
Leitura e meditação sobre o capítulo 14 da carta aos Romanos:
Antes de examinarmos este capítulo, é útil explicar o contexto histórico da época, seja em Roma ou em outras cidades sob domínio romano. Em Atos, capítulo 15, os apóstolos e anciãos em Jerusalém lembraram aos cristãos que não deveriam comer carne sacrificada a ídolos (Atos 15:19, 28).
Vamos considerar brevemente algumas situações em que os cristãos podem se encontrar e qual decisão devem tomar. Na primeira situação, o cristão sabia, seja por ter visto ou ouvido, que a carne em questão havia sido sacrificada a ídolos. Logicamente, ele decidiria não comê-la. Na segunda situação, o cristão não sabia se a carne havia sido sacrificada; neste caso, ele poderia ter duas reações. A primeira seria dizer que, independentemente de ter sido sacrificada ou não, se tivesse sido devidamente sangrada, certamente poderia ser comida. Sem saber se havia sido sacrificada ou não, o cristão que não questionasse comeria a carne.
No entanto, outro cristão, talvez recém-convertido ao cristianismo, e que pode ter estado em templos onde carne era sacrificada a ídolos, será muito mais relutante em consumi-la, mesmo que não saiba se foi sacrificada ou não (ver 1 Coríntios, capítulo 8). É nesse contexto que se situa o capítulo 14 da carta aos Romanos.
“Acolham o homem que tem fraquezas na fé, mas não façam julgamentos sobre opiniões divergentes. 2 Um homem tem fé para comer de tudo, mas o homem que é fraco só come verduras. 3 Quem come não menospreze aquele que não come, e quem não come não julgue aquele que come, pois Deus o acolheu. 4 Quem é você para julgar o servo de outro? É para o seu próprio senhor que ele fica de pé ou cai. De fato, ele ficará de pé, pois Jeová pode fazê-lo ficar de pé” (versículos 1-4).
Paulo instrui os cristãos maduros a não julgarem os hábitos alimentares e de bebida de cristãos, talvez recém-convertidos, cujas consciências estejam perturbadas; portanto, ele prefere comer apenas vegetais para evitar o risco de (inadvertidamente) consumir carne sacrificada. O versículo 2 confirma a explicação acima, ou seja, duas perspectivas sobre a comida: « Um homem tem fé para comer de tudo, mas o homem que é fraco só come verduras ».
“Uma pessoa considera um dia mais importante que outro, ao passo que outra pessoa considera todos os dias iguais; que cada um esteja plenamente convencido na sua própria mente. 6 Quem guarda o dia, guarda-o para Jeová. E quem come, come para Jeová, pois agradece a Deus; e quem não come, deixa de comer para Jeová, e mesmo assim agradece a Deus. 7 De fato, nenhum de nós vive somente para si mesmo, e ninguém morre somente para si mesmo. 8 Pois, se vivemos, vivemos para Jeová; se morremos, morremos para Jeová. Portanto, quer vivamos, quer morramos, pertencemos a Jeová. 9 Pois com este objetivo Cristo morreu e voltou a viver: para ser Senhor tanto dos mortos como dos viv” (versículos 5-9).
O apóstolo Paulo mostra que, ao refletirmos sobre a questão da sensibilidade da consciência individual, devemos considerar que não devemos nos concentrar apenas em nossa própria perspectiva. Devemos também considerar que pertencemos a Deus e a Cristo e, portanto, basear nossa compreensão na perspectiva deles sobre o assunto.
“Mas por que você julga o seu irmão? E você, por que menospreza o seu irmão? Pois todos nós compareceremos perante o tribunal de Deus. 11 Porque está escrito: “‘Tão certo como eu vivo’, diz Jeová, ‘diante de mim todo joelho se dobrará, e toda língua reconhecerá abertamente a Deus’.” 12 Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus” (versículos 10-12).
