes 11:4). Alguém que está constantemente examinando uma situação antes de agir, parece mostrar um medo ao fracasso. É importante saber como correr riscos quando se realiza um projeto, sem aguardar constantemente que todas as condições sejam atendidas para agir. Se estivermos na disposição da mente, do zero risco, não faremos muito na vida, « quem olhar para as nuvens, não ceifará ».
Eclesiastes capítulo 12: é a conclusão poética do livro de Eclesiastes que nos incentiva a tirar proveito de nossa existência relativamente breve para servir a Deus. É aconselhável tirar proveito da juventude, das capacidades físicas, mentais, espirituais, e colocá-las ao serviço de nosso Criador, com a capacidade de nos devolver a vida, concedendo-nos a vida eterna:
“Lembra-te, pois, do teu Grandioso Criador nos dias da tua idade viril, antes que passem a vir os dias calamitosos ou cheguem os anos em que dirás: “Não tenho agrado neles”; 2 antes que escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e retornem as nuvens, depois o aguaceiro; 3 no dia em que trepidam os guardiães da casa, e se tiverem dobrado os homens de energia vital e tiverem cessado de trabalhar as moedoras por se terem tornado poucas, e as damas olhando pelas janelas o acharem escuro; 4 e as portas que dão à rua tiverem sido fechadas, quando o ruído da moenda fica baixo e a pessoa se levanta ao som de um pássaro, e todas as filhas do cântico soam baixo. 5 Também, ficaram com medo do que é meramente alto, e há terrores no caminho. E a amendoeira carrega flores, e o gafanhoto se arrasta, e o fruto da alcaparra rebenta, porque o homem caminha para a sua casa de longa duração e os lamentadores têm marchado em volta na rua; 6 antes que se remova a corda de prata, e se esmague a tigela de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e tenha sido esmagada a roda de água para a cisterna. 7 Então o pó retorna à terra, assim como veio a ser, e o próprio espírito retorna ao [verdadeiro] Deus que o deu.
8 “A maior das vaidades!” disse o congregante: “Tudo é vaidade.”
9 E além do fato de que o congregante se tornara sábio, ele ensinou também ao povo continuamente o conhecimento, e ponderou e fez uma investigação cabal, a fim de pôr em ordem muitos provérbios. 10 O congregante procurou achar palavras deleitosas e a escrita de palavras corretas de verdade.
11 As palavras dos sábios são como aguilhadas, e como pregos bem fixos são os que se entregam a fazer coleções [de sentenças]; foram dadas por um só pastor. 12 No que se refere a qualquer coisa além delas, filho meu, sê avisado: De se fazer muitos livros não há fim, e muita devoção [a eles] é fadiga para a carne.
13 A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o [verdadeiro] Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda [a obrigação] do homem. 14 Pois o próprio [verdadeiro] Deus levará toda sorte de trabalho a julgamento com relação a toda coisa oculta, quanto a se é bom ou mau” (Eclesiastes capítulo 12).
Neste capítulo, há uma descrição metafórica da velhice, quando alguém não tem mais agrado (versículo 1). No momento em que perde gradualmente a visão (versículo 2), quando as mãos estão a tremer, as costas se curvam, os dentes caem, os olhos perdem a acuidade visual (versículo 3), a perda progressiva da audição (versículo 4), a perda do equilibrado, o cabelo branco, a perda da agilidade das pernas, que gradualmente o levam ao destino, à tumba (versículo 5-7). Isso significa que o tema do começo (Eclesiastes 1:2), é repetido: « A maior das vaidades!” disse o congregante: “Tudo é vaidade” (Eclesiastes 12:8). Portanto, aqui está a conclusão que permite entender qual deve ser a escolha dum humano que gostaria de dar um significado verdadeiro à sua vida:
« A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem. 14 Pois o próprio verdadeiro Deus levará toda sorte de trabalho a julgamento com relação a toda coisa oculta, quanto a se é bom ou mau » (Eclesiastes 12:13,14).
Este é o relato emocionante da expressão dos sentimentos românticos duma jovem para um pastor, a Sulamita da cidade de Suném. No entanto, enquanto Salomão está passando por essa região, ele vê a beleza da donzela. Ele a convida para seu acampamento, na companhia das damas da corte, a fim de cortejá-la. E então ele a leva para Jerusalém, longe daquele que ela ama, seu amado pastor. Neste Cântico, nem sempre é fácil determinar quem intervém. É o que é dito, que permite saber quem está a expressar-se. Nas diferentes situações, as personagens serão mencionadas antes.
A Sulamita está no acampamento de Salomão, na companhia das Damas da corte. O rei Salomão pela primeira vez corteja a Sulamita. No entanto, fica claro que os pensamentos da Sulamita vão para seu humilde pastor, seu amado:
« O cântico superlativo, que é de Salomão: 2 “Beije-me ele com os beijos da sua boca, porque as tuas expressões de afeto são melhores do que o vinho. 3 Teus óleos são bons em fragrância. Teu nome é como um óleo que se despeja. Por isso é que te amaram as próprias donzelas. 4 Puxa-me contigo; corramos. O rei me introduziu nos seus quartos interiores! Jubilemos e nos alegremos em ti. Mencionemos as tuas expressões de afeto mais do que o vinho. Amaram-te merecidamente.
5 “Sou uma moça preta, mas linda, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, contudo, como os panos de tenda de Salomão. 6 Não olheis para mim, porque sou trigueira, pois o sol me avistou. Os filhos de minha própria mãe zangaram-se comigo; designaram-me guardiã dos vinhedos, embora eu não guardasse o meu vinhedo, aquele que era meu.
7 “Conta-me, ó tu a quem a minha alma tem amado, onde pastoreias, onde fazes o rebanho deitar-se ao meio-dia. Por que é que eu me devia tornar igual a uma mulher que se cobre de luto, entre as greis dos teus associados?”
8 “Se tu mesma não sabes, ó mais bela entre as mulheres, sai tu mesma nas pegadas do rebanho e apascenta tuas cabritinhas junto aos tabernáculos dos pastores.”
9 “Comparei-te a uma égua minha nos carros de Faraó, ó companheira minha. 10 Lindas são as tuas faces entre as tranças de cabelo, teu pescoço num colar de contas. 11 Nós te faremos argolinhas de ouro, junto com botõezinhos de prata.”
12 “Enquanto o rei está à sua mesa redonda, meu próprio nardo está dando a sua fragrância. 13 Como bolsa de mirra é para mim o meu querido; passará a noite entre os meus peitos. 14 Como cacho de hena é para mim o meu querido, entre os vinhedos de En-Gedi » (O Cântico de Salomão 1:1-14).
Aprendemos que a Sulamita tem a tez morena, o que intriga as damas da corte: « Sou uma moça preta, mas linda, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, contudo, como os panos de tenda de Salomão. 6 Não olheis para mim, porque sou trigueira, pois o sol me avistou. Os filhos de minha própria mãe zangaram-se comigo; designaram-me guardiã dos vinhedos, embora eu não guardasse o meu vinhedo, aquele que era meu » (versículos 5 e 6 ). O rei Salomão corteja a Sulamita: « Comparei-te a uma égua minha nos carros de Faraó, ó companheira minha. Lindas são as tuas faces entre as tranças de cabelo, teu pescoço num colar de contas. Nós te faremos argolinhas de ouro, junto com botõezinhos de prata » (versículos 9-11).
O pastor consegue entrar no acampamento de Salomão para ver a sua amada, a Sulamita, a fim de expressar seus sentimentos românticos. Desta vez, a Sulamita lhe responde, descrevendo-se como um simples açafrão e um simples lírio:
« Eis que és bela, ó companheira minha! Eis que és bela! Teus olhos são [os das] pombas.”
16 “Eis que és belo, meu querido, também agradável. Também, o nosso divã é de folhagem. 17 As vigas de nossa grandiosa casa são cedros, nossos caibros são juníperos.
2 “Sou apenas um açafrão da planície costeira, um lírio das baixadas.”
2 “Como o lírio entre as plantas espinhosas, assim é minha companheira entre as filhas » (O Cântico de Salomão 1:15-2:2).
Após a partida do seu amado, a Sulamita expressa a sua melancolia e a sua tristeza:
« Como a macieira entre as árvores da floresta, assim é meu querido entre os filhos. Desejei apaixonadamente a sua sombra, e ali me sentei, e seu fruto tem sido doce para o meu paladar. 4 Ele me introduziu na casa de vinho e seu estandarte sobre mim era o amor. 5 Revigorai-me com bolos de passas, sustentai-me com maçãs; pois estou desfalecendo de amor. 6 Sua esquerda está sob a minha cabeça; e sua direita — ela me abraça. 7 Eu vos pus sob juramento, ó filhas de Jerusalém, pelas fêmeas das gazelas ou pelas corças do campo, que não tenteis despertar nem incitar [em mim] amor, até que [este] esteja disposto.
8 “O som do meu querido! Eis que este está chegando, escalando os montes, saltando sobre os morros. 9 Meu querido se parece a uma gazela ou à cria dos veados. Eis que este está de pé atrás da nossa parede, espreitando pelas janelas, espiando pelas rótulas. 10 Meu querido respondeu e me disse: ‘Levanta-te, companheira minha, minha bela, e vem. 11 Pois eis que passou a própria estação chuvosa, acabou o próprio aguaceiro, ele se foi. 12 As próprias flores apareceram na terra, chegou o próprio tempo da poda das vides e ouviu-se a voz da própria rola em nossa terra. 13 Quanto à figueira, atingiu a cor madura para os seus figos temporãos; e as videiras estão em flor, têm dado a [sua] fragrância. Levanta-te, vem, ó companheira minha, minha bela, e vem. 14 Ó minha pomba, nos retiros do rochedo, no esconderijo do caminho escarpado, mostra-me a tua forma, deixa-me ouvir a tua voz, pois a tua voz é agradável e a tua forma é linda.’”
15 “Segurai para nós as raposas, as pequenas raposas que estragam os vinhedos, visto que os nossos vinhedos estão em flor.”
16 “Meu querido é meu e eu sou dele. Ele pastoreia entre os lírios. 17 Até a aragem do dia e até que tenham fugido as sombras, volta-te, ó meu querido; sê semelhante à gazela ou à cria dos veados sobre os montes de separação.
3 “Na minha cama, durante as noites, tenho procurado aquele a quem minha alma tem amado. Procurei-o, mas não o achei. 2 Deixa-me levantar-me, por favor, e fazer a ronda da cidade; procure eu nas ruas e nas praças públicas aquele a quem a minha alma tem amado. Procurei-o, mas não o achei. 3 Acharam-me os vigias que faziam a ronda da cidade: ‘Vistes aquele a quem a minha alma tem amado?’ 4 Assim que passei deles adiante, achei aquele a quem a minha alma tem amado. Segurei-o e não o larguei, até que o fiz entrar na casa de minha mãe e no quarto interior daquela que esteve grávida de mim. 5 Eu vos pus sob juramento, ó filhas de Jerusalém, pelas fêmeas das gazelas ou pelas corças do campo, que não tenteis despertar nem incitar em mim amor, até que este esteja dis » (O Cântico de Salomão 2:3-3:5).
Enquanto a Sulamita não pode sair do acampamento de Salomão, durante seus momentos de tristeza, longe daquele que ama, ela se lembra dos bons momentos passados com seu pastor, sob o olhar desconfiado dos seus irmãos, os guardas da sua irmã. Finalmente, a Sulamita é trazida para Jerusalém, para o palácio do rei Salomão. No entanto, seu pastor também vai para Jerusalém, desse modo ele poderá vê-la, para expressar seu amor:
« Que é isto que está subindo do ermo como colunas de fumaça, perfumado com mirra e olíbano, sim, com toda sorte de talco cheiroso de negociante?”
7 “Eis que é o seu leito, aquele que pertence a Salomão. Em volta dele há sessenta homens poderosos dos poderosos de Israel, 8 todos eles de posse duma espada, treinados na guerra, cada um com a sua espada sobre a sua coxa por causa do pavor durante as noites.”
9 “É a liteira que o Rei Salomão fez para si das árvores do Líbano. 10 Suas colunas ele fez de prata, seus suportes, de ouro. Seu assento é de lã tingida de roxo, seu interior foi amorosamente aprestado pelas filhas de Jerusalém.”
11 “Saí e vede, ó filhas de Sião, o Rei Salomão com a grinalda que sua mãe lhe teceu no dia de seu casamento e no dia da alegria de seu coração.”
4 “Eis que és bela, ó companheira minha. Eis que és bela. Teus olhos são [os das] pombas, atrás do teu véu. Teu cabelo é como uma grei de caprídeos que desceram pulando da região montanhosa de Gileade. 2 Teus dentes são como uma grei de [ovelhas] recém-tosquiadas que subiram da lavagem, todas elas tendo gêmeos, nenhuma dentre elas tendo perdido a sua cria. 3 Teus lábios são como fio escarlate e tua fala é deleitável. Como fatia de romã são as tuas têmporas atrás do teu véu. 4 Teu pescoço é como a torre de Davi, construída em camadas de pedras, em que se penduram mil escudos, todos os escudos redondos dos poderosos. 5 Teus dois peitos são como duas crias, gêmeas duma fêmea de gazela, que pastam entre os lírios.”
6 “Até a aragem do dia e até que tenham fugido as sombras seguirei meu caminho ao monte de mirra e ao morro de olíbano.”
7 “Tu és inteiramente bela, ó companheira minha, e não há defeito em ti. 8 Que venhas comigo do Líbano, ó noiva, [que venhas] comigo do Líbano. Que desças do cume do Antilíbano, do cume de Senir, sim, do Hermom, das guaridas dos leões, das montanhas dos leopardos. 9 Fizeste meu coração palpitar, minha irmã, noiva [minha], fizeste meu coração palpitar com um só dos teus olhos, com um só pendente do teu colar. 10 Quão belas são as tuas expressões de afeto, minha irmã, noiva [minha]! Quanto melhores são as tuas expressões de afeto do que o vinho, e a fragrância dos teus óleos do que toda sorte de perfume! 11 Teus lábios estão gotejando mel de favo, noiva [minha]. Mel e leite estão debaixo da tua língua, e a fragrância dos teus mantos é como a fragrância do Líbano. 12 Um jardim trancado é minha irmã, [minha] noiva, um jardim trancado, manancial selado. 13 Tua pele é um paraíso de romãs, com as frutas mais seletas, plantas de hena junto com plantas de nardo; 14 nardo e açafrão, cálamo e canela, junto com toda sorte de árvores de olíbano, mirra e aloés, junto com todos os perfumes mais finos; 15 e manancial de jardins, poço de água fresca e regatos do Líbano. 16 Desperta, ó vento do norte, e entra, ó vento do sul. Bufa sobre o meu jardim. Escorram em filetes os seus perfumes.”
“Entre meu querido no seu jardim e coma dos seus frutos seletos.”
5 “Entrei no meu jardim, ó minha irmã, noiva minha. Já colhi a minha mirra junto com a minha especiaria. Comi o meu favo de mel junto com o meu mel; bebi o meu vinho junto com o meu leite. Comei, companheiros! Bebei e embriagai-vos com expressões de afeto! » (O Cântico de Salomão 3:6-5:1).
Há a descrição da entrada majestosa do rei Salomão em Jerusalém (3:6-11). O pastor consegue se juntar à sua amada, a Sulamita e poeticamente lhe expressar seu amor, prestando homenagem à sua beleza, mas também à sua castidade e sua fidelidade (4:12). Ambos expressam seus sentimentos de amor e carinho (4:7-5:1). Aqui está o relato do sonho da Sulamita:
« Estou adormecida, mas o meu coração está desperto. Há o som de meu querido batendo!”
“Abre-me, ó minha irmã, minha companheira, minha pomba, minha inculpe! Pois a minha cabeça está cheia de orvalho, os cachos de meu cabelo, das gotas da noite.”
3 “‘Tirei a minha veste comprida. Como é que a posso vestir outra vez? Lavei os pés. Como é que os posso sujar?’ 4 Meu querido é que retirou a sua mão do buraco [da porta], e minhas entranhas ficaram alvoroçadas no meu íntimo. 5 Levantei-me, sim, eu, para abrir a meu querido, e minhas próprias mãos gotejaram mirra, e meus dedos, mirra líquida sobre as concavidades do fecho. 6 Abri, sim, eu, ao meu querido, mas o meu querido é que se tinha afastado, tinha passado adiante. Minha própria alma saíra [de mim] quando ele falou. Procurei-o, mas não o achei. Chamei-o, mas ele não me respondeu. 7 Acharam-me os vigias que faziam a ronda da cidade. Golpearam-me, feriram-me. Os vigias das muralhas levantaram a minha manta larga de cima de mim.
8 “Eu vos pus sob juramento, ó filhas de Jerusalém, que, se achardes o meu querido, deveis informá-lo de que desfaleço de amor.”
9 “Como é que o teu querido é mais do que qualquer outro querido, ó mais bela entre as mulheres? Como é que o teu querido é mais do que qualquer outro querido, que nos puseste sob tal juramento?”
10 “Meu querido é deslumbrante e corado, o mais conspícuo de dez mil. 11 Sua cabeça é ouro, ouro refinado. Os cachos de seu cabelo são cachos de tâmaras. Seu [cabelo] preto é como o corvo. 12 Seus olhos são como pombas junto aos regos de água, banhando-se em leite, assentados dentro dos aros. 13 Suas faces são como canteiro de especiarias, torres de ervas aromáticas. Seus lábios são lírios, gotejando mirra líquida. 14 Suas mãos são cilindros de ouro, cheios de crisólito. Seu abdome é uma placa de marfim, coberta de safiras. 15 Suas pernas são colunas de mármore, fundadas em pedestais de encaixe de ouro refinado. Seu aspecto é como o do Líbano, seleto como os cedros. 16 Seu palato é pura doçura, e tudo a respeito dele é inteiramente desejável. Este é meu querido e este é meu companheiro, ó filhas de Jerusalém.”
6 “Aonde foi teu querido, ó mais bela entre as mulheres? Para onde se virou teu querido, para que o procuremos contigo?”
2 “Meu próprio querido desceu ao seu jardim, aos canteiros das plantas de especiarias, para pastorear entre os jardins e para colher lírios. 3 Eu sou de meu querido e meu querido é meu. Ele pastoreia entre os lírios » (O Cântico de Salomão 5:2-6:3).
A Sulamita sonha que seu amado está a bater a porta do quarto pedindo que ela o abra. Ela responde que não pode, mas finalmente se levanta para abrir, mas não há ninguém. Então ela vai à procura dele na cidade, mas os guardas intervêm firmemente para a impedir. Ela pede ajuda às damas de Jerusalém para encontrar o seu amado. Elas lhe perguntam como é seu pastor, que faz que é diferente dos outros homens. A Sulamita descreve sua beleza e a razão pela qual ela o ama muito. O rei Salomão fez uma última tentativa para cortejar a Sulamita e conquistar o seu coração:
« Tu és bela, ó companheira minha, como a Cidade Agradável, linda como Jerusalém, formidável como companhias ajuntadas em volta de estandartes. 5 Vira teus olhos da minha frente, pois eles é que me têm alarmado. Teu cabelo é como uma grei de caprídeos que desceram pulando de Gileade. 6 Teus dentes são como uma grei de ovelhas que subiram da lavagem, todas elas tendo gêmeos, nenhuma dentre elas tendo perdido sua cria. 7 Como fatia de romã são as tuas têmporas atrás do teu véu. 8 Talvez haja sessenta rainhas e oitenta concubinas, e donzelas sem número. 9 Há uma que é a minha pomba, minha inculpe. Há uma que pertence à sua mãe. Ela é a pura daquela que a deu à luz. As filhas viram-na e passaram a chamá-la feliz; rainhas e concubinas, e passaram a louvá-la: 10 ‘Quem é esta mulher que está olhando para baixo como a alva, bela como a lua cheia, pura como o sol brilhante, formidável como companhias ajuntadas em volta de estandartes?’”
11 “Eu havia descido ao jardim das nogueiras para ver os botões no vale de torrente, para ver se a videira floresceu, se as romãzeiras brotaram. 12 Antes de eu sabê-lo, minha própria alma me pusera junto aos carros de meu povo disposto.”
13 “Volta, volta, ó sulamita! Volta, volta, para que te possamos contemplar!”
“Que estais contemplando na sulamita?”
“Algo como a dança de dois acampamentos!”
7 “Quão belos se tornaram os teus passos nas tuas sandálias, ó filha disposta! As curvaturas das tuas coxas são como ornamentos, trabalho das mãos dum artesão. 2 Teu umbigo é uma taça redonda. Não [lhe] falte o vinho misturado. Teu ventre é um monte de trigo, cercado de lírios. 3 Teus dois peitos são como duas crias, gêmeas duma fêmea de gazela. 4 Teu pescoço é como torre de marfim. Teus olhos são como as lagoas de Hésbon, junto ao portão de Bate-Rabim. Teu nariz é como a torre do Líbano, que olha para Damasco. 5 Tua cabeça sobre ti é como o Carmelo, e as madeixas de tua cabeça são como lã tingida de roxo. O rei é mantido preso pelas ondulações. 6 Quão bela és e quão agradável és, ó amada, entre delícias! 7 Esta estatura tua se assemelha a uma palmeira, e teus peitos, a cachos de tâmaras. 8 Eu disse: ‘Subirei na palmeira, para apoderar-me dos seus ramos de tâmaras.’ E, por favor, tornem-se os teus peitos como os cachos da videira, e a fragrância de teu nariz, como maçãs, 9 e teu paladar, como o melhor vinho que escorre suavemente para meu amor, deslizando sobre os lábios dos adormecidos.”
10 “Eu sou do meu querido, e seu desejo ardente é para comigo. 11 Vem deveras, ó meu querido, saiamos ao campo; pousemos entre as plantas de hena. 12 Levantemo-nos deveras cedo e vamos aos vinhedos, para que vejamos se a videira floresceu, se a flor se abriu, se as romãzeiras brotaram. Ali te darei as minhas expressões de afeto. 13 As próprias mandrágoras deram a sua fragrância, e junto às nossas entradas há toda sorte de frutas seletas. As novas bem como as antigas, ó meu querido, eu entesourei para ti.
8 “Quem me dera que fosses como um irmão meu, mamando aos peitos de minha mãe! Se te achasse lá fora, eu te beijaria. As pessoas nem mesmo me desprezariam. 2 Eu te conduziria, eu te introduziria na casa de minha mãe, que costumava ensinar-me. Eu te daria de beber vinho aromatizado, o suco fresco de romãs. 3 Sua esquerda estaria sob a minha cabeça; e sua direita — ela me abraçaria.
4 “Eu vos pus sob juramento, ó filhas de Jerusalém, que não tenteis despertar nem incitar em mim amor, até que este esteja disposto » (O Cântico de Salomão 6:4-8:4).
O rei Salomon procura persuadir a Sulamita descrevendo de maneira poética a sua beleza, no entanto, ela recusa de forma firme e corajosa e reafirma que seu coração é inteiramente ao seu pastor, a quem ela ama: « Eu sou do meu querido, e seu desejo ardente é para comigo. Vem deveras, ó meu querido, saiamos ao campo; pousemos entre as plantas de hena. Levantemo-nos deveras cedo e vamos aos vinhedos, para que vejamos se a videira floresceu, se a flor se abriu, se as romãzeiras brotaram. Ali te darei as minhas expressões de afeto. As próprias mandrágoras deram a sua fragrância, e junto às nossas entradas há toda sorte de frutas seletas. As novas bem como as antigas, ó meu querido, eu entesourei para ti » (7:10-13). Finalmente, há o feliz fim do Cântico com o retorno da Sulamita que se junta àquele que sempre amou, seu humilde pastor:
« Quem é esta mulher subindo do ermo, encostando-se no seu querido?”
“Debaixo da macieira te despertei. Ali a tua mãe estava em dores de parto contigo. Ali sentiu dores de parto aquela que te dava à luz.
6 “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço; porque o amor é tão forte como a morte, a insistência em devoção exclusiva é tão inexorável como o Seol. Suas labaredas são as labaredas de fogo, a chama de Jah. 7 Mesmo muitas águas não são capazes de extinguir o amor, nem podem os próprios rios levá-lo de enxurrada. Se um homem desse todas as coisas valiosas de sua casa em troca de amor, as pessoas positivamente as desprezariam.”
8 “Temos uma pequena irmã que não tem peitos. Que faremos por nossa irmã no dia em que for pedida?”
9 “Se ela for uma muralha, construiremos sobre ela um parapeito de prata; mas se ela for uma porta, nós a bloquearemos com uma tábua de cedro.”
10 “Sou uma muralha, e meus peitos são como torres. Neste caso me tornei aos seus olhos como aquela que acha paz.
11 “Havia um vinhedo que Salomão veio a ter em Baal-Hamom. Ele entregou o vinhedo aos guardiães. Cada um trazia pelos seus frutos mil moedas de prata.
12 “Meu vinhedo, aquele que me pertence, está à minha disposição. As mil te pertencem, ó Salomão, e duzentas aos que guardam os seus frutos.”
13 “Ó tu que moras nos jardins, os associados prestam atenção à tua voz. Deixa-me ouvi-la.”
14 “Corre, meu querido, e faze-te igual à gazela ou à cria dos veados sobre os montes de especiarias » (O Cântico de Salomão 8:5-14).
A passagem que resume muito bem a beleza do amor da Sulamita para o seu pastor, é o que o descreve como sendo o fogo e a chama de Jah (diminutivo do nome de Deus, Jeová): « Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço; porque o amor é tão forte como a morte, a insistência em devoção exclusiva é tão inexorável como o Seol. Suas labaredas são as labaredas de fogo, a chama de Jah » (O Cântico de Salomão 8:6).
O Cântico de Salomão é a ilustração da força do amor verdadeiro, um apego exclusivo entre dois seres humanos, um homem, o pastor e uma mulher, a Sulamita. Esse apego é comparado à força da morte, que leva irreparavelmente ao túmulo comum da humanidade, o Seol (O Hades em grego). No entanto, essa força de amor exclusivo, entre um homem e uma mulher, é uma criação divina, feita dum profundo afeto e de fidelidade mútua. O pastor e a Sulamita foram fiéis aos seus sentimentos de amor mútuo. A Sulamita sem hesitação recusou a prestigiada posição de ser esposa do rei Salomão, com todas as vantagens materiais e de luxo. Ela preferiu esse amor poderoso que sentia por seu pastor e com uma vida muito mais simples. Provavelmente, eles terão envelhecido juntos, casados e com filhos, até a separação da morte. Eles terão sido fiéis mutualmente, até e durante a noite das suas vidas, quando a beleza física da juventude, descrita no Cântico de Salomão, terá desaparecido. Eles se encontrarão de novo, como irmão e irmã de coração na época da ressurreição (Atos 24:15).
Quando uma pessoa pede a Deus com a oração, a sabedoria, conforme o discípulo Tiago, será concedida generosamente: « Portanto, se falta sabedoria a algum de vocês, que ele persista em pedi-la a Deus — pois ele dá a todos generosamente, sem censurar —, e ela lhe será dada » (Tiago 1:5). Deus quer perseverança nesse pedido, porque deve « persistir em pedi-la ». Será a demonstração para Deus, que esse pedido seja verdadeiramente sincero. Deve ser acompanhado por ações concretas de acordo com aquela oração. Por exemplo, Deus nos deu sua palavra, a Bíblia. Se temos uma Bíblia, a lemos todos os dias? Se não temos uma Bíblia, é possível ter uma? (Salmos 1:2,3). Ao ler, vamos reservar um tempo para a meditar, talvez memorizando algumas passagens ou referências de versículos bíblicos, a fim de encontrá-los mais tarde?
Um dos livros bíblicos que nos permitirá de ter o depósito da sabedoria divina é o livro dos Provérbios. Este livro é como uma caixa grande contendo centenas de belas pérolas preciosas espirituais, todas diferentes uma das outras. Algumas, na forma de provérbios, estão dispostos em vários colares. Por exemplo, nos capítulos 1 a 9, os provérbios são explicados ou ilustrados para especificar seu significado. A aquisição dessa sabedoria não é o propósito principal, mas um meio de entender qual deve ser a natureza espiritual de nosso relacionamento com Deus (será detalhado abaixo na explicação de Provérbios 2:1-9).
Nos capítulos 10 a 30, há uma sucessão ininterrupta de várias dezenas de provérbios. Nesta parte, não será possível comentar sobre todos eles. É suficiente, individualmente, ler os capítulos inteiros. Em cada capítulo desta parte, alguns provérbios serão citados com ou sem comentários. As escolhas desses provérbios destacados serão feitas pelos seus aspectos incomuns. O capítulo 31 é inteiramente dedicado à descrição da mulher capaz, a expressão da sabedoria divina, em seu aspecto feminino e num ambiente familiar.
Provérbios capítulo 1: a introdução explica que este livro foi escrito para saber como obter a sabedoria. Tem um propósito muito importante escrito somente num versículo: « O temor de *Jeová (YHWH) é o princípio do conhecimento. Sabedoria e disciplina são o que os meros tolos têm desprezado » (Provérbios 1:7). Quando uma pessoa espiritual tem essa sabedoria, entende melhor o que significa o temor reverencial de Deus, os sentimentos que isso desperta em si e como isso pode impedir que caíssem na prática do pecado voluntário.
* YHWH é o tetragrama, de quatro letras para o Nome Divino. Na Tradução do Novo Mundo da Bíblia, aparece com a vocalização comumente usada por séculos como « Jeová ». Essa vocalização é duplamente imprecisa porque insere a pronúncia J em vez de I (i) ou Y, e o V correspondente a W, que deve ser pronunciado « U » (não V). A vocalização correta do Tetragrama é YeHu(W)aH, Yehuah. A vocalização imprecisa « Jeová » é mantida na tradução bíblica utilizada, assim como a vocalização imprecisa de « Jesus », pronunciada Yeshua ou Yeshua, é mantida por ser a mais conhecida aos leitores (clique no link para examinar o estudo sobre o Nome Divino com mais detalhes: O Nome Divino, YHWH, é pronunciado como está escrito).
« Escuta, meu filho, a disciplina de teu pai e não abandones a lei de tua mãe. Porque são uma grinalda de encanto para a tua cabeça e um fino colar para a tua garganta » (Provérbios 1:8,9). Quando uma pessoa põe joias, é para parecer bonita e atraente. A beleza física é um presente divino e o humano tem uma tendência natural de querer sublimá-la por joias ou ornamentos, especialmente as mulheres. No entanto, a sabedoria divina cria uma beleza interior, um encanto divino, um carisma comparável à beleza dum magnífico colar que chama a atenção. No entanto, séculos depois, Jesus Cristo mostrou que o propósito dessa beleza interior de origem divina, que deve ser numa forma de luz espiritual, é para dar glória a Deus por nossas obras cristãs (Mateus 5:14-16).
« Filho meu, se pecadores tentarem seduzir-te, não consintas nisso » (Provérbios 1:10-19). Este texto mostra que devemos prestar atenção às nossas associações (1 Coríntios 15:33).
« A verdadeira sabedoria é que grita na própria rua. Nas praças públicas está emitindo a sua voz. Clama na extremidade superior das ruas barulhentas. Às entradas dos portões da cidade diz as suas próprias declarações: “Até quando continuareis vós, inexperientes, a amar a falta de experiência, e até quando tendes de desejar vós, zombadores, a flagrante zombaria, e até quando continuareis vós, estúpidos, a odiar o conhecimento? Retornai em vista da minha repreensão. Então vou fazer meu espírito borbulhar para vós; vou dar-vos a conhecer as minhas palavras. Visto que chamei, mas vós continuais a negar-vos, estendi a minha mão, mas não há quem preste atenção, e continuais a negligenciar todo o meu conselho e não aceitastes a minha repreensão, também eu, da minha parte, rir-me-ei de vosso próprio desastre, caçoarei quando chegar aquilo de que tendes pavor, quando aquilo de que tendes pavor chegar como tempestade e o vosso próprio desastre vier para cá como um tufão, quando chegarem sobre vós aflição e tempos difíceis. Naquele tempo persistirão em invocar-me, mas eu não responderei; continuarão à minha procura, mas não me acharão, visto que odiaram o conhecimento e não escolheram o temor de Jeová. Não consentiram no meu conselho; desrespeitaram toda a minha repreensão. De modo que comerão dos frutos do seu caminho e ficarão empanturrados com os seus próprios conselhos. Pois a renegação dos inexperientes é o que os matará e a despreocupação dos estúpidos é o que os destruirá. Quanto àquele que me escuta, residirá em segurança e estará despreocupado do pavor da calamidade » (Provérbios 1:20-33).
A sabedoria é personificada em alguém que grita na rua. Com essa metáfora da sabedoria que grita na rua, há uma mensagem simples: quem detém a sabedoria divina deve compartilhá-la com outras pessoas e sem medo das reações, que às vezes podem ser hostis. A seleção será feita naturalmente, entre aqueles que querem escutar e aqueles que a recusam. O texto é muito severo em relação àqueles que recusam a sabedoria: « Pois a renegação dos inexperientes é o que os matará e a despreocupação dos estúpidos é o que os destruirá. Quanto àquele que me escuta, residirá em segurança e estará despreocupado do pavor da calamidade » (Provérbios 1:31,32).
A palavra “renegação” é traduzida pela palavra de origem grega, « apostasia » em algumas traduções bíblicas, que no texto hebraico (do livro de Provérbios), significa se afastar, renegar, negar (concordância de Strong (H4878). Em otros textos bíblicos em grego (no Novo Testamento), a palavra de origem grega « apostasia », tem o mesmo significado, no entanto, é adicionado a noção de abandono, deserção, rejeição, a revolta (concordância de Strong (G646)). É importante entender que esse qualificador muito sério tem uma definição e um significado muito restritivos, tanto no Antigo Testamento (texto hebraico) quanto no Novo Testamento (texto grego).
Em todas as referências bíblicas das duas partes principais da Bíblia, a apostasia está diretamente ligada ao abandono da adoração de Deus e da fé cristã. Por exemplo, na história bíblica, a nação de Israel caiu na apostasia, adorando outros deuses em vez do verdadeiro Deus Jeová. O apóstata abandona a adoração verdadeira de Jeová Deus, não reconhece mais em Jesus Cristo, o Messias e não reconhece mais que a Bíblia é a Palavra de Deus (aqui estão algumas referências de textos bíblicos que mostram o que é num nível estritamente bíblico, a apostasia: (1 Samuel 15:11; 28:6,7 (rei Saul); 1 Reis 12:28-32 (rei Jeroboão); 1 Reis 16:30-33 (rei Acabe); 1 Reis 22: 51-53 (rei Achazias); 2 Crônicas 21:6-15 (rei Jeorão); 2 Crônicas 28:1-4 (rei Acaz); 2 Crônicas 33:22,23 (rei Amom)). Quanto à parte cristã da Bíblia, o significado é o mesmo, a do abandono da fé verdadeira, é isso que está escrito em 1 Timóteo 1:19,20 e 2 Timóteo 2:16-19, que menciona o fato de se desviar da verdade bíblica.
Tudo isso para dizer que é necessário se manter na definição bíblica do que é a apostasia, sem cair na calúnia que sofreu o fiel Jó. Ele foi chamado de apóstata, erroneamente, por seus três acusadores (Jó 8:13 (acusação de Bildade); 15:34 (acusação de Elifaz); 20:5 (acusação de Zofar)). Esses três caluniadores tinham uma definição muito “elástica” do que é a apostasia, quando Jó nunca deixou de proclamar sua fé e seu apego a Jeová Deus, o Pai Celestial. É óbvio que Jeová Deus não foi indiferente às calúnias desses três acusadores (Jó 42:7). No passado, como no presente, chamar de apóstatas aos cristãos que continuam (sem terem abandonado) a ter uma fé sincera em Deus e em Jesus Cristo e na Bíblia, não é pouca coisa para Jeová Deus, o Pai Celestial e para Jesus Cristo, o Filho (leia Isaías 66:5 e Mateus 5:22).
Provérbios capítulo 2: a maneira de alcançar a sabedoria bíblica, dada por Deus: « Filho meu, se aceitares as minhas declarações e entesourares contigo os meus próprios mandamentos, de modo a prestares atenção à sabedoria, com o teu ouvido, para inclinares teu coração ao discernimento; se, além disso, clamares pela própria compreensão e emitires a tua voz pelo próprio discernimento, se persistires em procurar isso como a prata e continuares a buscar isso como a tesouros escondidos, neste caso entenderás o temor a Jeová e acharás o próprio conhecimento de Deus. Pois o próprio Jeová dá sabedoria; da sua boca procedem conhecimento e discernimento. E para os retos ele entesourará a sabedoria prática; para os que andam em integridade ele é escudo, observando as veredas do juízo, e ele guardará o próprio caminho dos que lhe são leais. Neste caso entenderás a justiça, e o juízo, e a retidão, o curso inteiro do que é bom » (Provérbios 2:1-9).
O temor a Deus: a palavra hebraica « yirah », traduzida como « temor » a Jeová, no texto dos Provérbios pode ter o significado de « reverência », isto é, um temor reverencial (Concordância de Strong (H3374)). Isso significa que a pessoa que atingiu a madureza cristã entenderá que sea relação com Jeová é um grande privilégio que Deus nos dá. Além disso, quando nos aproximamos de Deus com a oração, podemos fazê-lo com franqueza, mas também com um temor reverencial devido à Pessoa mais importante de toda a criação visível e invisível (Apocalipse 4:11).
Achando o conhecimento de Deus: quando o humano começa a encontrar o conhecimento de Deus, significa que ele está em condições de compreender espiritualmente o que Deus está lhe ensinando. Esse conhecimento mencionado no texto de Provérbios que estamos examinando, é tanto inerente à pessoa de Jeová Deus (Yehowah Elohim), mas também no que Ele quer nos ensinar. Jesus Cristo (Yehoshuah Mashiah), evocou este conhecimento: « Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo » (João 17:3). Este conhecimento de Deus, o Pai e de Seu Filho Jesus, é uma promessa de vida eterna, com a condição que permaneçamos fiéis até o fim (Mateus 24:13). A expressão « absorvam conhecimento de » Deus, com a de Provérbios, chegar ao conhecimento de Deus, descreve um processo espiritual que consiste em estar em fase de compreensão do ensinamento de Deus e de seu Filho Jesus Cristo.
O conhecimento e a compreensão que vem de Deus: há uma diferença entre o conhecimento disponível na Bíblia e a compreensão ou a capacidade de entendê-lo, que é dado por Deus através de Cristo: « Pois “quem veio a conhecer a mente de Jeová para o instruir?” Mas nós temos a mente de Cristo » (1 Coríntios 2:16). Quando uma pessoa entende pela aceitação em seu coração do conhecimento bíblico, pode-se dizer que ela manifesta uma fé de acordo com a vontade de Deus: « A fé é a expectativa certa de coisas esperadas, a demonstração evidente de realidades, embora não observadas. Porque, por meio desta, os antigos receberam testemunho » (Hebreus 11: 1). A palavra « demonstração » em relação à fé pressupõe conhecimento « lógico », mesmo que se refere a realidades que não podem ser vistas.
O conhecimento e o discernimento: o discernimento ou ia perspicâcia é um grau mais alto de inteligência, o que possibilita a compreensão de conhecimentos mais complexos, na espiritualidade bíblica. Na carta inspirada de Paulo aos Hebreus, ele se refere a duas formas de conhecimento, a « doutrina primária » e o « alimento (espiritual) sólido », que é um conhecimento mais complexo. No texto grego, existem duas palavras que se referem a essas duas categorias de conhecimento, respectivamente. Eles estão juntos, na segunda carta de Pedro, as palavras gregas « Gnosis » e « Epignosis »: « Benignidade imerecida e paz vos sejam aumentadas pelo conhecimento exato (Epignosis) de Deus e de Jesus, nosso Senhor. (…) Sim, por esta mesma razão, por contribuirdes em resposta todo esforço sério, supri à vossa fé a virtude, à [vossa] virtude, o conhecimento (Gnosis), ao [vosso] conhecimento, o autodomínio, ao vosso autodomínio, a perseverança, à [vossa] perseverança, a devoção piedosa » (2 Pedro 1:2,5,6). Portanto, a compreensão é para o conhecimento, em geral (Gnosis), o que é discernimento para um conhecimento mais complexo (Epignosis). É importante não esquecer o objetivo do conhecimento de Deus em relação à inteligência e ao discernimento, que é buscar encorajar o próximo e o irmão na fé: « O conhecimento enfuna, mas o amor edifica » (1 Coríntios 8:1).
A sabedoria divina mencionada em todo o livro de Provérbios é o fato de por em prática o conhecimento, com inteligência e discernimento. Jesus Cristo, no final do Sermão do Monte, mostrou a necessidade de por em prática seu ensino em Mateus 7:24-27. A continuação e no final do capítulo 2 mostram os benefícios de aplicar o conhecimento por meio de sabedoria divina (Provérbios 2:10-22).
