
O livro bíblico de Eclesiastes está exatamente no tema da reflexão existencial, do senso de vida e as perguntas, ligadas à morte e à esperança. A meditação se coloca em duas perspectivas importantes: a descrição da vida que estaria numa perspectiva completamente despojada de toda espiritualidade e a outra que consistiria em considerar sua dimensão espiritual e divina. O livro de Eclesiastes será analisado capítulo por capítulo, com primeiro, antes de ler, um breve resumo de seu conteúdo; e depois será apresentado um exame de alguns pontos salientes.
Começa com o que constitui seu tema central: « A maior das vaidades”, disse o congregante, “a maior das vaidades! Tudo é vaidade! » (Eclesiastes 1:2). O tema do absurdo da condição humana atual é ilustrado por muitos exemplos ; uma condição humana que o leva inexoravelmente à morte, seja o que vai fazer, no final, isso será inútil.
Obviamente, este livro bíblico não se contenta em tornar essa observação realista e sombria, apresenta a solução, em todo o livro de Eclesiastes e nas últimas palavras do capítulo 12: « A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem. 14Pois o próprio verdadeiro Deus levará toda sorte de trabalho a julgamento com relação a toda coisa oculta, quanto a se é bom ou mau » (Eclesiastes 12:13,14 ). Se este livro começa com um aspecto muito sombrio da existência, o contraponto é a solução a ser ligado a Deus, com o divino, porque Ele pode nos tirar desse ciclo absurdo, dessa existência, concedendo-nos a vida eterna (João 3:16,36; 17:3). Ao longo desta observação do absurdo da vida, há uma alternância entre as trevas, nossa condição humana atual e a luz, que Deus pode nos libertar deste beco sem saída.
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Eclesiastes capítulo 1: Após esta famosa frase da dimensão vã e absurda da existência humana em relação à morte, sendo a conclusão, este capítulo o compara aos ciclos da naturaleza que não se podem impedir: o ciclo de substituição duma geração por outro, o nascer do sol até o pôr do sol, o movimento do vento, a circulação da água… A vida humana é semelhante a esses ciclos que absolutamente não podemos quebrar ou sair dela, o nascimento, a vida, a doença, a velhice e a morte, uma geração substituindo outra… O rei Salomão (apresentando-se como o « congregante » (Ecclesia) dessas reflexões), mostra que ele mesmo, através de sua experiência de vida, ele fez essa observação da vaidade e do absurdo da existência humana. Esta observação é ainda mais impactante, já que a vida deste rei é o arquétipo duma vida humana de sucesso em todos os níveis:
As palavras do congregante, filho de Davi, rei em Jerusalém. 2“A maior das vaidades”, disse o congregante, “a maior das vaidades! Tudo é vaidade!” 3Que proveito tem o homem de toda a sua labuta em que trabalha arduamente debaixo do sol? 4Uma geração vai e outra geração vem; mas a terra permanece por tempo indefinido. 5E também o sol raiou e o sol se pôs, e vem ofegante ao seu lugar onde vai raiar.
6O vento vai para o sul e faz o giro para o norte. Gira e gira continuamente em volta, e o vento retorna logo aos seus giros.
7Todas as torrentes hibernais correm para o mar, contudo, o próprio mar não está cheio. Ao lugar de onde correm as torrentes hibernais, para lá elas voltam a fim de sair correndo. 8Todas as coisas são fatigantes; ninguém pode falar disso. O olho não se farta de ver, nem o ouvido se enche de ouvir. 9Aquilo que veio a ser é o que virá a ser; e o que se tem feito é o que se fará; de modo que não há nada de novo debaixo do sol. 10Existe algo de que se possa dizer: “Vê isto; isto é novo”? Já tem existido por tempo indefinido; o que veio à existência é de tempo anterior a nós. 11Não há recordação de gente de outrora, nem haverá dos que virão a ser mais tarde. Não se mostrará haver recordação nem mesmo daqueles entre os que virão a ser ainda mais tarde.
12Eu, o congregante, vim a ser rei sobre Israel em Jerusalém. 13E pus meu coração a buscar e a perscrutar a sabedoria em relação a tudo o que se tem feito debaixo dos céus — a ocupação calamitosa que Deus tem dado aos filhos da humanidade para se ocuparem nela. 14Vi todos os trabalhos que se faziam debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e um esforço para alcançar o vento.
15Aquilo que foi feito torto não pode ser endireitado, e aquilo que é carente é que não se pode contar. 16Eu é que falei com o meu coração, dizendo: “Eis que eu mesmo aumentei grandemente em sabedoria, mais do que qualquer outro que veio a estar antes de mim em Jerusalém, e meu próprio coração tem visto muita sabedoria e conhecimento.” 17E passei a empenhar meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer a doidice, e vim a conhecer a estultícia, que isto também é um esforço para alcançar o vento. 18Porque na abundância de sabedoria há abundância de vexame, de modo que aquele que incrementa o conhecimento incrementa a dor.
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“A maior das vaidades”, disse o congregante, “a maior das vaidades! Tudo é vaidade!” (Eclesiastes 1:2). Este é o tema central do livro de Eclesiastes, que analisa o significado existencial da vida humana, que claramente conduz inexoravelmente à velhice e à morte. Essa perspectiva sombria torna todos os projetos fúteis porque, em última análise, todos envelheceremos e morreremos sem desfrutar plenamente dos frutos de nossos diversos esforços. Alguns argumentarão que, como os humanos são “animais sociais”, a vida e a morte normalmente fazem parte de ciclos naturais e que tal reflexão, embora interessante, não leva a lugar nenhum porque é inútil e contraproducente.
O livro de Eclesiastes não apenas faz essa observação, mas coloca essa reflexão existencial em um plano espiritual de duas maneiras. Primeiro, de acordo com a Bíblia, os humanos são seres espirituais que habitam corpos físicos. O ser humano é feito à imagem espiritual de Deus (Gênesis 1:26-28). Isso significa que ele possui sabedoria e inteligência superiores às do reino animal. Por exemplo, ele conceitualiza noções abstratas como a vida, a morte, o tempo, o espaço e o sentido da vida, como se vê neste livro bíblico. O segundo aspecto é o seu relacionamento com a fonte da sua própria vida, isto é, Deus. O livro de Eclesiastes oferece uma análise existencial do sentido da vida sem esperança e sem Deus, o que a torna fútil. Conclui então com a absoluta necessidade de se ter um bom relacionamento com a Fonte da nossa vida, isto é, Deus, precisamente para dar às nossas vidas uma perspectiva duradoura e garantir que elas não sejam mais sem sentido em suas diversas direções (Eclesiastes 12:13-14) (Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança (Gênesis 1:26)).
“Uma geração vai e outra geração vem; mas a terra permanece por tempo indefinido” (Eclesiastes 1:4).
O autor contrasta a permanência ou atemporalidade (por tempo indefinido) do planeta Terra com o fato de que gerações de seres humanos se sucedem, passando da vida para a morte. Esses ciclos incessantes de gerações sucessivas são comparados aos ciclos do nascer e do pôr do sol, do vento e da água, o que torna tudo cansativo. Esse cansaço é acentuado pelo fato de que os olhos não estão cheios de visão e os ouvidos de audição. Há um hábito com aquilo que causa admiração, através da visão e da audição… Ele conclui essa observação sombria com a conhecida frase: “não há nada de novo debaixo do sol” (versículo 9).
O que acentua a tragédia da sucessão das gerações humanas é que todas terminam não apenas na sepultura, mas também no esquecimento absoluto: “Não há recordação de gente de outrora, nem haverá dos que virão a ser mais tarde. Não se mostrará haver recordação nem mesmo daqueles entre os que virão a ser ainda mais tarde” (versículo 11). Placas comemorativas não adiantarão nada; o tempo tem um efeito corrosivo inexorável sobre as memórias das gerações subsequentes… A passagem do tempo, de uma geração para a seguinte, também sepulta a memória dos falecidos das gerações anteriores (A vida, a morte, a segunda morte, o lago ardente e a Geena)…
“E pus meu coração a buscar e a perscrutar a sabedoria em relação a tudo o que se tem feito debaixo dos céus — a ocupação calamitosa que Deus tem dado aos filhos da humanidade para se ocuparem nela” (Eclesiastes 1:13).
Esta passagem parece indicar que Deus criou a situação absurda em que a humanidade se encontra, ou seja, viver apenas alguns anos antes de morrer. Isso parece contradizer o que o discípulo Tiago escreve: “Quando estiver sob provação, que ninguém diga: “Estou sendo provado por Deus.” Pois, com coisas más, Deus não pode ser provado, nem prova a ninguém” (Tiago 1:13). Isso significa que Deus não envia provações diretamente sobre a humanidade. No entanto, Tiago continua, escrevendo: “Mas cada um é provado ao ser atraído e seduzido pelo seu próprio desejo. 15 Então o desejo, quando se torna fértil, dá à luz o pecado; e o pecado, quando consumado, produz a morte” (Tiago 1:14-15). Portanto, devemos entender que Deus não impede as consequências nocivas das más decisões humanas.
O apóstolo Paulo mostra que o pecado e a morte entraram no mundo por meio da má decisão de um homem, nosso ancestral Adão: “É por isso que, assim como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo, e a morte por meio do pecado, e desse modo a morte se espalhou por toda a humanidade, porque todos haviam pecado” (Romanos 5:12). Ao fazer isso, Deus permitiu que as consequências nocivas do pecado ocorressem em toda a humanidade, culminando na morte.
De acordo com o que está escrito no livro de Eclesiastes e na carta de Paulo aos Romanos, Deus sujeitou toda a humanidade à futilidade, isto é, à morte, por causa da decisão errada inicial de Adão: “Porque a criação foi sujeita à futilidade, não de sua própria vontade, mas pela vontade daquele que a sujeitou, à base da esperança de que a própria criação também será libertada da escravidão à decadência e terá a liberdade gloriosa dos filhos de Deus” (Romanos 8:20,21). No entanto, o versículo 21 mostra que Deus libertará toda a humanidade dessa condição fútil, concedendo-lhes a vida eterna por meio da fé no sacrifício de Cristo (João 3:16, 36) (A Esperança da Vida Eterna).
« Aquilo que foi feito torto não pode ser endireitado, e aquilo que é carente é que não se pode contar » (Eclesiastes 1:15). As soluções profundas para mudar a condição humana escura não estão ao alcance, por exemplo, não é capaz de resolver o problema simples e trágico do envelhecimento, a erradicação completa das doenças e a morte (Romanos 5:12; 6:23). A razão para essa situação é o pecado.
O pecado é uma expressão bíblica genérica daquilo que não cumpre mais, impessoalmente (sem sentimento), os critérios da Santidade de Deus, portanto, é um processo que leva à morte programada da criação afligida pelo pecado (que não é mais santa do ponto de vista de Deus). O leitor atento pode ter uma ideia muito mais concreta da alternância entre o que é considerado “santo” e, ao contrário, o pecado, do ponto de vista de Deus, lendo o livro de Levítico. É muito importante entender para o resto das explicações, que esta qualidade não está absolutamente ligada aos sentimentos de Deus, mas sim ao que constitui a essência de suas ações e sua criação. O desaparecimento do pecado é feito por expiação, a fim de satisfazer o critério da santidade divina. A Santidade de Jeová Deus está diretamente relacionada a uma necessidade constante de sacrifício expiatório que apaga o pecado, ou aquilo que não está em conformidade com os padrões divinos e eternos do que é santo: « Pois eu sou Jeová, que os tirou da terra do Egito a fim de ser o seu Deus; sejam santos, porque eu sou santo » (Levítico 11:44,45).
É muito importante entender que a santidade de Deus é o que define a própria essência de todas as suas ações, e que é desprovida de todo sentimento, é completamente impessoal (no nível dos sentimentos). O que significa que toda a sua criação deve ser santa e pura. No entanto, se por acaso uma parte da criação deixar de satisfazer esses critérios impessoais (sem sentimento) de santidade, inevitavelmente desaparecerá. O aparecimento acidental do pecado na humanidade levou à destruição de toda a humanidade, precisamente em virtude desta lei impessoal (sem sentimento) da Santidade de Deus: « É por isso que, assim como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo, e a morte por meio do pecado, e desse modo a morte se espalhou por toda a humanidade, porque todos haviam pecado » (Romanos 5:12). “Pois o salário pago pelo pecado é a morte, mas o dom dado por Deus é a vida eterna por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:23). A primeira parte deste versículo, mostra que a necessidade da santidade (lei impessoal desprovida de sentimento), faz com que o pecado leve à morte, para fazê-lo desaparecer. Considerando que Deus é amor, Ele faz os arranjos para nos dar vida eterna por meio do resgate (Mateus 20:28) (O que é o pecado?).
« Porque na abundância de sabedoria há abundância de vexame, de modo que aquele que incrementa o conhecimento incrementa a dor » (Eclesiastes 1:18).
O grande conhecimento leva a um grande entendimento, que, por sua vez, faz muito sofrer… se um grande conhecimento é obviamente útil, no entanto, muitas vezes, leva à consciência duma vida que leva a um beco sem saída da própria condição humana, que, no final, faz emocionalmente sofrer…
Para atenuar a dor do grande conhecimento, ou mesmo para fazê-lo desaparecer, é necessário atribuir-lhe um significado espiritual, o que, por sua vez, conduzirá à esperança. Esse conhecimento requer uma compreensão que vem de Deus. Sem essa compreensão, o conhecimento é estéril.
A compreensão mencionada em Provérbios 2:1-9 não está relacionada à simples faculdade inata de compreensão do conhecimento geral. Na Bíblia há exemplos de pessoas que tinham um grande conhecimento dos textos bíblicos, no entanto, que não tinham compreensão do significado mais profundo da mensagem. Tomemos o exemplo do Apóstolo Paulo antes de se tornar um cristão: « Eu sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas educado nesta cidade, aos pés de Gamaliel, instruído segundo o rigor da Lei ancestral, zeloso por Deus, assim como todos vós sois neste dia. E eu perseguia este Caminho até à morte, amarrando e entregando às prisões tanto homens como mulheres, conforme tanto o sumo sacerdote como toda a assembléia dos anciãos me podem dar testemunho. Fui também obter deles cartas para os irmãos em Damasco, e eu estava em caminho para trazer amarrados a Jerusalém também os que havia ali, para serem punidos » (Atos 22:3-5 compare com Mateus 23).
Não podemos negar que Saulo de Tarso, que mais tarde se tornaria o apóstolo Paulo, conhecia a Bíblia e provavelmente melhor do que a maioria dos cristãos que perseguia. No entanto, faltava-lhe o essencial da compreensão que vem de Deus e foi compreender que Jesus era (e é) o Cristo. A narrativa de Atos nos mostra como Deus lhe deu a compreensão por meio de Cristo, fazendo-o literalmente cair as escamas dos olhos: « Saulo, porém, respirando ainda ameaça e assassínio contra os discípulos do Senhor, foi ao sumo sacerdote 2 e pediu-lhe cartas para as sinagogas em Damasco, a fim de trazer amarrados, para Jerusalém, quaisquer que achasse pertencendo ao Caminho, tanto homens como mulheres. Então, na viagem, aproximava-se de Damasco, quando repentinamente reluziu em volta dele uma luz do céu, e ele caiu ao chão e ouviu uma voz dizer-lhe: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Ele disse: “Quem és, Senhor?” Ele disse: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Não obstante, levanta-te e entra na cidade, e ser-te-á dito o que tens de fazer.” Ora, os homens que viajavam com ele ficaram parados sem fala, ouvindo, deveras, o som duma voz, mas não observando nenhum homem. Saulo, porém, levantou-se do chão, e, embora se lhe abrissem os olhos, não via nada. De modo que o levaram pela mão e o conduziram a Damasco. E ele não viu nada, por três dias, e não comeu nem bebeu. Havia em Damasco certo discípulo de nome Ananias, e o Senhor disse-lhe numa visão: “Ananias!” Ele disse: “Eis-me aqui, Senhor.” O Senhor disse-lhe: “Levanta-te, vai à rua chamada Direita, e procura na casa de Judas um homem de nome Saulo, de Tarso. Pois, eis que está orando, e ele viu numa visão um homem de nome Ananias entrar e pôr as suas mãos sobre ele, para que recuperasse a vista.” Mas, Ananias respondeu: “Senhor, eu ouvi muitos [falar] deste homem, quantas coisas prejudiciais ele fez aos teus santos em Jerusalém. E ele tem aqui autoridade dos principais sacerdotes para pôr em laços a todos os que invocam o teu nome.” Mas o Senhor lhe disse: “Vai, porque este homem é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome às nações, bem como a reis e aos filhos de Israel. Pois eu lhe mostrarei claramente quantas coisas ele tem de sofrer por meu nome » (Atos 9:1-19).
