
Quantas vezes por ano devemos celebrar a Ceia do Senhor, ou a Comemoração da morte de Cristo?
Alguns acreditam que deve ser celebrada várias vezes ao ano, especialmente quando a congregação se reúne, como aos domingos ou em outro dia da semana.
Outros acreditam que deve ser celebrada apenas uma vez por ano, no aniversário da morte sacrificial de Cristo, que é o dia 14 de Nisã no calendário bíblico (ou judaico). Esta é a data da antiga Páscoa judaica, que foi substituída por esta celebração cristã.
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Os cristãos que acreditam que a Festa da Lembrança deve ser celebrada várias vezes ao ano baseiam sua opinião em diversos textos bíblicos que, ao que parece, sugerem que os cristãos de fato « partiam o pão » em suas reuniões semanais, que poderiam ter ocorrido em um domingo. De fato, em Atos capítulo 2, está escrito: « E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações » (Atos 2:42 – Tradução Almeida:1628-1691).
De acordo com essa tradução, pode-se pensar que a expressão « partir o pão » evoca a celebração da Comemoração, quando Jesus Cristo partiu o pão para dá-lo aos seus discípulos: « E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim » (Lucas 22:19 – Tradução Almeida:1628-1691).
Essa prática de partir o pão durante a reunião cristã semanal no primeiro dia da semana (domingo) parece ser confirmada por um segundo texto do livro de Atos, capítulo 20: « No primeiro dia da semana reunimo-nos para partir o pão, e Paulo falou ao povo. Pretendendo partir no dia seguinte, continuou falando até a meia-noite » (Atos 20:7 – Nova Versão Internacional (NVI)).
O texto de 1 Coríntios, capítulo 11, alude mais diretamente à celebração da comemoração da morte de Cristo: « Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído tomou o pão; 24 E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei: isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. 25 Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálix, dizendo: Este cálix é o Novo Testamento no meu sangue: fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. 26 Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálix anunciais a morte do Senhor, até que venha » (1 Coríntios 11:23-26 – Tradução Almeida:1628-1691).
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« Partir o pão », uma expressão genérica
para compartilhar uma refeição
Vamos examinar a expressão « partir o pão » para entender se ela se refere sistematicamente à Ceia do Senhor ou à comemoração da morte de Cristo, ou se é uma expressão genérica ou geral para compartilhar uma refeição. De acordo com o contexto bíblico, a expressão « partir o pão » pode significar compartilhar uma refeição, sendo o pão o alimento básico da época, acompanhado de peixe, carne ou vegetais.
Por exemplo, a expressão « partir o pão » aparece no relato da multiplicação dos pães: « Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão: dai-lhes vós de comer. 17 Então eles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. 18 E ele disse: Trazei-mos aqui. 19 E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a erva tomou os cinco pães e os dois peixes, e erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão. 20 E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram dos pedaços que sobejaram, doze alcofas cheias. 21 E os que comeram foram quase cinco mil homens, além das mulheres e crianças » (Mateus 14:16-21 – Tradução Almeida:1628-1691). Assim, neste contexto, a expressão « partir o pão » significa compartilhar uma refeição.
Tomemos como exemplo o final do relato da jornada a caminho de Emaús, onde dois discípulos encontraram Jesus Cristo ressuscitado; eis o que está escrito no momento da refeição: « E chegaram à aldeia para onde iam e ele fez como quem ia para mais longe. 29 E eles o constrangeram, dizendo: Fica connosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles. 30 E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu, e lho deu. 31 Abriram-se-lhe então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes » (Lucas 24:28-31 – Tradução Almeida:1628-1691). Mais uma vez, neste contexto, a expressão « partir o pão » tem o significado de compartilhar uma refeição. É evidente que, neste caso, Jesus Cristo não celebrou o Memorial de sua morte na companhia desses dois discípulos. O contexto determina o significado desta expressão, seja ela referente a compartilhar uma refeição ou a celebrar a Comemoração do sacrifício de Cristo.
Examinemos o texto de Atos 2:42. A tradução de Louis Segond, bastante precisa, apresenta a expressão o « partir do pão »: « E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações » (Atos 2:42 – Tradução Almeida:1628-1691). Para determinar se isso se refere à celebração da Comemoração ou ao ato de compartilhar uma refeição, devemos considerar o contexto histórico dessa passagem.
O início do capítulo 2 de Atos mostra que uma grande multidão subiu a Jerusalém para celebrar o Pentecostes e que, nessa ocasião, houve uma conversão em massa de três mil pessoas ao cristianismo (Atos 2:41). Após a menção das três mil pessoas, há a informação reproduzida acima, extraída de Atos 2:42. Os apóstolos celebraram o Memorial « partindo o pão » nessa ocasião? De acordo com o contexto, isso se refere à partilha de refeições, o que rapidamente se tornou um problema logístico, visto que essa grande assembleia permaneceu em Jerusalém por vários dias. Eis o que está escrito até o final do capítulo:
« E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. 44 E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. 45 E vendiam suas propriedades e fazendas, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. 46 E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, 47 Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar » (Atos 2:43-47 – Tradução Almeida:1628-1691).