Em Provérbios 2: 7 há a expressão « sabedoria prática », pôr em prática do « conhecimento ». De fato, Jesus Cristo ligava a sabedoria para a prática de conhecimento bíblico, em contraste com o homem insensato, que, tendo este conhecimento, não a levar em conta: « Portanto, todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem discreto, que construiu a sua casa sobre a rocha. E caiu a chuva, e vieram as inundações, e sopraram os ventos e açoitaram a casa, mas ela não se desmoronou, pois tinha sido fundada na rocha. Além disso, todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem tolo, que construiu a sua casa sobre a areia. E caiu a chuva, e vieram as inundações, e sopraram os ventos e bateram contra aquela casa, e ela se desmoronou, e foi grande a sua queda » (Mateus 7: 24-27).
Dado o contexto geral da Bíblia, percebemos que a sabedoria dimensão celestial que não é sempre o resultado dos conhecimentos adquiridos, mas sim um dom divino. Além disso, em Provérbios 2:6 está escrito: « Pois o próprio Jeová dá sabedoria » (Comparar com Êxodo 36:1-4 « Bezalel e Ooliab »). Se de fato a sabedoria de Jeová vem do conhecimento da Bíblia, por sua prática, no entanto, há situações que exigem este raio da sabedoria celestial, que vem direitamente de Deus. Vamos ler dois exemplos: Jesus Cristo e o rei Salomão.
Em uma ocasião, o rei Salomão se viu numa situação sem uma solução humana: « Naquele tempo, duas mulheres, prostitutas, chegaram a entrar até o rei e a ficar de pé diante dele. Então disse uma mulher: “Perdão, meu senhor, eu e esta mulher moramos numa só casa, de modo que dei à luz perto dela na casa. E sucedeu, no terceiro dia depois de eu ter dado à luz, que esta mulher também passou a dar à luz. E estávamos juntas. Não havia estranho conosco na casa, ninguém senão nós duas na casa. Mais tarde, de noite, morreu o filho desta mulher, porque ela se deitara sobre ele. Portanto, ela se levantou no meio da noite e tomou meu filho do meu lado, enquanto a tua escrava dormia, e deitou-o ao seu próprio seio, e seu filho morto ela deitou ao meu seio. Quando me levantei de manhã para amamentar meu filho, ora, eis que estava morto. Portanto, examinei-o de perto, de manhã, e eis que não se mostrou ser meu filho que eu tinha dado à luz.” Mas a outra mulher disse: “Não, mas o meu filho é o vivo e o teu filho é o morto!” Todo o tempo esta mulher estava dizendo: “Não, mas o teu filho é o morto e o meu filho é o vivo.” E continuaram a falar perante o rei. Finalmente, o rei disse: “Esta diz: ‘Este é meu filho, o vivo, e teu filho é o morto!’, e aquela diz: ‘Não, mas o teu filho é o morto e o meu filho é o vivo!’” E o rei prosseguiu, dizendo: “Trazei-me uma espada.” Assim, trouxeram a espada perante o rei. E o rei passou a dizer: “Cortai o menino vivo em dois e dai uma metade a uma mulher e a outra metade à outra.” Imediatamente, a mulher cujo filho era o vivo disse ao rei (pois as suas emoções íntimas estavam agitadas para com o seu filho, de modo que disse): “Perdão, meu senhor! Dai-lhe o menino vivo. De modo algum o entregueis à morte.” Enquanto isso, a outra mulher dizia: “Não se tornará nem meu nem teu. Fazei o corte!” Então respondeu o rei e disse: “Dai-lhe o menino vivo e de modo algum o deveis entregar à morte. Ela é sua mãe.” E todo o Israel chegou a ouvir a decisão judicial que o rei havia proferido; e ficaram temerosos por causa do rei, pois viram que havia nele a sabedoria de Deus para executar decisões judiciais » (1 Reis 3:16-28).
A narrativa e a sua conclusão é a demonstração de que a sabedoria de Deus, não é apenas a aplicação prática do conhecimento bíblico, mas pode ter uma dimensão celestial que numa fração de segundo, sem que sabemos como, Jeová Deus dá a solução, que nenhum humano na terra teria pensado. Essa sabedoria não é o resultado de uma longa carreira como juiz, com uma longa história de deliberações judiciais. Graças à sabedoria divina, o jovem rei Salomão, num piscar de olhos, sabia que decisão tomar para deliberar entre essas duas mulheres. O único poder de sabedoria desta decisão judicial, inspirada por uma sabedoria completamente celestial que vinha de Deus, mergulhou uma nação inteira de vários milhões de habitantes em um temor reverencial desse rei. E falamos sobre isso milhares de anos depois.
Também é interessante notar que quando Jeová dá uma dádiva de sabedoria a um humano, desde que ele permaneça fiel a ele, ele não tira essa dádiva dele, é permanente. Assim, neste caso específico, além da espetacular decisão judicial de Salomão, Deus continuou a dar-lhe essa sabedoria em abundância, na continuação de seu reinado: « E Deus continuou a dar a Salomão sabedoria e entendimento em medida muito grande, bem como largueza de coração, igual à areia que há à beira do mar. E a sabedoria de Salomão era mais vasta do que a sabedoria de todos os orientais e do que toda a sabedoria do Egito. E ele era mais sábio do que qualquer outro homem, [mais] do que Etã, o ezraíta, e Hemã, e Calcol, e Darda, filhos de Maol; e veio a ter fama em todas as nações ao redor. E ele podia falar três mil provérbios, e seus cânticos vieram a ser mil e cinco. E falava sobre as árvores, desde o cedro que há no Líbano até o hissopo que brota no muro; e falava sobre os animais e sobre as criaturas voadoras, e sobre as coisas moventes, e sobre os peixes. E vinham de todos os povos para ouvir a sabedoria de Salomão, sim, de todos os reis da terra que tinham ouvido falar da sua sabedoria » (1 Reis 4:29-34). Quando Jeová dá sabedoria, ele a dá abundante e permanentemente.
Jesus Cristo, na terra, tinha um poder de sabedoria diretamente divino e nem sempre diretamente relacionado ao depósito escrito da Bíblia, aqui está um exemplo: « Os escribas e os principais sacerdotes procuravam então, naquela mesma hora, deitar mãos nele, mas temiam o povo; porque percebiam que contara esta ilustração pensando neles. E, depois de o observarem de perto, enviaram homens secretamente contratados para pretenderem ser justos, a fim de que o pudessem apanhar na palavra, para o entregarem ao governo e à autoridade do governador. E interrogaram-no, dizendo: “Instrutor, sabemos que falas e ensinas corretamente e não mostras parcialidade, mas que ensinas o caminho de Deus em harmonia com a verdade: É lícito ou não que paguemos imposto a César?” Mas ele percebia a sua astúcia, e disse-lhes: “Mostrai-me um denário. A imagem e inscrição de quem está nele?” Disseram: “De César.” Disse-lhes ele: “De todos os modos, pois, pagai de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus.” Bem, não foram capazes de apanhá-lo nesta declaração perante o povo, mas, pasmados com a resposta dele, não disseram nada » (Lucas 20:19-26).
A resposta de Cristo veio diretamente do espírito de sabedoria celestial que seu pai lhe tinha fornecido. Haveria muitos outros exemplos que mostram que a sabedoria de Deus é um dom que não é sistematicamente ligado ao conhecimento ou a compreensão das Escrituras. Além disso, em certa ocasião, Jesus disse a seus discípulos: « Mas, quando vos levarem para vos entregar, não estejais ansiosos de antemão sobre o que haveis de falar; mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai, porque não sois vós quem fala, mas o espírito santo » (Marcos 13:11). A força ativa de Deus, o espírito santo, deveria ser a energia do poder da sabedoria divina para os discípulos de então.
Portanto, se queremos ganhar sabedoria, devemos pedir em oração a Deus, e praticar em nossas vidas, a Palavra de Deus, a Bíblia: « Mas, seu agrado é na lei de Jeová, E na sua lei ele lê dia e noite em voz baixa. E ele há de tornar-se qual árvore plantada junto a correntes de água, Que dá seu fruto na sua estação E cuja folhagem não murcha, E tudo o que ele fizer será bem sucedido » (Salmos 1:2,3).
Provérbios capítulo 3: a introdução deste capítulo mostra que a aplicação da sabedoria de Deus em nossa vida permitirá que tenhamos mais anos de vida: « Filho meu, não te esqueças da minha lei, e observe teu coração os meus mandamentos, porque te serão acrescentados longura de dias e anos de vida e paz. Não te abandonem a própria benevolência e veracidade. Ata-as à tua garganta. Inscreve-as na tábua do teu coração » (Provérbios 3:1-3).
A seguinte exortação é colocar sua confiança em Jeová Deus, o Pai Celestial: « Confia em Jeová de todo o teu coração e não te estribes na tua própria compreensão. Nota-o em todos os teus caminhos, e ele mesmo endireitará as tuas veredas. Não te tornes sábio aos teus próprios olhos. Teme a Jeová e desvia-te do mal. Torne-se isso uma cura para o teu umbigo e refrigério para os teus ossos » (Provérbios 3:5-8). A confiança em Deus é uma forma de expressão de amor sincero por ele. Quando alguém ama uma pessoa, confia nela porque sabe que o que quer que ele faça, será para o nosso bem. Assim, a confiança é a expressão da fé em ação. Nesse caso, a fé não será somente uma visão simples do invisível, mas também uma experiência de vida na confiança em Deus, em situações em que talvez não saibamos o resultado que concederá (Hebreus 11:1,6). O fato de não confiar em nossa própria compreensão é não ser sábio aos nossos próprios olhos. Significa que às vezes podemos estar em situações em que não vemos o resultado ou a solução. É nessa situação que é aconselhável confiar em Deus, sem procurar controlar tudo com a compreensão duma solução que virá de Deus. Essa confiança em Deus terá um efeito refrescante em nossa mente e em nosso estado de saúde em geral: « Torne-se isso uma cura para o teu umbigo e refrigério para os teus ossos » (Provérbios 3:8).
« Honra a Jeová com as tuas coisas valiosas e com as primícias de todos os teus produtos. 10 Então os teus depósitos de suprimentos se encherão de fartura; e teus tanques de lagar transbordarão de vinho novo » (Provérbios 3:9,10). O cristão não está sob a obrigação de pagar o dízimo, de acordo com a Lei (dada à Moisés), porque Cristo é o fim da Lei (Romanos 10:4). As primícias, para o cristão, são espirituais, ou seja, o que quer que ele faça por Deus e seu Filho, tem de dar o melhor, com todo o seu coração (Malaquias 3:8-10). De certa forma, simbolicamente, ele não apresentará em sacrifício espiritual, um animal coxo (ao ser negligente) (Malaquias 1:12,13).
Quando Deus, o Pai Celestial nos disciplina, é verdade que pode nos entristecer no momento. No entanto, isso significa que ele nos ama e que quer que tenhamos um futuro eterno feliz: « Filho meu, não rejeites a disciplina de Jeová; e não abomines a sua repreensão, porque Jeová repreende aquele a quem ama, assim como o pai faz com o filho em quem tem prazer » (Provérbios 3:11,12).
O apóstolo Paulo comentou sobre este texto na carta aos Hebreus: « Na sua luta contra esse pecado, vocês ainda não resistiram até o ponto de ter seu sangue derramado. 5 E esqueceram-se totalmente da exortação dirigida a vocês como a filhos: “Meu filho, não menospreze a disciplina da parte de Jeová nem desanime quando é corrigido por ele. 6 Pois Jeová disciplina aqueles a quem ama; de fato, açoita a cada um a quem recebe como filho.” 7 Como parte da sua disciplina, vocês precisam perseverar. Deus os trata como a filhos. Pois qual é o filho que não é disciplinado pelo pai? 8 Mas, se todos vocês não receberam essa disciplina, são realmente filhos ilegítimos, e não filhos verdadeiros. 9 Além disso, nossos pais humanos nos disciplinavam, e nós os respeitávamos. Não deveríamos nos sujeitar com mais prontidão ao Pai da nossa vida espiritual para vivermos? 10 Pois eles nos disciplinaram por pouco tempo, segundo o que lhes parecia bom, mas ele o faz para o nosso benefício, para participarmos de sua santidade. 11 É verdade que nenhuma disciplina parece no momento ser motivo de alegria, mas causa dor; depois, porém, aos que têm sido treinados por ela, a disciplina dá o fruto pacífico da justiça » (Hebreus 12:4-11).
Devemos ajudar nosso próximo na medida em que temos a possibilidade de fazê-lo, sem procrastinar: « Não negues o bem àqueles a quem é devido, quando estiver no poder da tua mão fazê-lo. Não digas ao teu próximo: “Vai, e volta, e amanhã darei”, quando tens alguma coisa contigo » (Provérbios 3:27,28). No julgamento final (pouco antes da Grande Tribulação), das ovelhas e os cabritos simbólicos, Jesus Cristo apenas menciona ações de ajuda ao nosso próximo, como dar de beber, dar de comer, dar roupas, visitar companheiros doentes ou na prisão e manifestar hospitalidade (Mateus 25:31-46). Isso nos dá para pensar…
Provérbios capítulo 4: este capítulo se assemelha a uma carta que um filho ou uma filha receberia, de seu pai e sua mãe, dando conselhos educacionais. Anteriormente, no capítulo 3, lemos que Deus disciplina quem o ama. Concretamente, essa disciplina, na estrutura familiar que aplica os princípios bíblicos, é o pai que é responsável por isso com a estreita colaboração da mãe: « Escutai, ó filhos, a disciplina do pai e prestai atenção, para conhecerdes a compreensão. 2 Pois é boa instrução o que vos hei de dar. Não abandoneis a minha lei. 3 Pois, mostrei-me verdadeiro filho para meu pai, terno e o único diante de minha mãe. 4 E ele me instruía e me dizia: “Segure teu coração as minhas palavras. Guarda os meus mandamentos e continua vivendo. 5 Adquire sabedoria, adquire compreensão. Não te esqueças e não te apartes das declarações da minha boca. 6 Não a abandones, e ela te guardará. Ama-a, e ela te resguardará. 7 Sabedoria é a coisa principal. Adquire sabedoria; e com tudo o que adquirires, adquire compreensão. 8 Estima-a muito, e ela te exaltará. Ela te glorificará, porque a abraças. 9 Dará à tua cabeça uma grinalda de encanto; presentear-te-á com uma coroa de beleza » (Provérbios 4:1).
O apóstolo Paulo escreveu que a obediência aos pais é uma forma de honrá-los. No entanto, ele advertiu que os pais não devem irritar desnecessariamente seus filhos por meio de qualquer forma de abuso de autoridade: “Filhos, sede obedientes aos vossos pais em união com [o] Senhor, pois isto é justo: 2 “Honra a teu pai e [a tua] mãe”, que é o primeiro mandado com promessa: 3 “Para que te vá bem e perdures por longo tempo na terra.” 4 E vós, pais, não estejais irritando os vossos filhos, mas prossegui em criá-los na disciplina e na regulação mental de Jeová” (Efésios 6:1-4).
Jesus Cristo mostrou que honrar os pais significa cuidar deles na velhice: “Em resposta, disse-lhes: “Por que é também que vós infringis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? 4 Por exemplo, Deus disse: ‘Honra a teu pai e a tua mãe’; e: ‘Quem injuriar pai ou mãe, acabe na morte.’ 5 Mas vós dizeis: ‘Quem disser ao seu pai ou à sua mãe: “Tudo o que eu tenho, que da minha parte te poderia ser de proveito, é uma dádiva dedicada a Deus”, 6 este absolutamente não deve mais honrar a seu pai.’ E assim invalidastes a palavra de Deus por causa da vossa tradição” (Mateus 15:3-6).
Provérbios capítulo 5: é a continuação das recomendações do capítulo 4, acerca da moralidade sexual. Começa com um aviso contra a mulher estranha. É provável que a mulher estranha pode aludir ao mesmo tempo, a uma prostituta e uma mulher adúltera:
« Filho meu, presta deveras atenção à minha sabedoria. Inclina teus ouvidos ao meu discernimento, 2 para guardar os raciocínios; e resguardem os teus lábios o próprio conhecimento. 3 Pois os lábios duma mulher estranha estão gotejando como favo de mel e seu paladar é mais macio do que o azeite. 4 Mas o efeito posterior dela é tão amargo como o absinto; é tão afiado como uma espada de dois gumes. 5 Seus pés descem à morte. Mesmo os passos dela firmam-se no próprio Seol. 6 Ela não contempla a vereda da vida. Seus trilhos seguiram errantes, ela nem sabe [para onde]. 7 Portanto, agora, ó filhos, escutai-me e não vos desvieis das declarações da minha boca. 8 Guarda teu caminho longe dela e não te chegues à entrada da sua casa, 9 para que não dês a tua dignidade a outros, nem os teus anos ao que é cruel; 10 para que os estranhos não se fartem com o teu poder, nem as coisas que obtiveste com dor fiquem na casa dum estrangeiro, 11 nem tenhas de gemer no teu futuro, quando tua carne e teu organismo chegarem ao fim. 12 E terás de dizer: “Quanto odiei a disciplina e desrespeitou meu coração até mesmo a repreensão! 13 E não escutei a voz dos meus instrutores e não inclinei meu ouvido aos meus mestres. 14 Vim a estar facilmente em toda sorte de maldade no meio da congregação e da assembléia » (Provérbios 5:1-14).
De maneira metafórica, este texto mostra que, se a imoralidade sexual pode trazer prazer, no curto prazo, mas no final, as consequências podem ser particularmente dramáticas (até mortal « Seus pés descem à morte. Mesmo os passos dela firmam-se no próprio Seol »).
A continuação do capítulo mostra que um homem casado e sua mulher podem encontrar muita felicidade no nível sexual, enquanto permanecem fiéis um ao outro:
« Bebe água da tua própria cisterna e filetes de água do meio do teu próprio poço. 16 Porventura se deviam espalhar teus mananciais portas afora, [tuas] correntes de água nas próprias praças públicas? 17 Que mostrem ser somente para ti e não para os estranhos contigo. 18 Mostre-se abençoada a tua fonte de água e alegra-te com a esposa da tua mocidade, 19 gama amável e encantadora cabra-montesa. Inebriem-te os seus próprios seios todo o tempo. Que te extasies constantemente com o seu amor. 20 Portanto, meu filho, por que te devias extasiar com uma mulher estranha ou abraçar o seio duma mulher estrangeira? 21 Porque os caminhos do homem estão diante dos olhos de Jeová e ele contempla todos os seus trilhos. 22 Ao iníquo apanharão os seus próprios erros e ele será segurado pelas cordas do seu próprio pecado. 23 Será ele quem morrerá por não haver disciplina e [por] ele se perder na abundância da sua tolice » (Provérbios 5:15-21).
Essa felicidade conjugal é uma criação de Deus, no entanto, é necessário respeitar os limites morais. Isso pode ser uma proteção contra a tentação da prática da fornicação e do adultério: « Agora, quanto às coisas sobre as quais escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher; 2 contudo, por causa da prevalência da fornicação, tenha cada homem a sua própria esposa e tenha cada mulher o seu próprio marido. 3 O marido renda à esposa o que lhe é devido; mas, faça a esposa também o mesmo para com o marido. 4 A esposa não exerce autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o seu marido; do mesmo modo, também, o marido não exerce autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a sua esposa. 5 Não vos priveis um ao outro [disso], exceto por consentimento mútuo, por um tempo designado, para que possais devotar tempo à oração e possais ajuntar-vos novamente, a fim de que Satanás não vos tente pela vossa falta de come » (1 Coríntios 7:1-5).
Nesta área, Deus também « contempla todos os seus trilhos (os do homem e da mulher) », acerca das relações íntimas: « O matrimônio seja honroso entre todos e o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros » (Hebreus 13:4).
Provérbios capítulo 6: « Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; vê os seus caminhos e torna-te sábio. Embora não tenha comandante, nem oficial ou governante, prepara seu alimento no próprio verão; tem recolhido seus alimentos na própria colheita. Até quando, ó preguiçoso, ficarás deitado? Quando é que te levantarás do teu sono? Mais um pouco de sono, mais um pouco de cochilo, mais um pouco de cruzar as mãos ao estar deitado, e certamente chegará a tua pobreza como um bandoleiro e a tua carência como um homem armado » (Provérbios 6:6-11).
Este conselho nos convida a observar a criação de Deus, neste caso, o reino animal, os insetos para aprender com a sabedoria. O próprio Jesus Cristo tem encorajado a fazer o mesmo, a fim de fazer entender aos seus discípulos que Deus sempre cuidará dos seus servos, assim como ele cuida de toda a sua criação: « Por essa razão, eu lhes digo: Parem de se preocupar tanto com a sua vida, quanto ao que comer ou quanto ao que beber, e com o seu corpo, quanto ao que vestir. Não significa a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que a roupa? 26 Observem atentamente as aves do céu; elas não semeiam nem colhem, nem ajuntam em celeiros, contudo o Pai de vocês, que está nos céus, as alimenta. Será que vocês não valem mais do que elas? 27 Quem de vocês, por estar ansioso, pode acrescentar um só côvado à duração da sua vida? 28 Também, com respeito à roupa, por que estão ansiosos? Aprendam uma lição dos lírios do campo, de como eles crescem; não trabalham nem fiam. 29 Mas eu lhes digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestia como um deles. 30 Então, se Deus veste assim a vegetação do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vestirá ele ainda mais a vocês, homens de pouca fé? 31 Portanto, nunca fiquem ansiosos, dizendo: ‘O que vamos comer?’ ou: ‘O que vamos beber?’ ou: ‘O que vamos vestir?’ 32 Pois todas essas são as coisas pelas quais as nações se empenham ansiosamente. O seu Pai celestial sabe que vocês necessitam de todas essas coisas. 33 “Persistam, então, em buscar primeiro o Reino e a justiça de Deus, e todas essas outras coisas lhes serão acrescentadas. 34 Portanto, nunca fiquem ansiosos por causa do amanhã, pois o amanhã terá suas próprias ansiedades. Bastam a cada dia suas próprias dificuldades »(Mateus 6:24-34).
Assim, nossa meditação deve se basear, não apenas na Bíblia, na Palavra de Deus, mas também na criação, no estudo das ciências, a fim de perceber sua dimensão divina: « Pois as suas qualidades invisíveis — isto é, seu poder eterno e Divindade — são claramente vistas desde a criação do mundo, porque são percebidas por meio das coisas feitas, de modo que eles não têm desculpa » (Romanos 1:20).
« Há seis coisas que Jeová deveras odeia; sim, há sete coisas detestáveis para a sua alma: olhos altaneiros, língua falsa e mãos que derramam sangue inocente, o coração que projeta ardis prejudiciais, pés que se apressam a correr para a maldade, a testemunha falsa que profere mentiras e todo aquele que cria contendas entre irmãos » (Provérbios 6:16-19).
É estranho porque parece dizer que o número seis é igual a sete (seis coisas, sim sete). É importante saber que na Bíblia, os números, dependendo do contexto, podem ter o valor de figuras de estilo. Nesse caso, o número seis pode corresponder ao adjetivo « vários » ou « muitos », enquanto o número sete, a um superlativo, que expressa um maior grau de detestação (neste contexto).
Se contarmos o número de coisas que Deus odeia, há sete. Que relacionamento poderia ter a menção das seis primeiras coisas, com a sétima? A sétima detestação pode resumir todas as seis anteriores. Nesse caso específico, um indivíduo maligno que cria contendas entre irmãos (a sétima menção), provavelmente teria, na maioria dos casos, as características dos seis defeitos graves mencionados primeiro.
Provérbios capítulo 7: é a ilustração dum homem irresoluto em seu coração e quem se deixa seduzir por uma mulher estranha (neste caso uma mulher adúltera), astuta. Finalmente, ele acabou caindo na armadilha da imoralidade sexual, com as consequências prejudiciais:
« Pois da janela da minha casa, pela minha gelosia, olhei para baixo, para espreitar os inexperientes. Fiquei interessado em discernir entre os filhos um moço falto de coração, passando pela rua perto da esquina dela e marchando no caminho da casa dela, no crepúsculo, à noitinha do dia, ao se aproximar a noite e as trevas. E eis que vinha ao seu encontro uma mulher em traje de prostituta e ardilosa de coração. Ela é turbulenta e obstinada. Seus pés não ficam residindo na sua casa. Ora está portas afora, ora está nas praças públicas, e perto de cada esquina ela fica de emboscada. E ela o segurou e deu-lhe um beijo. Fez a sua face atrevida e começa a dizer-lhe:
“Cabia-me oferecer sacrifícios de participação em comum. Hoje paguei os meus votos. Por isso saí, vindo ao teu encontro, à procura da tua face, para achar-te. Arrumei o meu divã com colchas, com coisas multicolores, linho do Egito. Borrifei minha cama com mirra, aloés e canela. Vem deveras, bebamos fartamente do amor até à manhã; regalemo-nos deveras mutuamente com expressões de amor. Pois o esposo não está na sua casa; foi viajar num caminho de certa distância. Tomou na mão uma bolsa de dinheiro. Chegará à sua casa no dia da lua cheia.”
Ela o desencaminhou com a abundância da sua persuasão. Seduziu-o com a maciez dos seus lábios. De repente ele vai atrás dela, igual ao touro que chega ao abate, e como que agrilhoado para a disciplina do tolo, até que uma flecha lhe fende o fígado, assim como o pássaro se apressa para a armadilha, e ele não sabia que envolvia a sua própria alma » (Provérbios 7:6-23).
A fornicação inclui o adultério, as relações sexuais fora do casamento (homem/mulher), o homossexualismo masculino e feminino, a zoofilia e todas as formas de práticas sexuais perversas: “Ou será que vocês não sabem que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não se enganem. Os que praticam imoralidade sexual, os idólatras, os adúlteros, os homens que se submetem a atos homossexuais, os homens que praticam o homossexualismo, os ladrões, os gananciosos, os beberrões, os injuriadores e os extorsores não herdarão o Reino de Deus” (1 Coríntios 6:9,10). “O casamento seja honroso entre todos, e o leito conjugal mantido puro, porque Deus julgará os que praticam imoralidade sexual e os adúlteros” (Hebreus 13:4).
A lei mosaica é muito detalhada sobre o que Deus considera práticas sexuais inaceitáveis. Podemos considerar que a leitura do capítulo 18 de Levítico nos dá uma visão bastante completa do assunto. Dos versículos 6 a 18, há a lista das relações sexuais consideradas incestuosas. Aliás, a lei contra o incesto era uma proteção das crianças contra a pedofilia que é infelizmente generalizada, nas famílias, mas também nas redes criminosas organizadas, seja nos países ocidentais ou mesmo em torno de certos destinos « turísticos ». O Rei Jesus Cristo punirá com a maior severidade os criminosos que atacam crianças indefesas, na grande tribulação que se aproxima (Apocalipse 19:11-21). Além disso, a lei contra o incesto protegia o povo de Israel contra casamentos consanguíneos que poderiam resultar na geração de filhos com deficiências genéticas, como cegueira, surdez, retardo mental e muitas outras deficiências hereditárias, uma disfunção genética na concepção ou durante a gestação da mãe…
O versículo 19 proíbe relações sexuais durante o período menstrual da mulher. O versículo 22 condena a homossexualidade. O versículo 23 condena a bestialidade. Nesse mesmo versículo, Deus acrescenta: « É uma violação daquilo que é natural » (Levítico 18:23b). Esta frase muito curta resume muito bem todas as formas de práticas sexuais desviantes; eles são uma « violação daquilo que é natural » (que os casais, maridos e esposas, exerçam bom discernimento porque Deus julgará até o que é feito na maior privacidade (Hebreus 13:4) « O matrimônio seja honroso entre todos e o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros”). E para aqueles que tentariam se justificar dizendo « não estamos mais sob a lei »: esses diferentes aspectos da moral sexual são permanentes, porque o que Deus considerava detestável sob a lei, permanece assim. Deus não mudou e não muda, seu modo de pensar é estável, ainda mais sob a presente lei de Cristo que é o que constitui a substância da Lei. Isto é o que está escrito em Malaquias 3:6: « Pois eu sou Jeová; não mudei ».
A Bíblia condena a poligamia, cada homem nesta situação que quiser agradar a Deus, deve regularizar a sua situação, ficando apenas com a sua primeira esposa com que se casou (1 Timóteo 3:2 « marido de uma só esposa »). Segundo a Bíblia, a prática da masturbação é proibida: “Façam morrer, portanto, os membros do seu corpo com respeito a imoralidade sexual, impureza, paixão desenfreada, desejos prejudiciais e ganância, que é idolatria” (Colossenses 3:5).
Todas as coisas condenadas pela Bíblia não constam deste estudo bíblico. Os cristãos que têm atingido a maturidade e um bom conhecimento dos princípios bíblicos, fará a diferença entre o « certo » e « errado », mesmo que não for diretamente escrito na Bíblia: “Mas o alimento sólido é para as pessoas maduras, para aqueles que pelo uso têm sua capacidade de discernimento treinada para saber distinguir tanto o certo como o errado” (Hebreus 5:14).
Provérbios capítulo 8: esta passagem é particularmente conhecida pela personificação da sabedoria como mestre-de-obras, colaborador de Deus, particularmente durante a criação: « O próprio Jeová me produziu como princípio do seu caminho, a mais antiga das suas realizações de há muito. Fui empossada desde tempo indefinido, desde o começo, desde tempos mais remotos do que a terra. Quando não havia águas de profundeza, fui produzida como que com dores de parto, quando não havia mananciais fortemente carregados com água. Antes de serem assentados os próprios montes, adiante dos morros, fui produzida como que com dores de parto, quando ele ainda não havia feito a terra e os espaços abertos, nem a primeira parte das massas de pó do solo produtivo. Quando ele preparou os céus, eu estava lá; quando decretou o círculo sobre a face da água de profundeza, quando firmou as massas de nuvens acima, quando fez ficar fortes as fontes da água de profundeza, quando fixou ao mar o seu decreto, para que as próprias águas não ultrapassassem a sua ordem, quando decretou os alicerces da terra, então vim a estar ao seu lado como mestre-de-obras, e vim a ser aquele de quem ele gostava especialmente de dia a dia, regozijando-me perante ele todo o tempo, regozijando-me com o solo produtivo da sua terra, e as coisas de que eu gostava estavam com os filhos dos homens » (Provérbios 8:22-31).
Ao cruzar esse texto com informações escritas no Evangelho de João, entendemos que esse mestre-de-obras, não é outro senão Jesus Cristo, o Filho de Deus, em sua existência pré-humana no céu, que colaborou em toda a criação de seu Pai: « No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era um deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas vieram a existir por meio dele, e sem ele nem mesmo uma só coisa veio a existir » (João 1:1-3).
O apóstolo João explicou que este Filho, por meio de quem todas as coisas vieram à existência, nasceu como homem e como a luz do mundo:
« O que veio a existir 4 por meio dele foi a vida, e a vida era a luz dos homens. 5 A luz está brilhando na escuridão, mas a escuridão não a venceu. 6 Surgiu um homem enviado como representante de Deus; seu nome era João. 7 Esse homem veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que pessoas de todo tipo cressem por meio dele. 8 Ele não era essa luz, mas veio para dar testemunho dessa luz. 9 Estava para vir ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todo tipo de pessoas. 10 Ele estava no mundo, e o mundo veio a existir por meio dele, mas o mundo não o conheceu. 11 Ele veio ao seu próprio povo, mas eles não o aceitaram. 12 No entanto, a todos os que o receberam, ele deu autoridade para se tornarem filhos de Deus, porque exerciam fé no seu nome. 13 E eles nasceram, não do sangue, nem da vontade carnal, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14 De modo que a Palavra se tornou carne e residiu entre nós, e nós vimos a sua glória, uma glória como a de um filho unigênito de um pai; ele estava cheio de favor divino e de verdade. 15 (João deu testemunho dele, sim, ele clamou: “Este é aquele de quem eu disse: ‘Aquele que vem atrás de mim avançou na minha frente, pois existia antes de mim.’”) 16 Pois todos nós recebemos da sua plenitude, sim, bondade imerecida sobre bondade imerecida. 17 Porque a Lei foi dada por meio de Moisés; a bondade imerecida e a verdade vieram a existir por meio de Jesus Cristo. 18 Nenhum homem jamais viu a Deus; o deus unigênito, que está ao lado do Pai, é quem O revelou » (João 1:3-18).
Provérbios capítulo 9: vemos que a sabedoria está intimamente ligada à ação, à prática do conhecimento, com inteligência e perspicácia: « A verdadeira sabedoria construiu a sua casa; talhou as suas sete colunas. Ela organizou seu abate de carne; misturou seu vinho; ainda mais, pôs em ordem a sua mesa. Ela enviou as suas criadas, para que clamassem no cume das elevações da vila: “Quem for inexperiente, desvie-se para cá.” Quem for falto de coração — ela lhe disse: “Vinde, alimentai-vos do meu pão e participai em beber do vinho que misturei. Deixai os inexperientes e continuai vivendo, e andai direito no caminho do entendimento » (Provérbios 9:1-6).
Como lemos no Capítulo 2, a sabedoria divina mencionada ao longo do livro de Provérbios é a prática do conhecimento, com inteligência e discernimento. Jesus Cristo, ao final do Sermão do Monte, mostrou a necessidade de pôr seus ensinamentos em prática: “Portanto, todo aquele que ouve essas minhas palavras e as pratica será como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. 25 E caiu a chuva, vieram as inundações, e os ventos sopraram com força contra aquela casa, mas ela não desmoronou, pois tinha sido fundada sobre a rocha. 26 Além disso, todo aquele que ouve essas minhas palavras e não as pratica será como um homem tolo, que construiu sua casa sobre a areia. 27 E caiu a chuva, vieram as inundações, e os ventos sopraram e bateram contra aquela casa, e ela desmoronou, e foi grande a sua queda” (Mateus 7:24-27).
Nesta ilustração, Jesus Cristo diz que uma pessoa que coloca o conhecimento em prática é sábia e prudente, e uma pessoa que não o coloca em prática é tola e imprevisível. Na carta de Tiago, irmão de Jesus, ele também escreve sobre colocar a palavra de Deus em prática:
“Contudo, tornem-se cumpridores da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se com raciocínios falsos. 23 Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante a um homem que olha seu próprio rosto num espelho. 24 Pois ele olha para si mesmo, vai embora e logo esquece como ele é. 25 Mas aquele que examina com cuidado a lei perfeita que pertence à liberdade, e continua nela, tornou-se não um ouvinte que facilmente se esquece, mas um cumpridor da obra; e ele será feliz no que faz” (Tiago 1:22-25).
Essa sabedoria nos permite ter um relacionamento de profundo respeito por Deus, caracterizado por um temor reverente:
“O temor de Jeová é o início da sabedoria, e o conhecimento do Santíssimo é o que é entendimento. 11 Pois, por meio de mim, teus dias se tornarão muitos e acrescentar-se-ão anos à tua vida. 12 Se te tornaste sábio, tornaste-te sábio em teu próprio benefício; e se tiveres zombado, tu, somente tu, [o] suportarás” (Provérbios 9:10-12).
A pessoa sábia é a primeira a se beneficiar da sabedoria divina, tendo uma vida longa e evitando encurtá-la, por exemplo, correndo riscos desnecessários.
Provérbios capítulo 10: deste capítulo até o capítulo 30, há uma sucessão ininterrupta de várias dezenas de Provérbios. Alguns provérbios serão citados, com ou sem comentários.
“Jeová não fará que a alma do justo passe fome, mas repelirá a avidez dos iníquos” (versículo 3; veja também Mateus 6:33,34).
“O filho que age com perspicácia recolhe durante o verão; o filho que age vergonhosamente está profundamente adormecido durante a colheita” (versículo 5).
“O ódio é o que incita contendas, mas o amor encobre mesmo todas as transgressões” (versículo 12). Por trás das ações, escondem-se intenções: ou o ódio alimenta o ódio, ou o amor, em última análise, perdoa (Ler 1 Coríntios 13:1-8). O versículo 18 é semelhante em relação ao ódio oculto: “Onde há quem encobre o ódio há lábios de falsidade” (versículo 18).
“Na abundância de palavras não falta transgressão, mas quem refreia seus lábios age com discrição” (versículo 19; leia também Tiago 1:19 e todo o capítulo 3, sobre o uso da língua). O fluxo descontrolado de palavras pode levar a situações perigosas para aqueles que não conseguem controlar a língua, tanto da perspectiva de Deus quanto da perspectiva dos outros: « Quem semeia a injustiça ceifará o que é prejudicial » (Provérbios 22:8).
“A bênção de Jeová — esta é o que enriquece, e ele não lhe acrescenta dor alguma” (versículo 22). Em Tiago (1:17), está escrito o seguinte sobre os dons divinos: “Toda boa dádiva e todo presente perfeito vem de cima, desce do Pai das luzes celestes, o qual não muda como sombras inconstantes” (Tiago 1:17). Por meio dessa ilustração, mostra-se que, quando Deus concede um dom a alguém, ele sempre atinge seu ápice; é o melhor para a pessoa abençoada.
« O que amedronta ao iníquo — isto é o que chegará a ele; mas o desejo dos justos será concedido. Como quando passou o tufão, assim não existe mais o iníquo; mas o justo é um alicerce por tempo indefinido » (versículos 24,25).
“O caminho de Jeová é um baluarte para o inculpe, mas a ruína é para os que praticam o que é prejudicial” (versículo 29). Este texto mostra que a integridade duma pessoa é recompensada com a proteção divina, mesmo que essa integridade, num mundo que promove a falsidade, tenha um preço ou represente um sacrifício. O Salmo 15 ilustra isso bem:
“Ó Jeová, quem pode ser hóspede na tua tenda? Quem pode residir no teu santo monte? 2 Aquele que anda de modo íntegro, Que faz o que é certo E que fala a verdade no coração. 3 Ele não usa a língua para caluniar. Não faz nenhum mal ao seu próximo E não difama seus amigos. 4 Ele rejeita aquele que é desprezível, Mas honra os que temem a Jeová. Não deixa de cumprir a sua promessa, mesmo com prejuízo para si. 5 Não empresta seu dinheiro com juros E não aceita suborno contra o inocente. Quem age assim nunca será abalado” (Salmos 15).
Provérbios capítulo 11:
“Coisas valiosas de nada aproveitarão no dia da fúria, mas a justiça é que livrará da morte” (versículo 4).
“O justo é quem é socorrido mesmo da aflição, e em lugar dele entra o iníquo” (versículo 8).
“O falto de coração desprezou o seu próprio próximo, mas o homem de amplo discernimento é quem se mantém calado” (versículo 12).
“Quem anda em volta como caluniador está revelando palestra confidencial, mas quem é fiel no espírito encobre o assunto” (versículo 13). Este provérbio revela um aspecto nem sempre conhecido do que pode ser considerado calúnia, do ponto de vista de Deus: o fato de revelar palavras confidenciais e íntimas sobre uma pessoa, com o objetivo de causar dano, com o mesmo efeito da calúnia. Por outro lado, não fazer isso, é mostrar retidão de espírito e nobreza de coração.
“Quando não há orientação perita, o povo cai; mas há salvação na multidão de conselheiros” (Provérbios 11:14). Atualmente, podemos observar, como está escrito na Bíblia, a incompetência de pastores que se alimentam apenas de si mesmos e maltratam as ovelhas, o povo, organizando guerras e fomes que os levam à ruína: “Ai dos pastores de Israel, que foram tornar-se apascentadores de si mesmos! Não é ao rebanho que os pastores devem apascentar? 3 A gordura é o que comeis e com lã é que vestis a vós mesmos. Abateis o animal gordo. Não apascentais o próprio rebanho” (Ezequiel 34:2,3). Muitas vezes, as catástrofes podem ser evitadas cercando-nos de bons conselheiros e estando dispostos a ouvir seus sábios conselhos, a fim de pôr fim ao sofrimento infligido desnecessariamente a tantos povos.
“Como uma argola de ouro, para as narinas, no focinho dum porco, assim é a mulher que é bonita, mas que se desvia da sensatez” (versículo 22). A beleza física é um dom divino, porém, deve estar associada à beleza interior do homem ou da mulher, que neste caso, seria manifestar sensatez.
“Há um que espalha, e ainda assim está sendo incrementado; também aquele que se refreia do que é direito, mas isso só resulta em carência. Far-se-á que a própria alma generosa engorde, e aquele que rega liberalmente os outros também será regado liberalmente” (versículos 24,25).
“O fruto do justo é árvore de vida, e quem ganha almas é sábio” (versículo 30). « Ganhar almas” significa ensinar, aconselhar ou disciplinar uma pessoa para obter sabedoria ou corrigir mau comportamento. Neste sentido, o justo, através dos seus sábios conselhos, pode ser uma fonte de vida, ou de prolongamento da vida, para aqueles que o ouvem ou que seguem os seus sábios conselhos.
Provérbios capítulo 12:
“A esposa capaz é uma coroa para o seu dono, mas aquela que age vergonhosamente é como podridão nos seus ossos” (versículo 4). O capítulo 31 do Livro de Provérbios é dedicado a descrever a esposa capaz, tanto da perspectiva de Deus quanto da perspectiva dos homens.