Há, portanto, uma diferença entre o conhecimento disponível na Bíblia e a compreensão ou a capacidade de entendê-lo, que é dado por Deus através de Cristo: « Pois “quem veio a conhecer a mente de Jeová para o instruir?” Mas nós temos a mente de Cristo » (1 Coríntios 2:16). Quando uma pessoa entende pela aceitação em seu coração do conhecimento bíblico, pode-se dizer que ela manifesta uma fé de acordo com a vontade de Deus: « A fé é a expectativa certa de coisas esperadas, a demonstração evidente de realidades, embora não observadas. 2 Porque, por meio desta, os antigos receberam testemunho » (Hebreus 11: 1). A palavra « demonstração » em relação à fé pressupõe conhecimento « lógico », mesmo que se refere a realidades que não podem ser vistas (Alcançando a Madureza Espiritual (Hebreus 6:1)).
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Eclesiastes capítulo 2: o primeiro versículo deste capítulo, em uma única frase, resume seu conteúdo ao já apresentar sua conclusão, que é repetida de forma redundante no último versículo: “Tudo é vaidade”. É a história da busca do Rei Salomão pela alegria e pelo desfrute dos resultados de seus projetos. Ele buscou alegria no vinho, alegria na instrução e na reflexão para adquirir sabedoria, alegria em projetos de construção e melhorias no palácio real, alegria na aquisição de bens materiais e preciosos, alegria no refinamento e na sexualidade, alegria na fama, chegando, por fim, à mesma conclusão do início do livro de Eclesiastes: “Também isto é vaidade e um esforço para alcançar o vento” (Eclesiastes 2:26).
Eu é que disse no meu coração: “Ora, vem deveras, deixa-me experimentar-te com alegria. Também, vê o que é bom.” E eis que isso também era vaidade. 2Eu disse ao riso: “Insânia!” e à alegria: “Que está fazendo esta?”
3Perscrutei com o meu coração, animando minha carne até mesmo com vinho, ao passo que eu conduzia meu coração com sabedoria, sim, para apoderar-me da estultícia, até que eu pudesse ver o que havia de bom para os filhos da humanidade naquilo que faziam debaixo dos céus, pelo número dos dias da sua vida. 4Empenhei-me em trabalhos maiores. Construí para mim casas; plantei para mim vinhedos. 5Fiz para mim jardins e parques, e plantei neles toda sorte de árvores frutíferas. 6Fiz para mim reservatórios de água para irrigar com eles a floresta em que crescem árvores. 7Adquiri servos e servas, e vim a ter filhos dos da casa. Vim a ter também gado, gado vacum e rebanhos em grande quantidade, mais do que todos os que vieram a estar antes de mim em Jerusalém. 8Acumulei também para mim prata e ouro, bem como propriedade peculiar de reis e de distritos jurisdicionais. Constituí para mim cantores e cantoras, bem como as delícias dos filhos da humanidade, uma dama, sim, damas. 9E tornei-me maior e aumentei mais do que qualquer outro que veio a estar antes de mim em Jerusalém. Além disso, minha própria sabedoria permaneceu minha.
10E tudo o que os meus olhos pediram, eu não retive deles. Não neguei ao meu coração nenhuma espécie de alegria, pois meu coração se alegrava por causa de todo o meu trabalho árduo, e isto veio a ser meu quinhão de todo o meu trabalho árduo. 11E eu, sim, eu me virei para todos os meus trabalhos que minhas mãos tinham feito e para a labuta em que eu tinha trabalhado arduamente para a realizar, e eis que tudo era vaidade e um esforço para alcançar o vento, e não havia nada de vantagem debaixo do sol.
12E eu é que me virei para ver sabedoria, e doidice, e estultícia; pois o que pode fazer o homem terreno que entra depois do rei? A coisa que já se fez. 13E eu é que vi que há mais vantagem na sabedoria do que na estultícia, do mesmo modo como há mais vantagem na luz do que na escuridão.
14Quanto àquele que é sábio, tem os olhos na cabeça; mas o estúpido está andando em profunda escuridão. E também eu é que vim a saber que há um só evento conseqüente que sucede eventualmente a todos eles. 15E eu mesmo disse no meu coração: “Um evento conseqüente igual a este para o estúpido sucederá eventualmente a mim, sim, a mim.” Então, por que é que me tornei sábio, extremamente assim naquele tempo? E falei no meu coração: “Também isto é vaidade.” 16Porque não há mais recordação do sábio do que do estúpido, por tempo indefinido. Nos dias que já estão entrando, todos já estão esquecidos; e como morrerá o sábio? Junto com o estúpido.
17E odiei a vida, porque o trabalho que se tem feito debaixo do sol tem sido calamitoso do meu ponto de vista, pois tudo era vaidade e um esforço para alcançar o vento. 18E eu é que odiei toda a minha labuta em que trabalhava arduamente debaixo do sol, que eu deixaria atrás para o homem que viria a suceder-me. 19E quem sabe se ele se mostrará sábio ou estulto? No entanto, assumirá o controle sobre toda a minha labuta em que trabalhei arduamente e em que mostrei sabedoria debaixo do sol. Também isto é vaidade. 20E eu mesmo me voltei para fazer meu coração desesperar de toda a labuta em que tinha trabalhado arduamente debaixo do sol. 21Pois há um homem cujo trabalho árduo foi com sabedoria, e com conhecimento, e com proficiência, mas ao homem que não trabalhou arduamente em tal coisa se dará o quinhão daquele. Também isto é vaidade e uma grande calamidade.
22Pois, o que é que o homem vem a ter de todo o seu trabalho árduo e do esforço de seu coração com que trabalha arduamente debaixo do sol? 23Porque todos os seus dias sua ocupação significa dores e vexame, também durante a noite seu coração simplesmente não se deita. Também isto é mera vaidade.
24Para o homem não há nada melhor [do] que comer, e deveras beber, e fazer sua alma ver o que é bom por causa do seu trabalho árduo. Isto também tenho visto, sim eu, que isto procede da mão do [verdadeiro] Deus. 25Pois, quem come e quem bebe melhor do que eu?
26Pois, ao homem que é bom diante dele, ele tem dado sabedoria, e conhecimento, e alegria, mas ao pecador tem dado a ocupação de ajuntar e de recolher, apenas para dar àquele que é bom diante do [verdadeiro] Deus. Também isto é vaidade e um esforço para alcançar o vento.
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“E tudo o que os meus olhos pediram, eu não retive deles. Não neguei ao meu coração nenhuma espécie de alegria, pois meu coração se alegrava por causa de todo o meu trabalho árduo, e isto veio a ser meu quinhão de todo o meu trabalho árduo. 11 E eu, sim, eu me virei para todos os meus trabalhos que minhas mãos tinham feito e para a labuta em que eu tinha trabalhado arduamente para a realizar, e eis que tudo era vaidade e um esforço para alcançar o vento, e não havia nada de vantagem debaixo do sol” (versículos 10, 11).
Esta passagem parece ilustrar o que Salomão escreveu sobre o fato de que os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir, por causa do hábito: “Todas as coisas são fatigantes; ninguém pode falar disso. O olho não se farta de ver, nem o ouvido se enche de ouvir” (Eclesiastes 1:8). Embora seja certamente legítimo buscar momentos agradáveis na vida, se a busca pelo prazer se tornar um objetivo primordial, surgirá uma sensação de vazio espiritual, como um vaso que nunca se enche porque cria um senso de hábito. Os prazeres da vida são para a espiritualidade o que os condimentos são para a comida: realçam o sabor sem serem o elemento essencial da nutrição.
O apóstolo Paulo, ao descrever o mau comportamento das pessoas nos últimos dias, falou da busca pelo prazer em vez da amizade com Deus:
“Mas saiba que nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de suportar. 2 Pois os homens só amarão a si mesmos, amarão o dinheiro, serão presunçosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, 3 desnaturados, não estarão dispostos a acordos, serão caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor ao que é bom, 4 traidores, teimosos, cheios de orgulho, amarão os prazeres em vez de a Deus 5 e manterão uma aparência de devoção a Deus, mas rejeitarão o poder dessa devoção. Desses, afaste-se” (2 Timóteo 3:1-5).
Quando a busca pelo prazer, dinheiro e bens materiais se torna o objetivo ou propósito principal da vida, torna-se uma falha, um pecado, porque essas buscas são colocadas acima da amizade com Deus: “amarão os prazeres em vez de a Deus”.
Jesus Cristo enfatizou esse ponto em seu Sermão do Monte: « Parai de armazenar para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde ladrões arrombam e furtam. 20 Antes, armazenai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. 21 Pois, onde estiver o teu tesouro, ali estará também o teu coração.
22 “A lâmpada do corpo é o olho. Se, pois, o teu olho for singelo, todo o teu corpo será luminoso; 23 mas, se o teu olho for iníquo, todo o teu corpo será escuro. Se, na realidade, a luz que está em ti é escuridão, quão grande é essa escuridão!
24 “Ninguém pode trabalhar como escravo para dois amos; pois, ou há de odiar um e amar o outro, ou há de apegar-se a um e desprezar o outro. Não podeis trabalhar como escravos para Deus e para as Riquezas” (Mateus 6:19-24).
É claro que a Bíblia não condena a riqueza, assim como não encoraja a pobreza. Jesus Cristo adverte contra nossa relação com as riquezas, posta em perspectiva com nosso objetivo principal de servir a Deus. Jesus Cristo, como a Bíblia como um todo, condena o amor ao dinheiro: “No entanto, os que estão resolvidos a ficar ricos caem em tentação e em laço, e em muitos desejos insensatos e nocivos, que lançam os homens na destruição e na ruína. Porque o amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais, e alguns, por procurarem alcançar este amor, foram desviados da fé e se traspassaram todo com muitas dores” (1 Timóteo 6:9,10). Pela expressão « olho singelo », quer dizer sincero, unidirecional, em foco, generoso, que está em conformidade com o serviço a Deus. Um « olho iníquo », é mau e invejoso, representa objetivos baseados em luxúria, ganância, o que é consistente com o serviço ao deus Riqueza.
Jesus Cristo encoraja a ser rico para com Deus: “Com isso contou-lhes uma ilustração, dizendo: “A terra de certo homem rico produziu bem. Conseqüentemente, ele começou a raciocinar no seu íntimo, dizendo: ‘Que farei, agora que não tenho onde ajuntar as minhas safras?’ De modo que ele disse: ‘Farei o seguinte: Derrubarei os meus celeiros e construirei maiores, e ali ajuntarei todos os meus cereais e todas as minhas coisas boas; e direi à minha alma: “Alma, tens muitas coisas boas acumuladas para muitos anos; folga, come, bebe, regala-te.”’ Mas Deus disse-lhe: ‘Desarrazoado, esta noite te reclamarão a tua alma. Quem terá então as coisas que armazenaste?’ Assim é com o homem que acumula para si tesouro, mas não é rico para com Deus” (Lucas 12:16-21) (O ensino de Jesus Cristo que leva à madureza espiritual).
« Porque não há mais recordação do sábio do que do estúpido, por tempo indefinido. Nos dias que já estão entrando, todos já estão esquecidos; e como morrerá o sábio? Junto com o estúpido » (versículo 16).
Muitas vezes, estamos falando da sabedoria de Salomão, que se pode ler nos livros bíblicos de Provérbios e Eclesiastes. No entanto, no estado atual das coisas, sua condição de homem sábio o beneficiou? Não, porque sua reputação não o isentou de morrer, como o estúpido com sua tolice… de modo que neste aspecto, não há superioridade do sábio sobre o estúpido, porque ambos acabam na sepultura…
Contudo, a observação do Rei Salomão pode ter um significado pedagógico relacionado ao cultivo da humildade e da modéstia diante da igualdade perante a morte entre o sábio e o insensato. De fato, a respeito do conhecimento, eis o que o Apóstolo Paulo escreveu: « O conhecimento enche a pessoa de orgulho, mas o amor edifica » (1 Coríntios 8:1). O conhecimento pode inflar o ego do sábio (embora nem sempre seja esse o caso), proporcionalmente ao aumento do número de seus ouvintes, ou mesmo daqueles que os idolatram. Assim, a referência ao Livro de Eclesiastes permite-lhe colocar em perspectiva a sua situação como homem sábio, um homem que, tal como o estúpido, terá de ir para o seu descanso na tumba, com o facto inexorável de que a sua pessoa será esquecida pelas gerações futuras, mesmo que tenha publicado inúmeros livros ou que ruas levem o seu nome…
“Pois está escrito: “Acabarei com a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos intelectuais.” 20 Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o argumentador deste sistema de coisas? Deus não tornou tola a sabedoria do mundo? 21 Pois, na sabedoria de Deus, o mundo, pela sua sabedoria, não chegou a conhecer a Deus. Portanto Deus, por meio da tolice do que se prega, se agradou de salvar os que creem »” (1 Coríntios 1:19-21) (Alcançando a Madureza Espiritual (Hebreus 6:1)).
« Para o homem não há nada melhor do que comer, e deveras beber, e fazer sua alma ver o que é bom por causa do seu trabalho árduo. Isto também tenho visto, sim eu, que isto procede da mão do verdadeiro Deus. 25Pois, quem come e quem bebe melhor do que eu? » (versículos 24,25).
Parece ser um encorajamento para uma vida baseada simplesmente em prazeres, um incentivo ao hedonismo. Devemos considerar o contexto para entender que esse não é o caso. Os versículos anteriores mostram que existem humanos que trabalham duro e que vivem com uma preocupação constante por seu trabalho, sem a possibilidade de aproveitar dos seus frutos. Assim, no caso desses dois extremos, uma vida de trabalho inquieto e uma vida em que se aproveita do fruto do seu trabalho, regozijando-se, essa última alternativa é preferível.
Além disso, a observação do Rei Salomão pode muito bem aludir ao que Deus ordenou ao seu povo quando deu os Dez Mandamentos: “Lembre-se de manter sagrado o dia de sábado. 9 Trabalhe e faça todas as suas tarefas durante seis dias, 10 mas o sétimo dia é um sábado para Jeová, seu Deus. Não faça nenhum trabalho, nem você, nem seu filho, nem sua filha, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu animal doméstico, nem seu residente estrangeiro, que está dentro das suas cidades. 11 Pois em seis dias Jeová fez os céus, a terra, o mar e tudo o que há neles, e no sétimo dia passou a descansar. É por isso que Jeová abençoou o dia de sábado e o tornou sagrado” (Êxodo 20:8-11).
A lei do sábado mostra o pensamento de Deus sobre a necessidade de descanso, pelo menos uma vez por semana. É claro que não estamos mais sob a observância obrigatória da Lei Mosaica, visto que Cristo é o fim da Lei (Romanos 10:4). Contudo, esta lei de Deus revela a essência do Seu pensamento, ou seja, ter um dia de descanso após seis dias de trabalho. Ao examinarmos mais atentamente este mandamento, percebemos que este descanso sabático tinha uma dimensão espiritual, pois se refere ao descanso de Deus. Obviamente, Deus não precisa descansar em termos absolutos; no entanto, Ele deixou claro que o sábado era um tempo dedicado à espiritualidade.
Por exemplo, durante o ministério terrestre de Jesus Cristo, ao lermos os Evangelhos, vemos que os judeus iam à sinagoga para orar e ler a palavra de Deus. Jesus Cristo ensinava nos sábados nas sinagogas (Lucas 4:31-33). Assim, o sábado era um dia de instrução, mas também um dia de descanso, um tempo para se reunir com a família e compartilhar momentos agradáveis juntos, talvez em torno de uma refeição.
Os cristãos que não estão mais sob a Lei Mosaica devem observar um período de descanso, pelo menos uma vez por semana, em um dia de sua escolha ou de acordo com os costumes locais. Esses dias de descanso devem ser uma oportunidade para dedicar tempo à espiritualidade, mas também para passar tempo com a família e os amigos, desfrutando de momentos alegres, como indicado no Livro de Eclesiastes (2:24-25) (O Homem Espiritual e o Homem Físico (1 Coríntios 2:14-16)).