Assim, para superar o problema logístico, os discípulos compartilharam tudo, e o relato acrescenta: « E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração » (Atos 2:46 – Tradução Almeida:1628-1691). Vale ressaltar que a expressão « partir o pão » está associada ao ato de comer juntos com alegria e simplicidade, durante uma refeição.
A confirmação de que essa expressão, « partir o pão », é genérica e significa compartilhar uma refeição, é encontrada em outras traduções da Bíblia, em Atos capítulo 2:42: « Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos, à comunhão, a comer juntos e às orações » (Atos 2:42 – Versão Fácil de Ler (VFL)).
“Dedicavam-se assim aos ensinamentos dos apóstolos, à convivência uns com os outros, a tomar refeições juntos e às orações” (Atos 2:42 – Tradução do Novo Mundo (NWT)).
Dando continuidade ao exame do contexto histórico de Atos 2:42, o capítulo 4 menciona outra conversão em massa — de cinco mil pessoas —, o que gerou um novo problema logístico relacionado à distribuição de alimentos; essa questão surge no relato do início do capítulo 6 de Atos: « Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério quotidiano. 2 E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. 3 Escolhei pois, irmãos, de entre vós sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio’ » (Atos 6:1–3 – Tradução Almeida:1628-1691).
Assim, um exame cuidadoso do contexto histórico do livro de Atos — especificamente dos capítulos 2 a 6 — demonstra amplamente que a expressão « partir o pão » não se refere à celebração do Memorial, mas sim ao ato de compartilhar uma refeição ou distribuir alimentos. Encontramos a confirmação desse mesmo uso genérico — indicando o compartilhamento de uma refeição — em Atos, capítulo 27: « E, havendo dito isto, tomando o pão, deu graças a Deus na presença de todos; e, partindo-o, começou a comer » (Atos 27:35 – Tradução Almeida:1628-1691). É evidente que, nessa ocasião (durante um naufrágio em curso), o apóstolo Paulo não partiu o pão para celebrar o Memorial, mas sim para compartilhar uma refeição.
Examinemos o contexto da passagem de Atos 20:7: « No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite » (Atos 20:7 – Almeida Revista e Atualizada). Diante das explicações apresentadas acima — demonstrando que a expressão « partir o pão » refere-se a compartilhar uma refeição —, tudo indica que, neste relato, o apóstolo Paulo havia sido convidado para uma refeição (ou estava « reunido para partir o pão ») e, nessa ocasião, proferiu um discurso de despedida logo em seguida. Isso significa que, no caso desta passagem, o evento não foi uma reunião formal, mas sim uma refeição, após a qual o apóstolo Paulo falou para fazer uma despedida.
Uma vez por ano
A Páscoa é o modelo dos requisitos divinos para a celebração do memorial da morte de Cristo: “Essas coisas são uma sombra do que viria, mas a realidade pertence ao Cristo” (Colossenses 2:17). “Pois, visto que a Lei tem uma sombra das coisas boas que viriam, mas não a própria realidade” (Hebreus 10:1).
Assim como Deus não exigia que a Páscoa judaica fosse celebrada em todo sábado, também a comemoração da morte de Cristo não precisa ser celebrada todas as semanas. Eis o que o apóstolo Paulo escreveu a respeito do sacrifício de Cristo: « Alimpai-vos pois do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós » (1 Coríntios 5:7 – Tradução Almeida:1628-1691). A analogia — ou correspondência — entre a comemoração da morte de Cristo e a antiga Páscoa judaica, que era celebrada uma vez por ano, é clara.
Um último detalhe diz respeito à profecia de Ezequiel — especificamente aos capítulos 40 a 48, que contêm uma descrição profética da administração do Reino de Deus na Terra. Eis o que está escrito no capítulo 45 de Ezequiel: « No primeiro mês, no dia 14 do mês, vocês celebrarão a Festividade da Páscoa. Durante sete dias devem-se comer pães sem fermento » (Ezequiel 45:21). Naturalmente, no paraíso terrestre, a Páscoa judaica não será mais celebrada; em vez disso, a celebração realizada será a comemoração da morte de Jesus Cristo — o evento que torna possível a ressurreição e a vida eterna na Terra. O ponto fundamental é que o simbolismo profético da Páscoa judaica aponta para a comemoração da morte de Jesus Cristo, um evento vinculado à data de 14 de nisã mencionada nessa profecia (1 Coríntios 5:7).
Consequentemente, é também apropriado aplicar outra passagem desta mesma Primeira Carta aos Coríntios, que diz: « E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolos, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro » (1 Coríntios 4:6 – Tradução Almeida:1628-1691).
Em suma, a posição editorial deste site é afirmar que a Comemoração da morte sacrificial de Cristo ocorre uma vez por ano, no aniversário do dia 14 de Nisã (uma data do calendário bíblico judaico). Qualquer que seja a decisão que um discípulo de Cristo tome em seu coração, que o faça com fé ou convicção: « Tudo o que não é de fé é pecado » (Romanos 14:23b – Tradução Almeida:1628-1691).
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A Comemoração da Morte de Jesus Cristo (Lucas 22:19)
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