“Melhor é o pouco estimado, mas que tem um servo, do que aquele que se glorifica, mas que carece de pão” (versículo 9). Este provérbio mostra que o que importa não é tanto como os outros nos veem, nem mesmo a vanglória, mas sim o que possuímos, tanto material quanto espiritualmente.
“O justo importa-se com a alma do seu animal doméstico, mas as misericórdias dos iníquos são cruéis” (versículo 10). Deus quer que os animais sejam bem tratados. É interessante notar que as pessoas que maltratam os animais são consideradas más por Deus.
“O caminho do tolo é direito aos seus próprios olhos, mas quem escuta conselho é sábio” (versículo 15). O tolo nunca questiona seu mau comportamento, enquanto o sábio admite que de vez em quando precisa ser aconselhado.
“É o tolo que dá a conhecer seu vexame no mesmo dia, mas o argucioso encobre a desonra” (versículo 16). Quando alguém fica naturalmente perturbado por palavras ou por uma situação, deve exercer o autocontrole e esperar o momento apropriado (que muitas vezes não é quando alguém tem pressa em reagir). A expressão “no mesmo dia” parece ilustrar uma reação espontânea, muitas vezes impensada e inadequada.
“Existe aquele que fala irrefletidamente como que com as estocadas duma espada, mas a língua dos sábios é uma cura” (versículo 18). A abundância de palavras impensadas ou desajeitadas pode magoar o interlocutor, enquanto quem é cuidadoso pode encorajar uma pessoa desanimada.
“A ansiedade no coração do homem é o que o fará curvar-se, mas a boa palavra é o que o alegra” (versículo 25). A metáfora da curvatura do coração pode significar uma expressão de tristeza ou melancolia, que se vê no rosto. Se conseguirmos reconhecer esse desânimo em nosso próximo, então, às vezes, uma simples palavra de encorajamento pode restaurar sua alegria.
“A indolência não espantará os animais de caça para a pessoa, mas o diligente é a abastança preciosa do homem” (versículo 27).
“Na vereda da justiça há vida, e a jornada na sua senda não significa morte” (versículo 28). Este versículo bíblico anuncia profeticamente que, sob o domínio do Reino de Deus, os justos obterão a vida eterna; a partir de então, jamais morrerão.
Provérbios capítulo 13:
“O filho é sábio quando há disciplina da parte do pai, mas é o zombador quem não deu ouvidos à censura” (versículo 1). A disciplina é uma educação, um treinamento dado a uma criança tanto pelo pai quanto pela mãe. Desconsiderar essa « disciplina » é destrutivo para o indivíduo.
« Dos frutos da sua boca o homem comerá aquilo que é bom, mas a própria alma dos que agem traiçoeiramente é violência. Quem resguarda a sua boca guarda a sua alma. Quem abre bem os seus lábios — terá a ruína » (versículos 2,3). A expressão « guardar a sua alma » pode significar ter a vida poupada, prolongá-la, enquanto « ter a ruína » pode significar perder a vida por causa de palavras impensadas.
“Há aquele que pretende ser rico, no entanto, não tem absolutamente nada; há aquele que pretende ser de poucos meios, no entanto, tem muitas coisas valiosas” (versículo 7).
“Pela presunção só se causa rixa, mas há sabedoria com os que se consultam mutuamente” (versículo 10). A presunção em questão parece ilustrar o fato de que uma pessoa que não que ouvir o ponto de vista dos outros acaba por ter problemas sérios de relacionamento. A deliberação parece ilustrar a pessoa que escuta o ponto de vista dos outros junto com um desejo de fazer concessões mútuas.
“A expectativa adiada faz adoecer o coração, mas a coisa desejada, quando vem, é árvore de vi” (versículo 12).
« Quem anda com pessoas sábias tornar-se-á sábio, mas irá mal com aquele que tem tratos com os estúpidos » (versículo 20). Há outro versículo na Bíblia que ilustra a importância de manter boas companhias e evitar as más associações: « Não sejais desencaminhados. Más associações estragam hábitos úteis » (1Coríntios 15:33).
“Quem refreia a sua vara odeia seu filho, mas aquele que o ama está à procura dele com disciplina” (versículo 24). A vara é um símbolo de disciplina, educação e treinamento transmitido a uma criança por seus pais (isso não deve ser necessariamente interpretado no sentido de castigo corporal). A disciplina é uma expressão do amor do pai para com o filho, enquanto a permissividade é o desdém para com o filho que fica espiritualmente abandonado a si mesmo, sem orientação espiritual.
Provérbios capítulo 14:
“A mulher realmente sábia edificou a sua casa, mas a tola a derruba com as suas próprias mãos” (Leia o capítulo 31 do livro de Provérbios, que descreve a esposa capaz como uma excelente administradora da sua casa) (versículo 1).
« Quem anda na sua retidão teme a Jeová, mas quem é sinuoso nos seus caminhos O despreza » (versículo 2). A retidão e a honestidade duma pessoa demonstram que ela teme a Deus; uma pessoa perversa demonstra que não crê em Deus nem o respeita.
« Onde não há reses, a manjedoura está limpa, mas a safra é abundante por causa do poder do touro » (versículo 4).
“Tolos são os que caçoam da culpa, mas há acordo entre os retos” (versículo 9).
« Há um caminho que é reto diante do homem, mas o fim posterior dele são os caminhos da morte » (versículo 12). A Bíblia nos aconselha a usar nossa inteligência, discernimento e bom senso ao tomar decisões. No entanto, como diz este provérbio bíblico, quem confia unicamente na sua própria bússola ou em sua própria perspectiva, sem consultar outras fontes de informação ou conselhos sábios, está caminhando para a ruína.
« Mesmo no riso o coração talvez sinta dor; e é em pesar que acaba a alegria » (versículo 13). Este texto mostra que nem sempre devemos confiar nas aparências da expressão externa dos sentimentos humanos. Às vezes, uma pessoa pode estar muito exuberante, irrompendo em risos, mas outras vezes é para esconder melhor uma profunda tristeza. Nesse caso, é importante exercer discernimento para ajudá-la e confortá-la.
“Qualquer inexperiente põe fé em cada palavra, mas o argucioso considera os seus passos” (versículo 15). É um incentivo para verificar as informações que recebemos e analisá-las para ver se são confiáveis. É importante ter um espírito crítico, ou seja, dar um passo atrás para melhor examinar os contornos e ter uma visão global, por exemplo as razões pelas quais nos deram esta informação (verdadeira ou falsa)… Acima de tudo, desconfie de certas pessoas, líderes religiosos, autoproclamados gurus e grupos religiosos (ou seitas) que recomendam obediência ou confiança cega, sem reflexão, pois nem mesmo Deus exige isso (nem seu Filho, Jesus Cristo). Embora Deus exija obediência, ela permanece fundamentada na reflexão sobre suas obras, o que fortalece nossa confiança nele e, consequentemente, nos encoraja a obedecê-lo (ver Salmos 146:3-5).
“Quem prontamente se irar cometerá tolice, mas o homem de raciocínios é odiado” (versículo 17).
“Aquele que é de poucos meios é objeto de ódio mesmo para o seu próximo, porém, muitos são os amigos do rico” (versículo 20).
“Quem é vagaroso em irar-se é abundante em discernimento, mas aquele que é impaciente exalta a tolice” (versículo 29).
“O coração calmo é a vida do organismo carnal, mas o ciúme é podridão para os ossos” (versículo 30).
« Quem defrauda o de condição humilde tem vituperado Aquele que o fez, mas aquele que mostra favor ao pobre O está glorificando » (versículo 31).
« No coração do entendido descansa a sabedoria, e ela se torna conhecida no meio dos estúpidos » (versículo 33).
« A justiça é o que enaltece uma nação, mas o pecado é uma ignomínia para os grupos nacionais » (versículo 34). Os acontecimentos atuais demonstram que, quando os líderes nacionais baseiam suas decisões em valores espirituais elevados, o povo é edificado; caso contrário, cai na decadência. É neste último caso que grandes impérios do passado desapareceram, devido à sua decadência…
Provérbios capítulo 15:
“Uma resposta, quando branda, faz recuar o furor, mas a palavra que causa dor faz subir a ira” (versículo 1). A gentileza e o respeito pelos sentimentos alheios em situações de grande tensão emocional podem, muitas vezes, acalmar significativamente a raiva.
“Os olhos de Jeová estão em todo lugar, vigiando os maus e os bons” (versículo 3). Tudo o que fazemos é observado por Deus, e, no devido tempo, todos seremos responsabilizados por nossas ações, sejam boas ou más (Romanos 14:12).
« A calma da língua é árvore de vida, mas a deturpação nela significa quebrantamento do espírito » (versículo 4). A primeira parte deste versículo ecoa a ideia de gentileza presente no versículo 1.
« Os lábios dos sábios estão difundindo conhecimento, mas o coração dos estúpidos não é assim » (versículo 7). A primeira parte deste versículo demonstra que a pessoa sábia deve compartilhar sua sabedoria, conhecimento e experiência de vida com os outros para encorajá-los e ajudá-los a praticar a sabedoria que vem de Deus, conforme descrito na Bíblia.
« O sacrifício dos iníquos é algo detestável para Jeová, mas a oração dos retos é um prazer para ele. O caminho do iníquo é algo detestável para Jeová, mas ele ama aquele que se empenha pela justiça » (versículos 8, 9). Este texto mostra que, além da prática espiritual ou religiosa, Deus sempre discerne as intenções mais profundas do coração. Se Ele vê que uma pessoa é má, não ouvirá sua oração, mas se vê que a pessoa é reta, Ele a ouvirá e a responderá.
“O coração alegre tem bom efeito sobre o semblante, mas por causa da dor de coração há um espírito abatido” (versículo 13). As expressões faciais são uma forma de comunicação silenciosa, porém explícita, dos sentimentos. Precisamos simplesmente discernir a natureza implícita dos sentimentos que a pessoa com quem estamos falando deseja que entendamos.
“Todos os dias do atribulado são maus; mas aquele que é bom de coração tem constantemente um banquete” (versículo 15). Este versículo mostra que os sentimentos têm um efeito somático no corpo; os sentimentos afetam a saúde física e mental duma pessoa (veja também o versículo 30).
« Melhor o pouco no temor de Jeová, do que suprimento abundante e com ele confusão » (versículo 16).
“Melhor um prato de verduras onde há amor, do que um touro cevado e com ele ódio” (versículo 17).
“O homem enfurecido suscita contenda, mas aquele que é vagaroso em irar-se sossega a altercação” (versículo 18 (veja os versículos 1 e 4)).
“O caminho do preguiçoso é como uma sebe de sarça, mas a vereda dos retos é um caminho aterrado” (versículo 19).
“Há frustração de planos quando não há palestra confidencial, mas na multidão de conselheiros há consecução” (versículo 22).
“O homem tem alegria na resposta da sua boca, e uma palavra no tempo certo, oh! quão boa ela é!” (versículo 23). Embora seja óbvio que temos de pesar as nossas palavras, devemos também discernir o momento apropriado para as dizer.
“O coração do justo medita a fim de responder, mas a boca dos iníquos borbulha com coisas más” (versículo 28).
“Jeová está longe dos iníquos, mas ouve a oração dos justos” (versículo 29).
“A luminosidade dos olhos alegra o coração; uma notícia boa engorda os ossos” (versículo 30). Os sentimentos podem afetar o nosso corpo para o bem ou para o mal (nesse caso, o efeito é benéfico (engorda os ossos); ver Provérbios 17:22).
“O temor de Jeová é uma disciplina para a sabedoria, e antes da glória há humildade” (versículo 33).
Provérbios capítulo 16:
“Ao homem terreno pertencem os arranjos do coração, mas de Jeová é a resposta da língua. Todos os caminhos do homem são puros aos seus próprios olhos, mas Jeová faz a avaliação dos espíritos. Rola os teus trabalhos sobre o próprio Jeová e os teus planos ficarão firmemente estabelecidos” (versículos 1, 2, 3). Esses três provérbios revelam como Deus lida com os seres humanos. O versículo 1 mostra que Deus respeita o livre-arbítrio de cada ser humano, mas se este se deixa guiar por Ele, o “inspira” a dar a resposta certa com a língua, Ele lhe infunde sabedoria. O versículo 2 mostra que, independentemente do que uma pessoa pense de si mesma, é Deus quem, em última análise, julga o seu valor espiritual. O versículo 3 mostra a importância de depositarmos nossa confiança em Deus para termos sucesso em nossos planos que estejam em conformidade com a Sua vontade.
“Tudo Jeová fez para seu propósito, sim, mesmo o iníquo para o dia mau” (versículo 4). Este versículo parece indicar que Deus criou o iníquo e a maldade, mas não é esse o caso (“Pois, por coisas más, Deus não pode ser provado, nem prova ele a alguém” (Tiago 1:13)). Este texto mostra que é do seu “propósito” permitir que o iníquo aja como quiser, e o fato de Ele “permitir” essa situação por um tempo é descrito como se Deus a tivesse criado, com o objetivo final de eliminá-lo permanentemente, porque o iníquo terá se revelado e sido julgado como tal.
« Quando Jeová tem prazer nos caminhos de um homem, faz que até os seus próprios inimigos estejam em paz com ele » (versículo 7).
« O coração do homem terreno talvez conceba o seu caminho, mas é o próprio Jeová quem dirige os seus passos » (versículo 9).
“Quanto melhor é obter sabedoria do que ouro! E obter compreensão deve ser preferido à prata. Ao sábio no coração chamar-se-á de entendido, e aquele que é doce de lábios acrescenta persuasão. Para os seus donos, a perspicácia é fonte de vida; e a disciplina dos tolos é tolice” (versículos 16, 21, 22). Sabedoria é colocar o conhecimento de Deus em prática. Entendimento é a capacidade de compreender o conhecimento de Deus (ver Mateus 7:24-27). A perspicácia, ou discernimento, é um grau superior de entendimento (ver Provérbios 2:1-9).
« O orgulho vem antes da derrocada e o espírito soberbo antes do tropeço » (versículo 18).
“Declarações afáveis são um favo de mel, doces para a alma e uma cura para os ossos” (versículo 24). Palavras bondosas e encorajadoras têm um efeito curativo sobre aqueles que as recebem.
« Há um caminho que é reto diante do homem, mas o fim posterior dele são os caminhos da morte » (versículo 25). Não é aconselhável confiar sistematicamente no seu próprio ponto de vista sem dar ouvidos a outros conselhos em certas situações difíceis onde a vida está em jogo.
« O homem de intrigas continua a criar contenda e o caluniador separa os que estão familiarizados uns com os outros » (versículo 28).
« As cãs são uma coroa de beleza quando se acham no caminho da justiça » (versículo 31).
« Melhor é o vagaroso em irar-se do que o homem poderoso, e aquele que controla seu espírito, do que aquele que captura uma cidade » (versículo 32). Aquele que sabe controlar-se, especialmente as suas emoções, tem mais carisma do que um homem forte ou alguém que tenha obtido sucesso num ato de guerra ao conquistar uma cidade.
Provérbios capítulo 17:
“Melhor um pedaço de pão seco com tranqüilidade, do que uma casa cheia dos sacrifícios da altercação” (versículo 1).
“O cadinho de refinação é para a prata e o forno de fundição para o ouro, mas Jeová é o examinador dos corações” (versículo 3). O refinamento da prata e do ouro é uma metáfora de como Deus examina os corações. Isso parece ilustrar o refinamento dos corações humanos pelas provações da vida, o que permite que uma pessoa melhore aos olhos de Deus por meio de qualidades como amor e compaixão: « Considerai tudo com alegria, meus irmãos, ao enfrentardes diversas provações, 3 sabendo que esta qualidade provada da vossa fé produz perseverança. 4 Mas, a perseverança tenha a sua obra completa, para que sejais completos e sãos em todos os sentidos, não vos faltando nada » (Tiago 1:2-4).
« Quem caçoa daquele que tem poucos meios realmente vitupera Aquele que o fez. Quem se alegra com o desastre de outrem não ficará impune » (versículo 5).
“Quem encobre uma transgressão está procurando amor, e aquele que continua falando sobre um assunto separa os que estão familiarizados uns com os outros” (versículo 9). Não é bom remoer antigas desavenças. O amor nos permite encobrir ou perdoar transgressões; o ressentimento tem um efeito tóxico nos relacionamentos humanos.
« Haja um encontro de um homem com uma ursa privada dos seus filhotes, em vez de com alguém estúpido na sua tolice » (versículo 12). Esta passagem mostra que um homem tolo é mais perigoso do que uma ursa sem seus filhotes, especialmente se ele for o líder dum grupo de pessoas, ou mesmo duma nação. A história (e até mesmo os eventos atuais) está repleta de relatos de homens tolos que causaram guerras, massacres e outras catástrofes humanitárias por causa da sua estupidez…
“O princípio da contenda é como alguém deixando sair águas; portanto, retira-te antes de estourar a altercação” (versículo 14).
“O verdadeiro companheiro está amando todo o tempo e é um irmão nascido para quando há aflição” (versículo 17). Um vizinho próximo e solidário é melhor do que um irmão distante…
“O coração alegre faz bem como o que cura, mas o espírito abatido resseca os ossos” (versículo 22; ver Provérbios 15:30).
“Quem refreia as suas declarações é possuído de conhecimento e o homem de discernimento é de espírito frio” (versículo 27).
“Até mesmo o tolo, quando fica calado, é tido por sábio; aquele que fecha os seus próprios lábios, por entendido” (versículo 28). Esta passagem mostra que um tolo pode esconder sua própria tolice permanecendo em silêncio… O silêncio dá a aparência de inteligência e prudência…
Provérbios capítulo 18:
« Quem se isola procurará o seu próprio desejo egoísta; estourará contra toda a sabedoria prática » (versículo 1). Este versículo não condena a solidão em si, pois o próprio Jesus Cristo passava tempo sozinho às vezes (João 6:15). Rejeitar sistematicamente todos os relacionamentos sociais, toda interação humana normal dentro duma família ou da sociedade em geral, é completamente destrutivo, porque os seres humanos são, por natureza, profundamente gregários; eles precisam de interação social para o seu próprio bem-estar mental, emocional e espiritual.
« As palavras da boca do homem são águas profundas. A fonte da sabedoria é uma torrente borbulhante » (versículo 4). As palavras dum homem (ou mulher) sábio(a) são comparadas à água pura que brota das profundezas da terra e tem um efeito vivificante sobre as pessoas.
« As palavras do caluniador são como coisas que se engolem avidamente, que descem até as partes mais íntimas do ventre » (versículo 8). Não devemos levar as palavras dos caluniadores muito a sério, mas sim deixá-las penetrar nas partes mais íntimas do ventre, ou seja, no nosso âmago… João Batista e Jesus Cristo foram alvos de calúnias e não tentaram se justificar sistematicamente: « Correspondentemente, João não veio nem comendo nem bebendo, contudo dizem: ‘Ele tem demônio’; 19 o Filho do homem veio comendo e bebendo, todavia dizem: ‘Eis um homem comilão e dado a beber vinho, amigo de cobradores de impostos e de pecadores.’ Não obstante, a sabedoria é provada justa pelas suas obras » (Mateus 11:18, 19). Jesus Cristo disse que, não importa o que façamos, os caluniadores sempre encontrarão algo a dizer, mas, no fim, o tempo revelará a qualidade das nossas obras (boas ou más).
« O nome de Jeová é uma torre forte. O justo corre para dentro dela e recebe proteção » (versículo 10). A relação que devemos ter com o Nome Divino YHWH (vocalizado como « Jeová » nesta tradução) não é mágica nem encantatória, mas espiritual. Invocar o Nome de Yeouah (Jeová) significa que devemos amá-Lo (Mateus 22:37-40). Significa ter fé em Ele e ter fé em Seu Filho, Jesus Cristo (João 3:16, 36; 17:3; Hebreus 11:6). Como está escrito neste texto, neste caso, o Nome Divino YHWH pode nos proteger…
« Quando alguém replica a um assunto antes de ouvi-lo, é tolice da sua parte e uma humilhação » (versículo 13).
« O espírito do homem pode agüentar a sua enfermidade; mas, quanto ao espírito abatido, quem o pode suportar? » (versículo 14).
« Um irmão contra quem se transgride é mais do que uma vila fortificada; e há contendas que são como a tranca duma torre de habitação » (versículo 19).
« Morte e vida estão no poder da língua, e quem a ama comerá os seus frutos » (versículo 21). Jesus Cristo disse que, no Juízo Final, cada pessoa será julgada pelas palavras que saírem de sua boca, para a vida ou para a morte: “Pois é da abundância do coração que a boca fala. 35 O homem bom, do seu bom tesouro, envia coisas boas, ao passo que o homem iníquo, do seu tesouro iníquo, envia coisas iníquas. 36 Eu vos digo que de toda declaração sem proveito que os homens fizerem prestarão contas no Dia do Juízo; 37 pois é pelas tuas palavras que serás declarado justo e é pelas tuas palavras que serás condenado” (Mateus 12:34-37).
« Achou alguém uma boa esposa? Achou uma coisa boa e obtém boa vontade da parte de Jeová » (versículo 22).
“Há companheiros dispostos a se fazerem mutuamente em pedaços, mas há um amigo que se apega mais do que um irmão” (versículo 24). Os laços de sangue ou familiares nem sempre são os mais fortes…
Provérbios capítulo 19:
“É a tolice do homem terreno que deturpa seu caminho, e por isso seu coração fica furioso com o próprio Jeová” (versículo 3). A segunda parte do provérbio mostra que as pessoas tendem a culpar Deus por seus infortúnios ou pelos desastres que lhes acontecem. No entanto, a primeira parte do provérbio mostra que o infortúnio muitas vezes surge devido à tolice ou ao comportamento imprudente do ser humano. Outro provérbio ilustra o processo humano que leva ao infortúnio: « O argucioso que viu a calamidade foi esconder-se; os inexperientes que passaram adiante sofreram a penalidade » (Provérbios 27:12). O comportamento imprudente que causa o infortúnio é ignorar os sinais de alerta de perigo. Simplesmente ser cuidadoso na estrada muitas vezes previne o infortúnio. Evitar esportes de alto risco também previne o infortúnio. Prestar atenção aos sinais de alerta da natureza antes dum desastre natural (grande erupção vulcânica ou inundação) muitas vezes ajuda a evitar o infortúnio.
« A abastança é a que acrescenta muitos companheiros, mas quem é de condição humilde é separado até mesmo do seu companheiro. Muitos são os que abrandam a face de um nobre, e todo o mundo é companheiro do homem que distribui dádivas. Os irmãos daquele de poucos meios odiaram-no todos. Quanto mais longe se mantiveram dele os seus amigos pessoais! Ele se empenha em dizer coisas; eles não » (versículos 4, 6, 7). A riqueza traz muitos amigos e garante que a pessoa seja ouvida e consultada, enquanto os humildes ou os pobres podem ser desprezados até mesmo por seu círculo mais próximo. Encontramos a mesma observação escrita no livro de Eclesiastes: « Vi também o seguinte com respeito à sabedoria debaixo do sol — e ela era grande para mim: 14 Havia uma pequena cidade e os homens nela eram poucos; e chegou a ela um grande rei, e cercou-a, e construiu contra ela grandes fortalezas. 15 E achava-se nela um homem, necessitado, [mas] sábio, e este pôs a cidade a salvo com a sua sabedoria. Mas homem algum se lembrou daquele homem necessitado. 16 E eu mesmo disse: “A sabedoria é melhor do que a potência; no entanto, a sabedoria do necessitado é desprezada e não se escutam as suas palavras” » (Eclesiastes 9:13-16).
“A perspicácia do homem certamente torna mais vagarosa a sua ira, e é beleza da sua parte passar por alto a transgressão” (versículo 11).
“O filho estúpido significa adversidades para seu pai e as contendas duma esposa são como a goteira do telhado, que afugenta” (versículo 13).
“A herança da parte dos pais é uma casa e abastança, mas a esposa discreta é da parte de Jeová” (versículo 14).
“Aquele que mostra favor ao de condição humilde está emprestando a Jeová, e Ele lhe retribuirá o seu tratamento » (versículo 17).
“Muitos são os planos no coração do homem, mas é o conselho de Jeová que ficará de pé” (versículo 21).
Provérbios capítulo 20:
“O vinho é zombador, a bebida inebriante é turbulenta, e quem se perde por ele não é sábio” (versículo 1). A Bíblia não proíbe beber vinho, proíbe a embriaguez. Há também o relato do primeiro milagre de Jesus Cristo, em que ele transformou água em vinho (João 2:3-11).
« Para o homem é uma glória desistir duma disputa, mas todo tolo estourará nela » (versículo 3).
« Por causa do inverno, o preguiçoso não lavra; vai estar mendigando no tempo da colheita, mas não haverá nada. Não ames o sono, para que não venhas a ficar na pobreza. Abre os olhos; farta-te de pão » (versículos 4, 13). A Bíblia descreve a preguiça como uma falha grave que pode levar à miséria ou à pobreza. Jesus Cristo, na alegoria dos talentos, mostrou que o último administrador que não tivesse feito sua riqueza render perderia a vida por causa de sua preguiça: “Portanto, tirai-lhe o talento e dai-o àquele que tem dez talentos. 29 Pois a todo aquele que tem, mais será dado, e ele terá abundância; mas, quanto àquele que não tem, até mesmo o que tem lhe será tirado. 30 E lançai o escravo imprestável na escuridão lá fora. Ali é onde haverá o [seu] choro e o ranger de [seus] dentes” (Mateus 25:28-30).
“O conselho no coração dum homem é como águas profundas, mas o homem de discernimento é quem o puxará para fora” (versículo 5). O homem perspicaz que sabe ouvir consegue discernir os pensamentos profundos do seu interlocutor.
“O justo está andando na sua integridade. Felizes são os seus filhos depois dele” (versículo 7). Integridade é uma forma de completude moral, perfeição e honestidade. Essa completude, da perspectiva de Deus, pode ser alcançada num nível moral, inclusive na manifestação do amor fraternal, apesar de todos sermos pecadores: “Concordemente, tendes de ser perfeitos, assim como o vosso Pai celestial é perfeito” (Mateus 5:48). A perfeição mencionada por Jesus Cristo não é impossível de alcançar na manifestação do amor fraternal.
« Quem pode dizer: “Purifiquei meu coração; fiquei limpo de meu pecado”? » (versículo 9). Todos somos pecadores: « É por isso que, assim como por intermédio de um só homem entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado » (Romanos 5:12).
« Há ouro, também uma abundância de corais; mas os lábios de conhecimento são vasos preciosos » (versículo 15).
« Quem anda em volta como caluniador está revelando palestra confidencial; e não deves ter associação com quem está engodado pelos seus lábios » (versículo 19).
« Quanto àquele que invocar o mal sobre seu pai e sobre sua mãe, sua lâmpada será apagada ao aproximar-se a escuridão » (versículo 20).
“Não digas: “Vou retribuir o mal!” Espera em Jeová, e ele te salvará” (versículo 22). Na perspectiva de Deus e de seu Filho Jesus Cristo, a vingança não nos pertence: “Não retribuais a ninguém mal por mal. Provede coisas excelentes à vista de todos os homens. 18 Se possível, no que depender de vós, sede pacíficos para com todos os homens. 19 Não vos vingueis, amados, mas cedei lugar ao furor; pois está escrito: “A vingança é minha; eu pagarei de volta, diz Jeová.” 20 Mas, “se o teu inimigo tiver fome, alimenta-o; se ele tiver sede, dá-lhe algo para beber; pois, por fazeres isso, amontoarás brasas acesas sobre a sua cabeça”. 21 Não te deixes vencer pelo mal, porém, persiste em vencer o mal com o bem” (Romanos 12:17-21).
“A beleza dos jovens é o seu poder e o esplendor dos anciãos são as suas cãs” (versículo 29).
“Feridas de contusões são o que expurga o mal; e os golpes, as partes mais íntimas do ventre” (versículo 30). As provações da vida nos ajudam a melhorar.
Provérbios Capítulo 21:
« Todo caminho do homem é reto aos seus próprios olhos, mas Jeová faz a avaliação dos corações » (versículo 2). Na Bíblia, o coração simboliza o eu espiritual interior de uma pessoa, onde residem suas intenções (boas ou más). Jesus Cristo disse que nossas palavras vêm do coração: « Pois é da abundância do coração que a boca fala. O homem bom, do seu bom tesouro, envia coisas boas, ao passo que o homem iníquo, do seu tesouro iníquo, envia coisas iníquas » (Mateus 12:34, 35). As palavras que saem de nossa boca muitas vezes refletem nosso eu espiritual interior, sejam elas boas ou más. É por isso que Jesus Cristo disse que seremos julgados por Deus com base no que dizemos: « Pois é pelas tuas palavras que serás declarado justo e é pelas tuas palavras que serás condenado » (Mateus 12:37). Seja a idéia que temos de nós mesmos, o que importa é a idéia que Deus tem de nós (Romanos 12:19).
« Executar a justiça e o juízo é preferido por Jeová a um sacrifício. O sacrifício dos iníquos é algo detestável. Quanto mais quando é trazido junto com conduta desenfreada » (versículos 3, 27). Nestes versículos, o sacrifício simboliza o que damos a Deus. O que importa para Deus é a qualidade duma pessoa justa, evidente nas suas palavras e ações, e não numa prática religiosa conformista (de sacrifícios) desprovida de sentimentos sinceros.
« Melhor é morar num canto do terraço, do que com uma esposa contenciosa, embora numa casa em comum. Melhor é morar numa terra erma, do que com uma esposa contenciosa junto com vexame » (versículos 9, 19).
« Quanto àquele que tapa seu ouvido contra o clamor queixoso do de condição humilde, ele mesmo também clamará e não se lhe responderá » (versículo 13).
« Aquele que ama a hilaridade será alguém em necessidade; quem ama o vinho e o azeite não enriquecerá » (versículo 17). Basear principalmente sua vida em prazer é espiritualmente destrutivo (« Amarão os prazeres em vez de a Deus » (2 Timóteo 3:1-5)).
« O iníquo é resgate para o justo; e quem age traiçoeiramente toma o lugar dos retos » (versículo 18 (Provérbios 11:8)).
“Quem guarda a sua boca e a sua língua está guardando a sua alma das aflições” (versículo 23). Vigiar o que dizemos nos ajudará a evitar muitos problemas…
« Fanfarrão presunçoso, pretensioso, é o nome daquele que age numa fúria de presunção » (versículo 24).
“O cavalo é algo preparado para o dia da batalha, mas a salvação pertence a Jeová” (versículo 31). Não devemos depositar toda a nossa confiança naquele que simboliza a força da luta, o cavalo, mas sim em Deus, para termos a vitória, a salvação.
Provérbios Capítulo 22:
« Deve-se escolher antes um nome do que riquezas abundantes; o favor é melhor do que mesmo a prata e o ouro » (versículo 1). Na Bíblia, o nome está associado à reputação, bom ou ruim, diante de Deus e dos homens: « Um nome é melhor do que bom óleo » (Eclesiastes 7: 1).
« Argucioso é aquele que tem visto a calamidade e passa a esconder-se, mas os inexperientes passaram adiante e terão de sofrer a penalidade » (versículo 3 (igual a 27:12)). É estúpido arriscar a vida de maneira desnecessária, com um perigo para perder a vida ou ficar gravemente ferido, não levando em consideração os avisos (ou praticando esportes perigosos).
« O resultado da humildade e do temor de Jeová é riquezas, e glória, e vida » (versículo 4). Deus dará glória aos humildes. Jesus Cristo ilustrou isso bem: “Prosseguiu então a contar aos convidados uma ilustração, ao notar como eles escolhiam os lugares mais destacados para si mesmos, dizendo-lhes: 8 “Quando fores convidado por alguém para uma festa de casamento, não te deites no lugar mais destacado. Talvez ele tenha convidado ao mesmo tempo alguém mais distinto do que tu, 9 e aquele que te convidou venha com ele e te diga: ‘Deixa este homem ter o lugar.’ Então principiarás com vergonha a ocupar o lugar mais baixo. 10 Mas, quando fores convidado, vai e recosta-te no lugar mais baixo, para que, quando vier o homem que te convidou, te diga: ‘Amigo, vai mais para cima.’ Então terás honra na frente de todos os que contigo foram convidados. 11 Porque todo aquele que se enaltecer será humilhado, e aquele que se humilhar será enaltecido’” (Lucas 14:7-11).
« Educa o rapaz segundo o caminho que é para ele; mesmo quando envelhecer não se desviará dele » (versículo 6).
« Quem é bondoso de olho será abençoado, porque deu do seu alimento ao de condição humilde » (versículo 9; veja a lista de boas ações em Mateus 25:31-46)). O olho simboliza não apenas a visão, mas também os objetivos que estabelecemos para nós mesmos na vida. Jesus Cristo associou um simples olho a um bom coração: “A lâmpada do corpo é o olho. Se, pois, o teu olho for singelo, todo o teu corpo será luminoso; 23 mas, se o teu olho for iníquo, todo o teu corpo será escuro. Se, na realidade, a luz que está em ti é escuridão, quão grande é essa escuridão!” (Mateus 6:22-23).
“Inclina teu ouvido e ouve as palavras dos sábios, para que fixes teu próprio coração no meu conhecimento. 18 Pois é agradável que as guardes no teu ventre, para que juntas fiquem firmemente estabelecidas sobre os teus lábios” (versículos 17,18).
« Não roubes ao de condição humilde por ele ser de condição humilde e não esmigalhes o atribulado no portão. Porque o próprio Jeová pleiteará a sua causa e certamente roubará a alma dos que os roubam » (versículos 22,23 ).
« Não tenhas companheirismo com alguém dado à ira; e não deves entrar com o homem que tem acessos de furor, para não te familiarizares com as suas veredas e certamente tomares um laço para a tua alma » (versículos 24,25 ). Poderíamos ter como companheiros pessoas violentas olhando filmes e séries de televisão violentas, tendo para « heróis » pessoas que resolvem seus problemas com violência e brutalidade, o que poderia ter uma má influência em nosso comportamento e nossa maneira de pensar.
« Observaste o homem que é destro na sua obra? É perante reis que ele se postará; não se postará diante de homens comuns » (versículo 29).
Provérbios capítulo 23:
“Caso te assentes com um rei para te alimentar, deves considerar diligentemente o que há diante de ti, e tens de pôr uma faca à tua garganta, se fores dono [dum desejo] de alma. Não te mostres almejante dos seus pratos gostosos, visto ser alimento de mentiras” (versículos 1-3). Este texto mostra que, em nossos relacionamentos humanos, devemos ser muito cuidadosos, especialmente na presença duma pessoa de alta posição, como um rei, porque as aparências podem ser perigosamente enganosas…
« Não labutes para enriquecer. Deixa da tua própria compreensão. Fizeste teus olhos relanceá-la sendo que ela não é nada? Pois, sem falta fará para si asas como as da águia e sairá voando em direção aos céus » (versículos 4,5). A Bíblia adverte sobre nossa relação com o dinheiro e os bens materiais. Jesus Cristo afirmou claramente que colocar o amor ao dinheiro acima do amor a Deus é um ato de idolatria: “Ninguém pode trabalhar como escravo para dois amos; pois, ou há de odiar um e amar o outro, ou há de apegar-se a um e desprezar o outro. Não podeis trabalhar como escravos para Deus e para as Riquezas” (Mateus 6:24). O apóstolo Paulo escreveu que o amor ao dinheiro leva à ruína em nível humano: “No entanto, os que estão resolvidos a ficar ricos caem em tentação e em laço, e em muitos desejos insensatos e nocivos, que lançam os homens na destruição e na ruína. Porque o amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais, e alguns, por procurarem alcançar este amor, foram desviados da fé e se traspassaram todo com muitas dores” (1Timóteo 6:9-10).
« Não te alimentes do alimento de alguém de olho não generoso, nem te mostres almejante dos seus pratos gostosos. Pois ele é como alguém que estava calculando na sua alma. “Come e bebe”, ele te diz, mas o seu coração mesmo não está contigo. Vomitarás o teu bocado que comeste e terás desperdiçado as tuas palavras agradáveis » (versículos 6-8). Há pessoas que, com o pretexto de nos fazer um favor, ao convidar para uma refeição ou nos prestar um serviço, e que certifiquem-se de que, mais tarde, serão reembolsadas, com um preço alto. Como está escrito neste provérbio, com esta refeição de convite interessado, essa pessoa o fará « vomitar » em troca, esta refeição.
« Não fales aos ouvidos de alguém estúpido, porque ele desprezará as tuas palavras dis » (versículo 9).
« Não venhas a ficar entre os beberrões de vinho, entre os que são comilões de carne. Porque o beberrão e o glutão ficarão pobres, e a sonolência vestirá a pessoa de meros trapos » (versículos 20,21).
« Filho meu, dá-me deveras teu coração, e agradem-se estes olhos teus dos meus próprios caminhos. Pois a prostituta é uma cova funda e a mulher estrangeira é um poço estreito. Ela, igual a um assaltante, seguramente está de tocaia; e ela incrementa entre os homens os traiçoeiros » (versículos 26-28). Os traidores são os homens infiéis em relação à sua promessa feita durante o casamento, uma traição para a esposa: “E esta é a segunda coisa que fazeis, resultando em que o altar de Jeová esteja coberto de lágrimas, de choro e de suspiros, de modo que não mais se olha para a oferenda, nem se tem prazer em qualquer coisa procedente da vossa mão. 14 E dissestes: ‘Por que razão?’ Por esta razão: que o próprio Jeová deu testemunho entre ti e a esposa da tua mocidade, para com a qual tu mesmo agiste traiçoeiramente, embora ela seja tua parceira e a esposa do teu pacto” (Malaquias 2:13, 14).
« Quem tem ais? Quem tem apreensão? Quem tem contendas? Quem tem preocupação? Quem tem ferimentos sem razão alguma? Quem tem embaciamento dos olhos? Os que ficam muito tempo com o vinho, os que entram para descobrir vinho misturado. Não olhes para o vinho quando apresenta uma cor vermelha, quando está cintilando no copo, quando escorre suavemente. No seu fim morde igual a uma serpente e segrega veneno igual a uma víbora. Teus próprios olhos verão coisas estranhas e teu próprio coração falará coisas perversas. E hás de tornar-te como quem se deita no coração do mar, sim, como quem se deita no topo de um mastro. “Golpearam-me, mas não adoeci; surraram-me, mas eu não o sabia. Quando é que acordarei? Eu o procurarei ainda mais » » (versículos 29-35). Esta é a descrição do espetáculo lamentável de um bêbado, um homem num estado de embriaguez.
Provérbios capítulo 24:
“Não invejes os homens maus e não te mostres almejante de ficar com eles. Porque seu coração está meditando a assolação e seus próprios lábios estão falando desgraça. Não te acalores por causa dos malfeitores. Não invejes os iníquos. Porque se mostrará não haver futuro para quem é mau; a própria lâmpada dos iníquos será apagada” (versículos 1, 2, 19, 20). Nesse sistema de valores humanos invertidos, temos a impressão de que tudo corre bem para “os homens maus”, até o ponto de alguns serem tentados a imitar seus caminhos. Todo o livro de Provérbios mostra que, mais cedo ou mais tarde, os ímpios pagarão as consequências de seus atos. Não os imitemos.
“Os da casa serão edificados pela sabedoria, e serão firmemente estabelecidos pelo discernimento. E pelo conhecimento se encherão os quartos interiores com todas as coisas preciosas e agradáveis de valor” (versículos 3, 4). A força dos laços familiares se constrói sobre valores espirituais imbuídos de sabedoria e conhecimento.
“O sábio na força é varão vigoroso e o homem de conhecimento está reforçando o poder. Pois travarás a tua guerra com orientação perita, e na multidão de conselheiros há salvação” (versículos 5, 6). A força da sabedoria é mais importante do que a força muscular ou física. Se a força muscular for combinada com a sabedoria, ela será “reforçada em poder”. Vejamos um exemplo simples: há dois lenhadores que precisam cortar uma árvore com o tronco da mesma espessura. O primeiro lenhador é mais forte do que o segundo. No entanto, o segundo consegue cortar a árvore antes do primeiro, que é mais forte. Por quê? Porque o segundo lenhador afiou seu machado primeiro, enquanto o primeiro não. Assim, combinar sabedoria com força física, a « reforça ».
“Mostraste-te desanimado no dia da aflição? Teu poder será escasso” (versículo 10). O desânimo tem um efeito corrosivo sobre a determinação e diminui consideravelmente a força de alguém.
« Livra os que estão sendo levados para a morte; e os que cambaleiam para a chacina, oh! que tu os refreies! Caso digas: “Eis que não sabíamos disso”, não o discernirá aquele que avalia os corações, e não o saberá aquele que observa a tua alma e não pagará de volta ao homem terreno segundo a sua atuação? » (Versículos 11,12). Quando uma pessoa está em perigo de morte e somos capazes de salvar a sua vida, devemos absolutamente agir. Alguns poderiam desviar o olhar e depois dizer hipocritamente « Eis que não sabíamos disso ». No entanto, Deus sabe tudo e vê tudo. Se essa não-assistência a uma pessoa em perigo tiverem resultado em ferimentos graves, até a morte da vítima, para Deus, essa pessoa que desviou os olhos, terá uma culpa de sangue com a sanção divina a seguir (provérbios 2:22).