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Eclesiastes Capítulo 3: É uma reflexão sobre o tempo e as ocupações humanas que o dividem. Os versículos 1 a 9, mostram que o tempo existe pelas ações que o delimitam. O versículo 11 mostra que Deus deu ao homem essa capacidade espiritual de entender o que é o tempo e a eternidade. Esse conhecimento aumenta ainda mais o sentimento da brevidade da vida. Os versículos 18 a 21, mostram que a morte é o oposto da vida, de modo que, se não há superioridade dos sábios sobre os estúpidos (ver capítulo 2), também não há superioridade do homem sobre o animal (A vida, a morte, a segunda morte, o lago ardente e a Geena):
Para tudo há um tempo determinado, sim, há um tempo para todo assunto debaixo dos céus: 2tempo para nascer e tempo para morrer; tempo para plantar e tempo para desarraigar o que se plantou; 3tempo para matar e tempo para curar; tempo para derrocar e tempo para construir; 4tempo para chorar e tempo para rir; tempo para lamentar e tempo para saltitar; 5tempo para lançar fora pedras e tempo para reunir pedras; tempo para abraçar e tempo para manter-se longe dos abraços; 6tempo para procurar e tempo para dar por perdido; tempo para guardar e tempo para lançar fora; 7tempo para rasgar e tempo para costurar; tempo para ficar quieto e tempo para falar; 8tempo para amar e tempo para odiar; tempo para guerra e tempo para paz. 9Que vantagem tem o realizador naquilo em que trabalha arduamente?
10Vi a ocupação que Deus deu aos filhos da humanidade para se ocuparem nela. 11Tudo ele fez bonito no seu tempo. Pôs até mesmo tempo indefinido no seu coração, para que a humanidade nunca descobrisse o trabalho que o [verdadeiro] Deus tem feito do começo ao fim. 12Vim saber que não há nada melhor para eles do que alegrar-se e fazer o bem durante a sua vida; 13e também que todo homem coma e deveras beba, e veja o que é bom por todo o seu trabalho árduo. É a dádiva de Deus.
14Vim saber que tudo o que o [verdadeiro] Deus faz mostrará ser por tempo indefinido. Não há nada a acrescentar-lhe e não há nada a subtrair-lhe; mas, o próprio [verdadeiro] Deus o fez para que as pessoas tivessem medo por causa dele.
15O que veio a ser, já tem sido, e o que virá a ser, já veio a ser; e o próprio [verdadeiro] Deus continua a procurar aquilo pelo qual há empenho.
16E além disso, vi debaixo do sol o lugar do juízo onde havia iniqüidade e o lugar da justiça onde havia iniqüidade. 17Eu mesmo disse no meu coração: “O [verdadeiro] Deus julgará tanto o justo como o iníquo, pois há um tempo para todo assunto e referente a todo trabalho ali.”
18Eu é que disse no meu coração, com respeito aos filhos da humanidade, que o [verdadeiro] Deus vai selecioná-los, para que vejam que eles mesmos são animais. 19Pois há um evento conseqüente com respeito aos filhos da humanidade e um evento conseqüente com respeito ao animal, e há para eles o mesmo evento conseqüente. Como morre um, assim morre o outro; e todos eles têm apenas um só espírito, de modo que não há nenhuma superioridade do homem sobre o animal, pois tudo é vaidade. 20Todos vão para um só lugar. Todos eles vieram a ser do pó e todos eles retornam ao pó. 21Quem é que conhece o espírito dos filhos da humanidade, se ele vai para cima; e o espírito do animal, se ele vai para baixo, para a terra? 22E eu vi que não há nada melhor do que o homem alegrar-se com o seu trabalho, porque este é seu quinhão; pois, quem o fará entrar para ver o que vai ser após ele?
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« Pôs até mesmo tempo indefinido no seu coração » (versículo 11).
Deus concedeu à humanidade a capacidade de compreender os conceitos abstratos de tempo e eternidade. É aqui que as palavras de Salomão adquirem seu pleno significado: « Porque na abundância de sabedoria há abundância de vexame, de modo que aquele que incrementa o conhecimento incrementa a dor » (Eclesiastes 1:18). A tristeza da pessoa sábia, que reflete e tem a capacidade de conceber o tempo, a eternidade, a vida e a morte, provém da constatação de que sua vida é muito limitada em duração quando comparada à eternidade, cujo significado ela compreende (diferentemente dos animais, que desconhecem isso).
Esta observação é um ponto importante que mostra que, originalmente, o homem foi criado para viver para « tempo indefinido » ou eternamente (Gênesis 2:7). Como um Deus de amor, poderia ter criado humanos capazes de entender o que é a eternidade, sem poder tirar proveito disso, tendo uma vida de apenas de 70 a 80 anos ou um pouco mais? (Por que Deus Permitiu o Sofrimento e a Maldade?).
“O que veio a ser, já tem sido, e o que virá a ser, já veio a ser; e o próprio verdadeiro Deus continua a procurar aquilo pelo qual há empenho” (versículo 15):
A primeira parte do versículo 15 é facilmente compreendida e repete a ideia encontrada no capítulo 1: “Aquilo que veio a ser é o que virá a ser; e o que se tem feito é o que se fará; de modo que não há nada de novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1:9). No entanto, a segunda parte do versículo 15 é simplesmente incompreensível: “O próprio verdadeiro Deus continua a procurar aquilo pelo qual há empenho”. Esta tradução foi literal e não interpretativa. A palavra hebraica transliterada “bâqash”, traduzida como “procura”, pode ter vários significados dependendo do contexto; entre eles está o verbo “examinar” (to inquire) (H1245 Concordância de Strong).
A solução seria comparar a tradução desta frase com outras traduções no mesmo idioma e em outros idiomas. Consultando traduções comparativas da Bíblia, que tornam a frase mais compreensível:
“Deus investigará o passado” (NVI), « Deus faz as mesmas coisas acontecerem repetidamente » (NVT), « Deus fará renovar-se o que se passou » (ARA). Para verificar se essas traduções interpretativas são precisas, é necessário ver o que está escrito em outros idiomas, particularmente em inglês: “Deus chama o passado de volta” (NVI). Claramente, não há uma única maneira de entender essa frase.
Cabe a cada pessoa formar sua própria opinião; no entanto, observa-se que a ideia no início do versículo 15 é semelhante à de Eclesiastes 1:9, e talvez a segunda parte do versículo possa encontrar seu significado no que está escrito mais adiante no capítulo 1: “E pus meu coração a buscar e a perscrutar a sabedoria em relação a tudo o que se tem feito debaixo dos céus — a ocupação calamitosa que Deus tem dado aos filhos da humanidade para se ocuparem nela” (Eclesiastes 1:13) (Ler e Entender a Bíblia (Salmos 1:2, 3))…
« E além disso, vi debaixo do sol o lugar do juízo onde havia iniqüidade e o lugar da justiça onde havia iniqüidade. 17Eu mesmo disse no meu coração: “O verdadeiro Deus julgará tanto o justo como o iníquo, pois há um tempo para todo assunto e referente a todo trabalho ali » (versículos 16,17).
Diante da realidade da maldade, há aqueles que sabem que, no tempo de Deus, ela desaparecerá. Mesmo que a maldade prevaleça atualmente, no fim, Deus responsabilizará a todos: « Assim, pois, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus » (Romanos 14:12).
Por outro lado, outros, como o profeta Habacuque, podem se impacientar, sentindo que Deus demora a agir em situações que causam sofrimento à humanidade: “Até quando, ó Jeová, clamarei por ajuda, mas tu não ouvirás? Até quando clamarei a ti para me salvares da violência, mas tu não agirás? Por que me fazes ver a maldade? E por que toleras a opressão? Por que há diante de mim destruição e violência? E por que há tantas brigas e conflitos? Por isso a lei não tem força, E a justiça nunca é feita. Pois os maus cercam os justos; É por isso que a justiça sai pervertida” (Habacuque 1:2-4).
Contudo, Deus respondeu ao seu profeta: “E Jeová passou a responder-me e a dizer: “Escreve [a] visão e assenta-a de modo claro em tábuas, para que aquele que a lê alto possa fazê-lo fluentemente. 3 Porque [a] visão ainda é para o tempo designado e prossegue arfando até o fim, e não mentirá. Ainda que se demore, continua na expectativa dela; pois cumprir-se-á sem falta. Não tardará” (Habacuque 2:2,3).
Se sentirmos que Deus está demorando a agir, devemos ter confiança de que Ele o fará. Devemos aprender a ser pacientes enquanto aguardamos a salvação de Deus (Lamentações 3:26) (Por que Deus Permitiu o Sofrimento e a Maldade?).
“Pois há um evento conseqüente com respeito aos filhos da humanidade e um evento conseqüente com respeito ao animal, e há para eles o mesmo evento conseqüente. Como morre um, assim morre o outro; e todos eles têm apenas um só espírito, de modo que não há nenhuma superioridade do homem sobre o animal, pois tudo é vaidade” (versículo 19).
Este texto mostra que não há vida espiritual após a morte. Essa importante ideia é repetida um pouco mais adiante no livro de Eclesiastes: “Pois os viventes estão cônscios de que morrerão; os mortos, porém, não estão cônscios de absolutamente nada, nem têm mais salário, porque a recordação deles foi esquecida. (…) Tudo o que a tua mão achar para fazer, faze-o com o próprio poder que tens, pois não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria no Seol (a sepultura), o lugar para onde vais” (Eclesiastes 9:5, 10)
É o próprio Deus quem a define. Comparando Gênesis 2:17 com 3:19, onde está escrito que se Adão desobedecesse ao mandamento do fruto proibido, ele certamente morreria. Finalmente, Adão desobedeceu. Está escrito no julgamento de Deus contra Adão e sua esposa: “No suor do seu rosto comerá pão, até que você volte ao solo, pois dele foi tirado. Porque você é pó e ao pó voltará » (Gênesis 3:19). Portanto, a morte é o oposto da vida e o retorno à inexistência (Salmo 146:3,4; Eclesiastes 3:19,20; 9:5,10). Jeová Deus, em seu julgamento, evoca o retorno ao pó que é mais geralmente designado na Bíblia por uma expressão de lugar simbólico como Seol (hebraico) ou Hades (grego), ou mesmo o « mar » onde muitos humanos morreram (Apocalipse 20:13). Portanto, não é difícil entender e admitir este simples ponto de ensino bíblico, a morte é a inexistência absoluta. A alma morre e o espírito ou a energia vital desaparece: “Não confiem nos príncipes Nem nos filhos dos homens, que não podem trazer salvação. Seu espírito sai, e eles voltam ao solo; Nesse mesmo dia os seus pensamentos se acabam » (Salmo 146:3,4).
É importante diferenciar entre a palavra hebraica Seol e a grega Hades, de um lado, e Geena, do outro. Em algumas traduções da Bíblia, essas três palavras foram traduzidas como a palavra latina original inferno (infernus). Ao fazer isso, criou confusão na compreensão da palavra geena, tornando-se um ensino antibíblico da existência de um inferno de fogo.
Jesus Cristo usou a palavra « Geena » ou « Geena de fogo », como um lugar real conhecido por todos os seus contemporâneos, para ilustrar o julgamento eterno e a ideia de destruição sem a possibilidade de ressurreição, a famosa segunda morte. Em seu Sermão do Monte, Jesus Cristo mencionou este lugar três vezes, sem necessariamente especificar o seu significado. Por quê? Muito simplesmente, até mesmo na Galiléia, a 100 km ao norte de Jerusalém, esse lugar de destruição era muito conhecido e não exigia nenhuma descrição ou explicação (Mateus 5:22,29,30). A Geena estava associada a um lugar de fogo que não se apagava, por quê? Pela óbvia razão de que tal lugarl, próximo duma cidade, teria representado um perigo para a saúde da maioria dos habitantes, se não tivesse sido alimentado por um fogo permanente ou constante, à base de enxofre, para decompor todos os resíduos da cidade, mais rapidamente (Marcos 9:47,48) (A vida, a morte, a segunda morte, o lago ardente e a Geena).
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Eclesiastes capítulo 4: é uma breve descrição da condição desesperada dos humanos oprimidos que sofrem tanto que, às vezes, a condição dos mortos que não sofrem mais, é preferível (leia o versículo 2):
E eu mesmo retornei, a fim de ver todos os atos de opressão que se praticam debaixo do sol, e eis as lágrimas dos oprimidos, mas eles não tinham consolador; e do lado dos seus opressores havia poder, de modo que não tinham consolador. 2E congratulei os mortos que já tinham morrido, em vez de os vivos que ainda viviam. 3Portanto, melhor do que ambos [é] aquele que ainda não veio a existir, que não viu o trabalho calamitoso que se faz debaixo do sol.
4E eu mesmo vi todo o trabalho árduo e toda a proficiência no trabalho, que significa rivalidade de um para com o outro; também isto é vaidade e um esforço para alcançar o vento.
5O estúpido cruza as mãos e come a sua própria carne.
6Melhor é um punhado de descanso do que um punhado duplo de trabalho árduo e um esforço para alcançar o vento.
7Eu mesmo retornei para ver a vaidade debaixo do sol: 8Existe um, mas não há um segundo; tampouco tem ele filho ou irmão, mas não há fim de seu trabalho árduo. Também, os próprios olhos dele não se fartam de riquezas: “E para quem trabalho arduamente e faço a minha alma carecer de coisas boas?” Também isto é vaidade e é uma ocupação calamitosa.
9Melhor dois do que um, porque eles têm boa recompensa pelo seu trabalho árduo. 10Pois, se um deles cair, o outro pode levantar seu associado. Mas, como será com apenas aquele um que cai, não havendo outro para levantá-lo?
11Ademais, se dois se deitarem juntos, então certamente se aquecerão; mas, como pode apenas um manter-se aquecido? 12E se alguém levar de vencida a um que está só, dois juntos poderiam manter-se de pé contra ele. E um cordão tríplice não pode ser prontamente rompido em dois.
13Melhor é o filho necessitado, mas sábio, do que um rei velho, mas estúpido, que não veio saber o bastante para ser ainda avisado. 14Pois ele saiu da própria casa dos presos para tornar-se rei, embora no reinado deste ele tenha nascido como alguém de poucos meios. 15Vi todos os vivos que estão andando debaixo do sol, [como vai] ao filho que é o segundo, que se põe de pé no lugar do outro. 16Não há fim de todo o povo, de todos os diante dos quais ele vem a estar; nem se alegrarão depois as pessoas com ele, porque também isto é vaidade e um esforço para alcançar o vento.
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“E declarei felizes as pessoas que já tinham morrido, em vez das que ainda estão vivas. E melhor do que todas elas é aquele que ainda não nasceu, que não viu as ações aflitivas praticadas debaixo do sol” (versículos 2, 3).
O capítulo 4 descreve a opressão do homem sobre o homem, como descrito um pouco mais adiante: “Eu vi tudo isso, e me pus a refletir em todo o trabalho que se tem feito debaixo do sol enquanto homem domina homem para o seu prejuízo” (Eclesiastes 8:9). Quaisquer que sejam as formas de governo político ou religioso, o processo é sempre o mesmo: uma pequena minoria de humanos altamente privilegiados domina implacavelmente grupos de homens, mulheres, crianças ou povos inteiros que pedem apenas para serem guiados com bondade e amor. A opressão é tão grande (e os livros de história testemunham isso) que o Rei Salomão insinuou que a condição dos mortos, e também daqueles que ainda não nasceram (versículo 3), é melhor do que a dos oprimidos.
É claro que a morte não é uma condição invejável; Os seres humanos amam a vida por natureza. Jesus Cristo a descreveu como um estado temporário de sono em preparação para a ressurreição (o relato da ressurreição de Lázaro em João, capítulo 11): “Eu tenho esperança em Deus, esperança que esses homens também têm, de que haverá uma ressurreição tanto de justos como de injustos” (Atos 24:15). (O Significado das Ressurreições Realizadas por Jesus Cristo (João 11:30-44)).
“Melhor dois do que um, porque eles têm boa recompensa pelo seu trabalho árduo. Pois, se um deles cai, o outro pode ajudar seu companheiro a se levantar. Mas o que acontecerá com aquele que cai e não tem ninguém para ajudá-lo a se levantar?” (versículos 9, 10).
Quando nos encontramos em situações de opressão, é importante cultivar um espírito de comunidade e compreensão, com o objetivo de ajudar uns aos outros a aliviar o sofrimento causado pela opressão humana: “Além disso, se dois se deitarem juntos, ficarão aquecidos; mas como pode alguém sozinho manter-se aquecido? Também, alguém pode vencer a um que está só, mas dois juntos podem resistir ao agressor. E um cordão tríplice não pode ser facilmente rompido” (versículos 11, 12).