O primeiro ponto importante: não devemos julgar nosso irmão nem criticar a sensibilidade de sua consciência. Mais tarde, Paulo explica com mais detalhes por que os cristãos que têm fé e comem de tudo não devem julgar os cristãos que têm mais escrúpulos e comem apenas verduras:
“Portanto, não julguemos mais uns aos outros, mas, em vez disso, estejam determinados a não pôr uma pedra de tropeço ou um obstáculo diante de um irmão. 14 (Sei e estou convencido no Senhor Jesus que nada é impuro em si mesmo; somente quando alguém considera algo como impuro, então para ele é impuro.) 15 Pois, se o seu irmão se ofende por causa de um alimento, você não está mais andando de acordo com o amor. Não arruíne, pelo seu alimento, aquele pelo qual Cristo morreu. 16 Portanto, não deixem que se fale mal do bem que vocês fazem. 17 Pois o Reino de Deus não tem a ver com comida e bebida, mas com justiça, paz e alegria no espírito santo. 18 Pois quem trabalha dessa forma como escravo para Cristo agrada a Deus e tem a aprovação dos homens” (versículos 13-18).
Paulo deixa claro para os cristãos cuja fé lhes permite comer de tudo que ele próprio compartilha plenamente dessa visão: « Sei e estou convencido no Senhor Jesus que nada é impuro em si mesmo » (versículo 14). No entanto, ele explica que é importante não criar obstáculos para irmãos e irmãs cujas consciências são mais escrupulosas, com base em meras preferências pessoais, porque « o Reino de Deus não tem a ver com comida e bebida » (versículo 17). Em outras palavras, se um cristão que come de tudo convida para uma refeição um cristão que prefere comer apenas verduras, ele deixará de lado suas próprias preferências, comendo apenas verduras em sua companhia. O cristão maduro não apenas se absterá de julgar seu irmão ou irmã, mas também não fará da comida um motivo de controvérsia. Em conclusão, Paulo nos encoraja a buscar a paz.
“Assim, empenhemo-nos pelas coisas que promovem a paz e pelas coisas que edificam uns aos outros. 20 Parem de demolir a obra de Deus só por causa do alimento. É verdade que todas as coisas são puras; mas é prejudicial para o homem comer se isso for causar tropeço. 21 É melhor não comer carne, nem beber vinho, nem fazer nada que leve o seu irmão a tropeçar. 22 A fé que você tem, guarde-a para si diante de Deus. Feliz é aquele que não condena a si mesmo por aquilo que aprova. 23 Mas, se alguém tem dúvidas e come, já está condenado, porque não come com base na fé. E tudo o que não se baseia na fé é pecado” (versículos 19-23).
A ideia geral da leitura e da análise deste capítulo 14 é que, quando os princípios bíblicos não estão envolvidos, é apropriado que o discípulo de Cristo deixe de lado suas preferências pessoais para não colocar obstáculos no caminho de seu irmão espiritual e leve em consideração a consciência dos outros, sem julgá-la ou menosprezá-la.
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Estes comentários capítulo por capítulo sobre a Epístola aos Romanos não serão lineares (um estudo versículo por versículo), mas sim focados nos pontos principais que emergem no capítulo em estudo…
Lendo a carta de Tiago, ficamos surpresos com a semelhança do seu modo de ensinar, com o do seu irmão maior, Jesus. Ele usa muitas ilustrações como Jesus…
O objetivo da sua carta é denunciar a infiltração na congregação cristã, de indivíduos maliciosos, com comportamentos duvidosos que pervertem a pureza espiritual exigida por Deus e seu Filho Jesus Cristo…
João é um dos doze apóstolos de Jesus Cristo. Ele também é o escritor do Evangelho, que leva seu nome e do livro de Apocalipse ou Revelação…
O redator desta carta é um dos doze apóstolos de Jesus Cristo. Nos Evangelhos, também tem o nome de Simão Pedro (Mateus 4:18) e Jesus Cristo lhe deu outro nome, Cefas (João 1:42)…
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Índice do site http://yomelias.fr/ (42 artigos de estudos bíblicos)
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