« Pois o justo talvez caia até mesmo sete vezes, e ele se há de levantar; mas aos iníquos se fará tropeçar pela calamidade » (versículo 16). No atual sistema de coisas, Deus não impede que o justo tropeça, e sofre as consequências. No entanto, qualquer que seja o número de vezes que o justo tropeça e sofra, Deus sempre estará lá para apoiá-lo e garantir que ele vai se levantar. Quanto aos maus, o dia da sua queda, será definitiva para eles.
« Quando teu inimigo cai, não te alegres; e quando se faz que tropece, não jubile teu coração, para que Jeová não o veja e seja mau aos seus olhos, e ele certamente faça recuar sua ira contra ele. Não digas: “Assim como ele me fez, assim vou fazer a ele. Pagarei de volta a cada um segundo a sua atuação” » (versículos 17,18,29). Jesus Cristo, o Filho de Deus, ensinou uma ideia semelhante: “Ouvistes que se disse: ‘Tens de amar o teu próximo e odiar o teu inimigo.’ 44 No entanto, eu vos digo: Continuai a amar os vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem; 45 para que mostreis ser filhos de vosso Pai, que está nos céus, visto que ele faz o seu sol levantar-se sobre iníquos e sobre bons, e faz chover sobre justos e sobre injustos. 46 Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem também a mesma coisa os cobradores de impostos? 47 E, se cumprimentardes somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem também a mesma coisa as pessoas das nações? 48 Concordemente, tendes de ser perfeitos, assim como o vosso Pai celestial é perfeito” (Mateus 5:43-48).
« Quem disser ao iníquo: “Tu és justo”, a este os povos maldirão, grupos nacionais o verberarão. Mas, para os que o repreendem será agradável, e sobre estes virá a bênção de bem. Lábios beijará aquele que replicar de maneira direta » (versículos 24-26). Atualmente, estamos testemunhando uma inversão de valores espirituais: « Ai dos que dizem que o bom é mau e que o mau é bom, os que põem a escuridão por luz e a luz por escuridão, os que colocam o amargo pelo doce e o doce pelo amargo! » (Isaías 5:20).
Provérbios capítulo 25:
« A glória de Deus é manter um assunto em segredo, e a glória dos reis é esquadrinhar um assunto (versículo 2). Glória significa uma prestigiada posição de autoridade, neste caso, para revelar ou não revelar um segredo, deliberar para uma decisão importante.
“Remova-se da prata a escória, e toda ela sairá refinada” (versículo 4). Este é o princípio da disciplina de Deus para com aqueles que Ele refina. Deus remove a escória de nossos corações — isto é, certas tendências à maldade ou certas intenções malignas — para nos aprimorar como indivíduos. Essa escória é removida pelo fogo das provações pelas quais Deus permite que passemos: “Considerai tudo com alegria, meus irmãos, ao enfrentardes diversas provações, sabendo que esta qualidade provada da vossa fé produz perseverança. Mas, a perseverança tenha a sua obra completa, para que sejais completos e sãos em todos os sentidos, não vos faltando nada” (Tiago 1:2-4). No livro dos Salmos, a escória é associada aos ímpios e à maldade: “Fizeste cessar, como escória, todos os iníquos da terra” (Salmos 119:119).
« Não te honres a ti mesmo diante do rei e não te postes no lugar dos grandes. Pois é melhor que ele te diga: “Sobe para cá”, do que seres por ele rebaixado diante de um nobre a quem teus olhos viram » (versículos 6,7). Jesus Cristo ilustrou este provérbio que incentiva a humildade e a modéstia: “Prosseguiu então a contar aos convidados uma ilustração, ao notar como eles escolhiam os lugares mais destacados para si mesmos, dizendo-lhes: 8 “Quando fores convidado por alguém para uma festa de casamento, não te deites no lugar mais destacado. Talvez ele tenha convidado ao mesmo tempo alguém mais distinto do que tu, 9 e aquele que te convidou venha com ele e te diga: ‘Deixa este homem ter o lugar.’ Então principiarás com vergonha a ocupar o lugar mais baixo. 10 Mas, quando fores convidado, vai e recosta-te no lugar mais baixo, para que, quando vier o homem que te convidou, te diga: ‘Amigo, vai mais para cima.’ Então terás honra na frente de todos os que contigo foram convidados. 11 Porque todo aquele que se enaltecer será humilhado, e aquele que se humilhar será enaltecido” (Lucas 14:7-11).
« Como maçãs de ouro em esculturas de prata é a palavra falada no tempo certo para ela » (versículo 11). Uma boa comunicação requer a escolha das palavras e o momento certo para dizê-las.
« Arrecada de ouro e ornamento de ouro especial é o sábio repreendedor sobre o ouvido atento » (versículo 12).
« Pela paciência se induz ao comandante, e a própria língua suave pode quebrar um osso » (versículo 15).
« Achaste mel? Come o que for suficiente para ti, a fim de que não tomes demais e tenhas de vomitá-lo » (versículo 16).
« Faze raro o teu pé na casa do teu próximo, para que não se farte de ti e certamente te odeie » (versículo 17). Esta passagem mostra que devemos exercer discernimento em nossos relacionamentos e compreender a importância de moderar a frequência de nossas visitas para não invadir a privacidade alheia.
« Como dente quebrado e pé vacilante é a confiança naquele que se mostra traiçoeiro no dia da aflição » (versículo 19).
« Se aquele que te odeia tiver fome, dá-lhe pão para comer; e se ele tiver sede, dá-lhe água para beber. Porque juntarás brasas sobre a sua cabeça, e o próprio Jeová te recompensará » (versículos 21,22). Jesus Cristo ilustrou esse princípio de amar nossos inimigos em Mateus 5:43-48. Amar nossos inimigos não deve ser entendido como amor afetuoso, mas sim, como expressa este provérbio, como um amor racional, baseado em princípios, que nos levará a ajudá-los quando estiverem em sérios apuros. O fato de o provérbio mencionar que Deus nos recompensará sugere que o inimigo que ajudamos pode nem mesmo demonstrar gratidão.
« O vento do norte produz um aguaceiro como que com dores de parto; e a língua revelando um segredo, uma face verberada » (versículo 23; Provérbios 11:13).
“Como água fresca para a alma cansada é a notícia boa duma terra longínqua” (versículo 25).
“Comer mel demais não é bom; e ir-se em busca da sua própria glória acaso é glória?” (versículo 27). A primeira parte do provérbio mostra que tudo é uma questão de equilíbrio entre comer bem e comer em excesso. Da mesma forma, em relação à nossa autoestima, precisamos apenas do suficiente, mas não em excesso, como escreveu o apóstolo Paulo: “Pois, por intermédio da benignidade imerecida que me foi dada, digo a cada um aí entre vós que não pense mais de si mesmo do que é necessário pensar; mas, que pense de modo a ter bom juízo, cada um conforme Deus lhe distribuiu uma medida de fé” (Romanos 12:3).
« Como uma cidade arrombada, sem muralha, é o homem que não domina seu espírito » (versículo 28).
Provérbios capítulo 26:
« Assim como o pássaro tem razão para fugir e assim como a andorinha tem para voar, assim a invocação do mal não vem sem causa real » (versículo 2).
« Não respondas ao estúpido segundo a sua tolice, para que tu mesmo não te tornes igual a ele. Responde ao estúpido segundo a sua tolice, para que não se torne alguém sábio aos seus próprios olhos » (versículos 4,5). O versículo 4, é uma tese que deixa claro que, em certas situações, é aconselhável não responder a um homem estúpido, a fim de evitar a armadilha de desacreditar-se, abaixando-se no seu nível de estupidez (Provérbios 9:7,8). O versículo 5 é uma antítese, que mostra que, num contexto completamente diferente, temos o dever de responder ao estúpido, a fim de colocar na sua frente a sua própria tolice. É o discernimento que torna possível entender a boa resposta a uma situação ou a uma pergunta específica (Hebreus 5:14).
“Acaso as pernas do coxo puxaram água? Então há um provérbio na boca de gente estúpida” (versículo 7).
« Igual ao cão que volta ao seu vômito, o estúpido repete a sua tolice » (versículo 11).
« A porta gira nos seus gonzos e o preguiçoso no seu leito » (versículo 14).
« Como alguém que agarra as orelhas de um cão é aquele que, estando de passagem, fica furioso com uma altercação que não é dele » (versículo 17).
“As palavras do caluniador são como coisas que se engolem avidamente, que descem até as partes mais íntimas do ventre” (versículo 22).
« O odiador faz-se irreconhecível com os seus lábios, mas para dentro de si põe o engano. Embora ele faça a sua voz graciosa, não lhe acredites, pois há sete coisas detestáveis no seu coração. O ódio está encoberto pelo engano. Sua maldade será descoberta na congregação »(versículos 24-26; Provérbios 6:16-19).
“Quem escava uma cova cairá na mesma, e quem revolve uma pedra — sobre este ela retornará” (versículo 27).
Provérbios capítulo 27:
« Não te jactes do dia seguinte, pois não sabes o que o dia dará à luz » (versículo 1). Jesus Cristo e seu irmão Tiago expressaram um pensamento semelhante: “Portanto, nunca estejais ansiosos quanto ao dia seguinte, pois o dia seguinte terá as suas próprias ansiedades. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34). “Vinde agora, vós os que dizeis: “Hoje ou amanhã viajaremos para esta cidade e passaremos ali um ano, e negociaremos e teremos lucros”, ao passo que nem sabeis qual será a vossa vida amanhã. Porque sois uma bruma que aparece por um pouco de tempo e depois desaparece. Devíeis dizer, em vez disso: “Se Jeová quiser, havemos de viver e também de fazer isso ou aquilo.” Mas agora vos orgulhais de vossas fanfarrices pretensiosas. Todo esse orgulho é iníquo” (Tiago 4:13-16).
« Louve-te o estranho e não a tua própria boca; faça-o o estrangeiro e não os teus próprios lábios » (versículo 2). Quem se vangloria está servindo à sua própria glória.
« Melhor a repreensão revelada do que o amor escondido » (versículo 5).
« Melhor o vizinho que está perto do que um irmão que está longe » (versículo 10).
« Sê sábio, filho meu, e alegra meu coração, para que eu possa replicar àquele que me escarnece » (versículo 11).
« O argucioso que viu a calamidade foi esconder-se; os inexperientes que passaram adiante sofreram a penalidade » (versículo 12; Provérbios 22: 3)).
« O ferro se aguça com o próprio ferro. Assim um homem aguça a face de outro » (versículo 17).
“O próprio Seol e o lugar de destruição não se fartam; nem se saciam os olhos do homem” (versículo 20). Sheol é a transliteração da palavra hebraica, um termo genérico que corresponde à sepultura, o lugar para onde vão os mortos (Salmos 88:11). Há um pensamento semelhante no livro de Eclesiastes: “Todas as coisas são fatigantes; ninguém pode falar disso. O olho não se farta de ver, nem o ouvido se enche de ouvir” (Eclesiastes 1:8).
« Ainda que triturasses o tolo com o pilão no almofariz, no meio de grãos pilados, não se afastaria dele a sua tolice » (versículo 22). Existem pessoas que são absolutamente irrecuperáveis em sua estupidez, e se você se encontrar na presença delas, é melhor se afastar…
« Devias conhecer positivamente a aparência do teu rebanho. Fixa teu coração nas tuas greis » (versículo 23).
Provérbios capítulo 28:
“Os iníquos fogem deveras quando não há quem os persiga, mas os justos são como o leão novo que é confiante. O homem sobrecarregado de culpa de sangue por causa de uma alma é quem fugirá para o poço. Que não o segurem” (versículos 1, 17). Os ímpios podem fugir de sua consciência, que os condena: “Elas é que são quem demonstra que a matéria da lei está escrita nos seus corações, ao passo que a sua consciência lhes dá testemunho e nos seus próprios pensamentos são acusadas ou até mesmo desculpadas” (Romanos 2:15). De certa forma, podemos dizer que nossa consciência é o olhar de Deus sobre o que fazemos, seja bom ou mau (Gênesis 3:8). Os ímpios também podem simplesmente fugir da retribuição daqueles a quem prejudicaram profundamente…
“Por causa da transgressão de uma terra são muitos os seus sucessivos príncipes, porém, por meio dum homem de discernimento, que tem conhecimento do que é direito, o príncipe permanecerá por muito tempo. O líder que carece de verdadeiro discernimento é também abundante em práticas fraudulentas, mas aquele que odeia o lucro injusto prolongará os seus dias” (versículos 2, 16). Governos onde existe corrupção são muito mais instáveis.
« Melhor é o de poucos meios que anda na sua integridade, do que o pervertido nos seus caminhos, embora seja rico » (versículo 6).
« Quem desvia seu ouvido de ouvir a lei — até mesmo sua oração é algo detestável » (versículo 9). A oração deve ser combinada com a prática das leis de Deus.
« Quem encobre as suas transgressões não será bem sucedido, mas, ter-se-á misericórdia com aquele que [as] confessa e abandona » (versículo 13).
« Feliz o homem que constantemente sente pavor, mas aquele que endurece seu coração cairá em calamidade. O homem de atos fiéis receberá muitas bênçãos, mas aquele que se precipita para enriquecer não ficará inocente » (versículos 14, 20). O pavor em questão pode ser um temor reverencial a Deus, de desagradá-Lo. Pode estar relacionada a uma consciência muito sensível, em contraste com o coração endurecido duma pessoa que não a ouve.
« Quem repreende a um homem achará depois mais favor do que aquele que lisonjeia com a sua língua » (versículo 23).
« Quem rouba seu pai e sua mãe, e diz: “Não é transgressão”, é sócio do homem que causa ruína » (versículo 24). Jesus Cristo aludiu a esse tipo de situação em seu tempo: « Em resposta, disse-lhes: “Por que é também que vós infringis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Por exemplo, Deus disse: ‘Honra a teu pai e a tua mãe’; e: ‘Quem injuriar pai ou mãe, acabe na morte.’ Mas vós dizeis: ‘Quem disser ao seu pai ou à sua mãe: “Tudo o que eu tenho, que da minha parte te poderia ser de proveito, é uma dádiva dedicada a Deus”, este absolutamente não deve mais honrar a seu pai.’ E assim invalidastes a palavra de Deus por causa da vossa tradição” (Mateus 15:3-6).
« Quem confia no seu próprio coração é estúpido, mas aquele que anda em sabedoria é o que escapará » (versículo 26).
« Quem dá àquele de poucos meios não terá carência, mas aquele que oculta os seus olhos receberá muitas maldições » (versículo 27).
Provérbios capítulo 29:
“O homem repetidas vezes repreendido, mas que endurece a cerviz, será repentinamente quebrado, e isto sem cura. O servo não se deixará corrigir por meras palavras, pois ele compreende, mas não atende” (versículos 1, 19). No livro de Êxodo, encontramos o relato da obstinação de Faraó, apesar das dez pragas do Egito, que levaram à sua queda (Êxodo, capítulos 9-11).
“Quando os justos se tornam muitos, o povo se alegra; mas quando um iníquo está dominando, o povo suspira. Pela justiça o rei faz que o país fique de pé, mas o homem à procura de suborno o derruba. O justo conhece a demanda judicial dos de condição humilde. Quem é iníquo não toma em consideração tal conhecimento. Quando o governante presta atenção a conversa falsa, todos os que o atendem serão iníquos. Quando o rei julga em veracidade os de condição humilde, seu trono ficará firmemente estabelecido para todo o sempre” (versículos 2, 4, 7, 12, 14). Quando os ímpios governam, o homem governa sobre o homem para seu próprio prejuízo (Eclesiastes 8:9).
« O varão vigoroso que lisonjeia seu companheiro apenas está estendendo uma rede aos seus passos » (versículo 5). A bajulação é a armadilha daqueles que agem perversamente, mas, como está escrito neste provérbio, mais cedo ou mais tarde a sua própria armadilha se fechará sobre ele.
“Todo o seu espírito é o que o estúpido deixa sair, mas aquele que é sábio o mantém calmo até o último. O homem dado à ira suscita contenda e quem está disposto ao furor tem muita transgressão” (versículos 11, 22). O autocontrole é um fruto do Espírito Santo de Deus: “Por outro lado, os frutos do espírito são amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio. Contra tais coisas não há lei” (Gálatas 5:22,23).
« A vara e a repreensão é que dão sabedoria; mas, o rapaz deixado solto causará vergonha à sua mãe » (versículo 15).
« Observaste o homem que é precipitado nas suas palavras? Há mais esperança para o estúpido do que para ele » (versículo 20). Este provérbio mostra que alguém pode estar certo, mas se não souber como moldar seus pensamentos com palavras bem escolhidas, não prevalecerá contra um insensato que fala com eloquência.
« Se alguém está mimando o seu servo desde a infância, este se tornará posteriormente na vida até mesmo um ingrato » (versículo 21).
« Tremer diante de homens é o que arma um laço, mas quem confia em Jeová será protegido » (versículo 25).
Provérbios capítulo 30:
“Quem subiu ao céu para descer? Quem ajuntou o vento na concavidade de ambas as mãos? Quem embrulhou as águas numa capa? Quem fez todos os confins da terra levantar-se? Qual é seu nome e qual é o nome de seu filho, caso [o] saibas?” (versículo 4). Essas perguntas retóricas, que convidam à reflexão, permitem-nos cultivar a humildade ao refletirmos sobre nossas próprias limitações e insignificância, assim como quando Deus perguntou a Jó: “Onde vieste a estar quando fundei a terra? Informa-me, se deveras conheces a compreensão” (Jó 38:4).
« Toda declaração de Deus é refinada. Ele é escudo para os que se refugiam nele. Não acrescentes nada às suas palavras, para que não te repreenda e para que não venhas a ser mostrado mentiroso » (versículos 5,6). Como está escrito neste provérbio, acrescentar à Palavra de Deus significa mudar o seu significado, e é isso que a maioria das religiões cristãs faz quando afirma aplicar a Bíblia. Por exemplo, Jesus Cristo disse para adorarmos o Pai em espírito e não com imagens: “Deus é Espírito, e os que o adoram têm de adorá-lo com espírito e verdade” (João 4:24). O que algumas das chamadas religiões cristãs estão fazendo quando usam estátuas e cruzes para adorar a Deus? Ir além do que está escrito é grave: “Mas não são outras; há apenas certos que vos estão causando dificuldades e que querem desvirtuar as boas novas acerca do Cristo. No entanto, mesmo que nós ou um anjo do céu vos declarássemos como boas novas algo além daquilo que vos declaramos como boas novas, seja amaldiçoado. Como já dissemos, também digo agora novamente: Quem quer que vos esteja declarando como boas novas algo além daquilo que aceitastes, seja amaldiçoado” (Gálatas 1:7-9).
« Duas coisas te pedi. Não mas negues antes de eu morrer. Afasta para longe de mim a inveracidade e a palavra mentirosa. Não me dês nem pobreza nem riquezas. Devore eu o alimento que me é prescrito, para que eu não me farte e realmente te renegue, e diga: “Quem é Jeová?” e para que eu não fique pobre e realmente furte, e ataque o nome de meu Deus » (versículos 7-9).
“Há uma geração que invoca o mal até mesmo sobre seu pai e que não abençoa nem mesmo a sua mãe. Há uma geração que é pura aos seus próprios olhos, mas que não foi lavada do seu próprio excremento. Há uma geração cujos olhos ficaram, oh! tão altaneiros, e cujos olhos radiantes estão elevados. Há uma geração cujos dentes são espadas e cujas mandíbulas são cutelos, para devorar os atribulados de cima da terra e os pobres de entre a humanidade” (versículos 11-14).
« As sanguessugas têm duas filhas [que clamam]: “Dá! Dá!” Há três coisas que não se fartam, quatro que não disseram: “Basta!” O Seol e a madre impedida, a terra que não se saciou de água e o fogo que não disse: “Basta!” » (Versículos 15,16).
« Há três coisas que se mostraram maravilhosas demais para mim e quatro que não vim a conhecer: o caminho da águia nos céus, o caminho da serpente sobre uma rocha, o caminho do navio no coração do mar e o caminho do varão vigoroso com a donzela » (versículos 18,19).
« Há quatro coisas que são as menores da terra, mas são instintivamente sábias: as formigas não são um povo forte, no entanto, preparam seu alimento no verão; os procávias não são um povo potente, no entanto, é sobre o rochedo que eles põem a sua casa; os gafanhotos não têm rei, no entanto, todos eles saem divididos em grupos; o geco de muro pega com as suas próprias mãos e está no grandioso palácio do rei » (versículos 24-28; Provérbios 6:6-11).
« Há três que procedem bem nas suas passadas e quatro que procedem bem no seu avanço: o leão, que é o mais poderoso entre os animais e que não recua diante de ninguém; o galgo ou o cabrito, e o rei de um destacamento de soldados do seu próprio povo » (versículos 29-31).
Provérbios capítulo 31: A esposa capaz.
« Uma esposa capaz, quem a pode achar? Seu valor é muito maior do que o de corais » (versículo 10).
« Nela confia o coração do seu dono, e não há falta de lucro » (versículo 11). Há uma relação de confiança entre o marido e sua esposa capaz.
« Ela o recompensou com o bem e não com o mal, todos os dias da sua vida » (versículo 12). Ela age para o bem do marido e dos seus filhos.
« Ela tem buscado lã e linho, e trabalha em que for do agrado das suas mãos » (versículo 13, veja também versículos 14,15,17,19,21,22,27). Ela é trabalhadora para fornecer as necessidades para à casa com seu marido.
« Ela cogitou um campo e passou a obtê-lo; dos frutos das suas mãos ela plantou um vinhedo » (versículos 16,18,24). Ela faz negócios e faz aumentar os bens do lar.
« Ela estendeu a palma da sua mão ao atribulado e estendeu as suas mãos ao pobre » (versículo 20). Ela é hospitaleira, fazendo o bem àqueles que são estrangeiros para sua casa.
« Seu dono é alguém conhecido nos portões, quando se assenta com os anciãos do país » (versículo 23). A boa reputação de sua esposa permite que o marido seja um dos sábios que deliberam nos portões da cidade (ver 1 Coríntios 11:7; 1 Timóteo 3:5).
« Abriu a sua boca em sabedoria e a lei da benevolência está sobre a sua língua » (versículo 26). Ela é conhecida por sua sabedoria e bondade de coração.
« Seus filhos se levantaram e passaram a chamá-la feliz; seu dono [se levanta] e a louva » (versículo 28). Seu marido e seus filhos ficam orgulhosos dela.
« O encanto talvez seja falso e a lindeza talvez seja vã; mas a mulher que teme a Jeová é a que procura louvor para si » (versículo 30).
O livro dos Salmos foi escrito principalmente pelo Rei Davi, mas também por outros escritores. O fim da obra composicional seria no século V Antes Era Comum.
O livro dos Salmos é uma coleção de poesias cantadas. O estilo é bastante figurativo, o que permite uma melhor memorização da ideia poética. Por exemplo, o Salmo 1 compara um ser humano que lê a Bíblia a uma árvore perto dum rio que nunca ficará sem água: “Ele será como uma árvore plantada junto a correntes de água, Uma árvore que dá fruto na sua estação E cuja folhagem não murcha. Tudo o que ele fizer será bem-sucedido” (Salmo 1:3). Depois dessa imagem fácil de lembrar, o salmista faz uma aplicação simples: “Tudo o que ele fizer será bem-sucedido”. Durante esta caminhada meditativa através destes poemas cantados, haverá muitas ilustrações fáceis de memorizar, para então vermos seu valor prático em nossas vidas.
Existe outra maneira de memorizar e entender bem uma ideia, através do paralelismo sinônimo. Neste caso, a mesma ideia é repetida duma maneira diferente. Por exemplo, Salmo 1: “Feliz é o homem que não anda segundo o conselho dos maus, Não pisa no caminho dos pecadores, Nem se senta com o grupo dos zombadores” (Salmos 1:1). A ideia simples é que o homem que não anda segundo o conselho dos maus será feliz. A primeira expressão “Feliz é o homem” não se repete. No entanto, a razão pela qual ele é feliz é explicada com uma primeira ideia, depois é esclarecida por outras duas expressões paralelas que nos permitem entender a primeira expressão expressa de forma abstrata. Assim, o leitor atento dos Salmos entenderá que não andar segundo o conselho dos ímpios, significa não ter a mesma conduta que eles, não seguindo o seu caminho ou vereda e não se associando a eles, sentando-se num assento ao lado deles.
Existe o paralelismo antitético: “Pois os maus serão eliminados, Mas os que esperam em Jeová possuirão a terra” (Salmos 37:9). Tese: “Os maus serão eliminados”. Antítese: “Os que esperam em Jeová possuirão a terra”.
O paralelismo sintético consiste em adicionar outras ideias à mesma repetição, a fim de amplificá-la. Por exemplo, Salmo 19:
“A lei de Jeová é perfeita, renova as forças.
As advertências de Jeová são confiáveis, tornam sábio o inexperiente.
As ordens de Jeová são justas, fazem o coração se alegrar.
Os mandamentos de Jeová são limpos, iluminam os olhos.
O temor de Jeová é puro, dura para sempre.
Os julgamentos de Jeová são verdadeiros, justos em todos os sentidos” (Salmo 19:7–9).
A primeira expressão “A lei de Jeová” é explicada de cinco maneiras diferentes: As advertências de Jeová, As ordens de Jeová, Os mandamentos de Jeová, O temor de Jeová, Os julgamentos de Jeová. Então está escrito que a lei de Jeová é “perfeita”, embora fácil de entender, essa designação precisa ser especificado e foi isso que o salmista fez cinco vezes: confiável, justa, limpa, pura e verdadeira.
Voltando à primeira ideia, o salmista explica por que a lei de Jeová é perfeita: “renova as forças”. Embora esta expressão seja fácil de entender, ela permanece muito abstrata e precisa ser esclarecida e é isso que o salmista faz: trazer de volta a alma significa tornar sábio o inexperiente, alegrar o coração, fazer brilhar os olhos, sendo inalterado e justo. Síntese é o ato de completar uma primeira ideia com uma segunda que a explica: “A lei de Jeová é perfeita, (por quê?) trazendo de volta a alma”. O paralelismo sintético especifica ou explica uma ideia, amplificando-a com outras designações ou outros pensamentos.
Existem outras variações para essas três formas de paralelismos mencionadas acima: O paralelismo emblemático que não é nada mais nada menos que uma comparação metafórica:
“Tão longe como o nascente é do poente, Tão longe ele põe de nós as nossas transgressões” (Salmo 103:12).
Paralelismo escalonado é a repetição duma expressão, amplificando-a com outros qualificadores:
“Deem a Jeová o que lhe é devido, ó filhos dos poderosos,
Deem a Jeová o que lhe é devido por sua glória e força.
Deem a Jeová a glória que o seu nome merece.
Curvem-se diante de Jeová com vestes santas” (Salmo 29:1,2).
O paralelismo introvertido:
1) “Os ídolos das nações são prata e ouro,
2) Trabalho de mãos humanas.
3) Têm boca, mas não podem falar;
4) Olhos, mas não podem ver;
5) Têm orelhas, mas não podem ouvir.
6) Não há respiração na sua boca.
7) As pessoas que os fazem ficarão iguais a eles,
8) também todos os que neles confiam” (Salmos 135:15–18).
Qual é o paralelismo introvertido no Salmo 135?
A ideia (1) corresponde à ideia (8):
1) Os ídolos das nações são prata e ouro. 8) também todos os que neles confiam.
A ideia (2) corresponde à ideia (7):
2) Trabalho de mãos humanas. 7) As pessoas que os fazem ficarão iguais a eles.
A ideia (3) corresponde à ideia (6):
3) Têm boca, mas não podem falar. 6) Não há respiração na sua boca.
A ideia (4) corresponde à ideia (5):
4) Olhos, mas não podem ver. 5) Têm orelhas, mas não podem ouvir.
É possível que este cântico (e outros) fossem cantados com dois (ou mais) grupos de cantores, um cantando uma estrofe, enquanto o outro respondia com a estrofe correspondente. O canto e a música no templo eram responsabilidade de pessoas que eram especializadas nessa arte (1 Crônicas 25:1,2,7,8; 2 Crônicas 34:12b “E todos os levitas, que eram músicos habilidosos”; Esdras 2:65; Neemias 7:67).
Uma forma simplificada de paralelismo introvertido é pelas palavras: “Efraim não terá ciúmes de Judá, Nem Judá será hostil a Efraim” (Isaías 11:13).
Aos Salmos com paralelismos somam-se os Salmos acrósticos ou alfabéticos que permitiam uma boa memorização (Salmos 9, 10, 25, 34, 37, 111, 112, 119, 145).
Os Salmos têm conteúdo profético. Jesus Cristo mostrou a dimensão profética dos Salmos: “Ele lhes disse então: “Estas são as minhas palavras, que lhes falei enquanto ainda estava com vocês, que todas as coisas escritas a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos têm de se cumprir”” (Lucas 24:44). No caminho de Emaús, Jesus Cristo mostrou que nos Salmos há profecias messiânicas.
Os Salmos ajudam a enriquecer nossas orações a Jeová Deus, o Pai Celestial: “Que a minha oração seja como o incenso preparado diante de ti, Que as minhas mãos erguidas sejam como a oferta de cereais do anoitecer” (Salmo 141:2).
Os Salmos nos permitem ver que os salmistas tinham sentimentos semelhantes aos nossos: “Elias era um homem com sentimentos iguais aos nossos; contudo, quando ele orou com fervor para que não chovesse, não choveu naquela terra por três anos e seis meses” (Tiago 5:17). Certamente o profeta Elias não escreveu os Salmos, porém o discípulo Tiago explica bem que esses escritores ou os profetas do passado tinham os mesmos sentimentos que nós. Esses sentimentos comuns aos humanos são expressos nos Salmos. Por exemplo, lendo o Salmo 73, vemos como Asafe foi afetado pela impunidade dos ímpios. O Salmo 51 expressa muito bem os sentimentos de culpa quando um ser humano comete um pecado grave. Esta meditação sobre o livro dos Salmos será muito rica espiritualmente, seu objetivo é nos encorajar a lê-los ou relê-los para fortalecer nossa fé.
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SALMO 1 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Comentário: A leitura da Bíblia é muito mais importante do que os comentários. Se possível, devemos nos esforçar para ler a Bíblia todos os dias e meditar nela. A leitura da Bíblia é para a nutrição, o que a meditação é para a digestão. Claro, devemos pedir a Deus por essa compreensão de seus pensamentos escritos (Mateus 11:25; Tiago 1:5). Os comentários bíblicos devem ser simples sinalizadores quanto à compreensão do texto. Cabe a cada um de nós aceitar ou rejeitar as indicações. Deus nos criou com a capacidade de pensar por nós mesmos e somos livres para escolher o que parece verdadeiro para nós. E se esse for realmente o caso, Jesus Cristo disse que seria visto: “No entanto, a sabedoria se prova justa pelas suas obras” (Mateus 11:19). E ao fazer isso, como está escrito neste Salmo, seremos como uma árvore perto das correntes de água, constantemente irrigada, que dá seu fruto no tempo certo, e isso, não importa quais sejam as provações da vida que possamos enfrentar.
SALMO 2 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Você é meu filho, hoje eu me tornei seu pai (Salmos 2:7)
Comentário sobre o Salmo 2: Este é o primeiro Salmo profético sobre Cristo sendo ungido como Rei. Essa unção de Cristo, por seu Pai Celestial Jeová Deus, ocorreu por decreto, em seu batismo na Terra. Nessa ocasião, o Pai Celestial disse isto a respeito do seu Filho: “Este é meu Filho, o amado, a quem eu aprovo” (Mateus 3:17, compare com Salmo 2:7). Entretanto, foi muito mais tarde que Cristo Rei herdaria o governo dum Reino Celestial. Além disso, o Salmo 110 menciona que após a ascensão de Cristo ao céu, ele sentou-se à direita do Pai Celestial numa situação de espera. O Salmo 2 descreve o momento em que seu Pai Celestial dá o governo do Reino Celestial, no meio de seus inimigos, tanto celestiais (Satanás, o diabo e os demônios) quanto terrestres (todas as nações atuais que não desejam esse governo celestial).
De acordo com a profecia de Daniel capítulo 4, parece que Jesus Cristo recebeu este Reino em 1914, o momento em que Satanás, o diabo, e os demônios foram expulsos do céu, ao redor da terra (Apocalipse 12:7–9). É por isso que, segundo o Salmo 2, o mundo como um todo tem demonstrado claramente que não se submeterá ao Rei Jesus Cristo, causando, sob o governo do diabo, grandes infortúnios na terra, até os nossos dias (Apocalipse 12:12). De acordo com Salmos 2:9, Jesus Cristo, o Rei guerreiro, destruirá as nações na Grande Tribulação (Daniel 12:1; Mateus 24:21; Apocalipse 14:18–20; 19:11–21).
SALMO 3 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Como o título deste Salmo 3 indica, Davi estava em sério perigo e ele orou para que Jeová, o Pai Celestial, o salvasse. Jesus Cristo, na profecia dos últimos dias (Mateus 24 e 25, Marcos 13 e Lucas 21), disse que seus discípulos e os povos viveriam tempos muito difíceis. Em relação a essas situações difíceis que estamos vivendo, Jesus Cristo deu uma recomendação simples sobre a oração: “Persistam em orar “ (Mateus 24:20). Jesus Cristo disse claramente, em Mateus capítulo 6:9,10, que as orações devem ser dirigidas somente ao seu Pai Celestial (como lemos no Salmo 3) e não a Jesus Cristo, nem à virgem Maria ou outros santos.
SALMO 4 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
O salmista pede a Deus que responda à sua oração (versículo 1). Deus lhe dá uma resposta com uma pergunta retórica (que faz pensar) (versículo 2). Jeová Deus, o Pai Celestial, sempre saberá distinguir o homem justo (versículo 3). O versículo 4, mostra que podemos expressar, em nossas orações, nossos sentimentos de forma franca e sincera, como Jó (capítulo 3) quando estava em aflição, assim como o profeta Habacuque (1:2–4) e o salmista Asafe (Salmo 73). Os versículos 5 a 8, expressam fé e confiança, de que Deus atenderá às suas expectativas, só temos que ser pacientes durante as provações da vida.
SALMO 5 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
O Pai Celestial entende até mesmo sentimentos não expressos em palavras: “Do mesmo modo, o espírito também nos ajuda na nossa fraqueza; pois o problema é que às vezes não sabemos o que precisamos pedir em oração, mas o próprio espírito intercede por nós com gemidos não pronunciados” (Romanos 8:26).
SALMO 6 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Por toda a Bíblia, a morte é descrita como o oposto da vida e não como uma passagem para outra vida (Salmo 146:3,4). Jesus Cristo descreveu a morte do seu amigo Lázaro como um sono: “Depois de dizer isso, ele acrescentou: “Lázaro, nosso amigo, adormeceu, mas eu vou lá para acordá-lo.” Então os discípulos lhe disseram: “Senhor, se ele está dormindo, ficará bom.” Jesus, no entanto, havia falado da morte dele; mas eles imaginavam que estivesse falando do sono natural. Então, Jesus lhes disse claramente: “Lázaro morreu”” (João 11:11–14). No entanto, a Bíblia como um todo e Jesus Cristo em particular ensinaram a esperança da ressurreição: “Não fiquem admirados com isso, pois vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a voz dele e sairão: os que fizeram coisas boas, para uma ressurreição de vida; e os que praticaram coisas ruins, para uma ressurreição de julgamento” (João 5:28,29; leia também a narrativa da ressurreição de Lázaro no capítulo 11).
SALMO 7 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
O coração e os rins simbolizam a personalidade secreta de cada ser humano, seja bom ou mau. Deus julgará não apenas nossas ações, mas especialmente nossos motivos: “Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus” (Romanos 14:12). Jesus Cristo mostrou claramente que se um ser humano tem bons motivos em suas ações, ele é espiritualmente puro. Por exemplo, a respeito de seus 11 apóstolos, ele disse a eles: “E vocês estão limpos, mas nem todos.” Pois ele sabia quem o estava traindo. É por isso que disse: “Nem todos vocês estão limpos” (João 13:10,11). O décimo segundo apóstolo, Judas Iscariotes, que traiu Cristo, não era espiritualmente limpo. Em outra ocasião, Jesus Cristo ensinou que o que torna uma pessoa espiritualmente impura são seus motivos malignos: “Com isso chamou a multidão para perto e lhes disse: “Escutem e compreendam o sentido disto: Não é o que entra pela boca do homem que o torna impuro, mas é o que sai da boca que o torna impuro” (Mateus 15:10,11). Então ele explicou aos seus discípulos em particular o que ele havia dito à multidão: “Então, os discípulos vieram e lhe disseram: “Sabe que os fariseus tropeçaram ao ouvir o que o senhor disse?” Ele respondeu: “Toda planta que o meu Pai celestial não tiver plantado será arrancada. Não se preocupem com eles. Guias cegos é o que eles são. E, se um cego guiar outro cego, ambos cairão num buraco.” Pedro respondeu: “Explique-nos a ilustração.” Então ele disse: “Vocês também ainda estão sem entendimento? Não percebem que tudo o que entra pela boca passa pelo estômago e é expelido para o esgoto? 18 No entanto, tudo o que sai da boca vem do coração, e essas coisas tornam o homem impuro. Por exemplo, do coração vêm raciocínios maus, assassinatos, adultérios, imoralidade sexual, roubos, falsos testemunhos, blasfêmias. Essas são as coisas que tornam o homem impuro; mas tomar uma refeição sem lavar as mãos não torna o homem impuro”” (Mateus 15:12–20).
SALMO 8 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
“Quando os principais sacerdotes e os escribas viram as coisas maravilhosas que ele fazia e os meninos que gritavam no templo: “Salva, rogamos, o Filho de Davi!”, ficaram indignados 16 e lhe disseram: “Está ouvindo o que eles estão dizendo?” Jesus lhes disse: “Sim. Vocês nunca leram o seguinte: ‘Da boca de crianças e de bebês fizeste sair louvor’?”” (Mateus 21:15,16). Deus e Seu Filho querem que, como adultos, tenhamos a mesma mente das crianças quando lhes damos glória, fazendo isso com entusiasmo, modéstia e humildade: “Naquela hora, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: “Quem é realmente o maior no Reino dos céus?” Então, ele chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse: “Digo-lhes a verdade: A menos que vocês deem meia-volta e se tornem como criancinhas, de modo algum entrarão no Reino dos céus. Por isso, quem se humilha, como esta criancinha, é aquele que é o maior no Reino dos céus; e quem recebe em meu nome uma criancinha como esta, recebe também a mim. Mas quem fizer tropeçar um destes pequenos que têm fé em mim, seria melhor para ele que pendurassem no seu pescoço uma pedra de moinho daquelas que o jumento faz girar, e que fosse afundado no alto-mar” (Mateus 18:1–6).
SALMO 9 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
As nações caíram na cova que fizeram seu próprio pé ficou preso na rede que esconderam (Salmos 9:15)
Existem outros versículos semelhantes ao do Salmo (9:15), mostrando que no final os ímpios colherão os frutos dos seus maus caminhos. Para ver isso, devemos ser pacientes. Devemos estar esperando por Deus, estar no tempo de Deus, um tempo que leva seu tempo… “Cava um buraco e o aprofunda; Mas cai na própria cova que fez” (Salmos 7:15). “Que o desastre venha sobre eles de surpresa; Sejam apanhados pela própria rede que esconderam; Caiam nela e sejam destruídos” (Salmos 35:8).
SALMO 10 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Pois quem é mau se gaba dos seus desejos egoístas e abençoa o ganancioso (Salmos 10:3)
Este Salmo explica como o iníquo oprime o povo aflito. Ele pensa que Deus não existe: “Na sua arrogância, aquele que é mau não pesquisa nada; Todos os seus pensamentos são: “Não há Deus”” (Salmos 10:4).
O iníquo se sente forte e pensa que ele e sua descendência serão capazes de agir por muito tempo: “Ele diz no coração: “Nunca serei abalado; Geração após geração, Nunca sofrerei calamidade’” (Salmos 10:6).
O iníquo pensa que se há um Deus, ele não vê suas ações: “Ele diz no coração: “Deus se esqueceu. Virou a sua face. Nunca vê nada”” (Salmos 10:11).
O salmista implora a Deus para agir, para que o ímpio entenda que ele será responsabilizado por suas ações perversas: “Levanta-te, ó Jeová. Ó Deus, ergue a tua mão. Não te esqueças dos desamparados. 13 Por que o mau desrespeitou a Deus? Ele diz no coração: “Não me farás prestar contas”” (Salmos 10:12,13).
A conclusão deste salmo mostra a confiança do salmista de que Deus livrará os aflitos das garras dos ímpios: “Mas tu ouvirás o pedido dos mansos, ó Jeová. Fortalecerás seu coração e lhes darás muita atenção. Farás justiça aos órfãos e aos oprimidos, A fim de que o homem mortal da terra não mais os amedronte” (Salmos 10:17, 18).
Devemos ser pacientes enquanto esperamos pelo momento em que Deus chamará os ímpios para prestar contas.