Quanto aos seguidores de Cristo ou a quaisquer grupos religiosos que se declarem cristãos, é necessário que se organizem em pequenos grupos ou congregações para se encorajarem mutuamente: “E pensemos uns nos outros para nos estimular ao amor e às boas obras, não deixando de nos reunir, como é costume de alguns, mas nos encorajando uns aos outros, e ainda mais ao passo que vocês veem chegar o dia” (Hebreus 10:24-25).
Nos capítulos 1 a 3 do Apocalipse, nas mensagens às sete congregações cristãs, vemos que há uma administração estritamente local, e não global, das congregações.
No capítulo 1 de Apocalipse, as sete congregações são representadas por sete candelabros. Os anjos que representam as sete congregações são designados pelas sete estrelas na mão direita de Cristo. Em Apocalipse 2 e 3, os encorajamentos, mas também as censuras, às vezes muito sérias, feitas por Jesus Cristo glorificado, são dirigidos aos sete « anjos » das sete congregações. É óbvio que os « anjos » em questão não são aqueles no céu que não têm tendência para pecar. Quem representam esses anjos responsáveis perante Jesus Cristo pela administração das congregações cristãs? Em Apocalipse 1:1, João nos informa que a Revelação foi transmitida a ele por meio dum « anjo » (ἄγγελος « angelos » (Concordância de Strong do G32): « Mensageiro, pastor”). Segundo o contexto, é óbvio que ele era um anjo celestial. Em Apocalipse 1:20, a mesma palavra « angelos » é usada para designar, desta vez um « anjo » humano responsável pela administração de uma congregação. Esses sete anjos, portanto, representam os mordomos, pastores ou mensageiros humanos responsáveis perante o rei Jesus Cristo pela administração da congregação local (La traducion Bible Chouraqui « messenger »), (« messenger » (« mensageiros), « líderes humanos » (humans leaders) Bíblia Expandida (EXB); (PALAVRA DE DEUS Tradução « mensageiro »)) (1 Timóteo 3:1-7).
Esses « anjos » ou « mensageiros » são os intercessores entre Jesus Cristo e a congregação (Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e a humanidade (1 Timóteo 2:5)). Nesta visão, Jesus Cristo está no « Santo » do templo espiritual, o lugar habitual dos sacerdotes que queimavam incenso. Esses « anjos » ou « mensageiros » também são « sacerdotes » da congregação, ao serviço do sumo sacerdote Jesus Cristo. Além disso, em Malaquias 2:7, eles são designados como « mensageiros humanos » ou « anjos » de Jeová: « Pois os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca as pessoas devem buscar a lei, porque ele é o mensageiro de Jeová dos exércitos » (Malaquias 2:7). Os sacerdotes tinham três funções principais em Israel: queimar incenso (a oração (Apocalipse 8:3,4)), o ensino e o julgamento (Deuteronômio 17:8,10-13; 21,1,2,5 ; Números 5:11-31). Os anciãos, os pastores ou os superintendentes da congregação têm exatamente as mesmas funções sacerdotais no templo espiritual que é a congregação cristã: a oração pelos membros da congregação (Tiago 5:14), o ensino na congregação (1 Timóteo 3:2 « qualificado para ensinar »), o julgamento na congregação (Mateus 18:18).
Antes da Grande Tribulação, o rei Jesus Cristo exigirá contas diretamente aos « anjos » das várias congregações locais espalhadas pelo mundo. A leitura dos capítulos 2 e 3 de Apocalipse fornece uma fonte de meditação sobre a alta responsabilidade desses superintendentes das congregações locais (Mateus 25). É por isso que o discípulo Tiago escreveu: « Não muitos de vocês deviam se tornar instrutores, meus irmãos, pois vocês sabem que nós receberemos um julgamento mais pesado » (Tiago 3:1) (A Administração da Congregação Cristã, Segundo a Bíblia (Colossenses 2:17)).
« Pois ele saiu da própria casa dos presos para tornar-se rei, embora no reinado deste ele tenha nascido como alguém de poucos meios » (versículo 14).
Os últimos versículos do capítulo 4 (13-16) mostram o que pode ser responsável da condição dos oprimidos… muitas vezes são governados por bandidos que não têm legitimidade para reinar como rei. Não faltam os exemplos na história do mundo, mostrando que os povos costumam ser governados por verdadeiros bandidos, psicopatas que massacraram centenas, milhares, até milhões de humanos, em campos de trabalho ou campos de concentração. A mediocridade desses indivíduos opressivos é comparável à do humano que é o segundo e que usurpa o lugar do primeiro: « Vi todos os vivos que estão andando debaixo do sol, como vai ao filho que é o segundo, que se põe de pé no lugar do outro » (versículo 15).
Jesus Cristo disse para dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (Lucas 20:25). O cristão que dá a César o que é de César demonstra uma atitude respeitosa para com as autoridades estabelecidas de seu país. Em 1 Pedro 2:17, está escrito para temer a Deus e honrar o rei. Dependendo do contexto, o rei é o detentor da autoridade sobre o país que governa. O apóstolo Paulo, em sua carta aos Romanos (13:1-7), encoraja todos os cristãos a respeitarem os governos e seus representantes, sejam eles reis, príncipes, presidentes, ministros, membros do parlamento, etc. Esta passagem mostra que devemos respeitar aqueles que estão autorizados a fazer cumprir a lei, ou seja, a polícia, os militares em alguns países, juízes, promotores e vários representantes da administração pública, como professores, diretores de escola e fiscais.
Dito isso, Jesus Cristo acrescentou que devemos dar a Deus o que é de Deus. O que é de Deus é a vida que Ele nos deu. Portanto, se algum Estado está se apropriando sorrateiramente, até mesmo perversamente, de nossos corpos e dos corpos de nossos filhos, como disse o apóstolo Pedro perante um tribunal: “Temos de obedecer a Deus como governante em vez de a homens” (Atos 5:29) (Nunca esqueça o que fizeram).
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Eclesiastes capítulo 5: é uma compilação de sentenças proverbiais muito semelhantes ao livro bíblico de Provérbios. No entanto, o que surge de maneira importante é que, quando oramos a Deus, querendo, por exemplo, fazer um voto, é necessário ter muito cuidado com o que vamos a dizer. Para Deus, cada palavra que sai da nossa boca tem importância. Assim, quem faz um voto diante de Deus, não há nenhuma possibilidade de mudar as palavras:
Guarda os teus pés, sempre que fores à casa do verdadeiro Deus; e haja um achegamento para ouvir, em vez de se dar um sacrifício como fazem os estúpidos, pois não se apercebem de que fazem o que é mau.
2Não te precipites com respeito à tua boca; e quanto ao teu coração, não o deixes apressar-se a produzir uma palavra diante do verdadeiro Deus. Pois o verdadeiro Deus está nos céus, mas tu estás na terra. Por isso é que as tuas palavras devem mostrar ser poucas. 3Pois o sonho certamente chega por causa da abundância de ocupação, e a voz do estúpido, por causa da abundância de palavras. 4Sempre que fizeres um voto a Deus, não hesites em pagá-lo, pois não há agrado nos estúpidos. O que votares, paga. 5Melhor é que não votes, do que votares e não pagares. 6Não permitas que a tua boca faça a tua carne pecar, nem digas diante do anjo que foi um engano. Por que devia o verdadeiro Deus ficar indignado por causa da tua voz e ter de estragar o trabalho das tuas mãos? 7Pois, por causa da abundância [de ocupação] há sonhos, e há vaidades e palavras em abundância. Mas teme o próprio [verdadeiro] Deus.
8Se vires o de poucos meios sofrer opressão, e o arrebatamento violento do juízo e da justiça num distrito jurisdicional, não fiques pasmado com o assunto, pois alguém que é mais alto do que o alto está vigiando, e há os que estão alto por cima deles.
9Também, o proveito da terra está entre eles todos; pois, por um campo, o próprio rei foi servido.
10O mero amante da prata não se fartará de prata, nem o amante da opulência, da renda. Também isto é vaidade.
11Quando as coisas boas se tornam muitas, os que as comem certamente se tornam muitos. E que vantagem há nisso para o grandioso dono delas, exceto olhar [para elas] com os seus olhos?
12Doce é o sono de quem serve, quer seja pouco quer muito o que ele come; mas a fartura do rico não o deixa dormir.
13Há uma grave calamidade que tenho visto debaixo do sol: riquezas guardadas para o seu grandioso dono, para a sua calamidade. 14E estas riquezas pereceram por causa duma ocupação calamitosa, e ele se tornou pai de um filho quando não há absolutamente nada na sua mão.
15Assim como se saiu do ventre da mãe, nu se irá novamente embora, assim como se veio; e não se pode levar absolutamente nada pelo seu trabalho árduo, que se possa levar junto na mão.
16E também isto é uma grave calamidade: exatamente assim como se veio, assim se irá embora; e que proveito há para quem continua a trabalhar arduamente para o vento? 17Também, todos os seus dias ele come na própria escuridão, com muito vexame, com doença da sua parte e com causa para indignação.
18Eis que a melhor coisa que eu mesmo vi, que é bonita, é que a pessoa coma, e beba, e veja o que é bom por toda a sua labuta com que trabalha arduamente debaixo do sol pelo número dos dias da sua vida que o verdadeiro Deus lhe deu, pois este é seu quinhão. 19Também, todo homem a quem o verdadeiro Deus tem dado riquezas e bens materiais, ele até mesmo habilitou a comer disso, e a levar o seu quinhão, e a alegrar-se no seu trabalho árduo. Esta é a dádiva de Deus. 20Pois não é muitas vezes que ele se lembrará dos dias da sua vida, porque o verdadeiro Deus o preocupa com a alegria do seu coração.
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Alguns pontos salientes do capítulo, como um tema de meditação:
“Não te precipites com respeito à tua boca; e quanto ao teu coração, não o deixes apressar-se a produzir uma palavra diante do verdadeiro Deus. Pois o verdadeiro Deus está nos céus, mas tu estás na terra. Por isso é que as tuas palavras devem mostrar ser poucas” (versículo 2).
Devemos ter cuidado com as palavras que usamos quando nos dirigimos a Deus em oração. O que importa para Ele não são orações longas, mas sim aquelas que talvez sejam mais curtas, porém com palavras bem escolhidas. Jesus Cristo afirmou claramente que não devemos oferecer orações mecânicas, repetitivas ou sem reflexão:
“Também, quando orarem, não ajam como os hipócritas, pois eles gostam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas principais, para serem vistos pelos homens. Digo a vocês a verdade: Eles já têm plenamente a sua recompensa. Mas, quando você orar, entre no seu aposento reservado e, depois de fechar a porta, ore a seu Pai, que está em secreto. Então o seu Pai, que observa em secreto, o recompensará. Quando orar, não diga as mesmas coisas vez após vez, como fazem as pessoas das nações, pois imaginam que serão ouvidas por usarem muitas palavras. 8 Não sejam como elas, porque o seu Pai sabe do que vocês necessitam, antes mesmo de lhe pedirem. “Portanto, orem do seguinte modo: “‘Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, como no céu, assim também na terra. Dá-nos hoje o nosso pão para este dia; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos os nossos devedores. E não nos leves à tentação, mas livra-nos do Maligno”” (Mateus 6:5-13) (Como Orar a Deus).
“Sempre que fizeres um voto a Deus, não hesites em pagá-lo, pois não há agrado nos estúpidos. O que votares, paga” (versículo 4).
Um voto feito a Deus é uma promessa que deve ser cumprida. O voto mais comum feito perante Deus é o sacramento do matrimônio, que une um homem e uma mulher. É importante respeitá-lo porque, para Deus, o compromisso do matrimônio é sagrado: “O casamento seja honroso entre todos, e o leito conjugal mantido puro, porque Deus julgará os que praticam imoralidade sexual e os adúlteros” (Hebreus 13:4).
Outro voto feito perante Deus é aquele mencionado por Jesus Cristo, o batismo: « Portanto, vão e façam discípulos de pessoas de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo » (Mateus 28:19).
De acordo com Mateus 28: 19,20, o batismo vem antes da formação completa do discípulo de Cristo no Ministério. Atos 22:16 mostra a simplicidade do batismo de Paulo:”E agora, o que está esperando? Levante-se, seja batizado e lave os seus pecados por invocar o nome dele”.
Em Atos 16, temos outro exemplo dessa simplicidade:
« Assim, ele pediu que lhe trouxessem uma luz, entrou correndo e, tremendo, prostrou-se diante de Paulo e Silas. Ele os levou para fora e perguntou: “Senhores, o que tenho de fazer para ser salvo?” Eles responderam: “Creia no Senhor Jesus e será salvo, você e os da sua casa.” E falaram a palavra de Jeová a ele e a todos os da sua casa. Ele os levou consigo naquela hora da noite e lavou seus ferimentos. Então ele e todos os da sua casa foram batizados sem demora. Ele os levou à sua casa e pôs a mesa para eles, e ele e todos os da sua casa se alegraram muito por terem crido em Deus »(Atos 16:29-34).
Aqui está o processo simples: « falaram a palavra de Jeová a ele e a todos os da sua casa », o que significa que ensinaram-lhe a base do conhecimento bíblico e “foram batizados sem demora » (Hebreus 6:1 « doutrina primária ») (A Pregação das Boas Novas e o Batismo (Mateus 24:14)).
« Pois, por causa da abundância de ocupação há sonhos, e há vaidades e palavras em abundância » (versículo 7).
Conforme a Bíblia, a maioria dos sonhos, no começo de dormir ou pouco antes de acordar, não são premonitórios. Os sonhos são o resultado da atividade cerebral feita, de armazenamento de acontecimentos acumulados na memória durante o dia da ocupação, geralmente surreal, até artístico…
“Se vires o de poucos meios sofrer opressão, e o arrebatamento violento do juízo e da justiça num distrito jurisdicional, não fiques pasmado com o assunto, pois alguém que é mais alto do que o alto está vigiando, e há os que estão alto por cima deles” (versículo 8).
É perfeitamente normal sentir indignação diante da injustiça e da opressão. O texto acima mostra que, apesar das aparências, Deus está observando a situação. No início do Sermão da Montanha, Jesus Cristo deixou claro que a justiça divina prevalecerá: “Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” (Mateus 5:6).
« Também, o proveito da terra está entre eles todos; pois, por um campo, o próprio rei foi servido » (versículo 9).
Qualquer que seja o sistema econômico estabelecido pelos homens, eles sempre dependerão da terra nutritiva, das terras agrícolas, e até os reis não escapam dessa lei…
Neste preceito, os olhos representam o objetivo primordial que o ser humano estabelece para si na vida. No Sermão do Monte, Jesus Cristo usou o simbolismo do olho como o objetivo que um humano busca alcançar. O contexto dessa metáfora está diretamente relacionado à nossa relação com os bens materiais:
“Parai de armazenar para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde ladrões arrombam e furtam. 20 Antes, armazenai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. 21 Pois, onde estiver o teu tesouro, ali estará também o teu coração.
22 “A lâmpada do corpo é o olho. Se, pois, o teu olho for singelo, todo o teu corpo será luminoso; 23 mas, se o teu olho for iníquo, todo o teu corpo será escuro. Se, na realidade, a luz que está em ti é escuridão, quão grande é essa escuridão!
24 “Ninguém pode trabalhar como escravo para dois amos; pois, ou há de odiar um e amar o outro, ou há de apegar-se a um e desprezar o outro. Não podeis trabalhar como escravos para Deus e para as Riquezas” (Mateus 6:19-24).
É claro que a Bíblia não condena a riqueza, assim como não encoraja a pobreza. Jesus Cristo adverte contra nossa relação com as riquezas, posta em perspectiva com nosso objetivo principal de servir a Deus. Jesus Cristo, como a Bíblia como um todo, condena o amor ao dinheiro: “No entanto, os que estão resolvidos a ficar ricos caem em tentação e em laço, e em muitos desejos insensatos e nocivos, que lançam os homens na destruição e na ruína. Porque o amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais, e alguns, por procurarem alcançar este amor, foram desviados da fé e se traspassaram todo com muitas dores” (1 Timóteo 6:9,10). Pela expressão « olho singelo », quer dizer sincero, unidirecional, em foco, generoso, que está em conformidade com o serviço a Deus. Um « olho iníquo », é mau e invejoso, representa objetivos baseados em luxúria, ganância, o que é consistente com o serviço ao deus Riqueza.
“Doce é o sono de quem serve, quer seja pouco quer muito o que ele come; mas a fartura do rico não o deixa dormir” (versículo 12).
O Rei Salomão aborda o tema da nossa relação com os bens materiais, o dinheiro e a riqueza. O sono tranquilo de quem serve pode ser comparado ao de um empregado que, após terminar o trabalho, geralmente vai para casa e desfruta de um merecido descanso. Enquanto isso, seu chefe continua trabalhando e preocupado com a sobrevivência da empresa. Talvez essa situação lhe cause noites em claro porque sabe que pode perder tudo da noite para o dia e deixar sua família na miséria: “Há uma grave calamidade que tenho visto debaixo do sol: riquezas guardadas para o seu grandioso dono, para a sua calamidade. 14E estas riquezas pereceram por causa duma ocupação calamitosa, e ele se tornou pai de um filho quando não há absolutamente nada na sua mão” (versículos 13, 14).
“Assim como se saiu do ventre da mãe, nu se irá novamente embora, assim como se veio; e não se pode levar absolutamente nada pelo seu trabalho árduo, que se possa levar junto na mão” (versículo 15).
É claro que muitos preferem a riqueza a uma vida simples com menos dinheiro, mas Salomão nos lembra de uma verdade inegável: partimos deste mundo da mesma forma que viemos à existência — sem nada. Por isso Jesus Cristo encorajou seus discípulos a acumularem riquezas espirituais e eternas que nos acompanham na morte: ter um bom nome diante de Deus, ser ricos para com Ele, para que tenhamos um lugar em Sua memória para a ressurreição dos mortos: “Parem de acumular para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde ladrões arrombam e furtam. Em vez disso, acumulem para vocês tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, ali estará também o seu coração. (…) Ninguém pode ser escravo de dois senhores; pois ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vocês não podem ser escravos de Deus e das Riquezas” (Mateus 6:19-21, 24) (A Ressurreição Terrestre dos Justos que Não Serão Julgados (João 5:28, 29)).
“Esta é a dádiva de Deus. Pois não é muitas vezes que ele se lembrará dos dias da sua vida, porque o verdadeiro Deus o preocupa com a alegria do seu coração” (versículos 19, 20).
O dom divino mencionado neste texto é o de desfrutar dos frutos do nosso trabalho e garantir que a brevidade da nossa existência não ocupe constantemente as nossas mentes, concedendo-nos alegria nos corações.
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Eclesiastes capítulo 6: é o tema de aproveitar ou não aproveitar do fruto de seu trabalho. Um homem pode não ver o bom resultado de seu trabalho, pelo fato do que Deus causar essa situação, ou pode ser que o próprio homem se colocou nessa situação. De qualquer forma, em ambos os casos, é uma expressão do que é absurdo:
Há uma calamidade que tenho visto debaixo do sol, e ela é freqüente entre a humanidade: 2um homem a quem o verdadeiro Deus dá riquezas, e bens materiais, e glória, e que, para a sua alma, não carece de nada de que se mostre almejante, contudo, o verdadeiro Deus não o habilita a comê-lo, embora o mero estrangeiro o possa comer. Isto é vaidade e é uma séria doença. 3Se um homem se tornasse pai cem vezes e vivesse muitos anos, ainda que se tornassem numerosos os dias dos seus anos, contudo, a sua própria alma não se fartasse de coisas boas e mesmo o sepulcro não se tornasse seu, tenho de dizer que o nascido prematuramente é melhor do que ele. 4Pois este veio em vão e se vai em escuridão, e seu próprio nome será coberto com escuridão. 5Não viu nem o próprio sol, nem o conheceu. Este é que tem descanso em vez de o outro. 6Mesmo supondo-se que ele vivesse mil anos duas vezes e ainda assim não visse o que é bom, não é apenas para um só lugar que todos vão?
7Todo o trabalho árduo da humanidade é para a sua boca, porém, nem mesmo a sua própria alma se enche. 8Pois, que vantagem tem o sábio sobre o estúpido? Que tem o atribulado por saber como andar diante dos viventes? 9Melhor é a vista dos olhos do que as perambulações da alma. Também isto é vaidade e um esforço para alcançar o vento.
10O que veio a ser, seu nome já foi pronunciado, e tornou-se conhecido o que o homem é; e ele não pode pleitear a sua causa com alguém mais poderoso do que ele.
11Visto que há muitas coisas que causam muita vaidade, que vantagem tem o homem? 12Pois, quem é que conhece o bem que o homem tem na vida durante o número dos dias da sua vida vã, sendo que os gasta como a sombra? Pois, quem pode informar o homem sobre o que acontecerá após ele debaixo do sol?
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“Há uma calamidade que tenho visto debaixo do sol, e ela é freqüente entre a humanidade: um homem a quem o verdadeiro Deus dá riquezas, e bens materiais, e glória, e que, para a sua alma, não carece de nada de que se mostre almejante, contudo, o verdadeiro Deus não o habilita a comê-lo, embora o mero estrangeiro o possa comer. Isto é vaidade e é uma séria doença” (versículos 1,2).
Este texto mostra que, quaisquer que sejam os dons que Deus concede aos seres humanos, Ele não lhes permite desfrutá-los plenamente devido à sua condição mortal. Como lembrete do comentário sobre Eclesiastes 1:13 e da carta de Paulo aos Romanos, Deus sujeitou toda a humanidade à futilidade, isto é, à morte, por causa da decisão errada inicial de Adão: “Porque a criação foi sujeita à futilidade, não de sua própria vontade, mas pela vontade daquele que a sujeitou, à base da esperança de que a própria criação também será libertada da escravidão à decadência e terá a liberdade gloriosa dos filhos de Deus” (Romanos 8:20,21). No entanto, o versículo 21 mostra que Deus libertará toda a humanidade dessa condição fútil, concedendo-lhes a vida eterna por meio da fé no sacrifício de Cristo (João 3:16, 36) (A Esperança da Vida Eterna).
Há uma ilustração de Cristo que nos encoraja a sermos ricos para com Deus, em vez de acumularmos riquezas materiais: « Então alguém na multidão lhe disse: “Instrutor, diga a meu irmão que divida comigo a herança.” 14 Ele lhe respondeu: “Homem, quem me designou como juiz ou me deu o direito de repartir os bens entre vocês dois?” 15 Então lhes disse: “Mantenham os olhos abertos e resguardem-se de todo tipo de ganância, porque, mesmo quando alguém tem abundância, sua vida não vem das coisas que possui.” 16 Com isso, contou-lhes uma ilustração, dizendo: “A terra de um homem rico produziu bem. 17 Por isso, ele começou a raciocinar no íntimo: ‘O que farei agora que não tenho onde ajuntar minhas safras?’ 18 E disse: ‘Farei o seguinte: derrubarei os meus celeiros e construirei maiores, e ali ajuntarei todo o meu cereal e todos os meus bens; 19 e direi a mim mesmo: “Você tem muitas coisas boas armazenadas para muitos anos. Descanse, coma, beba, divirta-se.”’ 20 Mas Deus lhe disse: ‘Insensato, esta noite exigirão de você a sua vida. Quem terá então as coisas que você acumulou?’ 21 Isso é o que acontece com o homem que acumula tesouros para si, mas não é rico para com Deus” » (Lucas 12:13-21).
“Se um homem se tornasse pai cem vezes e vivesse muitos anos, ainda que se tornassem numerosos os dias dos seus anos, contudo, a sua própria alma não se fartasse de coisas boas e mesmo o sepulcro não se tornasse seu, tenho de dizer que o nascido prematuramente é melhor do que ele” (versículo 3).
Este texto mostra que não é tanto o número de anos vividos ou uma vida muito longa que importa, mas sim a qualidade de vida baseada na satisfação, no bem-estar e na paz interior. Quando Jesus Cristo estava prestes a deixar seus discípulos na Terra para sempre, ele lhes deu um presente, a sua paz: “Deixo-lhes a paz; dou-lhes a minha paz” (João 14:27).
« Melhor é a vista dos olhos do que as perambulações da alma. Também isto é vaidade e um esforço para alcançar o vento » (versículo 9).
Uma vida com um objetivo específico é melhor do que uma vida sem nenhum propósito, vazia…
Neste preceito, os olhos representam o objetivo primordial que o ser humano estabelece para si na vida. No Sermão da Montanha, Jesus Cristo usou o simbolismo do olho como o objetivo que um humano busca alcançar. O contexto dessa metáfora está diretamente relacionado à nossa relação com os bens materiais:
“Parai de armazenar para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde ladrões arrombam e furtam. 20 Antes, armazenai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. 21 Pois, onde estiver o teu tesouro, ali estará também o teu coração.
22 “A lâmpada do corpo é o olho. Se, pois, o teu olho for singelo, todo o teu corpo será luminoso; 23 mas, se o teu olho for iníquo, todo o teu corpo será escuro. Se, na realidade, a luz que está em ti é escuridão, quão grande é essa escuridão!
24 “Ninguém pode trabalhar como escravo para dois amos; pois, ou há de odiar um e amar o outro, ou há de apegar-se a um e desprezar o outro. Não podeis trabalhar como escravos para Deus e para as Riquezas” (Mateus 6:19-24).
É claro que a Bíblia não condena a riqueza, assim como não encoraja a pobreza. Jesus Cristo adverte contra nossa relação com as riquezas, posta em perspectiva com nosso objetivo principal de servir a Deus. Jesus Cristo, como a Bíblia como um todo, condena o amor ao dinheiro: “No entanto, os que estão resolvidos a ficar ricos caem em tentação e em laço, e em muitos desejos insensatos e nocivos, que lançam os homens na destruição e na ruína. Porque o amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais, e alguns, por procurarem alcançar este amor, foram desviados da fé e se traspassaram todo com muitas dores” (1 Timóteo 6:9,10). Pela expressão « olho singelo », quer dizer sincero, unidirecional, em foco, generoso, que está em conformidade com o serviço a Deus. Um « olho iníquo », é mau e invejoso, representa objetivos baseados em luxúria, ganância, o que é consistente com o serviço ao deus Riqueza (O ensino de Jesus Cristo que leva à madureza espiritual).
« Visto que há muitas coisas que causam muita vaidade, que vantagem tem o homem? Pois, quem é que conhece o bem que o homem tem na vida durante o número dos dias da sua vida vã, sendo que os gasta como a sombra? Pois, quem pode informar o homem sobre o que acontecerá após ele debaixo do sol? » (versículos 11,12).
É uma forma de repetição do tema central do livro Eclesiastes, sobre a vaidade da existência do homem condenado e sujeito, apesar de si, à lei mortal do pecado herdado de Adão (Eclesiastes 1:2; Romanos 5:12).
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Eclesiastes capítulo 7: é a mesma estrutura que o Livro de Provérbios, com suas sentenças proverbiais. No entanto, podemos observar um tema proverbial dominante, a saber, o fim dum evento ou duma coisa, é preferível do que, o início:
Um nome é melhor do que bom óleo, e o dia da morte [é melhor] do que o dia em que se nasce. 2Melhor é ir à casa de luto, do que ir à casa de banquete, porque esse é o fim de toda a humanidade; e quem está vivo deve tomar isso ao coração. 3Melhor o vexame do que o riso, pois pelo aborrecimento da face melhora o coração. 4O coração dos sábios está na casa de luto, mas o coração dos estúpidos está na casa de alegria.
5Melhor é ouvir a censura de um sábio, do que ser o homem que ouve o canto dos estúpidos. 6Pois, igual ao ruído de espinhos sob a panela é o riso do estúpido; e também isto é vaidade. 7Pois a mera opressão pode fazer o sábio agir como doido, e uma dádiva pode destruir o coração.
8Melhor é o fim posterior dum assunto do que o seu princípio. Melhor é aquele que é paciente do que o soberbo no espírito. 9Não te precipites no teu espírito em ficar ofendido, pois ficar ofendido é o que descansa no seio dos estúpidos.
10Não digas: “Por que aconteceu que os dias anteriores mostraram ser melhores do que estes?” pois não é por sabedoria que perguntas sobre isso.
11A sabedoria junto com uma herança é boa e vantajosa para os que vêem o sol. 12Pois a sabedoria é para proteção, assim como o dinheiro é para proteção; mas a vantagem do conhecimento é que a própria sabedoria preserva vivos os que a possuem.
13Vê o trabalho do verdadeiro Deus, pois quem pode endireitar o que ele entortou? 14Num dia bom mostra-te em bondade, e num dia calamitoso, vê que o verdadeiro Deus fez até mesmo este exatamente como aquele, com o objetivo de que os da humanidade não descobrissem absolutamente nada depois deles.
15Tenho visto tudo durante os meus dias vãos. Há o justo perecendo na sua justiça e há o iníquo continuando longamente na sua maldade.
16Não fiques justo demais, nem te mostres excessivamente sábio. Por que devias causar a ti mesmo a desolação? 17Não sejas iníquo demais, nem te tornes estulto. Por que devias morrer, sendo que não é o teu tempo? 18Melhor é segurares um, mas tampouco retires a tua mão do outro; pois quem teme a Deus sairá com todos eles.
19A própria sabedoria é mais forte para o sábio do que dez homens em poder, que venham a estar numa cidade. 20Pois não há nenhum homem justo na terra, que continue fazendo o bem e que não peque.
21Também, não entregues teu coração a todas as palavras que se falam, para que não ouças teu servo invocar o mal sobre ti. 22Pois o teu coração bem sabe, até muitas vezes, que tu, sim tu, tens invocado o mal sobre outros.
23Tudo isto eu pus à prova com sabedoria. Eu disse: “Vou tornar-me sábio.” Mas isso estava longe de mim. 24O que veio a ser está longe e extremamente profundo. Quem o pode descobrir? 25Eu mesmo me voltei, sim, meu coração o fez, para saber, e para perscrutar, e para procurar a sabedoria e a razão das coisas, e para conhecer a iniqüidade da estupidez e a estultícia da doidice; 26e eu descobri: Mais amarga do que a morte [achei] a mulher que ela mesma é redes de caça, e cujo coração é redes de arrasto, [e] cujas mãos são grilhões. Bom diante do verdadeiro Deus é quem dela escapa, mas peca aquele que é capturado por ela.
27“Vê! Isto eu achei”, disse o congregante, “uma coisa [tomada] após outra, para achar o resultado, 28que minha alma tem procurado continuamente, mas que não achei. Achei um homem em mil, mas não achei uma mulher entre todas estas. 29Vê! Achei somente o seguinte: que o verdadeiro Deus fez a humanidade reta, mas eles mesmos têm procurado muitos planos”.
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« Um nome é melhor do que bom óleo, e o dia da morte [é melhor] do que o dia em que se nasce. 2Melhor é ir à casa de luto, do que ir à casa de banquete, porque esse é o fim de toda a humanidade; e quem está vivo deve tomar isso ao coração. 3Melhor o vexame do que o riso, pois pelo aborrecimento da face melhora o coração. 4O coração dos sábios está na casa de luto, mas o coração dos estúpidos está na casa de alegria » (versículos 1-4).
No contexto geral da Bíblia, um nome é mais do que simplesmente uma identidade ou um status legal que distingue uma pessoa da outra. A definição da palavra hebraica (שֵׁם) « shem », traduzida por « nome »: « uma denominação, como marca ou memorial da individualidade, honra, autoridade, caráter (personagem) implicitamente » (Corcondância de Strong (H8034)). Assim, o nome de uma pessoa, durante e no fim de sua vida, está ligado ao seu registro de boas ou más ações, à sua fama e à sua reputação. A herança desse nome, da perspectiva de Deus, que pode ressuscitar os mortos, é adquirida no fim da vida (Atos 24:15). É nesse contexto bíblico que o versículo 1, “Um nome é melhor do que bom óleo, e o dia da morte [é melhor] do que o dia em que se nasce”, deve ser lido. É no fim da vida que uma pessoa tem um bom ou mau nome, uma reputação, ou uma boa ou má posição perante Deus e dos homens (Eu Me Tornarei O Que Eu Decidir Me Tornar (Êxodo 3:14)).
Como a morte é uma parte natural da condição humana, é importante refletir sobre ela de tempos em tempos, especialmente ao apoiar entes queridos em seu luto após a perda de um ente querido. Tentar ignorar essa realidade, levando uma vida focada principalmente no prazer, sem qualquer reflexão sobre o assunto, por meio da negação, é uma completa insensatez. É aqui que entendemos o valor da leitura e meditação no livro bíblico de Eclesiastes, que nos permite refletir sobre o significado que damos à nossa existência antes que seja tarde demais. Os momentos, reconhecidamente desagradáveis, de velórios e funerais oferecem uma oportunidade para refletir sobre o significado que devemos dar à nossa breve existência.
Esses momentos nos permitem refinar nossos corações — isto é, nosso caráter e as motivações por trás de nossas ações — a fim de agradar ao Pai Celestial e a Seu Filho Jesus Cristo, pois são eles que nos concederão a vida eterna: “Isto significa vida eterna: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo” (João 17:3) (Deus Tem um Nome (YHWH) (Ezequiel 38:23)).