SALMO 11 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Sobre os maus ele fará chover armadilhas, fogo, enxofre e um vento abrasador é a parte que lhes caberá (Salmos 11:6)
Deus estabeleceu um tempo em que ajustará contas com toda a humanidade, especialmente com aqueles que agem perversamente. Como está escrito neste Salmo, Deus fará os humanos que se comportam perversamente desaparecerem. Isso acontecerá no momento da grande tribulação mencionada por Jesus Cristo em Mateus 24:21 (Leia Mateus 24 e 25, Marcos 13 e Lucas 21).
O apóstolo Pedro ilustrou bem numa de suas duas cartas: “Antes de mais nada, saibam que nos últimos dias surgirão zombadores com as suas zombarias, agindo segundo os seus próprios desejos; 4 eles dirão: “Onde está essa prometida presença dele? Ora, desde o tempo em que os nossos antepassados adormeceram na morte, todas as coisas continuam exatamente como eram desde o princípio da criação.”
5 Pois eles propositalmente ignoram este fato: há muito tempo havia céus e uma terra situada firmemente fora da água e no meio da água pela palavra de Deus; 6 e, por meio dessas coisas, o mundo daquele tempo sofreu destruição ao ser inundado pela água. 7 Mas, pela mesma palavra, os céus e a terra que agora existem estão reservados para o fogo e estão sendo guardados até o dia do julgamento e da destruição das pessoas ímpias.
8 No entanto, não despercebam o seguinte, amados: para Jeová um dia é como mil anos, e mil anos como um dia. 9 Jeová não é vagaroso com relação a sua promessa, como alguns pensam, mas ele é paciente com vocês, porque não deseja que ninguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento. 10 Mas o dia de Jeová virá como ladrão, e nesse dia os céus passarão com um estrondo, e os elementos, estando intensamente quentes, serão dissolvidos, e a terra e as obras nela serão expostas.
11 Visto que todas essas coisas serão dissolvidas dessa forma, pensem em que tipo de pessoas vocês devem ser. Devem ser pessoas de conduta santa e praticar atos de devoção a Deus, 12 ao passo que aguardam e têm bem em mente a presença do dia de Jeová, pelo qual os céus serão destruídos em chamas, e os elementos se derreterão com o calor intenso. 13 Mas há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a promessa dele, e nesses morará a justiça” (2 Pedro 3:3–13).
De acordo com o contexto desta carta, os “novos céus” representam o reino de Deus, um governo celestial (Mateus 6:9 “venha o teu reino”) e a “nova terra”, uma humanidade justa diante de Deus e do Rei Jesus Cristo (Apocalipse 21:1–4).
SALMO 12 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Dizem mentiras uns aos outros, falam com lábios bajuladores e com coração hipócrita (Salmos 12:2)
Com aquela perspectiva, entendemos melhor, as palavras de Jesus Cristo, quando liga a mentira ao homicídio, no caso do diabo, mas também para os seus filhos terrestres, que procuravam constantemente matá-lo (João 5:18; 7:1). Às vezes, alguns dizem que existem “pequenas” e “grandes” mentiras. O problema é que a “necessidade” e a escala da seriedade das mentiras costumam ser definidas pelos próprios mentirosos. Porém, para voltar à ideia importante, é necessário conhecer o ponto de vista de Deus sobre o assunto por meio dos relatos bíblicos. Uma simples afirmação de Cristo mostra que é um erro estabelecer tal escala de gravidade: “Quem é fiel no mínimo, é também fiel no muito, e quem é injusto no mínimo, é também injusto no muito” (Lucas 16:10). Isso pode ser ilustrado pelo exemplo de Ananias e Safira, sua esposa, que venderam sua propriedade para dar o dinheiro à congregação cristã nos dias dos apóstolos. No entanto, o registro nos informa que eles retiveram parte do dinheiro da venda para si mesmos, enquanto levavam os apóstolos a acreditar que eles haviam dado tudo. O resultado é que Deus os condenou à morte por dizerem tal mentira (Atos 5:1–11). A observação bíblica é simples: mentir pode ter consequências desastrosas não só para as vítimas, mas também para os próprios mentirosos.
SALMO 13 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Até quando te esquecerás de mim, ó Jeová? Para sempre? Até quando esconderás de mim a tua face? (Salmos 13:1)
Deus permitiu a maldade para responder ao desafio de Satanás, o diabo sobre a legitimidade da soberania de Deus (Gênesis 3:1–6). Deus permitiu o sofrimento a fim de responder às acusações do diabo sobre a integridade dos seres humanos (Jó 1:7–12; 2:1–6). Não é Deus quem causa o sofrimento, apenas o permite (Tiago 1:13). O sofrimento é o resultado de quatro fatores principais: Satanás, o diabo pode ser o responsável (mas não sempre) (Jó 1:7–12; 2:1–6). O sofrimento é o resultado da nossa condição geral de pecador e descendente de Adão, resultando assim na velhice, as doenças e a morte (Romanos 6:23, 5:12). O sofrimento pode ser o resultado de más decisões humanas (da nossa parte ou (possivelmente) de outras pessoas). Devido à nossa pecaminosidade herdada de Adão não tomamos sempre boas decisões(Deuteronômio 32:5; Romanos 7:19). O sofrimento pode ser o resultado do ‘tempo e o imprevisto”, que faz com que a pessoa está no lugar errado no momento errado (Eclesiastes 9:11). O destino não é um ensino bíblico. Não estamos “destinados” para fazer o bem ou o mal. Temos o livre arbítrio dado por Deus, somos nós quem decidimos fazer o “bem” ou o “mal” (Deuteronômio 30:15).
SALMO 14 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Suas ações são corruptas, e sua conduta é detestável, não há quem faça o bem (Salmos 14:1)
De acordo com o contexto do Salmo 14, são aqueles que não acreditam em Deus, que estão agindo dessa forma. Atualmente, muitos exibem seu ateísmo e seu desprezo pelos padrões divinos baseados em princípios benevolentes. Daí a descrição no versículo 4, mostrando que eles não hesitam em oprimir as pessoas. O apóstolo Paulo também descreveu o comportamento maligno que vem da incredulidade: “Pois as suas qualidades invisíveis — isto é, seu poder eterno e Divindade — são claramente vistas desde a criação do mundo, porque são percebidas por meio das coisas feitas, de modo que eles não têm desculpa. Porque, embora conhecessem a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe agradeceram, mas os seus raciocínios se tornaram fúteis, e o seu coração insensato ficou obscurecido. Embora afirmassem ser sábios, tornaram-se tolos e transformaram a glória do Deus imortal em algo semelhante à imagem do homem perecível, bem como de aves, de quadrúpedes e de répteis” (Romanos 1:20–23).
É claro que nem todos os que não creem em Deus agem dessa maneira. Da mesma forma, aqueles que dizem crer em Deus podem às vezes se comportar pior do que os incrédulos, matando em nome da religião e sendo hipócritas (Leia Mateus 15:1–20).
SALMO 15 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Quem pode residir no teu santo monte? (Salmos 15:1)
Este Salmo 15 é muito bonito e contrasta com os Salmos 10 e 14, que descrevem humanos espiritualmente caídos, não respeitando os princípios de Deus.
As duas perguntas no início são sinônimas, significam a mesma coisa, embora sejam expressas de forma diferente. A tenda de Deus é o tabernáculo onde os sacerdotes prestavam serviço sagrado a Deus. Esta tenda de Deus é simbolicamente mencionada no livro do Apocalipse: “Com isso ouvi uma voz alta do trono dizer: “Então ouvi uma voz alta do trono dizer: “Veja! A tenda de Deus está com a humanidade; ele residirá com eles, e eles serão o seu povo. O próprio Deus estará com eles” (Apocalipse 21:3). Esta tenda sagrada, o Tabernáculo, foi substituída pelo Templo construído pelo Rei Salomão, no Santo Monte, mencionado no Salmo 15, o Monte Sião.
Aqueles que no futuro “residirão” neste lugar sagrado, são humanos, redimidos da terra para viver com Cristo, eles são descritos como estando com Cristo, no Monte Sião Celestial no livro do Apocalipse: “Então vi o Cordeiro em pé no monte Sião, e com ele 144.000, que têm o nome dele e o nome do seu Pai escritos na testa” (Apocalipse 14:1).
Também haverá humanos na terra que servirão a Deus em serviço sagrado, os membros da Grande Multidão que terão passado pela Grande Tribulação, mencionada no livro do Apocalipse: “Depois disso eu vi uma grande multidão, que nenhum homem era capaz de contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de compridas vestes brancas, e havia folhas de palmeiras nas suas mãos. Clamavam em alta voz: “Devemos a salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro”” (Apocalipse 7:9–17).
A continuação do Salmo 15 mostra que Deus escolherá os humanos, homens e mulheres, segundo os critérios mencionados de integridade, simples, mas essenciais. Para isso, Ele sabe ler os corações: “Ó Jeová, tu que conheces o coração de todos” (Atos 1:24).
SALMO 16 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Pois não me deixarás na Sepultura (Salmos 16:10)
O versículo 10, “Pois não me deixarás na Sepultura”, alude profeticamente à ressurreição de Cristo.
De fato, o apóstolo Pedro, em seu discurso após o derramamento do Espírito Santo no Pentecostes, usou este texto dos Salmos para explicar que a ressurreição de Cristo havia sido profetizada nos Salmos:
“Homens de Israel, ouçam estas palavras: Jesus, o Nazareno, foi um homem que Deus aprovou diante de vocês com obras poderosas, milagres e sinais que Deus fez por meio dele entre vocês, conforme sabem. 23 Esse homem, que foi entregue pela estabelecida vontade e presciência de Deus, vocês pregaram numa estaca pelas mãos de transgressores e o mataram. 24 Mas Deus o ressuscitou, livrando-o das dores da morte, porque não era possível que ela o mantivesse preso. 25 Pois Davi diz a respeito dele: ‘Mantenho Jeová constantemente diante de mim, pois ele está à minha direita para que eu nunca seja abalado. 26 Por essa razão, meu coração ficou animado e minha língua se alegrou muito. E eu viverei em esperança; 27 porque não me deixarás na Sepultura nem permitirás que o teu leal conheça a decomposição. 28 Tu me fizeste conhecer os caminhos da vida; tu me encherás de alegria na tua presença.’ 29 “Homens, irmãos, permitam-me falar-lhes com franqueza sobre o patriarca Davi: ele morreu e foi enterrado, e seu túmulo está entre nós até o dia de hoje. 30 Visto que era profeta e sabia que Deus lhe havia jurado que faria um dos seus descendentes se sentar no seu trono, 31 ele previu a ressurreição do Cristo e falou sobre ela, que ele não seria abandonado na Sepultura e que a sua carne não conheceria a decomposição. 32 Deus ressuscitou a esse Jesus, e disso todos nós somos testemunhas. 33 Portanto, visto que ele foi enaltecido à direita de Deus e recebeu do Pai o prometido espírito santo, derramou o que vocês estão vendo e ouvindo. 34 Pois Davi não subiu aos céus, mas ele diz: ‘Jeová disse ao meu Senhor: “Sente-se à minha direita 35 até que eu ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés.”’ 36 Portanto, que toda a casa de Israel tenha a plena certeza de que Deus o fez Senhor e Cristo, a esse Jesus, que vocês mataram numa estaca” (Atos 2:22–36).
A ressurreição de Cristo é a garantia da futura ressurreição dos mortos (João 5:28,29).
SALMO 17 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
O que lembrar da oração-modelo (Mateus 6:9,10)
É apropriado repetir essa oração de maneira mecânica, sem pensar nisso? Com base nas declarações de Jesus Cristo, é óbvio que não. Podemos reler o que ele disse sobre não repetir mecanicamente, sem pensar, sempre as mesmas palavras em nossas orações: “Quando orar, não diga as mesmas coisas vez após vez, como fazem as pessoas das nações, pois imaginam que serão ouvidas por usarem muitas palavras” (Mateus 6:7).
Devemos orar a Deus com amor e carinho, como quando um filho e uma filha se dirigem ao pai a quem amam profunda e sinceramente. Devemos nos preocupar com o Seu nome, seja Ele santificado, que inclui o desejo de defender a fama do Nome. Devemos expressar a ele nosso sincero desejo de que Seu justo propósito seja realizado na terra (Mateus 6:9,10). Entendemos que Jesus Cristo deixa claro que nossas orações, em geral, devem ser um ato de adoração dirigido a Deus, expressando a Ele louvores e profunda gratidão pelas muitas expressões de amor que Ele manifesta para nós. O livro dos Salmos dá muitos exemplos de louvores que podemos dar a Jeová Deus, como um agradável incenso espiritual para Ele: “Que a minha oração seja como o incenso preparado diante de ti, Que as minhas mãos erguidas sejam como a oferta de cereais do anoitecer” (Salmo 141:2). Jeová Deus é muito sensível ao fato de que o amamos e o fazemos conhecer por nossas palavras e nossa conduta: “(Deus) que me amam e guardam os meus mandamentos” (Êxodo 20:6). Através de nossas orações e comportamento, vamos responder ao amor de Deus para nós, amando Deus em troca. O Salmo 145 é muito rico em louvores dirigidos a Deus: “Vou exaltar-te, ó meu Deus e Rei, Vou louvar o teu nome para todo o sempre” (Salmos 145:1).
Então podemos orar a Deus, referindo mais especificamente às nossas necessidades pessoais, como que Ele nos ajude espiritual e materialmente. Podemos compartilhar com Deus nossos sentimentos mais íntimos que nos preocupam, ou expressar a Ele nossa alegria em agradecimento (O livro bíblico dos Salmos é uma coleção poética preciosa de sentimentos expressos a Deus). Jesus Cristo, na última parte da oração, nos encoraja a pedir a Deus que nos ajude a lutar contra nossas fraquezas, que o diabo está explorando para nos tentar e, assim, minar nossa integridade (Mateus 6:11–13). Romanos 7:21–25).
SALMO 18 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Com o puro, tu te mostras puro, mas, com o tortuoso, te mostras astuto (Salmo 18:26)
Deus sempre conseguirá pegar os perversos em seu próprio jogo. Fazendo com que os perversos caiam na armadilha que eles cavaram…
O reinado do Rei Davi foi a imagem profética do reinado do Rei Jesus Cristo. Este salmo faz alusão profeticamente à realeza vitoriosa de Cristo, que será vitorioso sobre seus inimigos, tanto na esfera espiritual quanto na terrestre (leia especialmente os versículos 31 a 50).
No livro do Apocalipse, o Rei Jesus Cristo é descrito como um guerreiro que completa sua vitória sobre seus inimigos:
“E vi um cavalo branco. O que estava montado nele tinha um arco; foi-lhe dada uma coroa, e ele saiu vencendo e para completar a sua vitória” (Apocalipse 6:2).
SALMO 19 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Não há fala, não há palavras, não se ouve a sua voz (Salmos 19:3)
Este salmo mostra que as qualidades divinas são vistas na criação que silenciosamente as proclama porque “não há fala” (oxímoro). A glória da criação de Deus é revelada pelo sol o dia todo nesta tenda, o céu, armada por Deus e que anda “como um noivo saindo da câmara nupcial”. A divindade da criação é o testemunho da existência de Deus: “Pois as suas qualidades invisíveis — isto é, seu poder eterno e Divindade — são claramente vistas desde a criação do mundo, porque são percebidas por meio das coisas feitas, de modo que eles não têm desculpa” (Romanos 1:20).
A continuação do Salmo 19, explica como “A lei de Jeová é perfeita, renova as forças”. A aplicação dos princípios divinos em nossas vidas traz benefícios imediatos e de longo prazo.
SALMO 20 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Que ele lhe conceda os desejos do seu coração e torne bem-sucedidos todos os seus planos (Salmos 20:4)
Este salmo nos permite entender melhor a razão pela qual Jesus Cristo nos recomenda orar. A oração é a principal maneira de estar em contato direto com seu Pai Celestial, e assim obter sua proteção (Mateus 6:5–14). Este salmo mostra que Deus é sensível às orações dos humanos que lhe oferecem um sacrifício inteiro, de todo o coração, “Que ele se lembre de todas as suas ofertas E aceite com prazer os seus sacrifícios queimados”, porque o amor que eles mostram a Deus custa-lhes e é precioso aos seus olhos e aos de seu Filho Jesus Cristo. Jesus Cristo mostrou que devemos perseverar na oração e em nossas petições a Deus: “Depois lhes contou uma ilustração a respeito da necessidade de sempre orarem e de nunca desistirem, 2 dizendo: “Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus nem respeitava homem algum. 3 Havia também naquela cidade uma viúva, e ela persistia em ir a ele e a dizer: ‘Faça-me justiça contra o meu adversário.’ 4 Pois bem, por um tempo ele não estava disposto a fazer isso, mas depois disse para si mesmo: ‘Eu não temo a Deus nem respeito nenhum homem, 5 mas, visto que essa viúva fica me incomodando, farei justiça a ela para que não continue vindo me importunar com seu pedido até eu não suportar mais.’” 6 O Senhor disse então: “Ouçam o que o juiz, embora injusto, disse! 7 Certamente, então, será que Deus não providenciará que seja feita justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite, ao passo que é paciente com eles? 8 Eu lhes digo: Ele providenciará que seja feita justiça a eles rapidamente. Contudo, quando o Filho do Homem chegar, achará realmente essa fé na terra?”” (Lucas 18:1–8).
SALMO 21 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Farás deles uma fornalha ardente no dia em que voltares a atenção para eles (Salmos 21:9)
Este salmo faz alusão profeticamente à Realeza de Cristo, representada pela do Rei Davi. Quando o reino milenar de Cristo for estabelecido na terra, será feito com violência e barulho porque as nações não querem e não vão querer conceder-lhe autoridade (Salmos 2; Apocalipse capítulo 20). Consequentemente, o Rei Jesus Cristo vai fazer guerra àqueles que se opõem à sua Realeza, durante a grande tribulação: “As suas flechas, ó rei, são afiadas, fazem cair povos diante do senhor; Perfuram o coração dos inimigos do reii” (Salmos 45:5; Daniel 12:1; Apocalipse capítulo 19).
SALMO 22 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste? (Salmos 22:1)
Este salmo descreve profeticamente as circunstâncias que cercam a morte de Cristo:
Salmos 22:1: “Por volta da nona hora, Jesus clamou em alta voz: “Eli, Eli, lama sabactâni?”, isto é: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” Ouvindo isso, alguns dos que estavam ali disseram: “Este homem está chamando Elias’”” (Mateus 27:45,46).
Salmos 22:7: “Os que passavam o insultavam, balançando a cabeça” (Mateus 27:39).
Salmos 22:8: “Depositou sua confiança em Deus; que Ele o salve agora, se Ele se agrada dele, pois disse: ‘Sou Filho de Deus’’” (Mateus 27:43).
Salmos 22:14: “Mas ele ficou tão angustiado que orou ainda mais intensamente; e o seu suor se tornou como gotas de sangue que caíam no chão” (Lucas 22:44).
Salmos 22:16: “Depois de pregá-lo na estaca, repartiram suas roupas, lançando sortes” (Mateus 27:35).
Salmos 22:18: “E o pregaram na estaca e repartiram suas roupas, lançando sortes para decidir quem ficaria com o quê” (Marcos 15:24).
SALMO 23 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Ainda que eu ande pelo vale de densas trevas, Não temerei mal algum, Porque tu estás comigo (Salmos 23:4)
Este é o salmo da confiança em Deus O Pai Celestial. Como O Grande Pastor, Ele sempre estará lá para nos ajudar nas diferentes etapas da nossa vida, desde que confiemos Nele: “Confia em Jeová de todo o teu coração e não te estribes na tua própria compreensão. Nota-o em todos os teus caminhos, e ele mesmo endireitará as tuas veredas” (Provérbios 3:5,6). Ele estará lá especialmente nos momentos da nossa vida em que teremos a impressão de “andar pelo vale de densas trevas”, por causa de problemas mais ou menos sérios que nos preocupam. Neste caso, devemos fazer como o salmista, tendo confiança em Deus e em seu Filho Jesus Cristo. Jesus Cristo, o Filho a quem Ele designou como o Excelente Pastor (João capítulo 10:1–16). Ele é quem guiará a humanidade para o futuro paraíso terrestre (Apocalipse 7:9–17).
SALMO 24 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Quem é esse Rei glorioso? (Salmos 24:8)
Esse Rei glorioso é Jeová (YeHoWaH (indicação de vogal massorética)). Como está escrito no restante desses Salmos, “Jeová, forte e poderoso, Jeová, poderoso na batalha”. Ele é um Deus Todo-Poderoso que não hesita em travar guerra contra aqueles que desafiam Sua Realeza. Por exemplo, a respeito da serpente original, Satanás, o diabo, que se posicionou como um rival no Éden, Deus decretou sua destruição. (Gênesis 3:15) A respeito das nações (como governos) que se recusam a se submeter ao Seu Filho, elas serão quebradas com sua vara de ferro, “Você as quebrará com um cetro de ferro, E as despedaçará como a um vaso de barro” (Salmos 2:9). Por que devemos aceitar a Realeza do Deus Todo-Poderoso? O Salmo 24 responde: “A Jeová pertence a terra e tudo o que nela há, A terra produtiva e os que moram nela. Pois ele a fixou solidamente sobre os mares E a estabeleceu firmemente sobre os rios” (Salmo 24:1,2). Devemos a Ele nossa vida, Ele é a fonte da vida, e Ele é Aquele que nos mantém vivos…
SALMO 25 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Que a integridade e a retidão me protejam, Pois a minha esperança está em ti (Salmos 25:21)
Na parte do texto hebraico da Bíblia, o Antigo Testamento, a palavra que mais se aproximaria da palavra grega para “maturidade” ou perfeição, é a palavra “integridade”, traduzida do hebraico “tummâh” (Concordância de Strong ( H8538)), que também significa “inocência” no sentido de ausência de culpa. Esta palavra hebraica vem de outra raiz “tôm” (Strong’s Concordance (H8537)), que pode significar: completo, integridade, perfeito, perfeição, reto, retidão: “Até eu expirar não removerei de mim a minha integridade!” (Jó 27:5). Assim, seguindo o exemplo do fiel servo de Deus, Jó, um ser humano, homem ou mulher, pode alcançar a perfeição e a integridade, aos olhos de Deus e de Cristo, e isso, apesar de nosso estado genético e espiritualmente pecaminoso herdado de Adão (Romanos 5:12).
Uma maneira de manter um estado de integridade diante de Deus e de seu Filho Jesus Cristo, é saber qual é a vontade de Deus para nós: “Faz-me saber os teus caminhos, ó Jeová; Ensina-me as tuas veredas. Faz-me andar na tua verdade e ensina-me, Pois tu és o Deus da minha salvação” (Salmos 25:4,5). Podemos conhecer a vontade de Deus lendo e meditando nos textos bíblicos que lemos. É apropriado estar ciente de nosso estado pecaminoso e pedir perdão por nossos pecados e nos esforçar para melhorar nosso comportamento tanto em relação a Deus e seu Filho Jesus Cristo, quanto em relação ao nosso próximo: “Não te lembres dos pecados da minha juventude e das minhas transgressões. Lembra-te de mim de acordo com o teu amor leal, Por causa da tua bondade, ó Jeová” (Salmos 25:7). Jesus Cristo disse bem que o mais importante é fazer a vontade de seu Pai Celestial: “Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que fizer a vontade do meu Pai, que está nos céus” (Mateus 7:21).
SALMO 26 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Examina-me, ó Jeová, e põe-me à prova, refina meus rins mais íntimos e meu coração (Salmos 26:2)
Os rins e o coração simbólicos representam a parte interior das pessoas, a personalidade do ser humano, os pensamentos que germinam em seu coração e suas intenções mais profundas enraizadas nos rins. Deus pode fazer com que esses elementos ocultos, os pensamentos e intenções, saiam de forma visível por meio das ações das pessoas. As situações dolorosas da vida não são causadas por Deus, mas são permitidas. Por meio desses eventos desfavoráveis, o homem pode revelar o melhor de si mesmo e, assim, suas boas intenções serão visíveis a Deus e aos humanos. Claro, o oposto é verdadeiro; as provações da vida podem revelar o pior do homem. Atualmente, no momento difícil que a humanidade está vivenciando, as obras e intenções das pessoas estão sendo reveladas a Deus e a seu Filho Jesus Cristo. Os corações e rins simbólicos dos humanos estão sendo examinados por Deus. Uma profecia do Apocalipse (Revelação) está sendo cumprida: “Ele me disse também: “Não sele as palavras da profecia deste rolo, pois o tempo determinado está próximo. Que o injusto continue em injustiça, e que o imundo continue na sua imundície; mas que o justo continue em justiça, e que o santo continue em santidade”” (Apocalipse 22:10,11).
SALMO 27 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Mesmo que o meu pai e a minha mãe me abandonem, Jeová me acolherá (Salmos 27:10)
O versículo 10 do Salmo 27 é frequentemente entendido na hipótese do abandono voluntário dos pais. No entanto, tal não é necessariamente verdade, pois ocorre, em algum momento da vida, a partida dos nossos pais para a morada dos mortos. No momento da morte, os pais abandonam os filhos. Nesta situação difícil, de ausência de entes queridos que já faleceram, Deus Pai Celestial diz-nos que estará connosco para nos confortar de diferentes formas: “Não fiquem ansiosos por causa de coisa alguma, mas em tudo, por orações e súplicas, junto com agradecimentos, tornem os seus pedidos conhecidos a Deus; e a paz de Deus, que está além de toda compreensão, guardará o seu coração e a sua mente por meio de Cristo Jesus” (Filipenses 4:6,7). Além disso, Deus e o Seu Filho Jesus Cristo informam-nos sobre a esperança da ressurreição: “E eu tenho esperança em Deus, esperança que esses homens também têm, de que haverá uma ressurreição tanto de justos como de injustos” (Atos 24:15).
SALMO 28 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Os que falam palavras de paz com o seu companheiro, mas em cujo coração há o que é mau (Salmos 28:3)
Vivemos numa época em que as pessoas, e sobretudo alguns líderes, usam o engano e praticam a inversão acusatória. Em Isaías 5:20 está escrito: “Ai dos que dizem que o bom é mau e que o mau é bom, os que põem a escuridão no lugar da luz e a luz no lugar da escuridão, os que trocam o amargo pelo doce e o doce pelo amargo!”. Este texto descreve com muita precisão as perversas e demoníacas inversões de valores destes engenheiros da mentira e da manipulação assassina (João 8:44). Na crise global da saúde, mentiram ao povo. Estes pastores que se alimentam, proibiram os médicos de tratar os idosos com moléculas baratas (ler Ezequiel capítulo 34). Depois, esses mesmos pastores que se alimentam, pedem às crianças que arrisquem a sua própria saúde, até a sua vida, por esses mesmos idosos que colocaram em perigo de morte ao proibirem os médicos de os tratar. Estes mesmos pastores que se alimentam, pedem às crianças que arrisquem a sua própria saúde, até a sua própria vida, pelos adultos, quando deveria ser o oposto, ou seja, que os adultos é que deveriam estar dispostos a arriscar a sua vida pelas crianças, que representam o futuro da humanidade… O Salmo 28 mostra que devemos pedir ajuda a Deus através da oração para que Ele nos livre destas situações difíceis. Se perseverarmos na oração, tomando as decisões certas para nós e para a nossa família, Deus libertar-nos-á através do Seu Filho Jesus Cristo: “Retribui-lhes de acordo com os seus atos, Conforme as suas práticas más. Retribui-lhes segundo o trabalho das suas mãos, Conforme o que eles têm feito. Pois não dão atenção às obras de Jeová Nem ao trabalho das mãos dele. Ele os derrubará e não os levantará. Louvado seja Jeová, Pois ouviu as minhas súplicas por ajuda” (Salmo 28:4–6).
SALMO 29 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
O Deus glorioso troveja (Salmos 29:3)
No livro de Provérbios está escrito: “O temor de Jeová é o princípio do conhecimento” (Provérbios 1:7). O Salmo 29 mostra as diferentes razões que devem nos ensinar o temor de Deus. As manifestações do Poder Divino na criação, mostram Sua Glória, isto é, Sua Autoridade. O poder da água, do fogo, do vento e o som do trovão sendo precedidos pelo relâmpago, demonstram uma pequena parte da Sua Onipotência. Devemos temer a Deus reverentemente, com profundo respeito por Seu Nome e Sua Pessoa.
SALMO 30 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Ao anoitecer talvez venha o choro, mas de manhã há gritos de alegria (Salmos 30:5)
Deus permite que tenhamos provações. Elas podem ser mais ou menos sérias. Às vezes, alguns têm a impressão de estar às portas da morada dos mortos, vivendo em países em situação de guerra, insurreição e fome: “Ó Jeová, tu me ergueste da Sepultura. Mantiveste-me vivo; poupaste-me de descer à cova” (Salmos 30:3). Outros, certa ou erradamente, têm a impressão de que Deus escondeu seu rosto deles, ou seja, que estariam numa situação de desaprovação diante Dele: “Mas, quando escondeste a tua face, fiquei apavorado” (Salmos 30:7). No entanto, Jeová Deus nunca está longe daqueles que têm fé sincera Nele. Ele usa provações para nos tornar homens e mulheres melhores, com empatia, compaixão, ajudando e amando o próximo. Ao fazer isso, nos beneficiaremos da sua bondade amorosa de forma duradoura: “Pois estar sob a sua ira é apenas por um instante, Mas ser favorecido por ele é para a vida inteira. Ao anoitecer talvez venha o choro, mas de manhã há gritos de alegria” — Salmos 30:5.
SALMO 31 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Pois tu és meu rochedo e minha fortaleza, por causa do teu nome, tu me guiarás e conduzirás (Salmos 31:3)
Por que o salmista usa a expressão “por causa do teu nome”? A palavra hebraica (שֵׁם) “shem”, traduzida por “nome” é “uma denominação, como marca ou memorial da individualidade, honra, autoridade, caráter (personagem) implicitamente” (Corcondância de Strong (H8034)).
Por exemplo, quando Moisés perguntou a Deus: “Qual é o nome dele?” ele conhecia seu Nome como tal, YHWH (YeHoWaH), mas sua pergunta era baseada no “renome” ou “fama” do Nome Divino (Êxodo 3:13). Dada a resposta de Jeová (no contexto bíblico) e a definição de “shem” (nome), entendemos que esse é o nome ligado a um memorial de ações passadas que constituiria sua reputação:
“Deus disse então a Moisés: “Eu Me Tornarei O Que Eu Decidir Me Tornar.” E acrescentou: “Isto é o que você deve dizer aos israelitas: ‘“Eu Me Tornarei” me enviou a vocês.’” Então Deus disse mais uma vez a Moisés: “Isto é o que você deve dizer aos israelitas: ‘Jeová, o Deus dos seus antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó me enviou a vocês.’ Esse é o meu nome para sempre, e é assim que serei lembrado de geração em geração” (Êxodo 3:14,15).
A última parte da resposta de Jeová torna possível entender a implicação da pergunta de Moisés: “é assim que serei lembrado de geração em geração”. A pergunta “qual é o seu nome?” Deve ser entendida da seguinte maneira: “qual é a sua “fama””, o “qual é o memorial “das ações (passadas) associadas ao seu nome””. E sua resposta, “Eu Me Tornarei O Que Eu Decidir Me Tornar”, deve ser posta em perspectiva em relação à ideia dos israelitas e provavelmente de Moisés (criado na corte do Faraó), como segue: para cada deus, seu nome e seu poder ou poder milagroso. O “Eu Me Tornarei”, também implica que Moisés queria saber o que dizer sobre o poder milagroso associado ao nome de Jeová.
Assim, quando Jeová Deus fala do seu nome como um “memorial”, significa que a pergunta de Moisés sobre o nome era: O que direi aos israelitas a respeito do poder do seu nome e das ações extraordinárias associadas a ele? a este nome (Memorial)? A pergunta de Moisés, referente ao Nome Divino, está inscrita na capacidade de ação do Deus Verdadeiro, que reside no poder de seu Nome. No entanto, a resposta de Jeová é muito boa: no Egito, cada deus tinha um nome associado a um poder de ação muito preciso. Assim, em sua resposta: “Eu Me Tornarei O Que Eu Decidir Me Tornar”, Jeová não desejava (e não deseja) que a inteligência humana tranque seu Nome apenas em uma habilidade extraordinária de realizar milagres. No relato de Êxodo 4:1–9, está escrito que Jeová fez quatro milagres, mostrando sua capacidade de criação, transformando o bastão de Moisés em uma serpente e fazendo dele um bastão. Ou fazendo a mão de Moisés ter lepra (destruição) e curá-la (recreação). Por meio dessas duas séries de dois milagres, Jeová Deus ilustrava sua onipotência portanto, somente suas ações extraordinárias revelariam o memorial de seu nome. “Eu Me Tornarei”, significa que é a ação empreendida por Deus que daria o significado espiritual do seu nome, de “quem é”.
Assim, a expressão “por causa do teu nome” alude ao fato de que Deus sempre age de acordo com a glória do seu Nome, sua autoridade e seu renome. Na oração do Pai Nosso, Jesus Cristo mostrou claramente a importância do significado espiritual do Nome Divino: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome” (Mateus 6:9)… Santificar o Nome Divino é revelar sua glória e autoridade e Jesus foi o depositário deste Nome como autoridade: “Quando eu estava com eles, vigiava sobre eles por causa do teu nome, o nome que me deste. (…) Eu tornei o teu nome conhecido a eles, e o tornarei conhecido” (João 17:11,12,26).
SALMO 32 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Feliz aquele cuja transgressão é perdoada, cujo pecado é coberto (Salmos 32:1)
Na Oração Modelo, Jesus Cristo mostrou que devemos pedir perdão ao Pai Celestial pelos pecados que cometemos todos os dias: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos os nossos devedores” (Mateus 6:12). O Salmo 32 mostra que o perdão de Deus é uma bênção que nos permite ter a paz de espírito. Deus perdoa os pecados daqueles que têm um coração reto: “Feliz o homem a quem Jeová não atribui culpa, Em cujo espírito não há engano” (versículo 2). Deixar de confessar pecados sérios a Deus trabalhará na consciência até o ponto de remover a paz interior: “Enquanto fiquei calado, meus ossos se definharam por eu gemer o dia inteiro. Pois de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim. Minhas forças se evaporaram como água no calor seco do verão” (versículos 3 e 4). A confissão de pecados a Deus tem um efeito libertador: “Finalmente te confessei o meu pecado; Não encobri o meu erro. Eu disse: “Confessarei minhas transgressões a Jeová.” E tu perdoaste meu erro e meus pecados” (versículo 5). Às vezes, os pecados cometidos são extremamente sérios e têm um efeito desastroso sobre si mesmo e sobre os outros. Muitos homens e mulheres cometeram erros irreversíveis, como matar muitos humanos (no contexto de conflito) ou participar de abortos, às vezes até tarde. Muitos deles pensam que é impossível que Deus os perdoe. Acrescente a isso um profundo sentimento de remorso e indignidade. A Bíblia descreve à imensa misericórdia de Jeová: “Venham, pois, e resolvamos as questões entre nós”, diz Jeová. “Embora os seus pecados sejam como escarlate, Serão tornados brancos como a neve; Embora sejam vermelhos como pano carmesim, Se tornarão como a lã” (Isaías 1:18). Este versículo é especialmente dirigido àqueles homens e mulheres que se arrependem sinceramente diante de Deus, pedindo perdão: Deus perdoa o arrependimento sincero com base no precioso sangue de Jesus Cristo: “Meus filhinhos, eu lhes escrevo estas coisas para que vocês não cometam pecado. Contudo, se alguém cometer um pecado, temos um ajudador junto ao Pai: Jesus Cristo, um justo. E ele é um sacrifício propiciatório pelos nossos pecados; contudo, não apenas pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro” (1 João 2: 1,2). Além disso, Jeová Deus ressuscitará os milhões de mortos vítimas de muitos genocídios (João 5:28,29). O que é irreversível para o homem não é para Deus (Mateus 19:26 “para Deus todas as coisas são possíveis”). É possível que, mesmo que a misericórdia de Deus se aplique ao arrependimento sincero, um sentimento de remorso e indignidade continue a assediá-los. No entanto, eles devem saber que Deus é maior que corações: “Por meio disso saberemos que nos originamos da verdade e tranquilizaremos o nosso coração diante dele sempre que o nosso coração nos condenar, porque Deus é maior do que o nosso coração e sabe todas as coisas. Amados, se o nosso coração não nos condena, temos confiança ao falar com Deus, e tudo o que pedimos recebemos dele, porque estamos obedecendo aos seus mandamentos e fazendo o que é agradável aos seus olhos” (1 João 3:19–22).
SALMO 33 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Pois ele falou, e tudo veio a existir, Ele deu a ordem, e tudo ficou firme (Salmos 33:9)
O Salmo 33 glorifica a Palavra de Deus. Costuma-se dizer que o passado não existe mais e o futuro não existe, enquanto apenas o presente existe. No entanto, se esta simples observação for verdadeira, a Palavra de Deus tem a capacidade de preceder a realidade tangível, isto é, de fazer o futuro existir através da certeza do cumprimento das promessas. Por exemplo, no passado, a Palavra precedeu a realidade da criação: “Por meio da palavra de Jeová foram feitos os céus; E por meio do espírito da sua boca, tudo que há neles” (versículos 6 e 7). A Palavra de Deus torna tangível pela certeza do seu cumprimento, num futuro que normalmente, por definição, não existe, o evento anunciado: “Pois ele falou, e tudo veio a existir; Ele deu a ordem, e tudo ficou firme” (versículo 9). A ação da Palavra de Deus é sempre correta e fiel: “Pois a palavra de Jeová é reta, Tudo que ele faz é digno de confiança” (versículo 4). É uma fé na Palavra de Deus e nesta realidade futura que não é vista: “Pela fé percebemos que os sistemas de coisas foram postos em ordem pela palavra de Deus, de modo que aquilo que se vê veio a existir de coisas que não são visíveis” (Hebreus 11:3). Devemos ter confiança absoluta na Palavra de Deus e a glorificar: “Quando as pessoas das nações ouviram isso, alegraram-se e começaram a glorificar a palavra de Jeová, e todos os que tinham a disposição correta para com a vida eterna se tornaram crentes” (Atos 13:48).
SALMO 34 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
O anjo de Jeová acampa ao redor dos que O temem, e ele os socorre (Salmos 34:7)
Há uma profecia messiânica que foi cumprida na morte de Cristo: “Ele protege todos os seus ossos; Nem mesmo um deles foi quebrado” (Salmos 34:20). O apóstolo João registrou como isso foi cumprido: “Visto que era o dia da Preparação, para evitar que os corpos permanecessem nas estacas no sábado (pois aquele sábado seria um grande sábado), os judeus pediram que Pilatos mandasse quebrar as pernas dos homens e retirar os corpos. 32 Portanto, os soldados foram e quebraram as pernas do primeiro homem e as do outro homem que estava numa estaca ao lado dele. 33 Mas, ao chegarem a Jesus, viram que ele já estava morto; por isso, não quebraram as pernas dele. 34 No entanto, um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. 35 E aquele que viu isso dá testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro, e ele sabe que diz a verdade, para que vocês também acreditem. 36 De fato, essas coisas ocorreram a fim de que se cumprisse a passagem das Escrituras: “Nenhum osso seu será quebrado”” (João 19:31–36).
O anjo de Jeová acampa ao redor dos que O temem, e ele os socorre (Salmos 34:7). O tema geral do Salmo 34 é que Jeová Deus liberta aqueles que se refugiam Nele. O versículo 7 não significa necessariamente que todos os servos de Deus teriam um anjo da guarda, preservando-os de infortúnios porque nesse caso eles não teriam nenhuma provação séria em suas vidas. Este texto mostra que duma forma ou de outra o anjo de Deus livrará os servos de Deus de suas provações. Isso, é claro, levanta a questão importante de se Deus protegeria ou não os humanos em geral (Para um exame mais detalhado da existência do mal na Terra, clique no link a seguir: Por quê? : http://www.yomelias.com/436040683).
SALMO 35 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Luta contra os que lutam comigo (Salmos 35:1)
No Salmo 35, Deus é descrito como um Deus guerreiro. Da mesma forma, seu Filho Jesus Cristo, no livro do Apocalipse, é descrito como um Rei guerreiro que lutará com seus anjos contra os inimigos dos povos e particularmente do povo de Deus. O livro do Apocalipse descreve a destruição dos perversos inimigos da humanidade, em sua conclusão: “Escute: Venho depressa, e a recompensa que darei está comigo, para retribuir a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim. Felizes os que lavam as suas vestes compridas, para que tenham a autoridade de ir às árvores da vida e para que entrem na cidade pelos portões dela. Lá fora estão os cães, os que praticam ocultismo, os que praticam imoralidade sexual, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira” (Apocalipse 22:12–15).