« Pois a mera opressão pode fazer o sábio agir como doido, e uma dádiva pode destruir o coração » (versículo 7).
Um sofrimento físico e emocional extremo pode resultar na perda do equilíbrio psicológico e mental, até espiritual duma pessoa com a reputação de ser sábia. Tomemos o exemplo de Asafe, no Salmo 73.
Asafe, o autor inspirado deste salmo, expressou sua indignação com a maldade e a injustiça. Ele explicou honestamente que quase se desviou espiritualmente ao invejar os ímpios que parecem ter sucesso em seu comportamento, ao zombar de Deus. Asafe se deixou dominar por uma amargura destrutiva diante dessa situação absurda.
Após essa observação, Asafe expressou sua consternação:
“Certamente foi em vão que mantive puro meu coração
E lavei minhas mãos na inocência.
Estive em dificuldades o dia inteiro;
Era castigado toda manhã” (Salmos 73:13,14).
No entanto, vemos que Asafe conseguiu se recompor, recuperar o bom senso, um discernimento que lhe permitiu compreender melhor a situação da perspectiva de Deus:
“De fato, tu os colocas em terreno escorregadio.
Tu os fazes cair na ruína.
Num instante são destruídos!
São eliminados repentinamente, num terrível fim!” (Salmos 73:18,19).
O Salmo 73 pode ser uma ajuda para aqueles que sofrem injustiça pessoalmente. Jesus Cristo disse que aqueles que têm fome e sede de justiça serão saciados (Mateus 5:6). Este salmo mostra que, enquanto isso, devemos nos refugiar em nosso relacionamento com Deus, confiando que Ele encontrará uma solução para nossa situação difícil:
“Meu corpo e meu coração podem enfraquecer,
Mas Deus é a rocha do meu coração e a minha porção, para sempre.
Certamente, os que se mantêm longe de ti morrerão.
Trarás um fim a todos os que de modo imoral te abandonam.
Mas, para mim, é bom me achegar a Deus.
Fiz do Soberano Senhor Jeová o meu refúgio,
Para declarar todos os teus feitos” (Salmos 73:26–28) (Meditação no livro de Jó).
« Tenho visto tudo durante os meus dias vãos. Há o justo perecendo na sua justiça e há o iníquo continuando longamente na sua maldade » (versículo 15).
Há uma sentença proverbial semelhante no capítulo 8: « Há uma vaidade que se realiza na terra, que há justos a quem acontece como que pelo trabalho dos iníquos e há iníquos a quem acontece como que pelo trabalho dos justos. Eu disse que também isto é vaidade » (Eclesiastes 8:14). A condição humana absurda na qual o homem vive, criou situações aberrantes, os justos que morrem prematuramente devido a sua justiça e os bandidos que conseguem viver por um longo tempo. Os justos que tiveram uma vida de sofrimentos e uma morte horrível em trabalhos forçados, em campos de concentração para não se comprometer com sua consciência, enquanto os torturadores morreram aconchegantes em sua cama, depois duma boa velhice.
Às vezes, a visão das coisas é completamente revertida por inversão acusatória e por inversão de valores: « Ai dos que dizem que o bom é mau e que o mau é bom, os que põem a escuridão por luz e a luz por escuridão, os que colocam o amargo pelo doce e o doce pelo amargo! » (Isaías 5:20).
Esta é outra expressão revoltante do absurdo da condição humana atual: « Até quando, ó Jeová, terei de clamar por ajuda e tu não ouvirás? [Até quando] clamarei a ti por socorro contra a violência e tu não salvarás? 3 Por que me fazes ver o que é prejudicial e continuas a olhar para a mera desgraça? E [por que] há assolação e violência diante de mim, e [por que] vem a haver altercação, e [por que] se sustenta contenda? 4 Portanto, a lei fica entorpecida e a justiça nunca sai. Visto que o iníquo está em torno do justo, por isso a justiça sai pervertida » (Habacuque 1:2-4) (Por que Deus Permitiu o Sofrimento e a Maldade?).
« Não fiques justo demais, nem te mostres excessivamente sábio. Por que devias causar a ti mesmo a desolação? » (versículo 16).
Este texto mostra que uma rigidez mental que até tende ao que é certo pode criar sérios problemas de relacionamento. O melhor exemplo é o dos fariseus da época de Jesus Cristo, que acabavam tendo uma opinião alta de sua pessoa, enquanto desprezavam aqueles que não eram como eles. Além disso, eles estavam sacrificando o espírito da lei de Deus à letra, praticando uma espiritualidade formalista sem qualquer consideração pelos seus semelhantes. Jesus Cristo disse-lhes claramente que o espírito da lei se baseava na compaixão e na misericórdia: “Portanto, vão e aprendam o que significa: ‘Quero misericórdia, e não sacrifício’ » (Mateus 9:13).
Em um espírito de compaixão e misericórdia, Jesus Cristo curou milagrosamente uma mulher que estava completamente curvada durante 18 anos, num sábado, e este é o comentário feito por um “justo demais”: « Ele estava ensinando numa das sinagogas, no sábado. 11 E havia ali uma mulher que tinha um espírito de fraqueza havia 18 anos; ela estava encurvada e não conseguia de modo algum se endireitar. 12 Quando a viu, Jesus lhe dirigiu a palavra, dizendo: “Mulher, você está livre da sua fraqueza.” 13 E ele pôs as mãos sobre ela, e ela se endireitou instantaneamente e começou a glorificar a Deus. 14 Em vista disso, porém, o presidente da sinagoga, indignado porque Jesus havia feito a cura no sábado, disse à multidão: “Há seis dias em que se deve trabalhar; portanto, venham nesses dias e sejam curados, e não no dia de sábado.” 15 O Senhor, porém, respondeu-lhe: “Hipócritas! Cada um de vocês, no sábado, não desata o seu touro ou o seu jumento da baia e o leva para beber água? 16 Não deveria esta mulher, que é filha de Abraão e a quem Satanás manteve presa por 18 anos, ser libertada dessa prisão no dia de sábado?” 17 Quando ele disse isso, todos os seus opositores ficaram envergonhados, mas toda a multidão se alegrava com todas as coisas gloriosas que ele fazia » (Lucas 13:10-17).
Como Jesus Cristo afirmou claramente, tal atitude pode levar à desolação do justo demais, incorrendo na desaprovação divina final (ver Mateus 23). Em seu Sermão do Monte, Jesus Cristo disse que a misericórdia será demonstrada aos misericordiosos, mas aqueles que julgam sem misericórdia serão julgados da mesma forma (Mateus 5:7; 7:1-5) (O ensino de Jesus Cristo que leva à madureza espiritual).
« Pois não há nenhum homem justo na terra, que continue fazendo o bem e que não peque » (versículo 20).
Nossa natureza pecaminosa nem sempre nos permite fazer o bem, porque temos dentro de nós uma propensão natural para o mal, contra o qual devemos lutar. O apóstolo Paulo ilustrou apropriadamente essa luta interior contra o mal dentro de nós e a necessidade de agir corretamente diante de Deus e dos homens: « Percebo assim a seguinte lei no meu caso: quando quero fazer o que é certo, está presente em mim o que é mau. 22 Eu realmente tenho prazer na lei de Deus segundo o homem que sou no íntimo, 23 mas vejo em meu corpo outra lei guerreando contra a lei da minha mente e me levando cativo à lei do pecado que está no meu corpo. 24 Homem miserável que eu sou! Quem me livrará do corpo que é submetido a essa morte? 25 Dou graças a Deus, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor! Assim, com a minha mente, eu mesmo sou escravo da lei de Deus, mas, com a minha carne, escravo da lei do pecado » (Romanos 7:21-25).
O aparecimento acidental do pecado na humanidade levou à destruição de toda a humanidade, precisamente em virtude desta lei impessoal (sem sentimento) da Santidade de Deus: « É por isso que, assim como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo, e a morte por meio do pecado, e desse modo a morte se espalhou por toda a humanidade, porque todos haviam pecado » (Romanos 5:12). “Pois o salário pago pelo pecado é a morte, mas o dom dado por Deus é a vida eterna por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:23). A primeira parte deste versículo, mostra que a necessidade da santidade (lei impessoal desprovida de sentimento), faz com que o pecado leve à morte, para fazê-lo desaparecer. Considerando que Deus é amor, Ele faz os arranjos para nos dar vida eterna por meio do resgate (Mateus 20:28) (O que é o pecado?) (Qual é o pecado que não é perdoado?).
“Também, não entregues teu coração a todas as palavras que se falam, para que não ouças teu servo invocar o mal sobre ti. Pois o teu coração bem sabe, até muitas vezes, que tu, sim tu, tens invocado o mal sobre outros” (versículos 21, 22).
Entre as falhas humanas mais comuns está o mau uso da língua por meio da calúnia. O texto acima mostra que não devemos nos ofender excessivamente quando outros falam mal de nós por meio da calúnia, porque em algum momento de nossas vidas, nós mesmos já falamos mal de outras pessoas. É, de certa forma, uma questão de olho por olho. Devemos usar essa inversão de papéis para entender que a calúnia pode causar danos a outras pessoas, além da dor emocional que a acompanha.
Eis a recomendação que o discípulo Tiago fez a respeito do uso da língua: « Da mesma boca saem bênçãos e maldições. Meus irmãos, não é correto que as coisas sejam assim. 11 Será que uma fonte faz brotar pela mesma abertura água doce e água amarga? 12 Meus irmãos, será que a figueira pode produzir azeitonas, ou a videira figos? Assim também a fonte de água salgada não pode produzir água doce » (Tiago 3:10-12; leia todo o capítulo 3) (Meditação na carta de Tiago, levando à madureza cristã).
“Tudo isto eu pus à prova com sabedoria. Eu disse: “Vou tornar-me sábio.” Mas isso estava longe de mim. 24O que veio a ser está longe e extremamente profundo. Quem o pode descobrir? 25Eu mesmo me voltei, sim, meu coração o fez, para saber, e para perscrutar, e para procurar a sabedoria e a razão das coisas, e para conhecer a iniqüidade da estupidez e a estultícia da doidice” (versículos 23-25).
Adquirir sabedoria divina não é fácil. Sabedoria é a capacidade de colocar o conhecimento divino em prática e, ao fazê-lo, um homem ou uma mulher se torna sábio diante de Deus e dos homens. Devemos pedir sabedoria a Deus e nos esforçar para obtê-la: “Portanto, se falta sabedoria a algum de vocês, que ele persista em pedi-la a Deus — pois ele dá a todos generosamente, sem censurar —, e ela lhe será dada. 6 Mas que ele persista em pedir com fé, sem duvidar de nada, pois quem duvida é semelhante a uma onda do mar, que o vento leva de um lado para o outro. 7 De fato, essa pessoa não deve esperar receber algo de Jeová; 8 ela é indecisa, instável em todos os seus caminhos” (Tiago 1:5-8; veja também Provérbios 2:1-9) (Meditação no livro dos Provérbios).
Dado o contexto geral da Bíblia, percebemos que a sabedoria dimensão celestial que não é sempre o resultado dos conhecimentos adquiridos, mas sim um dom divino. Além disso, em Provérbios 2:6 está escrito: « Pois o próprio Jeová dá sabedoria » (Comparar com Êxodo 36:1-4 « Bezalel e Ooliab »). Se de fato a sabedoria de Jeová vem do conhecimento da Bíblia, por sua prática, no entanto, há situações que exigem este raio da sabedoria celestial, que vem direitamente de Deus.
O exemplo da decisão de Salomão em relação às duas mulheres que discutiam sobre uma criança demonstra isso (ler em 1 Reis 3:16-28). A narrativa e a sua conclusão é a demonstração de que a sabedoria de Deus, não é apenas a aplicação prática do conhecimento bíblico, mas pode ter uma dimensão celestial que numa fração de segundo, sem que sabemos como, Jeová Deus dá a solução, que nenhum humano na terra teria pensado. Essa sabedoria não é o resultado de uma longa carreira como juiz, com uma longa história de deliberações judiciais. Graças à sabedoria divina, o jovem rei Salomão, num piscar de olhos, sabia que decisão tomar para deliberar entre essas duas mulheres. O único poder de sabedoria desta decisão judicial, inspirada por uma sabedoria completamente celestial que vinha de Deus, mergulhou uma nação inteira de vários milhões de habitantes em um temor reverencial desse rei. E falamos sobre isso milhares de anos depois (A sabedoria dada por Deus).
“Vê! Achei somente o seguinte: que o verdadeiro Deus fez a humanidade reta, mas eles mesmos têm procurado muitos planos” (versículo 29).
A expressão “procurado muitos planos” pode ser traduzida como “procurado muitos desvios”. Após uma análise minuciosa da humanidade, o Rei Salomão chegou a esta conclusão: se as coisas dão errado, como a opressão do homem pelo homem descrita no capítulo 4, isso não provém de Deus, que originalmente criou a homem reto, mas sim da perversão do comportamento humano em geral, que complica as coisas buscando muitos desvios…
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Eclesiastes capítulo 8: « Quem é igual ao sábio? E quem sabe a interpretação duma coisa? A sabedoria do próprio homem lhe faz brilhar a face, e até mesmo a severidade da sua face muda para melhor » (Eclesiastes 8:1). A expressão da superioridade da sabedoria é expressa de várias maneiras no capítulo 8:
Quem é igual ao sábio? E quem sabe a interpretação duma coisa? A sabedoria do próprio homem lhe faz brilhar a face, e até mesmo a severidade da sua face muda para melhor.
2Eu digo: “Guarda a própria ordem do rei, e isso de consideração para com o juramento de Deus. 3Não te precipites, para que não saias de diante dele. Não fiques de pé numa coisa má. Pois fará tudo o que se agradar de fazer, 4porque a palavra do rei é o poder do controle; e quem lhe pode dizer: ‘Que estás fazendo?’”
5Quem guarda o mandamento não ficará conhecendo nenhuma coisa calamitosa, e o coração sábio conhecerá tanto o tempo como o julgamento. 6Pois para todo assunto há um tempo e um julgamento, visto que a calamidade da humanidade é abundante sobre eles. 7Porque ninguém sabe o que virá a ser, pois quem pode informá-lo exatamente sobre como virá a ser?
8Não há homem que tenha poder sobre o espírito para reprimir o espírito; nem há poder de controle no dia da morte; nem há qualquer dispensa na guerra. E a iniqüidade não porá a salvo os que se entregam a ela.
9Tudo isto eu tenho visto, e houve um empenho do meu coração em todo o trabalho que se tem feito debaixo do sol, [durante] o tempo em que homem tem dominado homem para seu prejuízo. 10Mas, embora isto seja assim, tenho visto os iníquos serem enterrados, como entraram e como se foram do próprio lugar santo, e foram esquecidos na cidade em que agiam assim. Também isto é vaidade.
11Por não se ter executado prontamente a sentença contra um trabalho mau é que o coração dos filhos dos homens ficou neles plenamente determinado a fazer o mal. 12Embora o pecador faça o mal cem vezes e continue por longo tempo conforme quiser, contudo, estou também apercebido de que resultará em bem para os que temem o [verdadeiro] Deus, porque têm tido temor dele. 13Mas não resultará em nada de bom para o iníquo, nem prolongará ele os seus dias, que são como uma sombra, porque ele não tem temor de Deus.
14Há uma vaidade que se realiza na terra, que há justos a quem acontece como que pelo trabalho dos iníquos e há iníquos a quem acontece como que pelo trabalho dos justos. Eu disse que também isto é vaidade.
15E eu mesmo gabei a alegria, porque a humanidade não tem nada melhor debaixo do sol do que comer, e beber, e alegrar-se, e que isto os acompanhe no seu trabalho árduo pelos dias da sua vida, que o verdadeiro Deus lhes deu debaixo do sol. 16De acordo com isto, empenhei meu coração em conhecer a sabedoria e em ver a ocupação em que se trabalha na terra, porque há um que não vê sono com os seus olhos, quer de dia quer de noite.
17E eu vi todo o trabalho do verdadeiro Deus, que a humanidade não é capaz de descobrir o trabalho que se fez debaixo do sol; por mais que a humanidade trabalhe arduamente para procurar, ainda assim não o descobre. E mesmo que dissessem que são bastante sábios para saber, não seriam capazes de o descobrir.
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“Porque a palavra do rei é o poder do controle; e quem lhe pode dizer: ‘Que estás fazendo?’” (versículo 4).
Como lemos neste versículo, enquanto um ser humano tiver autoridade semelhante à de um rei, ninguém poderá questioná-lo sobre suas ações com um simples “O que estás fazendo?”.
O que é verdade para um ser humano é ainda mais verdadeiro para Deus. O rei da Babilônia, após ser humilhado por Deus durante sete anos devido a uma doença mental, e depois de recuperar a sanidade, expressou a mesma ideia: “E ao fim dos dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu e meu próprio entendimento começou a retornar a mim; e eu bendisse o próprio Altíssimo, e louvei e glorifiquei Aquele que vive por tempo indefinido, porque seu domínio é um domínio por tempo indefinido e seu reino é para geração após geração. 35 E todos os habitantes da terra são considerados como simplesmente nada, e ele age segundo a sua própria vontade entre o exército dos céus e os habitantes da terra. E não há quem lhe possa deter a mão ou quem lhe possa dizer: ‘Que estás fazendo?’” (Daniel 4:34,35) (O sonho da árvore imensa que foi cortada e sua interpretação (Daniel 4)).
« Tudo isto eu tenho visto, e houve um empenho do meu coração em todo o trabalho que se tem feito debaixo do sol, durante o tempo em que homem tem dominado homem para seu prejuízo » (versículo 9, ler também o capítulo 4).
Os milhares de páginas de livros de história, existem para testemunhar que as classes dominantes, muitas vezes fizeram com que os povos sofreram, se aproveitam deles para seu lucro: « Ai dos pastores de Israel, que só cuidam de si mesmos! Não é do rebanho que os pastores deviam cuidar? 3 Vocês comem a gordura, vestem-se com a lã e abatem o animal mais gordo, mas não cuidam do rebanho. 4 Não fortaleceram as fracas, nem trataram as doentes, nem enfaixaram as que estavam feridas, nem trouxeram de volta as desgarradas, nem foram procurar as perdidas; em vez disso, vocês as dominaram com dureza e tirania. 5 Assim, elas foram espalhadas porque não havia pastor; elas foram espalhadas e se tornaram alimento para todos os animais selvagens. 6 Minhas ovelhas se perderam por todos os montes e por todas as colinas elevadas; minhas ovelhas foram espalhadas por toda a face da terra, sem que ninguém fosse procurá-las, nem fosse buscá-las » (Ezequiel 34:2-6, ler capítulo 34).
« Por não se ter executado prontamente a sentença contra um trabalho mau é que o coração dos filhos dos homens ficou neles plenamente determinado a fazer o mal » (versículo 11).
Nos países cuja legislação é frouxa para os infratores geram, de fato, sempre mais delinquência.
« Há uma vaidade que se realiza na terra, que há justos a quem acontece como que pelo trabalho dos iníquos e há iníquos a quem acontece como que pelo trabalho dos justos. Eu disse que também isto é vaidade » (versículo 14).
Este versículo é muito semelhante ao do capítulo 7: « Tenho visto tudo durante os meus dias vãos. Há o justo perecendo na sua justiça e há o iníquo continuando longamente na sua maldad » (Eclesiastes 7:15).
A condição humana absurda na qual o homem vive, criou situações aberrantes, os justos que morrem prematuramente devido a sua justiça e os bandidos que conseguem viver por um longo tempo. Os justos que tiveram uma vida de sofrimentos e uma morte horrível em trabalhos forçados, em campos de concentração para não se comprometer com sua consciência, enquanto os torturadores morreram aconchegantes em sua cama, depois duma boa velhice. Às vezes, a visão das coisas é completamente revertida por inversão acusatória e por inversão de valores (leia Isaías 5:20). Esta é outra expressão revoltante do absurdo da condição humana atual (leia Habacuque 1:2-4) (Por que Deus Permitiu o Sofrimento e a Maldade?).
« E eu vi todo o trabalho do verdadeiro Deus, que a humanidade não é capaz de descobrir o trabalho que se fez debaixo do sol; por mais que a humanidade trabalhe arduamente para procurar, ainda assim não o descobre. E mesmo que dissessem que são bastante sábios para saber, não seriam capazes de o descobrir » (versículo 17).
O grande conhecimento, criou uma sensação oposta, de não saber muito. Quanto mais buscamos ou estudamos um assunto, mais há outras portas de pesquisa que se abrem, o que dá ao pesquisador, a sensação de que ele não encontrou muito.
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Eclesiastes capítulo 9: é o tema do fim da vida, e também da casualidade dos acontecimentos imprevistos que podem mudar a existência:
Pois, tomei tudo isso ao coração, sim, para esquadrinhar tudo isso, que os justos e os sábios, bem como suas obras, estão na mão do [verdadeiro] Deus. A humanidade não está apercebida nem do amor nem do ódio que todos eram anteriores a eles. 2Todos são iguais naquilo que todos têm. Um só é o evento conseqüente para o justo e para o iníquo, para o bom, e para o puro e para o impuro, e para aquele que oferece sacrifícios e para aquele que não oferece sacrifícios. O bom é igual ao pecador; quem jura é igual ao que tem estado com medo duma declaração juramentada. 3Isto é o que é calamitoso em tudo o que se tem feito debaixo do sol, que, por haver um só evento conseqüente para todos, o coração dos filhos dos homens está também cheio do mal; e há doidice no seu coração durante a sua vida, e depois dela — rumo aos mortos!
4Pois, quanto àquele que está unido a todos os viventes, há confiança, porque melhor está o cão vivo do que o leão morto. 5Pois os viventes estão cônscios de que morrerão; os mortos, porém, não estão cônscios de absolutamente nada, nem têm mais salário, porque a recordação deles foi esquecida. 6Também seu amor, e seu ódio, e seu ciúme já pereceram, e por tempo indefinido eles não têm mais parte em nada do que se tem de fazer debaixo do sol.
7Vai, come o teu alimento com alegria e bebe o teu vinho com um bom coração, porque o [verdadeiro] Deus já achou prazer nos teus trabalhos. 8Em toda ocasião, mostrem ser brancas as tuas vestes e não falte óleo sobre a tua cabeça. 9Vê a vida com a esposa que amas, todos os dias da tua vida vã que Ele te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade, pois este é o teu quinhão na vida e na tua labuta em que trabalhas arduamente debaixo do sol. 10Tudo o que a tua mão achar para fazer, faze-o com o próprio poder que tens, pois não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria no Seol, o lugar para onde vais.
11Retornei para ver debaixo do sol que a corrida não é dos ligeiros, nem a batalha dos poderosos, nem tampouco são os sábios os que têm alimento, nem tampouco são os entendidos os que têm riquezas, nem mesmo os que têm conhecimento têm o favor; porque o tempo e o imprevisto sobrevêm a todos eles. 12Pois o homem tampouco sabe o seu tempo. Iguais aos peixes que estão sendo apanhados numa rede má e como os pássaros que estão sendo apanhados numa armadilha, assim os próprios filhos dos homens estão sendo enlaçados num tempo calamitoso, quando cai sobre eles repentinamente.
13Vi também o seguinte com respeito à sabedoria debaixo do sol — e ela era grande para mim: 14Havia uma pequena cidade e os homens nela eram poucos; e chegou a ela um grande rei, e cercou-a, e construiu contra ela grandes fortalezas. 15E achava-se nela um homem, necessitado, mas sábio, e este pôs a cidade a salvo com a sua sabedoria. Mas homem algum se lembrou daquele homem necessitado. 16E eu mesmo disse: “A sabedoria é melhor do que a potência; no entanto, a sabedoria do necessitado é desprezada e não se escutam as suas palavras.”
17As palavras dos sábios, em tranqüilidade, são ouvidas mais do que o clamor de quem governa entre gente estúpida.
18A sabedoria é melhor do que os apetrechos para a peleja, e um único pecador pode destruir a muito bem.
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“Isto é o que é calamitoso em tudo o que se tem feito debaixo do sol, que, por haver um só evento conseqüente para todos, o coração dos filhos dos homens está também cheio do mal; e há doidice no seu coração durante a sua vida, e depois dela — rumo aos mortos!” (versículo 3).
Este texto parece indicar que o desespero e a falta de esperança em relação à condição humana atual, que leva inexoravelmente à morte, impulsionam os seres humanos a comportamentos destrutivos, a cometer o mal, a mergulhar na insensatez, no hedonismo (Carpe Diem) e no consumismo desprovido de qualquer forma de espiritualidade (particularmente nas sociedades ocidentais).
O apóstolo Paulo resumiu esse tipo de comportamento, sem esperança na ressurreição, com uma frase: “Se os mortos não serão levantados, “comamos e bebamos, pois amanhã morreremos”” (1 Coríntios 15:32) (O Significado das Ressurreições Realizadas por Jesus Cristo (João 11:30-44)).
« Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem absolutamente nada, nem têm mais recompensa, porque toda lembrança deles caiu no esquecimento. (…) Tudo o que a sua mão achar para fazer, faça-o com toda a sua força, pois não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria na Sepultura, o lugar para onde você vai » (versículos 5,10).
No exame do capítulo 3:19-21, fica claro que a morte é o oposto da vida. Essa ideia é repetida no capítulo 9. No entanto, há muitos testemunhos que parecem dizer o contrário?
De fato, a Bíblia menciona que os humanos poderiam « consultar os mortos » (Deuteronômio 18:9-13). No entanto, essa prática, de consultar os mortos, é, conforme o contexto de Deuteronômio 18, classificada como oculta, ou seja, com o relacionamento direto com os demônios ou os anjos rebeldes. A Bíblia designa claramente os promotores dessa mentira que deixam entender que a morte é um estágio que leva a outra vida, sendo Satanás, o Diabo e os Demônios. Estes são impostores demoníacos que fingem ser os falecidos que falariam ou entrariam em contato com os vivos. O segundo testemunho, dessa prática de consultar os mortos com o ocultismo, é o do rei Saul, que procurou entrar em contato com o morto « Samuel », através duma mulher espiritista (1 Samuel 28:3,11) (A vida, a morte, a segunda morte, o lago ardente e a Geena).
“E eu vi mais outra coisa debaixo do sol: os velozes nem sempre vencem a corrida, e nem sempre os fortes vencem a batalha; os sábios nem sempre têm alimento, os inteligentes nem sempre têm riquezas, os que têm conhecimento nem sempre têm sucesso; porque o tempo e o imprevisto sobrevêm a todos eles. Pois o homem não sabe a sua hora. Assim como os peixes são apanhados numa rede cruel e os pássaros são apanhados numa armadilha, assim os filhos dos homens são enlaçados na hora da desgraça, quando ela lhes sobrevém de repente » (versículos 11,12).
O sofrimento pode ser o resultado de « tempo e eventos imprevistos » que fazem que a pessoa esteja num lugar errado num momento errado. Em nenhum momento Jesus Cristo sugeriu que as vítimas de acidentes ou desastres naturais pecaram mais do que outras, ou mesmo que Deus fez com que tais eventos punissem os pecadores. Quer sejam doenças, acidentes ou desastres naturais, não é Deus quem os causa e as vítimas não pecaram mais do que os outros (Deus nos protege?).
« Vi também o seguinte com respeito à sabedoria debaixo do sol — e ela era grande para mim: 14Havia uma pequena cidade e os homens nela eram poucos; e chegou a ela um grande rei, e cercou-a, e construiu contra ela grandes fortalezas. 15E achava-se nela um homem, necessitado, mas sábio, e este pôs a cidade a salvo com a sua sabedoria. Mas homem algum se lembrou daquele homem necessitado. 16E eu mesmo disse: “A sabedoria é melhor do que a potência; no entanto, a sabedoria do necessitado é desprezada e não se escutam as suas palavras » (versículos 13-16).
Não está claro se o Rei Salomão usou uma simples alegoria ou um fato histórico para ilustrar seu ponto. Essa situação, que mostra como a sabedoria dos pobres é desprezada e suas palavras ignoradas, encontra eco na narrativa do Evangelho na própria pessoa de Jesus Cristo. Em certa ocasião, ele ensinava na cidade onde crescera, Nazaré. Enquanto os habitantes testemunhavam sua grande sabedoria e viam suas obras poderosas, o relato do Evangelho narra o seguinte:
“Quando Jesus terminou de contar essas ilustrações, partiu dali. 54 Chegando à sua própria cidade, começou a ensinar ao povo na sinagoga deles, de modo que ficaram maravilhados e disseram: “Onde este homem obteve essa sabedoria e essa habilidade de realizar obras poderosas? 55 Não é este o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56 E não estão todas as suas irmãs conosco? Então, onde ele obteve tudo isso?” 57 Assim, começaram a tropeçar por causa dele. Mas Jesus lhes disse: “Um profeta não fica sem honra a não ser na sua própria terra e na sua própria casa.” 58 E não fez ali muitas obras poderosas, por causa da falta de fé deles” (Mateus 13:53-58).
Os habitantes daquela cidade ficaram admirados que um homem de origem humilde, que não havia estudado teologia com os rabinos em Jerusalém e que trabalhara com o pai como carpinteiro, pudesse possuir tamanha sabedoria. Naquela ocasião, ele não foi honrado como um grande homem; não foi levado a sério.
Jesus Cristo mostrou que a sabedoria se revela por seus resultados concretos, apesar do desprezo daqueles que julgam pelas aparências e se recusam a considerá-las:
“Com quem compararei esta geração? Ela é semelhante a crianças sentadas nas praças, que gritam para seus colegas: 17 ‘Nós tocamos flauta para vocês, mas vocês não dançaram; nós lamentamos, mas vocês não bateram no peito de pesar.’ 18 Da mesma maneira, João veio sem comer e sem beber, mas as pessoas dizem: ‘Ele tem demônio.’ 19 O Filho do Homem veio comendo e bebendo, mas elas dizem: ‘Vejam! Um homem glutão e dado a beber vinho, amigo de cobradores de impostos e de pecadores.’ No entanto, a sabedoria se prova justa pelas suas obras” (Mateus 11:16-19).
A situação atual é a seguinte: a opinião de uma pessoa pobre, mesmo que muito sábia, raramente é solicitada. Por outro lado, vemos pessoas muito ricas, muitas vezes sem instrução, às vezes até mesmo tolas, sendo solicitadas a expressar suas opiniões, até mesmo a dar conselhos ao público. Há um provérbio que ilustra bem essa situação aberrante: No reino dos cegos, o homem caolho é rei (A sabedoria dada por Deus).
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Eclesiastes capítulo 10: é uma série de frases proverbiais, e vamos ver alguns pontos interessantes:
Moscas mortas fazem o óleo do fabricante de ungüento cheirar mal, borbulhar. Assim faz um pouco de estultícia àquele que é precioso pela sabedoria e pela glória.
2O coração do sábio está à sua direita, mas o coração do estúpido está à sua esquerda. 3E também, qualquer que seja o caminho em que o estulto andar, seu próprio coração é falto, e ele certamente diz a todos que é estulto.
4Se o espírito de um governante se levantar contra ti, não deixes o teu próprio lugar, pois a própria calma aquieta grandes pecados.
5Existe algo calamitoso que tenho visto debaixo do sol, como quando há um engano que se propaga por causa de quem está em poder: 6A estultícia tem sido posta em muitas posições elevadas, mas os próprios ricos continuam morando apenas numa condição rebaixada.
7Vi servos sobre cavalos, mas príncipes andando na terra como se fossem servos.
8Quem cava um buraco, cairá nele; e quem rompe por um muro de pedras, a este morderá uma serpente.
9Quem extrai pedras, ferir-se-á com elas. Quem racha toras, terá de ter cuidado com elas.
10Se uma ferramenta ficou embotada e alguém não lhe amolou o fio, então terá de usar as suas próprias energias vitais. De modo que usar de sabedoria para bom êxito significa uma vantagem.
11Se a serpente morde quando não se produz encantamento, então não há vantagem para quem se empenha na língua.
12As palavras da boca do sábio significam favor, mas os lábios do estúpido o engolem. 13O início das palavras da sua boca é estultícia, e o fim posterior da sua boca é doidice calamitosa. 14E o estulto fala muitas palavras.
O homem não sabe o que virá a ser; e daquilo que virá a ser após ele, quem o pode informar?
15O trabalho árduo dos estúpidos os fatiga, porque ninguém ficou sabendo como ir à cidade.
16O que será de ti, ó terra, quando teu rei é rapaz e os teus próprios príncipes continuam a comer até mesmo de manhã? 17Feliz és, ó terra, quando teu rei é filho de nobres e teus próprios príncipes comem no tempo devido para [ter] potência, não para somente beber.
18Pela grande preguiça arria o vigamento, e pelo abaixamento das mãos a casa tem goteiras.
19O pão é para o riso dos trabalhadores, e o próprio vinho alegra a vida; mas o dinheiro é o que encontra resposta em todas as coisas.