A realeza de Deus através da guerra e sua onipotência são simbolizadas na Bíblia pela face do touro e seus chifres. A face de touro corresponde a face dum querubim. Em Ezequiel (1:10), essas quatro criaturas com quatro faces são designadas por um homem, um leão, um touro e uma águia. Enquanto em Ezequiel 10:14, a face do touro é designada com a face dum querubim. Qual é a função dessa criatura espiritual? A primeira menção dos querubins está em Gênesis (Bíblia): “Assim ele expulsou o homem, e colocou ao leste do jardim do Éden os querubins e a lâmina chamejante de uma espada que girava continuamente, guardando o caminho para a árvore da vida” (Gênesis 3:24). Entendemos que os querubins são poderosos guardiões com uma espada. Se o leão é a representação da soberania de Jeová, pela glória e autoridade da realeza, a face de touro é uma expressão da soberania de Jeová por sua onipotência. Jeová Deus, se for necessário, impõe sua soberania pela guerra, a espada do querubim, ou o poder terrível e os chifres do touro. Os chifres são os símbolos da soberania de Jeová por meio da força e da luta, no caso do touro. Havia dois querubins sobre a arca do pacto, isso mostra que são os guardiões da santidade de Jeová, com a luta ou a guerra (se for necessário) (Êxodo 25: 17–22). O altar de sacrifício do templo tinha quatro chifres, um para cada canto, mostra que a santidade das criaturas de Jeová, une-se à expressão da soberania de Jeová (Levítico 4: 7,18). Portanto, é lógico pensar que o touro como parte dos sacrifícios expiatórios ou queimados, é a representação do ser humano justo e puro (Êxodo 29: 11).
SALMO 36 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Contigo está a fonte da vida, graças à tua luz podemos ver a luz (Salmos 36:9)
Jeová Deus, o Pai Celestial, é a fonte da vida. Ele e seu Filho Jesus Cristo são a fonte da luz da nossa esperança de vida eterna. Seu Filho Jesus Cristo é quem nos permitirá obter a vida eterna, graças ao seu sacrifício: “Porque Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna. (…) Quem exerce fé no Filho tem vida eterna; quem desobedece ao Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele. (…) Isto significa vida eterna: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo” (João 3:16,36; 17:3). A ressurreição de Jesus Cristo é a garantia da futura ressurreição dos mortos, seja nos céus ou na terra. É precisamente o apóstolo Paulo que o escreve em 1 Coríntios capítulo 15, dedicado especialmente a este tema da ressurreição. Embora algumas pessoas na congregação tenham dito que não haveria ressurreição, eis o que o apóstolo Paulo escreveu em resposta: “Ora, se se prega Cristo, que ele tem sido levantado dentre os mortos, como é que alguns entre vós dizem que não há ressurreição dos mortos? Se, deveras, não há ressurreição dos mortos, tampouco Cristo foi levantado. Mas, se Cristo não foi levantado, a nossa pregação certamente é vã e a nossa fé é vã. Além disso, somos também achados como falsas testemunhas de Deus, porque temos dado testemunho contra Deus, de que ele levantou o Cristo, a quem ele, porém, não levantou, se realmente é que os mortos não hão de ser levantados. Pois, se os mortos não hão de ser levantados, tampouco Cristo foi levantado. Outrossim, se Cristo não foi levantado, a vossa fé é inútil; ainda estais em vossos pecados. De fato, também pereceram os que adormeceram na morte em união com Cristo. Se somente nesta vida temos esperado em Cristo, somos os mais lastimáveis de todos os homens” (1 Coríntios 15:12–19; o leitor que desejar pode ler todo o capítulo 15, sobre os diferentes tipos de ressurreições).
SALMO 37 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Ele fará a sua retidão brilhar como o amanhecer, e a sua justiça como o sol do meio-dia (Salmos 37:6)
Este é um Salmo muito reconfortante, mostrando que Deus fará o nosso caminho prosperar se confiarmos nele: “Entregue o seu caminho a Jeová; Confie nele, e ele agirá em seu favor” (Salmos 37:5). Mostra um aspecto pouco mencionado nas igrejas cristãs, a esperança de vida eterna num paraíso terrestre, um paraíso restaurado: “Os que esperam em Jeová possuirão a terra. (…) Os justos possuirão a terra e viverão nela para sempre” (Salmos 37:9,29). Jesus Cristo falou desta esperança terrestre, duma vida eterna na terra: “Felizes os de temperamento brando, porque herdarão a terra” (Mateus 5:5). Assim, uma grande parte dos ressuscitados voltará à vida num paraíso na terra (João 5:28,29). Outro ponto importante mencionado neste Salmo é o desaparecimento definitivo dos ímpios, especialmente durante a grande tribulação (Mateus 24:21,22): “Não fique aborrecido por causa dos maus nem inveje os malfeitores. Eles secarão rapidamente como a relva e murcharão como a relva ainda verde” (Salmos 37:1,2).
SALMO 38 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Não há paz nos meus ossos por causa do meu pecado (Salmos 38:3)
Este Salmo ilustra poeticamente os efeitos psicológicos e físicos duma consciência culpada: “Meu corpo inteiro está doente por causa da tua indignação, Não há paz nos meus ossos por causa do meu pecado. Pois os meus erros pairam acima da minha cabeça; Como um fardo pesado, são demais para eu carregar. Minhas feridas cheiram mal e supuram Por causa da minha tolice. Estou aflito e muito abatido; Caminho triste o dia inteiro. Sinto meu íntimo queimar; Todo o meu corpo está doente. Fiquei entorpecido e me sinto completamente esmagado; Meu coração angustiado me faz gemer profundamente” (Salmos 38:3–8).
A preocupação do salmista era recuperar um relacionamento correto com Deus: “Não me abandones, ó Jeová. Ó Deus, não fiques longe de mim” (Salmos 38:21).
Esses são os efeitos da consciência que legisla, que nos julga e nos aprova ou nos condena e tira nossa paz de espírito: “Pois, quando pessoas das nações, que não têm lei, fazem por natureza as coisas exigidas por lei, essas pessoas, embora não tenham lei, são uma lei para si mesmas. Elas mesmas demonstram que têm a essência da lei escrita no coração, ao passo que a consciência delas também dá testemunho, e, pelos seus pensamentos, elas são acusadas ou até mesmo desculpadas. Isso acontecerá no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar as coisas secretas dos homens, segundo as boas novas que eu declaro” (Romanos 2:14–16). O Salmo 38 e este texto bíblico mostram que a consciência está ligada ao nosso relacionamento com Deus e seu Filho Jesus Cristo, pois são eles que nos julgarão: “Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus” (Romanos 14:12).
SALMO 39 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Vou guardar a minha boca com uma mordaça (Salmos 39:1)
Este Salmo mostra a importância de controlar a língua, especialmente quando lidamos com ataques “ad hominem”, ataques contra nossa pessoa. Devemos permanecer em silêncio mesmo quando estamos passando por intensa dor emocional:
“Eu disse: “Vou vigiar o meu caminho Para não pecar com a minha língua. Vou guardar a minha boca com uma mordaça Enquanto houver alguém mau na minha presença.” Fiquei mudo e em silêncio, Não falei nem mesmo sobre o que é bom; Mas a minha dor era intensa. Meu coração queimava dentro de mim. Enquanto eu meditava, o fogo ardia” (Salmos 39:1–3).
Devemos exercer fé que no devido tempo, Deus agirá em nosso favor. Só temos que ser pacientes e esperar por Sua ação em nosso favor:
“O que, então, posso esperar, ó Jeová? Tu és minha única esperança” (Salmos 39:7).
Jesus Cristo e João Batista foram alvo de ataques ad hominem, à sua pessoa, à sua reputação. Ele mostrou que, ao exercer paciência, a verdade e a sabedoria sempre triunfam sobre as mentiras:
“Com quem compararei esta geração? Ela é semelhante a crianças sentadas nas praças, que gritam para seus colegas: ‘Nós tocamos flauta para vocês, mas vocês não dançaram; nós lamentamos, mas vocês não bateram no peito de pesar.’ Da mesma maneira, João veio sem comer e sem beber, mas as pessoas dizem: ‘Ele tem demônio.’ O Filho do Homem veio comendo e bebendo, mas elas dizem: ‘Vejam! Um homem glutão e dado a beber vinho, amigo de cobradores de impostos e de pecadores.’ No entanto, a sabedoria se prova justa pelas suas obras” (Mateus 11:16–19).
Hoje, a memória das boas ações de Jesus Cristo e João Batista está escrita na história da humanidade, enquanto seus caluniadores desapareceram como um “mero sopro”:
“Certamente todo homem, mesmo que pareça seguro, não é nada mais que um sopro” (Salmos 39:5).
SALMO 40 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Não te agradaste de sacrifícios e ofertas (Salmos 40:6)
“Não desejaste sacrifícios e ofertas”: Jesus Cristo mostrou que a misericórdia e o bom senso não devem ser sacrificados pela aplicação literal da Lei. Por exemplo, no sábado, Seus discípulos começaram a colher espigas de trigo porque estavam com fome. Os fariseus aproveitaram a oportunidade para apontar que estavam quebrando o sábado ao “colher” espigas de trigo para comer imediatamente. Aqui está a resposta de Cristo usando um dos pensamentos do Salmo 40: “Naquela ocasião, Jesus passou pelos campos de cereais no sábado. Seus discípulos ficaram com fome e começaram a arrancar espigas e a comer. Vendo isso, os fariseus lhe disseram: “Veja! Seus discípulos estão fazendo o que não é permitido fazer no sábado.” Ele lhes disse: “Vocês não leram o que Davi fez quando ele e seus homens ficaram com fome? Como ele entrou na casa de Deus, e eles comeram os pães da apresentação, algo que não era permitido comer, nem a ele nem aos que estavam com ele, mas apenas aos sacerdotes? Ou não leram na Lei que, nos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e permanecem sem culpa? Mas eu lhes digo que algo maior do que o templo está aqui. No entanto, se vocês tivessem entendido o que significa: ‘Quero misericórdia, e não sacrifício’, não teriam condenado os inocentes. Porque o Filho do Homem é Senhor do sábado”” (Mateus 12:1–8). O apóstolo Paulo explicou o significado do Salmos 40:6–9, mostrando que os sacrifícios da Lei tinham um valor profético e agora foram substituídos pelo sacrifício de Cristo: “Pois, visto que a Lei tem uma sombra das coisas boas que viriam, mas não a própria realidade, ela nunca pode, com os mesmos sacrifícios oferecidos continuamente, ano após ano, tornar perfeitos os que se aproximam para adorar. De outro modo, será que não se teria parado de oferecer os sacrifícios? Pois os que prestam serviço sagrado, uma vez purificados, não teriam mais consciência de pecados. Mas, ao contrário, esses sacrifícios são ano após ano uma lembrança dos pecados, porque não é possível que o sangue de touros e de bodes tire pecados. Por isso, ao entrar no mundo, ele diz: “‘Não quiseste sacrifícios e ofertas, mas preparaste-me um corpo. Não aprovaste as ofertas queimadas nem ofertas pelo pecado.’ Então eu disse: ‘Aqui estou (no rolo está escrito a meu respeito) para fazer a tua vontade, ó Deus.’” Ele diz primeiro: “Não quiseste nem aprovaste sacrifícios, ofertas, ofertas queimadas nem ofertas pelo pecado” — sacrifícios que se oferecem segundo a Lei — , depois ele diz: “Aqui estou para fazer a tua vontade.” Ele elimina o primeiro para estabelecer o segundo. Por essa “vontade” fomos santificados por meio da oferta do corpo de Jesus Cristo, de uma vez para sempre” (Hebreus 10:1–10).
SALMO 41 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Até mesmo o homem que estava em paz comigo e em quem eu confiava, que comia do meu pão, se voltou contra mim (Salmos 41:9).
O rei David tinha um conselheiro especial chamado Aitofel. Era um homem de grande sabedoria e o rei David confiava nele. Entretanto, quando Absalão, filho do rei David, conspirou contra ele, Aitofel traiu a confiança do rei. Finalmente, quando Aitofel percebeu que Deus tinha frustrado o seu conselho, foi e enforcou-se em sua casa (2 Samuel capítulos 15–17). Salmos 41:9 faz alusão a esta traição. No entanto, este versículo não tem apenas valor histórico, mas também profético porque menciona a traição de Judas Iscariotes, um dos apóstolos de Jesus Cristo:
“Não estou falando a respeito de todos vocês; conheço os que eu escolhi. Mas é para que se cumpra esta passagem das Escrituras: ‘Aquele que comia do meu pão se voltou contra mim.’ (…) Depois de dizer isso, Jesus ficou profundamente angustiado, e declarou: “Digo-lhes com toda a certeza: Um de vocês me trairá.” Os discípulos começaram a olhar uns para os outros, sem saber sobre qual deles ele estava falando. Um dos seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava recostado junto de Jesus. Portanto, Simão Pedro acenou com a cabeça para esse discípulo e lhe disse: “Diga-nos a respeito de quem ele está falando.” De modo que ele se encostou no peito de Jesus e lhe perguntou: “Senhor, quem é?” Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão que vou molhar na tigela.” Então, depois de molhar o pão, ele o deu a Judas, filho de Simão Iscariotes” (João 13:18,21–26).
“Feliz aquele que mostra consideração ao de condição humilde;
Jeová o livrará no dia da calamidade” (Salmos 41:1).
O Salmo 41 mostra que Deus dá grande importância à ajuda que podemos dar ao nosso próximo. Ele mostra que Deus abençoará os homens e as mulheres que demonstram compaixão através de ações:
“Jeová o protegerá e o preservará vivo.
Ele será proclamado feliz na terra;
Nunca o abandonarás à mercê dos inimigos dele.
3 Jeová o amparará no leito de enfermidade.
Transformarás completamente a sua cama enquanto ele estiver doente” (Salmo 41:2,3). Jesus Cristo, o Filho de Deus, mostrou que usará este padrão de julgamento:
“O Rei dirá então aos à sua direita: ‘Venham vocês, abençoados por meu Pai, herdem o Reino preparado para vocês desde a fundação do mundo. Pois fiquei com fome, e vocês me deram algo para comer; fiquei com sede, e vocês me deram algo para beber. Eu era um estranho, e vocês me receberam hospitaleiramente; estava nu, e vocês me vestiram. Fiquei doente, e vocês cuidaram de mim. Eu estava na prisão, e vocês me visitaram.’ Então, os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando foi que o vimos com fome e o alimentamos, ou com sede e lhe demos algo para beber? Quando o vimos como um estranho e o recebemos hospitaleiramente, ou nu e o vestimos? Quando o vimos doente ou na prisão e fomos visitá-lo?’ O Rei lhes dirá, em resposta: ‘Eu lhes digo a verdade: O que vocês fizeram a um dos menores destes meus irmãos, a mim o fizeram.’” (Mateus 25:31–46).
SALMO 42 E 43(ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Ó meu Deus, estou em desespero. por isso é que me lembro de ti, na terra do Jordão e nos cumes do Hermom, no monte Mizar (Salmos 42:6)
Esta parte do livro dos Salmos menciona os filhos de Corá. Ele era primo de Moisés e Arão, um membro levita da prestigiosa família coatita (da qual Moisés e Arão faziam parte). Ele é conhecido (na história bíblica) por ter organizado uma sedição contra Moisés e Arão. Por causa de seu carisma, ele liderou com ele, centenas e depois milhares de pessoas para segui-lo. Finalmente, Deus pôs fim a esta rebelião que atacou particularmente o sacerdócio de Arão (leia a história de Números capítulo 16). Corá teve três filhos, Assir, Elcana e Abiasafe (Êxodo 6:24). Os três filhos de Corá tiveram a coragem de não se juntar à rebelião de seu pai. De acordo com o livro dos Salmos, eles e seus descendentes estavam entre os levitas que se especializaram em composição, canto e música. Foi o rei Davi que estabeleceu seus descendentes nesta posição de prestígio (1 Crônicas 6:31–37). Além disso, Deus permitiu que eles tivessem certas canções poéticas que fazem parte do livro bíblico dos Salmos (Salmos 42–49,84,85,87,88). Claro, os filhos de Corá não eram contemporâneos do rei Davi. A expressão “filhos de Corá” pode se referir diretamente aos três filhos e, neste caso, significaria que esses Salmos teriam sido compilados posteriormente nas canções do Tabernáculo e depois do Templo. Caso contrário, a expressão “filhos de Corá” poderia significar descendentes dos filhos de Corá. Essas informações ajudam a entender melhor as alusões mencionadas nestes dois salmos (42 e 43, especialmente o versículo 42:6). Deus se lembrou da coragem dos três filhos de Corá ao fazê-los ser mencionados por sua fidelidade: “Pois Deus não é injusto para se esquecer da sua obra e do amor que vocês mostraram ao nome dele, por servirem os santos e continuarem a servi-los” (Hebreus 6:10).
SALMO 44 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Foste tu que nos salvaste dos nossos adversários, que humilhaste os que nos odeiam (Salmos 44:7)
Este Salmo se refere à conquista da Terra Prometida. O relato histórico dessas batalhas pode ser lido no livro bíblico de Josué. Como pode ser lido tanto neste Salmo quanto neste livro, foi Deus quem agiu em relação ao povo que Ele havia escolhido: “Não foi com a sua própria espada que eles tomaram posse desta terra, Nem foi o próprio braço deles que lhes trouxe vitória. Na verdade, foi pela tua mão direita, pelo teu braço e pela luz da tua face, Pois te agradaste deles” (Salmos 44:3). Como exemplo, podemos ler a história da queda de Jericó, que foi um verdadeiro milagre causado por Deus (leia Josué capítulo 6). No entanto, quando os israelitas não respeitaram a vontade de Deus, eles perderam Sua aprovação, e Ele os fez recuar diante de seus inimigos: “Mas agora nos rejeitas e humilhas, E não acompanhas os nossos exércitos” (Salmo 44:9). E de fato, durante a queda de Jericó, algo aconteceu que não estava de acordo com a vontade de Deus, o que fez com que os israelitas fugissem diante da cidade de Ai (leia a história de Josué capítulos 7 e 8.). Também podemos ler essa alternância entre a aprovação de Deus e as bênçãos de Deus, e a desaprovação e maldições de Deus, ao longo do livro de Juízes. Este Salmo 44 nos ensina que somente Deus pode nos assegurar bênçãos de longo prazo, apesar das dificuldades que encontramos, desde que nos esforcemos para fazer sua vontade da melhor forma possível: “Levanta-te em nosso auxílio! Livra-nos por causa do teu amor leal” (Salmo 44:26).
SALMO 45 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Ó rei, o senhor é o mais belo dos filhos dos homens. Palavras encantadoras escorrem dos seus lábios. Por isso Deus o abençoou para sempre (Salmos 45:2)
O tema deste Salmo é profeticamente centrado em Jesus Cristo como Rei e seu casamento. O relato profético do casamento do Cordeiro também é encontrado no livro do Apocalipse (19:1–10). Deus Pai é Aquele que organiza este casamento: “Deus é o seu trono para todo o sempre; O cetro do seu reino é um cetro de retidão” (Salmos 45:6). “E ouvi o que soou como a voz de uma grande multidão e como o som de muitas águas e como o som de fortes trovões. Eles disseram: “Ouvi então algo que soava como a voz de uma grande multidão, como o som de muitas águas e como o som de fortes trovões, dizendo: “Louvem a Jah, porque Jeová, nosso Deus, o Todo-Poderoso, começou a reinar! Fiquemos alegres e cheios de alegria, e demos-lhe glória, porque chegou o casamento do Cordeiro, e a sua esposa já se preparou. Sim, foi concedido a ela se vestir de linho fino, brilhante e puro, pois o linho fino representa os atos justos dos santos”” (Apocalipse 19:6–8). A magnificência da noiva celestial de Cristo é descrita profeticamente no Salmo 45 e Apocalipse, ela é chamada de Nova Jerusalém: “A consorte real está de pé à sua direita, adornada com ouro de Ofir” (Salmos 45:9). “Vi também a cidade santa, a Nova Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus, e preparada como noiva adornada para o seu marido” (Apocalipse 21:2). Dessa união nascerão filhos do Reino na terra que representarão sua autoridade na terra: “Seus filhos, ó rei, ocuparão o lugar dos seus antepassados. O senhor os designará como príncipes em toda a terra” (Salmos 45:16).
SALMO 46 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Ele põe fim às guerras em toda a terra. Quebra o arco e despedaça a lança, Queima as carroças militares no fogo (Salmos 46:9)
O início do Salmo mostra que somente Jeová Deus, o Pai Celestial, é um refúgio em tempos de grande agitação: “Deus é nosso refúgio e nossa força, Uma ajuda encontrada prontamente em tempos de aflição” (Salmos 46:1–4). Jesus Cristo, o Filho de Deus, predisse um tempo de grande aflição antes do fim, antes da grande tribulação, em Mateus (capítulo 24), Marcos (capítulo 13) e Lucas (capítulo 21). Ele nos exortou a estar prontos para seu retorno que significará o fim de todos esses problemas: “Mas entendam isto: se o dono da casa soubesse em que vigília o ladrão viria, ficaria acordado e não permitiria que sua casa fosse arrombada. Por essa razão, vocês também mostrem-se prontos, porque o Filho do Homem vem numa hora que vocês não imaginam” (Mateus 24:43,44). Também está escrito neste Salmo isto: “Há um rio cujos canais alegram a cidade de Deus, O santo e grandioso tabernáculo do Altíssimo” (Salmos 46:4). Este mesmo tabernáculo de Deus é mencionado no livro do Apocalipse, anunciando o fim dos infortúnios na terra: “Então ouvi uma voz alta do trono dizer: “Veja! A tenda de Deus está com a humanidade; ele residirá com eles, e eles serão o seu povo. O próprio Deus estará com eles. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais tristeza, nem choro, nem dor. As coisas anteriores já passaram”” (Apocalipse 21:3,4). Mas antes disso, Deus terá que eliminar definitivamente as organizações malignas e aqueles que as apoiam: “Venham testemunhar os atos de Jeová, Como ele faz coisas espantosas na terra. Ele põe fim às guerras em toda a terra. Quebra o arco e despedaça a lança, Queima as carroças militares no fogo” (Salmos 46:8,9). Jeová Deus, por meio de seu Filho, o Rei Jesus Cristo, destruirá a lança e os carros de guerra, os complexos militar-industriais e as finanças globais que trabalham de mãos dadas para organizar guerras, fomes, epidemias a fim de reduzir a população mundial por meio da primeira guerra mundial, da segunda guerra mundial, da guerra fria e que querem sua terceira guerra mundial (por meio do conflito na Ucrânia). Esses filhos do diabo e esses demônios terrestres desaparecerão por toda a eternidade, no tempo da grande tribulação: “Vi também um anjo em pé no sol, e ele clamou em alta voz e disse a todas as aves que voavam no meio do céu: “Venham para cá, reúnam-se para o grande banquete de Deus, 18 para comerem a carne de reis, a carne de comandantes militares, a carne de homens fortes, a carne de cavalos e dos montados neles, e a carne de todos, tanto de homens livres como de escravos, de pequenos e de grandes.” 19 E vi a fera e os reis da terra com os seus exércitos reunidos para travar guerra contra aquele que estava montado no cavalo e contra o seu exército. 20 A fera foi apanhada, e junto com ela o falso profeta, que realizava na frente dela os sinais com que enganava os que tinham recebido a marca da fera e os que adoravam a sua imagem. Ainda vivos, ambos foram lançados no lago ardente que queima com enxofre. 21 Mas os demais foram mortos com a longa espada que saía da boca daquele que estava montado no cavalo. E todas as aves se saciaram com a carne deles” (Apocalipse 19:17–21).
SALMO 47 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Deus tornou-se Rei sobre as nações. Deus está sentado no seu santo trono (Salmos 47:8)
A expressão do Salmo dando glória à Realeza de Deus o Pai Celestial é encontrada regularmente no livro do Apocalipse: “Digno és, Jeová, nosso Deus, de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade elas vieram à existência e foram criadas. (…) Agora se realizou a salvação, o poder e o Reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo, porque foi lançado para baixo o acusador dos nossos irmãos, que os acusa dia e noite perante o nosso Deus! (…) Ouvi então algo que soava como a voz de uma grande multidão, como o som de muitas águas e como o som de fortes trovões, dizendo: “Louvem a Jah, porque Jeová, nosso Deus, o Todo-Poderoso, começou a reinar!”” (Apocalipse 4:11; 12:10; 19:6). No Apocalipse 12:10, a Realeza de Deus é associada à autoridade do Rei Jesus Cristo. Ele recebeu essa autoridade após sua ressurreição: “Jesus se aproximou e lhes disse: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra”” (Mateus 28:18). De acordo com o livro de Apocalipse capítulo 20, o reinado de Cristo durará mil anos: “Vi tronos, e aos sentados neles foi dada autoridade para julgar. Sim, vi as almas dos que foram executados por causa do testemunho que deram de Jesus e por terem falado a respeito de Deus, vi aqueles que não tinham adorado a fera nem a imagem dela e não tinham recebido a marca na testa e na mão. Eles voltaram a viver e reinaram com o Cristo por mil an” (Apocalipse 20:4). Quando o Rei Jesus Cristo tiver restaurado todas as coisas, ele retornará essa autoridade ao Seu Pai Celestial: “No entanto, quando todas as coisas lhe tiverem sido sujeitas, então o próprio Filho também se sujeitará Àquele que lhe sujeitou todas as coisas, para que Deus seja todas as coisas para com todos” (1 Coríntios 15:28). Assim, como escrito profeticamente nos Salmos 45 e 47, a Realeza de Cristo é baseada na Realeza de Seu Pai Celestial: “Deus é o seu trono para todo o sempre; O cetro do seu reino é um cetro de retidão” (Salmos 45:6).
SALMO 48 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Belo por sua altura, a alegria da terra inteira, É o monte Sião no extremo norte, A cidade do Grandioso Rei (Salmos 48:2)
O Monte Sião é o símbolo bíblico da realeza davídica que por si só representava a realeza de Deus. Enquanto estava na terra, Jesus Cristo entrou em Jerusalém, onde fica o Monte Sião, como herdeiro da realeza davídica, porque ele era um descendente direto por meio de sua mãe e seu pai adotivo (leia Mateus 1:1–16 e Lucas 3:23–36): “Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, no monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, 2 dizendo-lhes: “Vão à aldeia que está ao alcance da vista e logo acharão uma jumenta amarrada, e um jumentinho com ela. Desamarrem-nos e tragam-nos para mim. 3 Se alguém lhes disser alguma coisa, digam: ‘O Senhor precisa deles.’ Com isso, imediatamente os deixará trazê-los.” 4 Isso aconteceu para que se cumprissem as palavras do profeta, que disse: 5 “Digam à filha de Sião: ‘Veja! Seu rei está vindo a você, de temperamento brando e montado num jumento, sim, num jumentinho, filho de um animal de carga.’” 6 Os discípulos foram então e fizeram conforme Jesus lhes havia ordenado. 7 Trouxeram a jumenta e seu jumentinho, colocaram sobre eles suas capas, e ele se sentou nelas. 8 A maior parte da multidão estendeu suas capas na estrada, ao passo que outros cortavam ramos das árvores e os espalhavam pela estrada. 9 Além disso, as multidões que iam na frente dele e as que o seguiam gritavam: “Salva, rogamos, o Filho de Davi! Bendito é aquele que vem em nome de Jeová! Salva-o, rogamos, nas maiores alturas!”” (Mateus 21:1–9). E então Jesus Cristo herdou o reinado no céu no Monte Sião celestial com os 144.000: “Então vi o Cordeiro em pé no monte Sião, e com ele 144.000, que têm o nome dele e o nome do seu Pai escritos na testa” (Apocalipse 14:1–5). É claro que, de acordo com os Salmos 45 a 48, a Realeza de Cristo é a expressão da Realeza de seu Pai Celestial, Jeová Deus: “Pois este Deus é o nosso Deus para todo o sempre. Ele nos guiará eternamente” (Salmos 48:14). (O sionismo político é inspirado por este ensinamento bíblico. No entanto, é uma ideologia que defende meios violentos para se impor, o que é contrário à ideia de Jesus Cristo (um judeu na terra): “Jesus lhe disse então: “Devolva a espada ao seu lugar, pois todos os que tomarem a espada morrerão pela espada”” (Mateus 26:52)).
SALMO 49 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Mas Deus me resgatará do poder da Sepultura, pois de lá ele me tomará (Salmos 49:15)
O Salmo 49 ensina duas coisas importantes: 1 — Os humanos são incapazes de redimir a si mesmos ou sua vida humana por si mesmos: “Nenhum deles pode jamais remir um irmão Nem dar a Deus um resgate por ele (O preço de resgate pela sua vida é tão alto Que estará sempre além do alcance deles)” (Salmos 49:7,8). 2 — O salmista tinha fé que Jeová Deus, o Pai Celestial, proveria esse resgate e poderia ressuscitá-lo. Ele tinha fé na esperança da ressurreição: “Mas Deus me resgatará do poder da Sepultura, pois de lá ele me tomará” (Salmos 49:15). Jesus Cristo apontou para si mesmo como o meio de redenção de seu Pai, ou aquela porta de entrada para a esperança da ressurreição: “Marta respondeu: “Sei que ele se levantará na ressurreição, no último dia.” Jesus lhe disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem exercer fé em mim, ainda que morra, voltará a viver” (João 11:24,25). Jesus Cristo pediu que seu sacrifício fosse lembrado a cada ano: “Persistam em fazer isso em memória de mim” (Lucas 22:19). Para mais informações, visite esta página da web: http://www.yomelias.com/437409731 .
SALMO 50 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Que direito você tem de recitar as minhas leis E de falar do meu pacto? (Salmos 50:16)
Neste Salmo, Deus aparece duma forma assustadora, como um juiz que chama seu povo para prestar contas: “Nosso Deus chegará e de modo algum ficará calado. Diante dele há um fogo devorador, E ao redor dele uma violenta tempestade. Ele convoca os altos céus e a terra, Pois vai julgar o seu povo” (Salmos 50:3,4). Parece óbvio que Deus está irado com a atitude arrogante de seu povo: “Escute, ó povo meu, pois vou falar; Israel, darei testemunho contra você. Eu sou Deus, o seu Deus” (Salmos 50:7). Primeiro, Deus chama a atenção para o fato de que seu povo não pode reivindicar seu mérito diante Dele por causa de seus sacrifícios, porque as doações que eles fazem são apenas uma restituição do que já pertence a Ele: “Pois todos os animais da floresta são meus, Até mesmo os animais sobre mil montanhas” (Salmos 50:9–12). Deus deseja que seu povo faça sacrifícios que valham a pena, isto é, com bons motivos, amor, misericórdia, gratidão e confiança Nele: “Ofereça agradecimentos como sacrifício a Deus, E cumpra os seus votos feitos ao Altíssimo” (Salmos 50:14). Jesus Cristo fez a mesma reprovação aos fariseus cujos corações eram desprovidos de amor pelas pessoas que eles deveriam ensinar: “Eu quero misericórdia, não sacrifício. ‘Porque eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores’” (Mateus 9:13). Deus então denuncia a lacuna entre o conhecimento dos ímpios que conhecem bem a Lei de Deus, mas que não a aplicam: “Mas, a quem é mau, Deus dirá: “Que direito você tem de recitar as minhas leis E de falar do meu pacto? Pois você odeia a disciplina E dá as costas às minhas palavras” (Salmos 50:16,17). Esta é exatamente a reprovação que Jesus Cristo fez aos fariseus: “Portanto, façam e cumpram tudo o que eles dizem a vocês, mas não ajam como eles, pois falam, mas não praticam o que dizem” (Mateus 23:3; leia todo o capítulo 23). Da mesma forma hoje, muitas congregações ou assembleias cristãs afirmam obedecer a Cristo e praticam a idolatria de estátuas ou idolatria de humanos, até mesmo elevando-as à posição de Cristo e Deus, seu Pai, dizendo que obedecê-las é obedecer a Deus. Outras organizações que se dizem cristãs chafurdam nas finanças ao lidar com bilhões de dólares em ativos, enquanto Jesus Cristo nem sequer tinha onde reclinar a cabeça: “Mas Jesus lhe disse: “As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde deitar a cabeça”” (Mateus 8:20). É hora, antes que seja tarde demais, para essas assembleias cristãs mudarem sua atitude e retornarem ao verdadeiro cristianismo como Cristo nos ensinou: “Quando você fez essas coisas, eu fiquei calado; Então você pensou que eu seria como você. Mas agora vou repreendê-lo E vou apresentar a minha causa contra você. Por favor, considerem isso, vocês que se esquecem de Deus, Senão vou dilacerar vocês, e não haverá quem os livre. Quem oferece agradecimentos como sacrifício me glorifica; E quanto àquele que segue o caminho determinado, Eu o farei ver a salvação da parte de Deus”” (Salmos 50:21–23).
SALMO 51 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Mostra-me favor, ó Deus, segundo o teu amor leal. Segundo a tua grande misericórdia, apaga as minhas transgressões (Salmos 51:1)
Como o título deste Salmo indica, o contexto é o pecado de adultério do Rei Davi com Bate-Seba, seguido pelo assassinato de seu marido, Urias. Todo esse relato dramático está no segundo livro de Samuel (Capítulo 11 a 12:1–15). Quando Davi diz isso, “Pequei contra ti, acima de tudo contra ti; Fiz o que é mau aos teus olhos. Assim, tu és justo quando falas, És certo no teu julgamento” (versículo 4). Essas palavras podem ser chocantes porque o Rei Davi também pecou seriamente contra Urias ao cometer adultério com sua esposa e tramar seu assassinato. O fato de Deus ter registrado essa narrativa da conduta revoltante do Rei Davi demonstra esse fato. No entanto, essas palavras devem ser vistas em contexto, a saber, que o casamento é uma provisão de Deus, a proibição do assassinato é uma lei de Deus, portanto, quebrá-las por adultério e ao mesmo tempo por assassinato é um pecado contra Deus. Mais geralmente, o Salmo 51 descreve a condição pecaminosa dos seres humanos e sua propensão a fazer o mal: “Na verdade, já nasci culpado de erro, E minha mãe me concebeu em pecado” (Salmos 51:5). O apóstolo Paulo ilustrou bem essa condição humana pecaminosa que nos empurra a fazer o mal. No entanto, ele mostrou que através do sacrifício de Cristo podemos alcançar o perdão de Deus, dos nossos pecados: “Percebo assim a seguinte lei no meu caso: quando quero fazer o que é certo, está presente em mim o que é mau. Eu realmente tenho prazer na lei de Deus segundo o homem que sou no íntimo, mas vejo em meu corpo outra lei guerreando contra a lei da minha mente e me levando cativo à lei do pecado que está no meu corpo. Homem miserável que eu sou! Quem me livrará do corpo que é submetido a essa morte? Dou graças a Deus, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor! Assim, com a minha mente, eu mesmo sou escravo da lei de Deus, mas, com a minha carne, escravo da lei do pecado” (Romanos 7:21–25).
Jesus Cristo pediu que seu sacrifício fosse lembrado a cada ano: “Persistam em fazer isso em memória de mim” (Lucas 22:19). Para mais informações, visite esta página da web: http://www.yomelias.com/437409731 .
SALMO 52 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Por que você se gaba das suas más ações, ó poderoso? (Salmos 52:1)
Como o título deste Salmo indica, o Rei Davi está se dirigindo especificamente a Doegue, o edomita, que foi responsável pelas mortes de muitos sacerdotes, incluindo Aimeleque, por ajudá-lo a escapar do Rei Saul (leia 1 Samuel capítulos 21 e 22). Assim como Doegue provavelmente acabou pagando por seu crime após a entronização do Rei Davi, todos os assassinos que atualmente desfrutam de impunidade acabarão pagando por seus crimes: “Lá fora estão os cães, os que praticam ocultismo, os que praticam imoralidade sexual, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira” (Apocalipse 22:15). Jesus Cristo aludiu à coragem e ao bom senso de Aimeleque quando ajudou o rei Davi e seus homens: “Num sábado, ele estava passando por campos de cereais, e seus discípulos arrancavam espigas, esfregavam-nas com as mãos e as comiam. Em vista disso, alguns fariseus disseram: “Por que vocês estão fazendo o que não é permitido no sábado?” Mas Jesus lhes disse em resposta: “Vocês nunca leram o que Davi fez quando ele e seus homens ficaram com fome? Como ele entrou na casa de Deus e recebeu os pães da apresentação, e os comeu e deu deles aos seus homens, embora não seja permitido a ninguém comer esses pães, mas apenas aos sacerdotes?” E acrescentou: “O Filho do Homem é Senhor do sábado”” (Lucas 6:1–5).
SALMO 53 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Suas ações ímpias são corruptas e detestáveis (Salmos 53:1)
O Salmo 53 descreve apropriadamente a mentalidade da geração perversa, que age como se Deus não existisse ou não os responsabilizasse por suas ações. O apóstolo Paulo descreveu apropriadamente a mentalidade desta geração perversa nos últimos dias: “Mas saiba que nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de suportar. Pois os homens só amarão a si mesmos, amarão o dinheiro, serão presunçosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, desnaturados, não estarão dispostos a acordos, serão caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor ao que é bom, traidores, teimosos, cheios de orgulho, amarão os prazeres em vez de a Deus e manterão uma aparência de devoção a Deus, mas rejeitarão o poder dessa devoção. Desses, afaste-se” (2 Timóteo 3:1–5). Os pastores políticos, comerciais e religiosos, traficantes de armas e organizadores de guerra para a sobrevivência de suas organizações malignas, que devoram o povo “como se comessem pão”, na Faixa de Gaza sob um fluxo contínuo de bombas todos os dias, na guerra russo-ucraniana onde irmãos eslavos estão matando uns aos outros, na Síria onde civis inocentes, incluindo muitos cristãos, estão sendo massacrados por fanáticos religiosos. Esses filhos do diabo não têm consideração pelas vidas de civis que só pedem para viver em paz. No entanto, como está escrito no Salmo 53, chegará o dia em que o próprio Deus espalhará os ossos de todos os que acamparem contra os inocentes… O dia está se aproximando quando o Rei Jesus Cristo virá para resgatar o povo escolhido de Deus, de todas as nações, tribos, povos e línguas (Daniel 12:1; Apocalipse 7:9–17).
SALMO 54 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Pois Ele me salva de toda aflição (Salmos 54:7)
O título deste Salmo explica que Davi foi alvo de outra denúncia, desta vez coletivamente, enquanto fugia para salvar sua vida do Rei Saul. Mantendo o tema da denúncia, algumas ditaduras políticas têm usado a denúncia para manter o povo em submissão forçada. Algumas ditaduras religiosas cristãs americanas globalizadas usam o mesmo método de engenharia social para punir a menor ofensa de opinião, particularmente com base em Levítico 5:1: “Se alguém ouvir uma voz de uma maldição para prestar depoimento e não relatar algo de que foi testemunha, que viu ou de que ficou sabendo, estará cometendo um pecado e responderá pelo seu erro” (Levítico 5:1). O contexto deste texto é claro: diz respeito a situações graves, como maldições ou outras atitudes que podem colocar em risco a integridade e a vida de outras pessoas. Por exemplo, Mordecai revelou uma tentativa de conspiração contra o rei, de acordo com Ester 3:21–23. Numa congregação e na sociedade em geral, é óbvio que é apropriado revelar atos criminosos, como abuso sexual, homicídio e roubo. Mas é claro que as “maldições” (uma convocação pública) mencionadas em Levítico não incluem simples ofensas de opinião. Independentemente disso, se alguém foi vítima duma atitude tão perversa por parte dessas ditaduras religiosas globalizadas, deve manter a fé de que Deus, no devido tempo, trará a verdade à luz: “Ouçam a palavra de Jeová, vocês que tremem diante da sua palavra: “Seus irmãos que os odeiam e os excluem por causa do meu nome disseram: ‘Glorificado seja Jeová!’ Mas Deus aparecerá e trará alegria a vocês, Enquanto eles serão envergonhados”” (Isaías 66:5). “Pois Ele me salva de toda aflição, E eu olharei triunfante para os meus inimigos” (Salmos 54:7).
SALMO 55 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Lance seu fardo sobre Jeová, E ele amparará você. Nunca permitirá que o justo venha a cair (Salmos 55:22)
A leitura deste salmo ajudará espiritual e emocionalmente aqueles que estão numa situação muito preocupante. Descreve a tempestade emocional de alguém em angústia, e o salmista, ao implorar a Deus por ajuda, mostra que se deve colocar sua total confiança em Jeová Deus:
Os versículos 1–3 explicam as razões das preocupações do salmista. Podem ser por outras razões sérias, como guerra, fome, doenças ou outros traumas relacionados ao tempo e eventos imprevistos (leia Eclesiastes 9:11): “Por causa do que o inimigo está dizendo E da pressão dos maus. Pois amontoam desgraças sobre mim, E, irados, eles guardam rancor de mim” (Salmos 55:3). Os versículos 4–8 descrevem a angústia do salmista: “Meu coração está angustiado dentro de mim, E os horrores da morte me dominam. O medo e o tremor me sobrevêm, E um calafrio se apodera de mim” (Salmos 55:4, 5). Os versículos 12–14 mostram que a pior oposição não vem dos inimigos declarados, mas sim de antigos companheiros que agiram traiçoeiramente: “Mas é você, um homem como eu, Meu companheiro, que eu conheço bem. 14 Uma calorosa amizade nos unia, Andávamos junto com a multidão até a casa de Deus” (Salmos 55:13, 14). Esta passagem obviamente traz à mente a traição de Judas Iscariotes mencionada no Evangelho de Lucas (22:21, 48). Os versículos 16–23 nos encorajam a confiar em Deus em situações que parecem não ter resultado a curto prazo, para as quais não conseguimos ver uma solução. O versículo seguinte nos encoraja a ser pacientes e confiar em Jeová Deus: “Lance seu fardo sobre Jeová, E ele amparará você. Nunca permitirá que o justo venha a cair” (Salmos 55:22).