20Não invoques o mal sobre o próprio rei nem mesmo no teu quarto de dormir, e não invoques o mal sobre o rico nos quartos interiores, onde te deitas; pois uma criatura voadora dos céus transmitirá o som e o que tem asas contará o assunto.
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« O coração do sábio está à sua direita, mas o coração do estúpido está à sua esquerda. 3 E também, qualquer que seja o caminho em que o estulto andar, seu próprio coração é falto, e ele certamente diz a todos que é estulto » (versículos 2,3).
Esta afirmação está anatomicamente incorreta, visto que o coração humano está localizado à esquerda, e não à direita. Portanto, fica claro que o significado deste provérbio é simbólico.
O versículo 3 parece esclarecer o significado do versículo 2. O coração, a direita e a esquerda devem ser entendidos simbolicamente. Neste contexto, o coração simboliza a capacidade de tomar boas ou más decisões. “Seu próprio coração é falto” significa que lhe falta discernimento e bom senso. Seu coração simbólico não funciona como uma bússola confiável para guiá-lo na direção certa.
A mão esquerda parece simbolizar estupidez ou desajeitamento. Geralmente, os humanos são destros, e a mão direita pode significar o que é realizado com habilidade e sabedoria. Por exemplo, no livro de Juízes, é mencionado que o juiz Eúde era canhoto, demonstrando que essa era uma ocorrência rara o suficiente para ser registrada (Juízes 3:15).
Contudo, de forma mais geral, se alguém não é canhoto nem ambidestro, as tarefas realizadas com a mão esquerda podem ser desajeitadas. Em outro contexto bíblico, Jesus Cristo simbolizou a mão direita com aprovação e a mão esquerda com desaprovação na parábola das ovelhas e dos cabritos (Mateus 25:31-46). Jesus Cristo, o Filho de Deus, é descrito como estando à direita do Pai celestial (Salmos 10:10; 110:1; Atos 2:33).
« Vi servos sobre cavalos, mas príncipes andando na terra como se fossem servos » (versículo 7).
Frequentemente, nesse sistema de coisas, há uma inversão de valores (Isaías 5:20). Um humano íntegro, como um príncipe, pode ser tratado como um simples servo e com desprezo, enquanto os seres humano só capazes de serem servos, às vezes podem ser vistos como príncipes. Isso é uma repetição, um pouco diferente, de Eclesiastes 7:15 e 8:14.
“Se uma ferramenta ficou embotada e alguém não lhe amolou o fio, então terá de usar as suas próprias energias vitais. De modo que usar de sabedoria para bom êxito significa uma vantagem” (versículo 10).
Esta é uma ilustração da sabedoria prática. Quando um lenhador se prepara para cortar uma árvore, ele afia seu machado, usando assim não apenas sua energia vital, mas também sua inteligência, o que lhe permitirá usar sua ferramenta com mais eficácia. Se ele tiver que cortar uma grande árvore perto de uma casa, não se concentrará simplesmente em usar sua energia vital sem pensar, mas terá que garantir que a árvore caia no lugar certo. Consequentemente, ele terá que escolher o ponto exato para cortar o tronco, de modo que a árvore não caia sobre a casa. A energia vital do lenhador deve ser combinada com inteligência, sabedoria prática e conhecimento. Isso é verdade em todas as profissões.
« Não invoques o mal sobre o próprio rei nem mesmo no teu quarto de dormir, e não invoques o mal sobre o rico nos quartos interiores, onde te deitas; pois uma criatura voadora dos céus transmitirá o som e o que tem asas contará o assunto » (versículo 20).
Geralmente, as coisas confidenciais, com o tempo, acabam sendo conhecidas segundo Jesus Cristo: « Pois, não há nada escondido que não se torne manifesto, tampouco há nada cuidadosamente oculto que nunca se torne conhecido e nunca venha à tona » (Lucas 8:17).
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Eclesiastes Capítulo 11: É o tema geral deste capítulo que ilustra que a perseverança é frequentemente recompensada, basta ser paciente:
Envia teu pão sobre a superfície das águas, pois no decorrer de muitos dias o acharás de novo. 2Dá um quinhão a sete ou mesmo a oito, pois não sabes que calamidade ocorrerá na terra.
3Se as nuvens estiverem cheias de água, é um aguaceiro que despejarão sobre a terra; e se a árvore cair para o sul ou se cair para o norte, no lugar onde a árvore cair, ali mostrará estar.
4Quem vigiar o vento, não semeará; e quem olhar para as nuvens, não ceifará.
5Assim como não te apercebes de qual é o caminho do espírito nos ossos, no ventre daquela que está grávida, assim tampouco conheces o trabalho do verdadeiro Deus, que faz todas as coisas.
6Semeia de manhã a tua semente, e não descanse a tua mão até a noitinha; pois não sabes onde esta terá bom êxito, quer aqui quer ali, ou se ambas serão igualmente boas.
7A luz também é doce, e é bom para os olhos verem o sol; 8pois, mesmo que o homem viva muitos anos, alegre-se ele em todos eles. E lembre-se ele dos dias de escuridão, embora possam ser muitos; cada dia que chega é vaidade.
9Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e faça-te bem o teu coração nos dias da tua idade viril, e anda nos caminhos de teu coração e nas coisas vistas pelos teus olhos. Mas sabe que por todos estes o verdadeiro Deus te levará a juízo. 10Portanto, remove de teu coração o vexame e afasta de tua carne a calamidade; pois a juventude e o primor da mocidade são vaidade.
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“Envia teu pão sobre a superfície das águas, pois no decorrer de muitos dias o acharás de novo” (versículo 1).
Este texto mostra que podemos colher os frutos de nossas boas ações diante de Deus e dos homens, mas somente “muitos dias” depois. Há o exemplo de um certo Mordecai (no relato histórico do livro de Ester) que frustrou uma conspiração contra o rei persa Assuero (Xerxes I) (Ester 2:21-23). Embora essa boa ação tenha sido mencionada nos relatos históricos do reino, foi arquivada e completamente esquecida. Finalmente, foi somente muito tempo depois que Mordecai foi recompensado pelo rei por sua boa ação (Ester, capítulo 6).
Além disso, Jesus Cristo afirmou claramente que o que importa é fazer o bem, mesmo em segredo, diante de Deus, e Ele pode nos recompensar rapidamente ou « muitos dias » depois:
« Tomem cuidado para não praticar sua justiça diante dos homens a fim de ser vistos por eles; se fizerem isso, vocês não terão recompensa de seu Pai, que está nos céus. 2 Portanto, quando você der algo a um pobre, não toque a trombeta diante de si, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas para serem glorificados pelos homens. Digo a vocês a verdade: Eles já têm plenamente a sua recompensa. 3 Mas, quando você der algo a um pobre, não deixe a sua mão esquerda saber o que a direita está fazendo, 4 para que suas dádivas fiquem em segredo. Então o seu Pai, que observa em secreto, o recompensará » (Mateus 6:1-4) (O ensino de Jesus Cristo que leva à madureza espiritual).
“Dá um quinhão a sete ou mesmo a oito, pois não sabes que calamidade ocorrerá na terra” (versículo 2).
Parece que Jesus Cristo ilustrou essa ideia na parábola sobre o uso das riquezas injustas, ou seja, usá-las para fazer amigos em preparação para tempos difíceis. É claro que a amizade mais importante é com o Pai Celestial:
“Então ele disse também aos discípulos: “Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de desperdiçar os bens do seu senhor. 2 Assim, ele o chamou e disse: ‘O que é isso que ouço a seu respeito? Preste contas da sua administração, pois você não pode mais administrar a casa.’ 3 Então, o administrador disse a si mesmo: ‘O que eu vou fazer, visto que o meu senhor está me tirando a administração? Não sou bastante forte para cavar e tenho vergonha de mendigar. 4 Ah! já sei o que vou fazer para que, quando eu for afastado da administração, as pessoas me recebam em suas casas.’ 5 E, chamando cada um dos devedores do seu senhor, perguntou ao primeiro: ‘Quanto você deve ao meu senhor?’ 6 Ele respondeu: ‘Cem medidas de azeite.’ O administrador lhe disse: ‘Pegue de volta o seu acordo escrito, sente-se e escreva rapidamente 50.’ 7 A seguir, perguntou a outro: ‘Agora você, quanto deve?’ Ele respondeu: ‘Cem grandes medidas de trigo.’ O administrador lhe disse: ‘Pegue de volta o seu acordo escrito e escreva 80.’ 8 E o senhor elogiou o administrador, embora este fosse injusto, porque agiu com sabedoria prática. Pois os filhos deste sistema de coisas são mais sábios em sentido prático, ao lidar com a sua própria geração, do que os filhos da luz.
9 “Eu lhes digo também: Façam amigos por meio das riquezas injustas, para que, quando essas faltarem, eles os recebam nas moradas eternas. 10 Quem é fiel no mínimo é também fiel no muito, e quem é injusto no mínimo é também injusto no muito. 11 Portanto, se vocês não se mostrarem fiéis em usar as riquezas injustas, quem lhes confiará o que é verdadeiro? 12 E, se vocês não se mostrarem fiéis em usar o que é de outro, quem lhes dará o que é para vocês? 13 Nenhum servo pode ser escravo de dois senhores, pois ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vocês não podem ser escravos de Deus e das Riquezas” (Lucas 16:1-13).
Por meio dessa ilustração, Jesus Cristo mostra que, se somos ricos, devemos usar essa riqueza para ganhar a amizade de Deus, usando-a para o bem dos outros.
« Quem vigiar o vento, não semeará; e quem olhar para as nuvens, não ceifará » (versículo 4).
Alguém que está constantemente examinando uma situação antes de agir, parece mostrar um medo ao fracasso. É importante saber como correr riscos quando se realiza um projeto, sem aguardar constantemente que todas as condições sejam atendidas para agir. Se estivermos na disposição da mente, do zero risco, não faremos muito na vida, « quem olhar para as nuvens, não ceifará ».
“Semeia de manhã a tua semente, e não descanse a tua mão até a noitinha; pois não sabes onde esta terá bom êxito, quer aqui quer ali, ou se ambas serão igualmente boas” (versículo 6).
A virtude da perseverança foi enfatizada por Jesus Cristo no Sermão do Monte:
“Persisti em pedir, e dar-se-vos-á; persisti em buscar, e achareis; persisti em bater, e abrir-se-vos-á. 8 Pois, todo o que [persistir em] pedir, receberá, e todo o que [persistir em] buscar, achará, e a todo o que [persistir em] bater, abrir-se-á. 9 Deveras, qual é o homem entre vós, cujo filho lhe peça pão — será que lhe entregará uma pedra? 10 Ou talvez lhe peça um peixe — será que lhe entregará uma serpente? 11 Portanto, se vós, embora iníquos, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais o vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem!” (Mateus 7:7-11).
O contexto da recomendação no livro de Eclesiastes é a perseverança na ação, enquanto Jesus Cristo mencionou a perseverança na ação e a súplica ao Pai Celestial por meio da oração.
“Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e faça-te bem o teu coração nos dias da tua idade viril, e anda nos caminhos de teu coração e nas coisas vistas pelos teus olhos. Mas sabe que por todos estes o verdadeiro Deus te levará a juízo. Portanto, remove de teu coração o vexame e afasta de tua carne a calamidade; pois a juventude e o primor da mocidade são vaidade” (versículos 9, 10).
Os últimos versículos do capítulo 11 constituem um parágrafo de transição ou uma introdução que bem poderia ter feito parte do início do capítulo 12, que é a conclusão geral de todo o livro de Eclesiastes. A principal recomendação é que homens e mulheres desfrutem da sua juventude para serem felizes, tendo o cuidado de não se envolverem em comportamentos destrutivos e condenados por Deus. É importante que os jovens não caiam em práticas que possam prejudicá-los, causar-lhes infelicidade e comprometer os seus planos de vida.
Em todo caso, Deus responsabilizará tanto jovens quanto idosos: “Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus” (Romanos 14:12). Quando está escrito que a juventude e o primor da mocidade são vaidade, significa que esse período passa muito depressa, que é passageiro e que é apenas uma fase de transição que leva à idade adulta.
Essa introdução ao capítulo 12 é muito bem resumida pelo que está escrito na carta a Timóteo: “Pois o treinamento físico traz algum benefício, mas a devoção a Deus é benéfica para todas as coisas, visto que tem a promessa da vida presente e da vida que virá” (1 Timóteo 4:8). É normal preocupar-se com a aparência física e manter-se em forma; contudo, também é importante dar atenção à espiritualidade, ao relacionamento com o Pai Celestial. Essa é a mensagem final do capítulo 12.
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Eclesiastes capítulo 12: é a conclusão poética do livro de Eclesiastes que nos incentiva a tirar proveito de nossa existência relativamente breve para servir a Deus. É aconselhável tirar proveito da juventude, das capacidades físicas, mentais, espirituais, e colocá-las ao serviço de nosso Criador, com a capacidade de nos devolver a vida, concedendo-nos a vida eterna:
“Lembra-te, pois, do teu Grandioso Criador nos dias da tua idade viril, antes que passem a vir os dias calamitosos ou cheguem os anos em que dirás: “Não tenho agrado neles”; 2 antes que escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e retornem as nuvens, depois o aguaceiro; 3 no dia em que trepidam os guardiães da casa, e se tiverem dobrado os homens de energia vital e tiverem cessado de trabalhar as moedoras por se terem tornado poucas, e as damas olhando pelas janelas o acharem escuro; 4 e as portas que dão à rua tiverem sido fechadas, quando o ruído da moenda fica baixo e a pessoa se levanta ao som de um pássaro, e todas as filhas do cântico soam baixo. 5 Também, ficaram com medo do que é meramente alto, e há terrores no caminho. E a amendoeira carrega flores, e o gafanhoto se arrasta, e o fruto da alcaparra rebenta, porque o homem caminha para a sua casa de longa duração e os lamentadores têm marchado em volta na rua; 6 antes que se remova a corda de prata, e se esmague a tigela de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e tenha sido esmagada a roda de água para a cisterna. 7 Então o pó retorna à terra, assim como veio a ser, e o próprio espírito retorna ao [verdadeiro] Deus que o deu.
8 “A maior das vaidades!” disse o congregante: “Tudo é vaidade.”
9 E além do fato de que o congregante se tornara sábio, ele ensinou também ao povo continuamente o conhecimento, e ponderou e fez uma investigação cabal, a fim de pôr em ordem muitos provérbios. 10 O congregante procurou achar palavras deleitosas e a escrita de palavras corretas de verdade.
11 As palavras dos sábios são como aguilhadas, e como pregos bem fixos são os que se entregam a fazer coleções [de sentenças]; foram dadas por um só pastor. 12 No que se refere a qualquer coisa além delas, filho meu, sê avisado: De se fazer muitos livros não há fim, e muita devoção [a eles] é fadiga para a carne.
13 A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o [verdadeiro] Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda [a obrigação] do homem. 14 Pois o próprio [verdadeiro] Deus levará toda sorte de trabalho a julgamento com relação a toda coisa oculta, quanto a se é bom ou mau” (Eclesiastes capítulo 12).
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Neste capítulo, há uma descrição metafórica da velhice, quando alguém não tem mais agrado (versículo 1). No momento em que perde gradualmente a visão (versículo 2), quando as mãos estão a tremer, as costas se curvam, os dentes caem, os olhos perdem a acuidade visual (versículo 3), a perda progressiva da audição (versículo 4), a perda do equilibrado, o cabelo branco, a perda da agilidade das pernas, que gradualmente o levam ao destino, à tumba (versículo 5-7). Isso significa que o tema do começo (Eclesiastes 1:2), é repetido: « A maior das vaidades!” disse o congregante: “Tudo é vaidade” (Eclesiastes 12:8). Portanto, aqui está a conclusão que permite entender qual deve ser a escolha dum humano que gostaria de dar um significado verdadeiro à sua vida:
« A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem. 14 Pois o próprio verdadeiro Deus levará toda sorte de trabalho a julgamento com relação a toda coisa oculta, quanto a se é bom ou mau » (Eclesiastes 12:13,14).
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O Homem Espiritual e o Homem Físico (1 Coríntios 2:14-16)
Ler e Entender a Bíblia (Salmos 1:2, 3)
Índice do site http://yomelias.fr/ (42 artigos de estudos bíblicos)
Ao ler a Bíblia diariamente, este índice contém artigos bíblicos informativos (clique no link acima para visualizá-lo)…
Lista (em inglês) de mais de setenta idiomas, com seis artigos bíblicos importantes, escritos em cada um desses idiomas…
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