SALMO 56 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Em Deus eu ponho a minha confiança; não tenho medo. O que me pode fazer um simples homem? (Salmos 56:11)
Este Salmo lida com o medo do homem, como neste caso (Davi), aprendendo a superá-lo confiando em Deus. O título deste Salmo faz alusão a uma situação angustiante vivida por Davi, fugindo do Rei Saul, registrada no primeiro livro de Samuel (21:10–15):
Este Salmo nos encoraja a colocar nossa total confiança em Deus e superar o medo do homem que pode estar dentro de nós. O medo do homem é a preocupação de ganhar a aprovação dos outros ou evitar sua desaprovação. Quando esse medo é levado ao extremo, ele pode anular nossa consciência de estar em harmonia conosco mesmos (por não mentir para nós mesmos), ou pior, colocar esse medo acima do temor que naturalmente devemos a Deus. No caso de Davi, a vida e a morte estavam em jogo. No entanto, ao confiar em Deus, ele entendeu como escapar dessa situação, preservando a integridade de seu relacionamento com Deus (Samuel 21:10–15). Atualmente, alguns seguidores de Cristo no Oriente Médio se deparam com essa escolha de vida ou morte quando sicarios (assassinos) religiosos fanáticos exigem que eles renunciem à sua fé em Cristo. Na Síria, eles são mortos ou maltratados. No Ocidente, os cristãos que desejam respeitar suas consciências às vezes enfrentam uma escolha difícil ou mais sutil quando confrontados com as ditaduras religiosas americanas globalizadas chamadas de “cristãs”, que exigem obediência aos seus “Talmudes”, colocando-os acima da obediência que naturalmente devemos a Deus e a Cristo, por meio da Bíblia (Sola Scriptura). Nesse caso, a questão é a vida ou a morte social que aguarda aqueles que enfrentam essa crise de consciência. Alguns concordam em ceder ao temor do homem, desafiando sua consciência, alimentando uma servidão voluntária, para usar uma expressão de Étienne de la Boétie, alimentando e sendo em parte responsáveis por essa ditadura religiosa globalizada. Outros cristãos ocidentais, seguindo o exemplo de Davi no Salmo 56, decidiram, como os cristãos na Síria, no Oriente Médio e em alguns países africanos, depositar sua confiança em Deus e em Seu Filho Jesus Cristo, ao custo dum enorme sacrifício, uma morte social de longo prazo, às vezes muitos anos, separados de seus amigos, um filho, uma filha, um pai e uma mãe. Além do sofrimento emocional causado por essa situação dolorosa, eles aplicam esta máxima bíblica encontrada no Salmo 56: “Em Deus, cuja palavra eu louvo, Em Deus eu ponho a minha confiança; não tenho medo. O que me pode fazer um simples homem?” (Salmos 56:4,11).
SALMO 57 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Ele enviará ajuda desde o céu e me salvará. Ele frustrará aquele que me persegue (Salmos 57:3)
Este Salmo foi escrito durante a fuga de Davi e seus homens do Rei Saul. Eles estavam vivendo numa caverna. De acordo com o relato no Primeiro livro de Samuel, Davi teve a oportunidade de matar o Rei Saul, mas não o fez (leia a narrativa em 1 Samuel 24:2–7).
O apóstolo Paulo mostrou a necessidade de não buscar vingança, mas confiar em Deus: “Não retribuam a ninguém mal por mal. Considerem o que é bom do ponto de vista de todos os homens. Se possível, no que depender de vocês, sejam pacíficos com todos os homens. Não se vinguem, amados, mas deem lugar à ira; pois está escrito: “‘Não retribuam a ninguém mal com mal. Preocupem-se com o que é bom aos olhos de todas as pessoas. Se possível, no que depender de vocês, sejam pacíficos com todos. Não se vinguem, amados, mas deem lugar à ira; pois está escrito: “‘A vingança é minha; eu retribuirei’, diz Jeová.” Mas, “se o seu inimigo estiver com fome, dê-lhe algo para comer; se ele estiver com sede, dê-lhe algo para beber; pois, fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Não se deixe vencer pelo mal, mas continue vencendo o mal com o bem” (Romanos 12:17–21).
Quando uma pessoa ou grupo de pessoas age mal conosco, devemos dar um passo para trás como o Rei Davi na caverna na presença do Rei Saul, evitando nos vingar, mas permitindo que Deus aja de acordo com Sua vontade para conosco: “Que Jeová seja o juiz, e ele julgará entre nós dois; ele examinará o assunto, defenderá a minha causa, fará justiça e me livrará das suas mãos” (1 Samuel 24:15; Mateus 5:39).
SALMO 58 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Será que vocês podem falar de justiça, quando ficam em silêncio? Será que podem julgar com retidão, ó filhos dos homens? (Salmos 58:1)
Jesus Cristo disse isso na introdução ao seu Sermão do Monte: “Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” (Mateus 5:6). Em alguns textos bíblicos abaixo, podemos ler como essa fome e sede de justiça são expressas e o que podemos sentir pessoalmente. No Salmo 58, lemos como aqueles que têm fome e sede de justiça serão satisfeitos pelos atos poderosos de Deus:
“Até quando, ó Jeová, clamarei por ajuda, mas tu não ouvirás? Até quando clamarei a ti para me salvares da violência, mas tu não agirás? Por que me fazes ver a maldade? E por que toleras a opressão? Por que há diante de mim destruição e violência? E por que há tantas brigas e conflitos? Por isso a lei não tem força, E a justiça nunca é feita. Pois os maus cercam os justos; É por isso que a justiça sai pervertida” (Habacuque 1:2–4).
“Novamente voltei minha atenção para todos os atos de opressão que ocorrem debaixo do sol. Vi as lágrimas dos oprimidos, mas não havia quem os consolasse. Os opressores deles tinham o poder, e não havia quem os consolasse. (…) Durante a minha vida vã, vi de tudo: pessoas justas que morrem na sua justiça e pessoas más que vivem muito tempo, apesar da sua maldade. (…) Eu vi tudo isso, e me pus a refletir em todo o trabalho que se tem feito debaixo do sol enquanto homem domina homem para o seu prejuízo. (…) Há algo vão que acontece na terra: há justos que são tratados como se tivessem praticado o mal, e há maus que são tratados como se tivessem praticado a justiça. Eu digo que isso também é vaidade. (…) Vi servos andando a cavalo, mas príncipes andando a pé como servos” (Eclesiastes 4:1; 7:15; 8:9,14; 10:7).
“Ó Deus, quebra-lhes os dentes na boca!
Despedaça a mandíbula desses leões, ó Jeová!
7 Que eles desapareçam como águas que se escoam;
Que Ele arme o arco e os faça cair pelas suas flechas.
8 Que eles sejam como uma lesma que se derrete pelo caminho,
Como uma criança que nasce morta, que nunca verá o sol.
9 Antes que as panelas de vocês sintam o calor dos espinheiros,
Ele levará embora os ramos verdes e os em chamas, como num vendaval.
10 O justo se alegrará por ter visto a vingança;
Seus pés serão banhados no sangue dos maus.
11 Então os homens dirão: “Certamente há uma recompensa para o justo.
Há realmente um Deus que faz justiça na terra”” (Salmos 58:6–11).
SALMO 59 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Davi compôs este Salmo no início de sua fuga do Rei Saul, que queria assassiná-lo, de acordo com a narrativa do primeiro livro de Samuel (19:9–17).
“Que eles sejam enlaçados no seu orgulho, Por causa dos pecados da sua boca, das palavras dos seus lábios, Por causa das maldições e das mentiras que proferem” (Salmos 59:12):
Jesus Cristo ensinou que no julgamento final, os humanos serão julgados de acordo com as palavras de suas bocas: “Pois a boca fala do que o coração está cheio. O homem bom, do seu bom tesouro, faz sair coisas boas, ao passo que o homem mau, do seu mau tesouro, faz sair coisas más. Eu lhes digo que os homens prestarão contas no Dia do Julgamento por toda declaração sem valor que fizerem; pois pelas suas palavras você será declarado justo e pelas suas palavras será condenado” (Mateus 12:34–37).
Jesus Cristo disse que, na maioria dos casos, as palavras que saem da boca revelam o estado interior da nossa personalidade (o coração), seja bom ou mau. Além disso, ele mostrou que é apropriado ter cuidado, pois com a língua pode-se pecar contra o Espírito Santo, ou seja, um pecado que condena à morte sem possibilidade de ressurreição: “Por essa razão, eu lhes digo: Todo tipo de pecados e blasfêmias será perdoado aos homens, mas a blasfêmia contra o espírito não será perdoada. Por exemplo, quem falar uma palavra contra o Filho do Homem será perdoado; mas quem falar contra o espírito santo não será perdoado, não, nem neste sistema de coisas, nem no que virá” (Mateus 12:31,32).
SALMO 60 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Ajuda-nos na nossa aflição, Pois a salvação pelos humanos não vale nada (Salmos 60:11)
O contexto do Salmo 60 é uma retrospectiva das conquistas militares do Rei Davi (versículos 6–9). O título do salmo menciona um feito militar, a captura de Edom (2 Samuel 8:13). Edom era uma nação irmã de Israel, que desde então desapareceu, e estava localizada no extremo sul da atual Palestina, entre o Deserto de Negeb (a oeste) e o Deserto da Arábia (a leste). Era uma nação muito difícil de acessar, cujas montanhas forneciam uma defesa natural, a ponto de se tornar arrogante. Isto é o que lemos na profecia de Jeremias sobre a arrogância desta nação: “O medo que você causava E a arrogância do seu coração o enganaram, Ó você, que reside nos refúgios do rochedo, Que ocupa o monte mais alto. Mesmo que você construa o seu ninho no alto, como a águia, Eu o farei descer de lá”, diz Jeová” (Jeremias 49:16):
A conclusão deste Salmo nos mostra que somente com a ajuda de Deus podemos alcançar o sucesso em nossas ações, mesmo quando elas parecem impossíveis (como no contexto do Salmo 60, a conquista militar de Edom): “Ajuda-nos na nossa aflição, Pois a salvação pelos humanos não vale nada. Por meio de Deus teremos força, E ele pisoteará os nossos adversários” (Salmos 60:11,12).
SALMO 61 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
“Dos confins da terra clamarei a ti, quando meu coração tiver desfalecido” (Salmos 61:2):
O coração, em sentido figurado, refere-se aos sentimentos e motivos duma pessoa. Um coração desfalecido significa estar fisicamente, mentalmente até mesmo espiritualmente cansado, o que pode levar ao desânimo ou uma depressão temporária ou crônica. O salmista escreveu que é nesses momentos que ele pedirá ajuda a Deus, por meio da oração, para que Ele possa compensar sua falta de energia física, mental e espiritual. O apóstolo Paulo escreveu isso sobre essa situação: “Assim, tenho prazer em fraquezas, em insultos, em privações, em perseguições e dificuldades, por Cristo. Pois, quando estou fraco, então é que sou poderoso” (2 Coríntios 12:10). Um homem (ou mulher) enfraquecido se sentirá menos confiante e terá mais probabilidade de confiar na ajuda suplementar de Deus para ser resiliente ou ter resistência nas provações. Quando ele escreveu que é poderoso nos momentos em que está fraco, está descrevendo o efeito do Espírito Santo de Deus em capacitar alguém a ser resiliente e perseverante diante a oposição, demonstrando um tipo de força interior divina, dada por Deus: “Para todas as coisas tenho forças graças àquele que me dá poder” (Filipenses 4:13).
SALMO 62 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Somente em Deus espero silenciosamente. Dele vem a minha salvação (Salmos 62)
Este Salmo explica simplesmente por que, quando confrontados com dificuldades criadas por oponentes, é geralmente aconselhável permanecer em silêncio:
“Só ele é minha rocha e minha salvação, meu refúgio seguro; Nunca serei completamente abalado. Até quando vocês atacarão um homem para o matar? Todos vocês são tão perigosos como uma parede que está caindo, como uma parede de pedras prestes a desmoronar” (Salmos 62:3,4).
Este Salmo explica por que devemos permanecer em silêncio. Ao rotular os oponentes como muros inclinados, não confiáveis e recorrer a mentiras e enganos, é impossível ter uma comunicação razoável com eles para acalmar a situação. Nesses casos, é muito mais sensato permanecer em silêncio para evitar perder nossa dignidade. Devemos colocar as coisas nas mãos de Deus:
“Somente em Deus espero silenciosamente, Porque dele vem a minha esperança. 6 Só ele é minha rocha e minha salvação, meu refúgio seguro; Nunca serei abalado” (Salmos 62:5,6).
SALMO 63 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Eu me lembro de ti quando estou deitado; Medito em ti durante as vigílias da noite (Salmos 63:6)
Este salmo expressa o deleite dum bom relacionamento com Deus. Está escrito que podemos usar as vigílias noturnas, os momentos de insônia, para meditar sobre nosso relacionamento com Deus. Durante a noite, tudo está calmo, o corpo e a mente estão em repouso, e isso permite maior clareza. Este tempo nos permite lembrar dos princípios divinos para tomar boas decisões para o dia que se inicia. Eles são como ajuda de Deus, mas também de seu Filho Jesus Cristo, como por exemplo seu conselho no Sermão do Monte (Mateus 5–7):
“Pois tu és o meu ajudador, E eu grito de alegria na sombra das tuas asas. Eu me apego a ti; Tua mão direita me segura com firmeza” (Salmos 63:7,8).
Seguir a orientação de Deus e de Cristo, da qual um momento de insônia pode nos lembrar, é como uma criança agarrando a mão dum pai de confiança e não soltando. Claro, por meio da meditação, podemos orar a Deus para nos ajudar a tomar boas decisões, ou para superar preocupações ou dores emocionais…
SALMO 64 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Ouve a minha voz, ó Deus, quando eu suplico. Protege a minha vida dos terríveis ataques do inimigo (Salmos 64:1)
Este salmo descreve a sofisticação e engenhosidade na criação do mal, através do marketing e engenharia social que tornam mentiras e atos criminosos invisíveis aos olhos da lei humana, tanto do poder político quanto de organizações religiosas bilionárias com seus exércitos de advogados. No entanto, Jeová Deus, o Pai Celestial, e seu Filho Jesus Cristo, os veem claramente (Romanos 14:12)… Alguns podem ficar impacientes. No entanto, o apóstolo Pedro explicou por que devemos aprender a ser pacientes: “Jeová não é vagaroso com relação a sua promessa, como alguns pensam, mas ele é paciente com vocês, porque não deseja que ninguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento” (2 Pedro 3:9). Assim, entre aqueles que atualmente cometem maldades, alguns deles têm a oportunidade de mudar de atitude e se arrepender de suas ações, obtendo assim a vida eterna. Para aqueles que estão numa situação de espera, é importante não desistir, mas continuar avançando, estando sempre vigilantes (2 Pedro 3:10).
SALMO 65 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Os pastos estão cobertos de rebanhos, E os vales se revestem de cereais. Eles gritam triunfantemente, sim, cantam (Salmos 65:13)
É verdade que está escrito na Bíblia que um pequeno número de humanos viverá no céu, com Cristo e os anjos (Apocalipse 5:9,10; 7:4–9; 14:1–5). Também é verdade que na Bíblia está escrito que haverá uma restauração do paraíso terrestre que existia no Éden, onde um grande número de humanos, homens, mulheres e crianças, viverão (Gênesis 2). O Salmo 65 fornece uma descrição linda e reconfortante disso. Neste futuro paraíso terrestre viverão os membros da grande multidão, mencionados em Apocalipse 7:9–17, e os ressuscitados terrestres, mencionados em Apocalipse capítulo 20: “Vi um novo céu e uma nova terra, pois o céu anterior e a terra anterior tinham passado, e o mar já não existia. Vi também a cidade santa, a Nova Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus, e preparada como noiva adornada para o seu marido. Então ouvi uma voz alta do trono dizer: “Veja! A tenda de Deus está com a humanidade; ele residirá com eles, e eles serão o seu povo. O próprio Deus estará com eles. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais tristeza, nem choro, nem dor. As coisas anteriores já passaram”” (Apocalipse 21:1–4).
SALMOS 66 e 67 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Deus pode refinar um povo, assim como pode refinar uma pessoa em particular, homem ou mulher, a quem Ele considera desejável. Por exemplo, aqui está o que está escrito em Deuteronômio: “Lembre-se do longo caminho pelo qual Jeová, seu Deus, o fez andar estes 40 anos no deserto, para torná-lo humilde e pô-lo à prova, a fim de saber o que havia no seu coração, se você guardaria ou não os seus mandamentos” (Deuteronômio 8:2). O processo de refinamento provocado por Deus é um teste que revela o que está no coração de cada pessoa. A narrativa histórica nos livros bíblicos de Êxodo e Números nos permite ver como algumas pessoas se comportaram bem e outras foram infiéis a Deus. No caso do teimoso Faraó do Egito, Deus se certificou de que não se exaltaria: “Ele governa para sempre com o seu poder. Seus olhos vigiam as nações. Que os obstinados não exaltem a si mesmos” (Salmos 66:7). Quanto àqueles que Deus considera desejáveis, Ele também os coloca num processo de refinamento, um processo de teste que ensina humildade e modéstia e pode trazer à tona aspectos indesejáveis da personalidade, que devem ser eliminados se desejam continuar a ter a aprovação divina:
“Se eu tivesse guardado alguma maldade no coração, Jeová não me teria ouvido. Mas Deus realmente ouviu, Prestou atenção à minha oração. Louvado seja Deus, que não rejeitou a minha oração Nem me negou o seu amor leal” (Salmos 66:18–20).
Este texto mostra que Deus leva em conta as limitações associadas à nossa condição pecaminosa, que nos faz ter “coisas nocivas em nossos corações”, Ele usa paciência e misericórdia para que sejamos aperfeiçoados como vasos escolhidos:
“Você me dirá, então: “Por que ele ainda acusa as pessoas? Pois quem pode ir contra a vontade dele?” Mas quem é você, ó homem, para discutir com Deus? Será que a coisa moldada diz àquele que a moldou: “Por que você me fez assim?” O quê? Será que o oleiro não tem autoridade sobre o barro, para fazer da mesma massa um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso? Que diremos então se Deus, mesmo querendo demonstrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, tolerou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a destruição? E que dizer se ele fez isso a fim de dar a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que ele preparou antecipadamente para glória” (Romanos 9:19–23).
SALMO 68 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Jeová dá a ordem: as mulheres que proclamam as boas novas são um grande exército (Salmos 68:11)
Este salmo celebra as vitórias de Jeová Deus sobre os ímpios e como ele cuida dos mais vulneráveis, viúvas e órfãos:
As mulheres que proclamam as boas novas são um grande exército (Salmos 68:11): Algumas congregações cristãs aplicam este texto a discípulas de Cristo que pregam as “boas novas” (Mateus 24:14 “boas novas”). O contexto do Salmo 68 descreve vitórias militares celebradas por mulheres que lideravam cânticos e danças após o retorno dos soldados. O exemplo mais conhecido, para os leitores da Bíblia, é o de Miriã, irmã de Moisés, que organizou danças para celebrar a vitória de Jeová sobre o Faraó do Egito: “Então Miriã, a profetisa, irmã de Arão, pegou um pandeiro, e todas as mulheres a acompanharam, tocando pandeiros e dançando. Miriã cantava, respondendo aos homens: “Cantem a Jeová, pois ele foi grandemente enaltecido. Lançou no mar o cavalo e seu cavaleiro”” (Êxodo 15:20,21; os exemplos de Débora (Juízes 5:1) e da filha de Jefté (Juízes 11:34)).
SALMO 69 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Eu me tornei um estranho para os meus irmãos, um estrangeiro para os filhos da minha mãe (Salmos 69:8)
Por meio deste salmo, o Rei Davi expressou a Deus seu sofrimento e angústia pelas situações perigosas que estava vivendo. Em linhas gerais, este salmo descreve o sofrimento que Cristo suportou durante todo o seu ministério terrestre até a sua morte:
Alguns detalhes da vida de Cristo são descritos neste salmo: “Eu me tornei um estranho para os meus irmãos, um estrangeiro para os filhos da minha mãe” (Salmos 69:8): “Na verdade, seus irmãos não exerciam fé nele” (João 7:5). “Mas, quando os seus parentes souberam do que estava acontecendo, saíram para pegá-lo, pois diziam: “Ele perdeu o juízo”” (Marcos 3:21). Jesus tinha quatro irmãos, Tiago, José, Simão e Judas, e pelo menos duas irmãs (Mateus 13:55, 56). Durante seu ministério terrestre, nenhum deles exerciam fé nele; pelo contrário, pensavam que ele havia perdido o juízo. “O zelo pela tua casa me consome” (Salmos 69:9): “Seus discípulos se lembraram de que está escrito: “O zelo pela tua casa me consumirá”” (João 2:17; Marcos 11:15; Mateus 21:12). “Como alimento, deram-me veneno e, para matar a minha sede, ofereceram-me vinagre para beber” (Salmos 69:21): “Deram-lhe vinho misturado com fel para beber; mas, depois de prová-lo, ele se recusou a beber. (…) E um deles correu imediatamente, pegou uma esponja, ensopou-a em vinho acre, colocou-a numa cana e deu a ele para beber” (Mateus 27:34,48). Os sofrimentos que Cristo suportou ao longo de seu ministério terrestre são resumidos pelas palavras do apóstolo Paulo: “Durante sua vida na terra, Cristo fez pedidos e súplicas, com fortes clamores e lágrimas, Àquele que era capaz de salvá-lo da morte, e ele foi ouvido por causa do seu temor de Deus. Embora fosse filho, aprendeu a obediência por meio das coisas que sofreu. E, depois de ter sido aperfeiçoado, tornou-se responsável pela salvação eterna de todos os que lhe obedecem, porque ele foi designado por Deus como sumo sacerdote à maneira de Melquisedeque” (Hebreus 5:7–10).
SALMOS 70 e 71 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
“Não me rejeites na minha velhice, não me abandones quando me faltarem as forças. (…) Mesmo quando eu estiver velho e de cabelos brancos, ó Deus, não me abandones” (Salmos 71:9,18). Por duas vezes, o salmista pediu a Deus que não o abandonasse na velhice, quando os humanos, em geral, perdem gradualmente sua independência. Essa situação claramente o angustiava, como continua a angustiar milhões de idosos que estão sozinhos. Como Deus pode cuidar de idosos que estão sozinhos? Na raiz disso, está toda a família, os filhos ou a comunidade onde o idoso vive. No entanto, Jesus Cristo, o Filho de Deus, nos lembrou do mandamento de honrar pai e mãe, isto é, cuidar deles na velhice e fazer-lhes companhia (Lucas 18:20). O apóstolo Paulo também lembrou aos cristãos de Éfeso este mandamento: “Honre seu pai e sua mãe” — esse é o primeiro mandamento com uma promessa: “Para que tudo vá bem com você, e você permaneça por muito tempo na terra” (Efésios 6:2,3). Jesus Cristo demonstrou claramente que a prática do cristianismo não deve impedir a implementação deste mandamento, denunciando com razão o comportamento abjeto dos fariseus a este respeito: “Ele lhes disse ainda: “Vocês sabem muito bem como pôr de lado o mandamento de Deus, a fim de manter a sua tradição. Por exemplo, Moisés disse: ‘Honre seu pai e sua mãe’ e ‘Quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe seja morto’. Mas vocês dizem: ‘Se um homem diz ao seu pai ou à sua mãe: “Tudo o que eu tenho que poderia beneficiá-lo é corbã (isto é, uma dádiva dedicada a Deus)”’, vocês não o deixam mais fazer nem uma única coisa para seu pai ou para sua mãe. Assim vocês invalidam a palavra de Deus pela tradição que transmitiram. E fazem muitas coisas como essa”” (Marcos 7:9–13). Algumas organizações religiosas (que operam como empresas comerciais) fazem o mesmo, recrutando jovens para servir a Deus (na opinião deles, mas na verdade atendendo a seus próprios interesses financeiros) e, ao mesmo tempo, privando muitos parentes idosos de seu único sustento necessário durante a velhice. Como Cristo tão claramente enfatizou, o que importa não é apenas a dimensão espiritual da prática do cristianismo, mas também sua dimensão humanitária baseada no amor ao próximo (João 13:34,35; Mateus 25:31–46).
SALMO 72 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Ó Deus, concede ao rei as tuas decisões judiciais, e ao filho do rei a tua retidão (Salmos 72:1)
Este salmo descreve as bênçãos futuras do Reino de Deus, mencionadas por Jesus Cristo, particularmente na oração modelo: “Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, como no céu, assim também na terra” (Mateus 6:10).
Como mencionado no início do salmo, o reinado do Rei Salomão foi um dos primeiros exemplos desse reinado justo, acompanhado de muitas bênçãos para o povo de Israel, desde que fizessem a vontade de Jeová Deus, o Pai Celestial (1 Crônicas 22:12 e 29:19). No entanto, no futuro paraíso terrestre, é o Rei Jesus Cristo, com os 144.000 reis e sacerdotes celestiais, que exercerá essa realeza na Terra, em cumprimento da oração mencionada em Mateus 6:9,10 (Apocalipse 5:9,10; 7:4–8; 14:1–5). O Salmo 72 descreve as bênçãos de Deus na Terra decorrentes dessa realeza. No versículo 1, o filho do rei é mencionado (que era, naquela época, o futuro rei Salomão), isto é, o príncipe, e de fato está escrito na Bíblia que haverá príncipes terrestres justos que representarão a realeza celestial de Cristo e dos 144.000 reis e sacerdotes: “Vejam! Um rei reinará com retidão, e príncipes governarão com justiça” (Isaías 32:1).
SALMO 73 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Quanto a mim, meus pés quase se desviaram; por pouco, não escorregaram (Salmos 73:2)
SALMO 73:
Asafe, o autor inspirado deste salmo, expressou sua indignação com a maldade e a injustiça. Ele explicou honestamente que quase se desviou espiritualmente ao invejar os ímpios que parecem ter sucesso em seu comportamento, ao zombar de Deus. Asafe se deixou dominar por uma amargura destrutiva diante dessa situação absurda.
Após essa observação, Asafe expressou sua consternação: “Certamente foi em vão que mantive puro meu coração E lavei minhas mãos na inocência. Estive em dificuldades o dia inteiro; Era castigado toda manhã” (Salmos 73:13,14). No entanto, vemos que Asafe conseguiu se recompor, recuperar o bom senso, um discernimento que lhe permitiu compreender melhor a situação da perspectiva de Deus: “De fato, tu os colocas em terreno escorregadio. Tu os fazes cair na ruína. Num instante são destruídos! São eliminados repentinamente, num terrível fim!” (Salmos 73:18,19). O Salmo 73 pode ser uma ajuda para aqueles que sofrem injustiça pessoalmente. Jesus Cristo disse que aqueles que têm fome e sede de justiça serão saciados (Mateus 5:6). Este salmo mostra que, enquanto isso, devemos nos refugiar em nosso relacionamento com Deus, confiando que Ele encontrará uma solução para nossa situação difícil: “Meu corpo e meu coração podem enfraquecer, Mas Deus é a rocha do meu coração e a minha porção, para sempre. Certamente, os que se mantêm longe de ti morrerão. Trarás um fim a todos os que de modo imoral te abandonam. Mas, para mim, é bom me achegar a Deus. Fiz do Soberano Senhor Jeová o meu refúgio, Para declarar todos os teus feitos” (Salmos 73:26–28).
SALMO 74 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Por que, ó Deus, nos rejeitaste para sempre? Por que a tua ira arde contra o rebanho do teu pasto? (Salmos 74:1)
O Salmo 74 refere-se à destruição do templo de Salomão pelos babilônios em 607 Antes da Era Comum (ou 20 anos antes, para outros). A menção de Asafe é evidente (neste e nos outros salmos) como descendentes dos filhos de Asafe (como acontece com os filhos de Corá, do Salmo 42 em diante), pois ele foi contemporâneo do Rei Davi (vários séculos antes) (2 Crônicas 35:15).
“Por que, ó Deus, nos rejeitaste para sempre? Por que a tua ira arde contra o rebanho do teu pasto?” (Salmos 74:1). Essas duas perguntas aludem à rejeição de Deus ao seu povo Israel, porque essa nação havia caído em apostasia ao adorar outros deuses e deusas. Essa rejeição levou à destruição de Jerusalém e de seu templo, e à deportação de sua população para a Babilônia por 70 anos (versículos 3–8; compare com o relato histórico em 2 Reis, capítulo 25). Este salmo é um apelo a Deus para que não rejeite seu povo permanentemente (versículos 2, 11). Ele relembra os atos milagrosos de Deus para salvar seu povo, que contrastam com essa rejeição (versículos 11–17). Este salmo mostra que essa situação não será permanente devido à atitude ultrajante dos inimigos de seu povo nessas circunstâncias (versículos 18–23). Em geral, este salmo mostra que a disciplina de Deus, para corrigir seu povo (mesmo em nível individual), pode ser particularmente dolorosa. No entanto, permanece temporária para aqueles que o aceitam a fim de melhorar seu comportamento: “Na sua luta contra esse pecado, vocês ainda não resistiram até o ponto de ter seu sangue derramado. E esqueceram-se totalmente da exortação dirigida a vocês como a filhos: “Meu filho, não menospreze a disciplina da parte de Jeová nem desanime quando é corrigido por ele. Pois Jeová disciplina aqueles a quem ama; de fato, açoita a cada um a quem recebe como filho.” Como parte da sua disciplina, vocês precisam perseverar. Deus os trata como a filhos. Pois qual é o filho que não é disciplinado pelo pai? Mas, se todos vocês não receberam essa disciplina, são realmente filhos ilegítimos, e não filhos verdadeiros. Além disso, nossos pais humanos nos disciplinavam, e nós os respeitávamos. Não deveríamos nos sujeitar com mais prontidão ao Pai da nossa vida espiritual para vivermos? Pois eles nos disciplinaram por pouco tempo, segundo o que lhes parecia bom, mas ele o faz para o nosso benefício, para participarmos de sua santidade. É verdade que nenhuma disciplina parece no momento ser motivo de alegria, mas causa dor; depois, porém, aos que têm sido treinados por ela, a disciplina dá o fruto pacífico da justiça” (Hebreus 12:4–11).
SALMOS 75 e 76 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Pois Deus é Juiz. A um ele rebaixa, a outro enaltece (Salmos 75:7)
“Pois ele diz: “Acabarei com todos os chifres dos maus, Mas os chifres dos justos aumentará”’” (Salmos 75:10). Os chifres, neste contexto, simboliza a glória, que é ouvida por meio dum som assustador, e a majestade e a autoridade a ela associadas. Por exemplo, no Monte Sinai, a glória da presença de Deus foi ouvida por meio do som da trombeta: “Na manhã do terceiro dia, houve trovões e relâmpagos, uma pesada nuvem cobriu o monte, e ouviu-se um som muito alto de buzina. E todo o povo no acampamento começou a tremer” (Êxodo 19:16). O poder dos ímpios pode ser percebido por uma atitude arrogante que não escapa a ninguém, como o som imponente da trombeta. Jesus Cristo alertou contra tal atitude, que consiste em atrair deliberadamente a atenção dos outros vangloriando-se dos atos de misericórdia realizados: “Tomem cuidado para não praticar sua justiça diante dos homens a fim de ser vistos por eles; se fizerem isso, vocês não terão recompensa de seu Pai, que está nos céus. Portanto, quando você der algo a um pobre, não toque a trombeta diante de si, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas para serem glorificados pelos homens. Digo a vocês a verdade: Eles já têm plenamente a sua recompensa. Mas, quando você der algo a um pobre, não deixe a sua mão esquerda saber o que a direita está fazendo, para que suas dádivas fiquem em segredo. Então o seu Pai, que observa em secreto, o recompensará” (Mateus 6:1–4). Jesus Cristo disse sobre o som da trombeta ou da buzina, destinado a chamar a atenção para si mesmo e trabalhar para a própria glória por meio da vanglória. Portanto, devemos deixar que Deus decida quem Ele exaltará e quem Ele humilhará, pois Ele é o único juiz (por meio de Cristo (Mateus 25:21–46)): “Pois Deus é Juiz. A um ele rebaixa, a outro enaltece. Porque na mão de Jeová há um cálice; O vinho está espumando e é forte. Ele certamente o derramará, E todos os maus da terra o beberão até a última gota” (Salmos 75:7,8).
SALMO 77 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Meditarei em todos os teus atos e refletirei nas tuas ações (Salmos 77:12)
O Salmo 77 é a expressão melancólica do salmista sobre a espera pela ação de Deus e a expectativa da realização da esperança. Sem perder a fé, ele expressa sua perplexidade, que provoca sua melancolia, por meio de algumas perguntas retóricas:
“Será que Jeová nos rejeitará eternamente? Será que ele nunca mais nos mostrará favor? 8 Acabou para sempre o seu amor leal? Será que a sua promessa ficará sem se cumprir por todas as gerações? 9 Esqueceu-se Deus de mostrar favor, Ou será que sua ira fez a sua misericórdia cessar? (Selá) 10 Será que continuarei dizendo: “O que me causa aflição É que o Altíssimo mudou seus tratos conosco”?” (Salmos 77:7–10).
No entanto, ao meditar nos poderosos atos passados de Jeová Deus, em seus momentos de melancolia e perplexidade, ele fortalece sua fé e confiança:
“Eu me lembrarei das obras de Jah; Eu me lembrarei dos teus feitos maravilhosos de muito tempo atrás. 12 Meditarei em todos os teus atos E refletirei nas tuas ações” (Salmos 77:11, 12).
Em seguida, ele descreve poeticamente esta meditação sobre as ações milagrosas de Deus para libertar seu povo durante o êxodo do Egito (Salmos 77:13–20).
Este texto poético mostra que é normal sentir, as vezes, melancolia e perplexidade durante os momentos de espera que Deus, por meio de suas ações, nos livre de situações difíceis. Enquanto isso, devemos fazer como o salmista, relembrando as ações milagrosas de Deus e de seu Cristo enquanto ele esteve na Terra. Ao ler, por exemplo, os quatro Evangelhos, podemos recordar seus milagres de cura e ressurreição, que fortalecerão nossa fé no cumprimento futuro da promessa de Deus: “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais tristeza, nem choro, nem dor. As coisas anteriores já passaram” (Apocalipse 21:4).
SALMO 78 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Escute a minha lei, ó meu povo, preste atenção às palavras da minha boca (Salmos 78:1)
Este salmo fornece um relato histórico do Êxodo do povo de Israel da terra do Egito, culminando no reinado do Rei Davi. O Salmo 78 enfatiza particularmente o comportamento rebelde e a falta de fé do povo de Israel em relação a Deus, entristecendo-O e testando-O. Alguns destaques do Salmo 78, com comentários concisos:
“Escute a minha lei, ó meu povo; Preste atenção às palavras da minha boca. 2 Abrirei a minha boca para dizer um provérbio. Proferirei enigmas dos tempos antigos. 3 As coisas que ouvimos e conhecemos, Que os nossos pais nos contaram, 4 Não esconderemos dos descendentes deles; Nós contaremos à próxima geração Os atos louváveis de Jeová e a sua força, As coisas maravilhosas que ele tem feito” (Salmos 78:1–4).
A Bíblia contém muitos ditados proverbiais e enigmas. Algumas passagens da Bíblia requerem a ajuda de Deus para entendê-las. Para isso, devemos pedir a Ele em oração para termos discernimento. Jesus Cristo disse que esse entendimento é dado aos humildes: “Em vista disso, naquela ocasião Jesus disse: “Eu te louvo publicamente, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas dos sábios e dos intelectuais, e as revelaste aos pequeninos’” (Mateus 11:25).
“Desse modo, não seriam como os seus antepassados, Uma geração obstinada e rebelde, Uma geração de coração inconstante, E cujo espírito não foi fiel a Deus” (Salmos 78:8).
Um coração firme está disposto a obedecer a Deus; o oposto é um coração obstinado: “Agora circuncidem o prepúcio do seu coração e deixem de ser tão obstinados” (Deuteronômio 10:16).
“Porque não tiveram fé em Deus; Não confiaram na sua capacidade de salvá-los” (Salmos 78:22).
A falta de fé é um pecado grave diante de Deus que pode privar da realização da esperança cristã: “Além disso, sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem se aproxima de Deus tem de crer que ele existe e que se torna o recompensador dos que o buscam seriamente” (Hebreus 11:6).
“O coração deles não era firme para com ele; Eles não eram fiéis ao Seu pacto” (Salmos 78:37).
Um coração que não é firme é um coração que não cumpre seus compromissos. Jesus Cristo disse que devemos ter apenas uma palavra: “Deixem simplesmente que a sua palavra “sim” signifique sim, e o seu “não”, não; pois tudo o que for além disso é do Maligno” (Mateus 5:37).
“Vez após vez puseram Deus à prova E entristeceram o Santo de Israel” (Salmos 78:41).
Pôr Deus à prova é decepcioná-Lo com uma atitude que persiste na prática do pecado, enquanto, ao mesmo tempo, Ele é paciente com aquela pessoa ou grupo de pessoas: “Jeová não é vagaroso com relação a sua promessa, como alguns pensam, mas ele é paciente com vocês, porque não deseja que ninguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento” (2 Pedro 3:9).
SALMO 79 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Mostra-nos depressa a tua misericórdia, Pois fomos muito humilhados (Salmos 79:8)
O Salmo 79 faz alusão ao contexto histórico do Salmo 74. Aqui vai um lembrete: este salmo refere-se à destruição do templo de Salomão pelos babilônios em 607 Antes da Era Comum (ou 20 anos antes, para outros). Ele faz alusão à rejeição de Deus ao seu povo Israel, porque essa nação havia caído em apostasia ao adorar outros deuses e deusas. Essa rejeição levou à destruição de Jerusalém e de seu templo, e à deportação de sua população para a Babilônia por 70 anos (versículos 3–8; compare com o relato histórico em 2 Reis, capítulo 25).
No entanto, o Salmo 79 é diferente em relação à petição feita a Deus. É um chamado à vingança contra as nações que, naquela época, destruíram a nação que representava o povo de Deus:
É ilógico pensar que Deus vingará o sangue inocente derramado ao longo da história humana, especialmente o de seus servos? Não. No entanto, é importante lembrar que essa vingança não pertence aos humanos, mas sim somente a Deus:
“Não retribuam a ninguém mal com mal. Preocupem-se com o que é bom aos olhos de todas as pessoas. Se possível, no que depender de vocês, sejam pacíficos com todos. Não se vinguem, amados, mas deem lugar à ira; pois está escrito: “‘A vingança é minha; eu retribuirei’, diz Jeová.” Mas, “se o seu inimigo estiver com fome, dê-lhe algo para comer; se ele estiver com sede, dê-lhe algo para beber; pois, fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Não se deixe vencer pelo mal, mas continue vencendo o mal com o bem” (Romanos 12:17–21).
SALMO 80 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
E olha para o filho que fortaleceste para ti (Salmos 80:15)
O Salmo 80 é um clamor por socorro ao Pastor de Israel, àquele que se assenta sobre os querubins na Arca do Pacto, no Santíssimo do Tabernáculo e, posteriormente, do Templo. Israel é designado por José e, por seus dois filhos, Efraim e Manassés, sendo Benjamim seu irmão por meio de sua mãe, Raquel. Benjamim foi a primeira tribo real, por meio de Saul. Essa realeza foi transferida para o Rei Davi e sua dinastia, da tribo de Judá. Neste salmo, Israel é simbolizado por uma vinha. Este salmo evoca a mesma situação poeticamente descrita nos Salmos 74 e 79. O salmista implora a Deus que os livre dessa situação dolorosa e angustiante.
Jesus Cristo tomou esta ilustração, referindo-se a si mesmo como a videira e aos seus discípulos como os seus ramos: “Eu sou a verdadeira videira, e o meu Pai é o lavrador. 2 Ele tira todo ramo em mim que não dá fruto, e limpa todo ramo que dá fruto, para que dê mais fruto. 3 Vocês já estão limpos, por causa da palavra que lhes falei. 4 Permaneçam em união comigo, e eu permanecerei em união com vocês. Assim como um ramo não pode dar fruto por si mesmo a menos que permaneça na videira, vocês também não podem dar fruto a menos que permaneçam em união comigo. 5 Eu sou a videira; vocês são os ramos. Quem permanece em união comigo, e eu em união com ele, esse dá muito fruto, pois separados de mim vocês não podem fazer nada. 6 Se alguém não permanece em união comigo, ele é lançado fora como um ramo, e seca. Esses ramos são ajuntados, jogados no fogo e queimados. 7 Se vocês permanecerem em união comigo e as minhas declarações permanecerem em vocês, peçam o que quiserem e assim lhes acontecerá. 8 Isto glorifica o meu Pai: que vocês persistam em dar muito fruto e mostrem que são meus discípulos. 9 Assim como o Pai me ama, eu amo vocês; permaneçam no meu amor. 10 Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeço aos mandamentos do Pai e permaneço no amor dele” (João 15:1–10). A partir de agora, esta vinha de Deus com seus ramos constitui o Israel de Deus, a congregação cristã (Gálatas 6:16; Atos 11:26). Esta congregação ou igreja é composta tanto de judeus na carne quanto de pessoas de todas as nações, com a circuncisão espiritual do coração (que representa a obediência a Deus e a Cristo (Deuteronômio 10:16)): “Pois nem todos os que são descendentes de Israel são realmente “Israel”” (Leia Romanos capítulo 9 e 11:17–24; João 10:16).
SALMO 81 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Gritem de alegria a Deus, nossa força. Aclamem triunfantemente ao Deus de Jacó (Salmos 81:1)
O Salmo 81 evoca poeticamente a Festividade das Barracas (Tabernáculos) ou Recolhimento, que era celebrada no dia 15 de Etanim (Tisri) do calendário hebraico (entre setembro e outubro). A particularidade desta festividade é que era particularmente alegre; Deus queria que cada israelita se alegrasse: “Jeová, seu Deus, abençoará todas as suas colheitas e tudo que você fizer, e você ficará cheio de alegria” (Deuteronômio 16:15). O Salmo 81 é a expressão poética desta alegria:
Esta alegria será expressa no futuro paraíso terrestre. Segundo a profecia de Zacarias, nesta Festividade dos Tabernáculos e do Recolhimento, será celebrada, a realeza de Deus Jeová com alegria: “Todos os que restarem de todas as nações que vierem contra Jerusalém subirão de ano em ano para se curvar diante do Rei, Jeová dos exércitos, e para celebrar a Festividade das Barracas” (Zacarias 14:16). “A Lei tem uma sombra das coisas boas que viriam” (Hebreus 10:1).
SALMO 82 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Defendam o humilde e o órfão. Façam justiça ao desamparado e ao necessitado (Salmos 82:3)
O Salmo 82 se refere metaforicamente aos juízes humanos como deuses, e Deus lhes pede que julguem com justiça:
Jesus Cristo citou uma passagem do Salmo 82 para explicar à sua audiência que sua afirmação de ser o Filho de Deus não era blasfema, pois este salmo se refere aos humanos no papel de juiz como deuses: “Jesus lhes respondeu: “Não está escrito na sua Lei: ‘Eu disse: “Vocês são deuses”’? Se aqueles contra quem se dirigiu a palavra de Deus foram chamados de ‘deuses’ — e as Escrituras não podem ser anuladas — , vocês dizem a mim, a quem o Pai santificou e enviou ao mundo: ‘Você blasfema’, porque eu disse: ‘Sou Filho de Deus’? Se não faço as obras do meu Pai, não acreditem em mim” (João 10:34–37). É óbvio que Jesus Cristo é o Filho de Deus e não o próprio Deus. O apóstolo Pedro disse isso e Jesus o elogiou por dar uma resposta tão correta: “Ele lhes perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “O senhor é o Cristo, o Filho do Deus vivente.” Jesus lhe disse então: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas, porque isso não lhe foi revelado por homens, mas pelo meu Pai, que está nos céus’” (Mateus 16:15–17).
SALMO 83 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Que as pessoas saibam que tu, cujo nome é Jeová, Somente tu és o Altíssimo sobre toda a terra (Salmos 83:18)
O Salmo 83 descreve a malícia das nações que desafiam a Deus, buscando destruir o seu povo. No entanto, o restante do Salmo 83 mostra que Deus os fará desaparecer e, ao fazê-lo, revelará o significado do seu Nome, Jeová (YHWH), por meio de sua poderosa ação:
Este salmo mostra claramente que Deus tem um Nome que aparece 7.000 vezes na forma do Tetragrama YHWH e é pronunciado Yehouah (mais comumente conhecido como “Jeová”). (Para mais informações sobre o Nome Divino, consulte a página de estudo sobre o Nome Divino (clicando no link abaixo): http://yomelias.fr/meditacao-na-biblia/o-nome-divino-yhwh-e-pronunciado-como-esta-escrito/).
O Nome Divino YHWH (Yehuah) representa a glória de Deus. Representa a glória de Deus por meio das ações extraordinárias que Ele realiza, de modo que o significado do Seu nome é determinado pela ação que Ele executa: « Eu Me Tornarei O Que Eu Decidir Me Tornar » (Êxodo 3:14). Seu propósito gira em torno do Nome Divino YHWH (Yehuah), como fica evidente na oração de Jesus Cristo em João 17: “Não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Santo Pai, vigia sobre eles por causa do teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como nós somos um. Quando eu estava com eles, vigiava sobre eles por causa do teu nome, o nome que me deste; e eu os protegi, e nenhum deles foi perdido, exceto o filho da destruição, para que se cumprisse a passagem das Escrituras” (João 17:11–12). Jesus Cristo agiu “por causa do seu nome (por causa do teu nome)”. “Simeão relatou em detalhes como Deus, pela primeira vez, voltou sua atenção para as nações, a fim de tirar delas um povo para o Seu nome” (Atos 15:14). Este texto expressa uma ideia semelhante, mostrando que Deus tem um povo “para o Seu nome”, portanto, o significado do seu Nome gira em torno da sua vontade. Aliás, e essa ideia será examinada mais adiante, Deus tem um povo « para » o Seu nome, não um povo que « leva » o seu nome. O nome Israel, que representava o povo de Deus nos tempos bíblicos, não continha o Tetragrama, portanto não levava o Nome Divino, YHWH (Yehuah). O Nome Divino pertence a Deus e Ele o confia a quem Ele quiser (clicando no link abaixo): http://yomelias.fr/meditacao-na-biblia/o-nome-divino-yhwh-pertence-a-deus/
SALMO 84 (ler na sua Bíblia ou numa Bíblia Online)
Pois um dia nos teus pátios é melhor que mil em outro lugar! (Salmos 84:10)
No Salmos 84, o salmista, um levita descendente dos filhos de Corá, expressa sua alegria em servir no tabernáculo, com o serviço sagrado, no lugar de adoração a Yehuah (YHWH « Jeová »). Ele expressa seu sincero amor pelo Pai Celestial:
Em Apocalipse, capítulo 21, são descritos os efeitos consoladores da presença da tenda de Deus entre a humanidade, após o desaparecimento do atual sistema humano injusto (a grande tribulação): « Vi um novo céu e uma nova terra, pois o céu anterior e a terra anterior tinham passado, e o mar já não existia. 2 Vi também a cidade santa, a Nova Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus, e preparada como noiva adornada para o seu marido. 3 Então ouvi uma voz alta do trono dizer: “Veja! A tenda de Deus está com a humanidade; ele residirá com eles, e eles serão o seu povo. O próprio Deus estará com eles. 4 Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais tristeza, nem choro, nem dor. As coisas anteriores já passaram” » (Apocalipse 21:1-4).
Essa meditação será baseada no diálogo de Jó com seus três acusadores, no discurso de Eliú e, finalmente, na intervenção de Jeová Deus, o Pai Celestial, a fim de disciplinar Jó nas suas palavras. Os diálogos entre Jó e seus três acusadores, Elifaz, Bildade e Zofar, consistem em três partes (1 – Jó 3: 1 a 14:22; 2 – Jó 15:1 a 21:34; 3 – Jó 21:1 a 25:6 O último discurso de Jó, antes da intervenção de Eliú, está no Jó 21:1 a 31:40). Haverá alguns versículos bíblicos mencionados como destaques, com ou sem comentário.
O diálogo de Jó diante seus três acusadores
(Capítulos de trabalho 3 a 31)
Jó capítulo 3: a endecha de Jó: ele se arrepende de ter vindo à existência.
« Foi depois disso que Jó abriu a boca e começou a invocar o mal sobre o seu dia » (Jó 3: 1).
« Por que não passei a morrer desde a madre? Por que não saí do próprio ventre, expirando então? » (Jó 3:11).
« Por que dá ele luz ao varão vigoroso, cujo caminho está escondido, E a quem Deus cerca ao redor? » (Jó 3:23).
« Não estive despreocupado, nem tive sossego, Nem descansei, e ainda assim vem a agitação » (Jó 3:26).
Jó capítulos 4 e 5: a resposta de Elifaz, o primeiro acusador: ele questionou a integridade e a fidelidade de Jó a Deus. Segundo ele, seu grande infortúnio é a indicação da desaprovação de Deus.
« Se alguém experimentar uma palavra contigo, ficarás fatigado? Mas quem pode restringir as palavras? » (Jó 4:2). Com as primeiras palavras, Elifaz ofende Jó, sugerindo que ele não é paciente ao ouvir os outros.
« Não é a tua reverência a base da tua confiança? Não está a tua esperança na integridade dos teus caminhos? Lembra-te, por favor: Que inocente jamais pereceu? E onde é que os retos foram eliminados? » (Jó 4:6.7). Elifaz diz que nunca viu um homem inocente perecer em infortúnio (dando a entender que as desgraças de Jó são provas de sua culpa diante de Deus).
« Segundo o que vi, os que projetam o que é prejudicial E os que semeiam desgraça são os que a ceifarão » (Jó 4:8). Elifaz, diz que, por outro lado, sempre acontece « desgraça » com os iníquos (insinuando que Jó é responsável da sua situação) …
« E mesmo um espírito passou sobre a minha face; O pêlo da minha carne começou a eriçar-se » (Jó 4:12-16). Elifaz mostra a fonte diabólica da inspiração das suas palavras maliciosas. Ele é apenas o porta-voz de Satanás, o diabo, o espírito que o inspira, começando com duas declarações corretas, depois disfarçar ou torcendo seu significado. Aqui estão as duas afirmações justas: « O homem mortal — pode ele ser mais justo do que o próprio Deus? Ou pode o varão vigoroso ser mais puro do que Aquele que o fez? » (Jó 4:17). Depois, os sentidos dessas verdades são torcidos:
« Eis que ele não tem fé nos seus servos, E a seus mensageiros acusa de defeito. Quanto mais com os que moram em casas de barro, Cujo alicerce está no pó! São esmigalhados mais depressa do que uma traça » (Jó 4:18,19). Elifaz, o porta-voz de Satanás, o diabo, diz que a justiça de Deus é tão alta e pura, que Ele nem sequer consente em confiar no homem, feito de pó e que só é bom para ser « esmigalhado » como uma « traça ». Uma insinuação adicional de que o homem de pó esmigalhado como uma traça, neste caso, é Jó.
Elifaz, o profeta do diabo, continua desta vez se referindo à morte de seus dez filhos e filhas: « Seus filhos permanecem longe da salvação E são esmigalhados no portão sem que alguém os livre » (Jó 5:4). Ele descreve a morte de seus dez filhos e filhas, como sendo o esmagamento dos filhos do iníquo, é uma ideia implícita da morte dos filhos de Jó…
Jó capítulos 6 e 7: em resposta às sérias de insinuações de Elifaz da infidelidade de Jó a Deus, ele simplesmente pede que diga quais são aquelas falhas: « Instruí-me, e eu, da minha parte, ficarei calado; E fazei-me entender que engano cometi » (Jó 6:24).
Jó tem uma consciência limpa diante de Deus, e mesmo que Jó possa cometer erros involuntários, por que Deus não o perdoaria? « Se pequei, que posso conseguir contra ti, o Observador da humanidade? Por que me tomaste por teu alvo, para que eu me tornasse uma carga para ti? E por que não me perdoas a transgressão E passas por alto o meu erro? Pois agora me deitarei no pó; E certamente estarás à minha procura, mas não existirei » (Jó 7:20.21).
Jó capítulo 8: Bildade, o segundo acusador do diabo, com suas primeiras palavras, assalta verbalmente a Jó: « Até quando enunciarás estas coisas, Visto que as declarações da tua boca são apenas um forte vento? » (Jó 8: 2).
Ele continua no mesmo tipo de insinuações diabólicas de Elifaz, do destino trágico dos dez filhos e filhas de Jó. Ele diz que a morte deles é o resultado do justo julgamento de Deus, devido às suas infidelidades e também a de Jó: « Perverteria o próprio Deus o juízo, Ou perverteria o próprio Todo-poderoso a justiça? Se os teus próprios filhos pecaram contra ele, De modo que ele os deixa cair na mão da sua revolta, Se tu mesmo estivesses à procura de Deus E do Todo-poderoso implorasses favor, Se fosses puro e reto, Ele já teria agora despertado para ti E certamente te restauraria teu justo lugar de permanência » (Jó 8:3-6).
Jó capítulos 9 e 10: Jó responde a Bildade dizendo que, se ele tivesse pensado num momento de pecar voluntariamente contra Deus, teria sido uma loucura da sua parte. Precisamente, o temor reverencial que ele sente por Deus o impede de ter um comportamento pecaminoso: « De fato, sei que é assim. Mas como pode o homem mortal ter razão num caso com Deus? Caso se agrade em contender com ele, Não lhe poderá responder uma vez em mil. Ele é sábio de coração e forte em poder. Quem pode ser obstinado com ele e sair ileso? » (Jó 9:2-4).
Jó capítulo 11: Zofar, o terceiro acusador, censura a Jó por se vangloriar de ser fiel a Deus e de não levar em consideração as repreensões de Elifaz e Bildade. Tem palavras desprezíveis, falando das respostas de Jó aos seus dois primeiros acusadores e acerca da sua sabedoria. Como seus dois companheiros, ele o acusa de ser infiel a Deus: « Ficará a multidão de palavras sem resposta, Ou terá razão o mero bazofiador? Acaso teu palavrório oco fará os homens calar-se, E continuarás a caçoar sem que alguém te reprove? Também, dizes: ‘Meu ensinamento é puro E mostrei ser realmente limpo aos teus olhos.’ No entanto, se tão-somente o próprio Deus falasse E abrisse seus lábios para contigo! Então te comunicaria os segredos da sabedoria, Porque são múltiplas as coisas da sabedoria prática. Também saberias que Deus permite que seja esquecida parte do teu erro. Acaso podes descobrir as coisas profundas de Deus, Ou podes descobrir o próprio limite do Todo-poderoso? » (Jó 11: 2-7, ver também versículo 20).
Jó capítulo 12 a 14: Jó é indignado: « De fato, vós sois o povo, E a sabedoria morrerá convosco! » (Jó 12:2). Ele não permite ser abalado pelas falsas acusações contra ele e também contra a memória de seus dez filhos e filhas falecidos: « Também eu tenho um coração igual a vós. Não sou inferior a vós, E com quem não há coisas como estas? Torno-me [alguém que é] alvo de riso para o seu próximo, Invocando a Deus para que lhe responda. O justo, o inculpável, é alvo de riso » (Jó 12:3,4).
Jó capítulo 15: Elifaz, longe de responder às ideias de Jó, zomba de suas palavras: « Será que uma pessoa sábia responderia com argumentos vazios, Ou encheria seu ventre com o vento leste? » (Jó 15:2). E quando ele o acusa de infidelidade em relação a Deus, até de apostasia, ele não dá evidências ou exemplo para apoiar a suas acusações: « Pois você enfraquece o temor de Deus E menospreza a devoção a Deus. Pois o seu pecado determina o que você fala, E você escolhe palavras astutas. Sua própria boca o condena, não eu; Seus próprios lábios testemunham contra você » (Jó 15:4-6).
Elifaz repete a ideia que ele expressou no começo, Deus não confia em suas criaturas, até mesmo nos seus anjos. Ele vai ainda mais longe, desta vez falando do lugar celestial da moradia de Deus: « Veja! Ele não confia nos seus santos, E nem mesmo os céus são puros aos seus olhos. Quanto menos alguém que é detestável e corrupto, Um homem que bebe injustiça como água! » (Jó 15:15,16). Obviamente, que Elifaz está errado, Deus tem confiança nas suas criaturas fiéis, sejam celestiais ou terrestres. Além disso, como ele poderia viver nos céus que não consideraria puro, quando for Santo? Elifaz diz que, em contraste, para melhor esmagar Jó, sugere que, aos olhos de Deus, ele só pode ser impuro, miserável e lamentável…
Jó capítulo 16 e 17: Jó responde que as palavras dos três acusadores não estão de maneira alguma a consolar. Diz o mesmo acerca às palavras de Elifaz, que são apenas vento: « Já ouvi muitas coisas como essas. Em vez de darem consolo, vocês afligem ainda mais! Será que essas palavras vazias não terão fim? O que leva você a falar assim? » (Jó 16:2,3). Ele responde que, se Elifaz e seus outros dois acusadores estivessem em seu lugar, ele não teria falado desta maneira. Ao contrário, ele teria falado com palavras consoladoras: « Eu também poderia falar como vocês. Se estivessem no meu lugar, Eu poderia fazer belos discursos contra vocês E balançar a cabeça contra vocês. Mas, em vez de fazer isso, eu os fortaleceria com as palavras da minha boca, E o consolo dos meus lábios traria alívio » (Jó 16:4,5). Jó diz mais uma vez que ele tem uma consciência limpa diante de Deus, e que ele tem confiança na sua justiça: « Agora mesmo minha testemunha está nos céus; Aquele que pode testemunhar a meu favor está nas alturas » (Jó 16:19). Pode-se notar, Jó acusa seus três falsos amigos de praticar a inversão acusatória, quando deveriam consolá-lo, estando a morrer de sua doença: « Eles transformam a noite em dia, Dizendo: ‘A luz deve estar perto, porque está escuro.’ Se eu esperar, a Sepultura será a minha casa; Estenderei minha cama na escuridão. Direi à cova: ‘Você é meu pai!’ E às larvas: ‘Minha mãe e minha irmã!’ Então, onde está a minha esperança? Será que alguém vê esperança para mim? » (Jó 17:12-15).
Jó capítulo 18: Bildade está furioso, devido a resposta de Jó (capítulos 16 e 17) e diz que o julgamento de Deus contra Jó, como iníquo, não demorará muito para cair sobre ele e que ele se encontrará sem posteridade: « Até quando você vai continuar falando essas coisas? Mostre algum entendimento, e depois conversamos. Por que devíamos ser vistos como animais E considerados tolos aos seus olhos? Mesmo que você se dilacere na sua ira, Será que a terra vai ser abandonada por sua causa, Ou as rochas vão mudar de lugar? A luz de quem é mau será apagada, E a chama do seu fogo deixará de brilhar » (Jó 18:2-5).
Jó capítulo 19: Jó responde, denunciando a crueldade de suas palavras que a esmagam: « Até quando vocês ficarão me irritando, Esmagando-me com palavras? » (Jó 19:2). Jó está ciente de sua integridade diante de Deus e ele sabe que, no devido tempo, ele o salvará: « Pois sei que meu redentor está vivo; Ele virá depois e se levantará sobre a terra. Depois de minha pele ter sido consumida, Mesmo assim, ainda neste meu corpo, verei a Deus » (Jó 19:25,26).
Jó capítulo 20: A resposta de Zophar é semelhante à resposta de Bildade, expressando sua irritação, insultando a Jó e repetindo que ele passará pelo julgamento dos iníquos (capítulo 20): « A repreensão que ouvi é um insulto para mim; E meu entendimento me leva a responder. Com certeza você sempre soube disto, Pois tem sido assim desde que o homem foi posto na terra, Que o grito de alegria de quem é mau é passageiro, E que a alegria do ímpio dura apenas um instante » (Jó 20:3-5).
Jó capítulo 21: na resposta de Jó, diz que é o contrário que ocorre, o iníquo prospera na sua maldade, e o justo sofre por causa de sua justiça: « Um homem morre em pleno vigor, Quando está completamente despreocupado e tranquilo, Quando as suas coxas estão gordas, E os seus ossos estão fortes. Mas outro morre cheio de amargura, Sem nunca ter experimentado coisas boas » (Jó 21:23-25; compare com Eclesiastes 7:15 e 8:14).
Jó capítulo 22: Elifaz diz que Deus é indiferente à justa conduta de suas criaturas (o que é falso): « Pode um homem ser útil para Deus? Pode alguém com perspicácia ser de algum proveito para ele? Será que o Todo-Poderoso se importa que você seja justo, Ou será que ele ganha alguma coisa por você ser íntegro? » (Jó 22:2,3). Em suas acusações de maldade contra Jó, ele o acusa de extorsão de todos os tipos, inclusive contra aqueles que não têm nada. Ele o acusa de não ter ajudado os pobres: « Não é porque sua maldade é muito grande E não há fim dos seus erros? Pois você exige uma garantia dos seus irmãos sem nenhum motivo, E fica com a roupa de outros, deixando-os nus. Não dá água ao cansado E nega pão ao faminto » (Jó 22:5-7). E é por causa dessa maldade, que está nessa situação dramática: « É por isso que você está cercado de armadilhas, E terrores repentinos o assustam; É por isso que a escuridão não o deixa ver, E uma enxurrada o cobre » (Jó 22:10,11). Obviamente, todas essas acusações de Elifaz escritas no capítulo 22, são falsas.
Jó capítulos 23 e 24: Jó reitera que ele tem uma consciência limpa diante de Deus, e ele espera que Deus o ouça. Ele repete a ideia de que os iníquos prosperam em sua maldade, mas que, no devido tempo, prestarão contas diante de Deus. Pela última frase no capítulo 24, Job mostra que ele não permite ser abalado pelas mentiras dos três acusadores do diabo: « Então quem pode provar que sou um mentiroso Ou contestar as minhas palavras? » (Jó 24:25).
Jó capítulo 25: Bildade diz que Deus tem tão altos critérios de pureza, que nem sua criação os cumpre, muito menos um homem mortal (aludindo a Jó que diz que tem uma conduta limpa (ou pura) diante de Deus). É óbvio que o argumento de Bildade é completamente absurdo. Como Deus poderia ter criado algo que não teria cumprido seus critérios de pureza ou perfeição? « Nem mesmo a lua tem brilho, E as estrelas não são puras aos seus olhos, Quanto menos, então, o homem mortal, que é uma larva, E o filho do homem, que é um verme! » (Jó 25:5,6). Podemos observar as duas expressões ofensivas para humanos, as de tratá-la com larva e verme. Essa declaração é simplesmente a assinatura de Satanás, o diabo, que, na verdade não gosta da raça humana, particularmente aqueles que permanecem íntegros em relação a Deus, de acordo com os princípios bíblicos, como o seu fiel servo Jó.
Jó capítulos 26 a 31: o último discurso de Jó: ele faz uma escárnio da resposta de Bildade e, mais geralmente, dos outros acusadores: « Como você ajudou aquele que não tem poder! Como você salvou o braço que não tem força! Que excelente conselho você deu àquele que não tem sabedoria! Quão plenamente você revelou sua sabedoria prática! » (Jó 26:2,3).
Jó sofria duma doença mortal, ele estava morrendo, ele e sua esposa haviam perdido os seus dez filhos e filhas. No entanto, em vez de consolar á Jó, eles o insultaram, questionaram sua integridade, sugerindo até mesmo que a morte de seus dez filhos e filhas era o julgamento de Deus contra os filhos dos iníquos. Há uma declaração que Jó fez que resume seu apego a Deus e aos seus princípios : « Eu nunca os declararia justos! Até eu morrer não renunciarei à minha integridade! » (Jó 27:5).
Em conclusão desta primeira parte, que fecha o diálogo entre Jó e os três acusadores, há uma declaração de Jesus escrita muito mais tarde, a respeito de seus discípulos: « Eu os envio como ovelhas no meio de lobos » (Mateus 10:16). O fiel servo, Jó, era como uma ovelha ferida, prestes a morrer, triturada verbalmente por três lobos humanos vorazes, num espírito de matilha e de maldade absoluta. Esses três homens diabólicos se disfarçaram de amigos que vinham para consolá-lo, mas, em vez disso, agiram como lobos humanos vorazes: « Tomem cuidado com os falsos profetas, que se chegam a vocês em pele de ovelha, mas que por dentro são lobos vorazes » (Mateus 7:15). É pelo fruto de suas más palavras, insultos repetidos, acusações falsas, insinuações dolorosas que suas máscaras caíram, revelando o rosto do diabo que falava através desses três homens: « Pelos seus frutos vocês os reconhecerão. Será que se colhem uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Do mesmo modo, toda árvore boa produz fruto bom, mas toda árvore ruim produz fruto imprestável. A árvore boa não pode dar fruto imprestável, nem pode a árvore ruim produzir fruto bom. Toda árvore que não produz fruto bom é cortada e lançada no fogo » (Mateus 7:16-19).
Deus condenou seus maus comportamentos: « Depois de Jeová ter falado essas palavras a Jó, Jeová disse a Elifaz, o temanita: “Minha ira está acesa contra você e contra seus dois amigos, pois vocês não falaram a verdade a meu respeito, assim como fez o meu servo Jó. (…). E o meu servo Jó orará por vocês. Eu certamente atenderei ao pedido dele, de não lidar com vocês de acordo com a sua tolice, pois não falaram a verdade a meu respeito, assim como fez o meu servo Jó » (Jó 42:7,8).
Eliú repreende Jó e os três acusadores por dizerem coisas imprecisas sobre Deus
(Jó capítulos 32 a 37)
Alguns escreveram que Eliú era jovem. No entanto, dependendo do contexto do livro de Jó, esse não é necessariamente o caso. É óbvio que era muito menos idoso do que os quatro interlocutores, que eram Jó e os outros três. Por exemplo, no Jó 42:10, está escrito que Jeová deu a Jó, o dobro do que havia perdido. E, em Jó 42:16, está escrito que Jeová lhe acrescentou 140 anos de mais vida. Ao examinar, essas duas informações, deduz-se que Jó e seus três interlocutores tinham mais de 100 anos. Portanto, Eliú, sendo menos idosos que eles, poderia ter cinquenta anos, até sessenta ou mais. Ao examinar cuidadosamente o discurso de Eliú, entendemos que ele não tinha somente uma grande sabedoria, mas também uma grande capacidade de escutar e entender. Os argumentos de Eliú, que eram certos, excederam a sabedoria e a percepção, dos três interlocutores de Jó que o acusaram falsamente de apostásia. Não conseguiram atingir a sabedoria de Eliú para entender todas as palavras Jó que, por algumas, tinham que ser corrigidas.
Alguns escreveram que foi Deus quem deu essa sabedoria a Eliú; certamente. No entanto, quando Deus dá sabedoria a alguém, geralmente, se baseia numa experiência espiritual (Jó 32:7). Deus garante que o conhecimento de seus princípios, com uma experiência de vida, sejam sublimados pela sabedoria de Deus (Provérbios 2:1-9). Por exemplo, Jesus Cristo mostrou que o Espírito Santo permitiria que seus discípulos se lembrassem de certos pontos de seus ensinamentos: « Mas o ajudador, o espírito santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinará todas as coisas a vocês e os fará lembrar de todas as coisas que eu lhes disse » (João 14:26). Tudo isso para dizer que Eliú estava longe de ser um jovem recém-saído da adolescência, mas um adulto que teve uma sólida experiência de vida e uma sabedoria, o que podia-se ver na sua maneira de se expressar. O fato de pôr-se de lado dos quatro patriarcas muito mais velhos do que ele, e esperar até o fim que todos terminaram seus discursos, fazia parte dum código de conduta completamente normal naquele momento, devido à grande diferença de idade (ver Levítico 19:32).
A indignação de Eliú é contra Jó e seus três interlocutores, ele sugere que, ouvindo-os, que teve problemas para se dominar, pela abundância de palavras (ou contra argumentos) que vieram à mente: « Mas Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão, tinha ficado muito irado. Sua ira se acendeu contra Jó, porque ele tentou provar que ele tinha razão, e não Deus. Ele também ficou muito irado com os três amigos de Jó, porque não conseguiram achar uma resposta, mas haviam declarado que Deus era culpado » (Jó 32:2,3 ; « Pois tenho muitas palavras para dizer; O espírito dentro de mim me obriga a falar » (Jó 32:18)). Eliú repreende Jó com bondade, mas também com firmeza, dizendo que ele não tinha sabedoria e perspicácia, em suas palavras: « Jó fala sem conhecimento, E suas palavras não demonstram entendimento » (Jó 34:35).
Eliú repreende Jó em vários pontos que nem todos serão mencionados. Ele o censura por ser mais preocupado em se justificar, em vez de Deus: « Mas você disse aos meus ouvidos e ouvi o som de suas palavras: ‘Mas eu ouvi você dizer, Sim, eu ouvi muitas vezes estas palavras: Sou puro, não cometi transgressão; Estou limpo, não cometi erro. Mas Deus acha motivos para se opor a mim; Ele me considera seu inimigo. Ele põe os meus pés no tronco; Inspeciona todos os meus caminhos » (Jó 33:8-11). Aqui está uma declaração de Jó, proclamando sua própria justiça: « Eu vestia a justiça como minha roupa; Minha retidão era como uma túnica e um turbante » (Jó 29:14). Por outro lado, por ignorância da situação celestial, conforme descrita nos capítulos 1 e 2, ele pensava que Deus lhe mandava os infortúnios, em troca da sua justiça: « Por que escondes a tua face E me consideras teu inimigo? » (Jó 13:24). Segundo esse ponto de vista, fica claro, que considera que a integridade não é vantajosa.
Por exemplo, Eliú repreende Jó acerca duma declaração que sugere que permanecer integro a Deus, não é vantajoso: « Pois ele disse: ‘O homem não ganha nada Em tentar agradar a Deus.’ Por isso escutem-me, homens de entendimento: O verdadeiro Deus jamais faria o que é mau, O Todo-Poderoso nunca faria o que é errado! Pois ele recompensará o homem conforme as suas ações E trará sobre ele as consequências dos seus caminhos » (Jó 34:9-11); a declaração anterior de Jó: « Não há diferença. É por isso que eu digo: ‘Ele destrói tanto os inocentes como os maus’ » (Jó 9:22). Séculos depois, o rei Salomão expressou uma idéia semelhante: « Porque nem o sábio nem o tolo serão lembrados para sempre. Nos dias futuros, todos terão sido esquecidos. E como morrerá o sábio? Assim como o tolo » (Eclesiastes 2:16). Este texto mostra que não é Deus quem mata o sábio com o estúpido, mas é o resultado da condição humana que herdou o pecado de Adão (Romanos 5:12). O erro nas palavras de Jó é que ele deixa entender que é Deus quem causa a morte dos justos com os iníquos. Eliú retifica esse erro de Jó, mostrando que Deus vai inevitavelmente julgar a maneira de agir dos justos e dos injustos. Deus não é de forma alguma indiferente ao comportamento dos seres humanos.
Jeová disciplina Jó devido às suas declarações erradas
(Jó capítulo 38 a 42)
Os dois pontos principais da disciplina de Deus são os seguintes: a falta de conhecimento e perspicácia de Jó, mas também a sua falta de modéstia, em comparação à sua preocupação de se justificar, em vez de Deus. Então, Jeová Deus, com uma série de perguntas retóricas, o faz pensar na sua falta de discernimento, mas também em sua pequenez em comparação à grandeza e o poder de sua criação. Aqui estão algumas passagens escolhidas:
« Quem é este que está obscurecendo os meus propósitos E falando sem conhecimento? Por favor, prepare-se como um homem; Eu lhe farei perguntas, e você me informará. Onde você estava quando lancei os alicerces da terra? Responda-me, se você acha que tem entendimento. Quem estabeleceu as medidas dela, caso você saiba, Ou quem estendeu sobre ela uma corda de medir? » (Jó 38:2-5). Jeová Deus contrasta a breve existência de Jó com o fato que nem podia estar presente no início da criação.
Deus enfatiza a ignorância de Jó com o fato do que ele não pode dominar os fenômenos naturais, seja celestiais ou terrestres e em relação com o reino animal: « As águas são cobertas como que com pedra, E a superfície das águas profundas se congela. Será que você pode atar as cordas da constelação de Quima, Ou desatar as cordas da constelação de Quesil? Você pode fazer sair uma constelação na sua estação, Ou guiar a constelação de Ás com seus filhos? Por acaso você conhece as leis que governam os céus, Ou pode impor a autoridade delas sobre a terra? Será que você pode erguer a sua voz até as nuvens, Para fazer com que um aguaceiro o cubra? Por acaso você pode enviar raios? Será que eles vêm e lhe dizem: ‘Aqui estamos!’? Quem pôs sabedoria nas nuvens, Ou deu entendimento aos fenômenos celestes? Quem tem sabedoria para contar as nuvens, Ou quem pode despejar os jarros de água do céu, De modo que o pó se transforma em lama E os torrões de terra grudam um no outro? Será que você pode caçar a presa para o leão Ou satisfazer o apetite dos leões novos, Quando se agacham nos esconderijos Ou ficam de emboscada nas tocas? Quem dá alimento ao corvo Quando seus filhotes clamam a Deus por ajuda E vagueiam por não ter nada para comer? » (Jó 38:30-41).
Deus mostra que Jó (e o homem em geral) não têm uma grande força física que dominaria alguns animais selvagens muito poderosos. Ele seria incapaz de conduzi-los dum lugar para outro, como o touro selvagem, o Beemote (o hipopótamo) e o Leviatã (o crocodilo): (o touro selvagem) « Será que o touro selvagem vai querer servir a você? Será que ele vai passar a noite no seu estábulo? Por acaso você pode prender o touro selvagem ao arado com uma corda, Ou será que ele seguirá você a fim de arar o vale? Você confiará na grande força dele E deixará que ele faça o trabalho pesado para você? Por acaso você contará com ele para que traga a sua colheita E a ajunte à sua eira? » (Jó 39:9-12). (Beemote (o hipopótamo)) « Veja o Beemote, que eu fiz assim como fiz você. Ele come capim como o touro. Veja a força das suas ancas E o poder dos músculos da sua barriga! Ele endurece a cauda como um cedro; Os tendões das suas coxas estão entrelaçados. Seus ossos são como tubos de cobre; Seus membros são como barras de ferro forjado. Ele ocupa o primeiro lugar entre as obras de Deus; Apenas Aquele que o fez pode se aproximar dele com uma espada » (Jó 40:15-19). (Leviatã (o crocodilo)) « Por acaso você pode pegar o Leviatã com um anzol Ou amarrar a língua dele com uma corda? Pode passar uma corda pelas suas narinas Ou furar suas mandíbulas com um gancho? Será que ele fará muitas súplicas a você, Ou lhe falará com ternura? Fará um pacto com você Para que você o torne seu escravo por toda a vida? Será que você brincará com ele como se fosse um pássaro Ou o prenderá com uma coleira para as suas filhas? » (Jó 41:1-5).
Obviamente, Jó se arrepende diante de Deus devido aos seus comentários errados: « Agora sei que és capaz de fazer todas as coisas E que nada que tens em mente é impossível para ti. Tu disseste: ‘Quem é este que está obscurecendo os meus propósitos sem ter conhecimento?’ É verdade, eu falei sem entendimento Sobre coisas maravilhosas demais para mim, que eu não conheço. Tu disseste: ‘Ouça, por favor, e eu falarei. Eu lhe farei perguntas, e você me informará.’ Ouvi falar a teu respeito, Mas agora te vejo com os meus próprios olhos. É por isso que retiro o que eu disse, E me arrependo em pó e cinzas » (Jó 42:2-6).
Depois de repreender muito severamente os três acusadores de Jó, Jeová Deus libertou Jó da sua condição cativa, criada por Satanás, o diabo:
“Depois de Jeová ter falado essas palavras a Jó, Jeová disse a Elifaz, o temanita:
“Minha ira está acesa contra você e contra seus dois amigos, pois vocês não falaram a verdade a meu respeito, assim como fez o meu servo Jó. 8 Agora peguem sete novilhos e sete carneiros, vão ao meu servo Jó e ofereçam um sacrifício queimado a favor de si mesmos. E o meu servo Jó orará por vocês. Eu certamente atenderei ao pedido dele, de não lidar com vocês de acordo com a sua tolice, pois não falaram a verdade a meu respeito, assim como fez o meu servo Jó.”
9 Então Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita, foram e fizeram o que Jeová lhes tinha ordenado. E Jeová ouviu a oração de Jó.
10 Depois de Jó ter orado pelos seus amigos, Jeová acabou com a tribulação de Jó e restaurou a sua prosperidade. Jeová lhe deu o dobro de tudo o que ele tinha antes. 11 Todos os seus irmãos e suas irmãs, e todos os seus antigos amigos foram visitá-lo e tomaram uma refeição com ele na sua casa. Eles se compadeceram dele e o consolaram por causa de toda a calamidade que Jeová tinha deixado vir sobre ele. Cada um lhe deu uma peça de dinheiro e uma argola de ouro.
12 Assim, Jeová abençoou a última parte da vida de Jó mais do que a primeira, e Jó veio a ter 14.000 ovelhas, 6.000 camelos, 1.000 juntas de bois e 1.000 jumentas. 13 Ele também teve mais sete filhos e mais três filhas. 14 Ele chamou a primeira filha de Jemima, a segunda de Quezia, e a terceira de Querém-Hapuque. 15 Em todo o país não havia mulheres tão lindas como as filhas de Jó; e o pai delas lhes deu uma herança junto com os seus irmãos.
16 Depois disso, Jó viveu 140 anos, e viu seus filhos e seus netos, até a quarta geração. 17 Por fim, Jó morreu, depois de uma vida longa e satisfatória” (Jó 42:7-17).
A misericórdia de Deus e o sofrimento da esposa de Jó
A definição da misericórdia é compaixão em ação. Muitas vezes, a misericórdia é associada a uma decisão judicial que perdoa o culpado devido a circunstâncias atenuantes: « A misericórdia triunfa sobre o julgamento » (Tiago 2:13).
Quando lemos o livro de Jó, particularmente os relatos dos desastres que lhe ocorreram, descritos nos capítulos 1 e 2, estamos impressionados e, com razão, dos sofrimentos que ele teve que passar. No entanto, muitas vezes, há uma pessoa que é esquecida e que sofreu as mesmas provações, menos a doença mortal de Jó, é sua esposa. De fato, além de ter perdido toda a sua propriedade, com Jó seu marido, ela sofreu o sofrimento que todas as mães mais temem no mundo, quer dizer, perder um filho (ou uma filha). No entanto, a esposa de Jó não perdeu um filho, mas perdeu dez filhos (e filhas) num instante (Jó 1:18,19). É provável que a dor emocional da esposa de Jó, dessa mãe, que havia perdido, num instante, suas filhas e seus filhos, tinha caído, num momento, numa loucura a mais completa. No livro dos Eclesiastes, está escrito: « Mas a opressão pode levar o sábio à loucura » (Eclesiasstes 7:7). Se Jó a havia escolhido com esposa, é que certamente era uma mulher de grande sabedoria.
Mas agora, aqui está o que está escrito no livro de Jó: « Por fim, sua esposa lhe disse: “Você ainda se apega à sua integridade? Amaldiçoe a Deus e morra!” » (Jó 2:9). Jó, o marido, respondeu que ela falava como uma mulher insensata: « Mas ele lhe respondeu: “Você está falando como uma mulher insensata. Devemos aceitar apenas o que é bom da parte do verdadeiro Deus e não aceitar também o que é mau?” Em tudo isso, Jó não pecou com os seus lábios » (2:10). Podemos observar que Jó incluía a sua esposa, quando ele falava dos infortúnios (devemos), o que demonstra que ele reconhecia que ela era sua companheira nessa grande desgraça.
A conclusão do livro de Jó, nos mostra, certamente de maneira indireta, a misericórdia de Deus em relação à mulher de Jó, que falou, num momento, como uma mulher insensata. Na mesma conclusão, lemos que Deus foi indignado pelas afirmações diabólicas dos três acusadores do diabo, Elifaz, Bildade e Zophar. Não há menção do que Deus poderia ter dito sobre as palavras insensatas da mulher de Jó. É possível que ele tenha considerado vários fatores que o levaram a perdoar à mulher de Jó: a intensa dor emocional que a levou a uma loucura momentânea. Talvez Deus considerou que a repreensão do marido, fora suficiente, com mais tarde a necessidade absoluta para a esposa de Jó, de pedir perdão a Deus, por sua ofensa grave. A história mostra que Deus mostrou grande misericórdia para a esposa de Jó, dando dez filhos e filhas adicionais. Obviamente, que eles não substituíram os dez primeiros que pereceram, no entanto, é provável que ela tenha encontrado um certo consolo. O relato menciona que Jó foi abençoado pelo dobro. Na época da ressurreição, não serão dez, mas vinte filhos e filhas que eles receberão (o dobro) (Atos 24:15). No entanto, o pecado da mulher de Jó era sério o suficiente para que ele fosse mencionado na Bíblia, não apenas para enfatizar a gravidade, mas também que Deus é misericordioso mesmo para aqueles que o oferecem diretamente: « E mostrarei favor a quem eu mostrar favor, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia » (Êxodo 33:19).